11 de janeiro de 2017

Os anos passam

Os anos passam mas as memórias ficam. Nem todas, que há coisas que não vale a pena guardar, nem que seja no canto mais recôndito do nosso sentir. Mas isto porque há dias confrontava-me com fotos de colegas dos tempos de escola, já vai para 20 anos que não vejo algumas daquelas caras, outras um pouco menos, porque nos cruzámos aqui e ali, mas ainda assim, as memórias do que me lembrava eram outras. Não sei se é a vossa experiência também, mas o facebook trouxe-me de volta muitas pessoas desse tempo que agora vou acompanhando: conheço-lhes as casas, os empregos, os filhos, as caras metade, os gostos, os vinhos que bebem, as zangas que têm, o fervor clubístico, as mágoas com a vida e com todos os que não os entendem e não aceitam a sua frontalidade e afins, enfim, o habitual do facebook (e quem sou eu para falar que também por lá ando?). O que sinto é que as mulheres, na sua grande maioria, estão todas com muito  mais estilo, muitas delas bem mais bonitas. Foram-se os cabelos frizzados e de cortes pouco abonatórios, as roupas de gosto duvidoso (os 90 também não foram bonzinhos a esse nível), os óculos fundo de garrafa, alinharam-se os dentes, há muito mais elegância e em alguns casos menos peso. Nos homens vejo o contrário. Menos cabelo, em alguns caso ausência total de cabelo, barrigas proeminentes, peso a mais e até alguma dificuldade em descobrir as caras de outrora. Não é em todos, que também os há dos que ficaram com mais estilo, mais bem vestidos, um ou outro que perdeu bastante peso, mas na sua maioria não. Olho para o que tenho lá em casa, juntos que estamos vai para 14 anos e vejo-lhe a elegância tranquila de quando o conheci, vejo o cuidado na forma de vestir, não há barriga que se veja e apenas os cabelos brancos se têm feito notar, mas nisto do cabelo há coisas impossíveis de controlar. Mas calhou-me um dos que tem algum cuidado consigo, coisa que o facto de ter sido jogador de futebol ajuda, porque lhe ficou um bicho pelo desporto e pelo exercício físico que o vai perseguir para o resto da vida, coisa rara, do que vejo. E eu pergunto-me o porquê de as mulheres enfrentarem o tempo tão melhor do que os homens. O que se passa com os homens que deixam de querer saber de si? 

10 de janeiro de 2017

Sim, também tenho algo a dizer sobre os Golden Globes

Há como não adorar esta mulher? Não só pela actriz maravilhosa que realmente é, mas pela sensibilidade e honestidade emocional com que brinda o seu discurso. 


De resto, quero lá saber dos vestidos (deixo isso para as verdadeiramente entendidas) estou desejosa é de botar olhos em alguns dos filmes que prometem muito como o Manchester By the sea, o La la Land, o Lion e o Monnlight. Isto promete!

4 de janeiro de 2017

Ainda vou a tempo de vos desejar um feliz ano?

Foi um final de ano complicado. Ainda consegui aproveitar o Natal, mas a tosse que se me tinha instalado em inícios de Dezembro não deu tréguas e depois de andar de casa em casa, de terra em terra, a apanhar o frio da noite, a malvada transformou-se numa infecção brônquica aguda que me levou à cama por quase 15 dias. Ser asmática não ajuda e por isso, tive que dizer olá à bomba depois de não nos falarmos há alguns anos. Foram ainda dias e dias sem olfacto, sem paladar e, por isso, sem me perder por qualquer iguaria natalícia, pelo que, vendo pelo lado positivo, devo ser das únicas alminhas que não se queixa dos quilos ganhos após as festas, até porque na verdade perdi dois.Tinha ainda planos maravilhosos para a passagem de ano, com direito a um vestido especial, hotel marcado e tudo e tudo e troquei isso tudo pela minha casa, roupa confortável e sumo de laranja a fazer as vezes de champanhe. A indisposição, a febre e a tosse dantesca foram de tal forma que num destes dias quase corri para casa dos vizinhos para pedir ajuda, tal foi a aflição e a falta de ar. Julguei que me finava ali, de forma tão pouco romântica e de pijama velho. 
Neste momento estou com os costados todos doridos, quando tusso quase faleço e o pescoço não está melhor porque, para ajudar à festa, fiz uma contractura muscular com o esforço da tosse, pelo que, apesar de ter regressado hoje ao trabalho. não estou no meu melhor. Ainda tenho voz de fanhosa, ainda há resquícios de tosse, apesar do antibiótico, da bomba, dos analgésicos e mais mil um medicamentos que me foram prescritos. 
Valeu-me estar rodeada de amor, que é o que se quer e a única coisa que realmente preciso. Fosse eu supersticiosa e teria medo deste 2017 que me conheceu de pantufas, franja despenteada e nariz ranhoso. Mas como não sou, tenho a certeza que será um ano maravilhoso. 

Feliz 2017! Que seja um ano de muitos sorrisos. 

19 de dezembro de 2016

Dos presentes

Quando conhecemos muito bem uma pessoa sabemos perfeitamente o que oferecer. O pior é quando nem dois dias depois de presente comprado, a pessoa insinuar a sua intenção de comprar o mesmo. Foi assim com a prenda do P. para este Natal - bilhetes para o Nos Alive para dia 6. Sábado tive que antecipar o Natal lá em casa (a nossa única regra no Natal é que sejam presentes para nós!), e entreguei-lhe um recado a pedir para tirar os dias 6 e 7 de julho de férias, que nós não caminhamos para jovens e promete-se uma noite em grande, depois os bilhetes. Vacilei tanto entre o dia 6 e o dia 8, mas depois ele manifestou vontade em comprar bilhetes para dia 6 e eu soube que tinha acertado na mouche. Tive imensa sorte com o festival a arranjar-me a solução perfeita para o presente dele, para nós. 

16 de dezembro de 2016

Os gatos, esses seres independentes e traiçoeiros

Maridão esteve fora esta semana toda. O novo emprego levou-o até à Alemanha, país onde já viveu e onde já fomos os dois muito felizes. Chega hoje, perto das 22h e eu estou já a magicar uns petiscos do outro mundo para uma ceia a dois (mais quatro, claro) para matarmos saudades e me contar como correu tudo, com o detalhe que as chamadas diárias não exigem. 
Foi uma semana de muito gato no colo, o que a considerar que sou apenas uma, foi exigente, porque eles gostam todosssss de colo. Tiraram senhas e a coisa correu bem - isto é como quem diz, que vieram dois de cada vez, sempre que um se levantava para fazer algo, outro vinha a correr para ocupar o lugar quentinho. Nunca dormimos com os gatos, o nosso quarto é só nosso, mas como estava sozinha e a empregada só ia hoje, lá os deixei dormir comigo (a verdade é que já não estou habituada a dormir sozinha). Foi bonito de se ver - para eles, que eu não dormi nada de jeito. Ora era o Tobias e os seus seis Kg, que a meio da noite queria festas e se deitava em cima de mim a miar ao meu ouvido e a por a pata na minha cara (seria fofo se não parecesse tortura), ou o Mel, jovem que é, que queria brincadeira com os meus pés, atacando-me sempre que me mexia, em momentos alternados com outros em que acordava com a sua cara linda encostada à minha e um ronron feliz como se não houvesse amanhã, ou a Blue que queria expulsar a malta toda, para ficar comigo só para ela (sou a humana dela, nada a fazer), enroscando-se bem encostada a mim, como sempre adorou fazer. Dona Gata não se fez ouvir e tenho para mim que ficou parte da noite no sofá, para não stressar, que ela é dada a nervos fáceis e a discussões tontas e barulhentas, com direito a perseguições com a Blue (coisas de gatas, há mais de dez anos juntas e continuam a não se poder ver à frente). São companheiros maravilhosos. Não me deixam nunca sentir sozinha, nem mesmo quando quero estar sozinha, como nas idas ao wc, em que, ou deixo a porta aberta para passearem e "conversarem" comigo, ou fecho a porta (quando há mais gente em casa) e ficam do lado de lá a chamar-me. Há sempre um mirone enquanto tomo banho e, enquanto me visto, os rapazes aproveitam para se esticar no chão, a pedir festas, que agradecem com marradinhas que me dão pela casa enquanto corro para tratar de tudo antes de sair, deixando-me cheia de pelos que vou tirando pelo caminho para o trabalho. Eles são mais melosos e sociáveis, dão-se bem como toda a gente, elas são mais autoritárias com os restantes gatos, mais selectivas e querem sempre atenção exclusiva. Já eu, sou uma sortuda por ter estes 4 gatos maravilhosos. 

15 de dezembro de 2016

Até sempre B.

Atordoada que estou com a partida de uma pessoa que não via há alguns anos mas com quem falava por vezes no fb (a última vez foi há menos de um mês, porque ele procurava um gato para os seus pais) e que sempre soube e senti que era alguém genuinamente bom, de sorriso sincero, não consigo deixar de pensar em como passamos a vida agarrados a coisas supérfluas, agastados com discussões desnecessárias, muitas vezes com as prioridades trocadas e com os sonhos perdidos algures no tempo. Vivemos demasiado submissos às obrigações do dia a dia, sem tempo para nós, sem tempo para os que nos são realmente importantes. Estava sozinha em casa (o P. está na Alemanha) e estava a preparar-me para uma noite de séries quando soube e, desde esse momento, só consigo pensar em como tudo pode mudar num minuto e em como devemos viver cada dia como se fosse o último, com gratidão plena por tudo o que temos, amando muito, sorrindo muito e lutando sempre pela nossa felicidade e pelos nossos sonhos.  

Dizia ele que eu era grande, que era uma pessoa excelente, admirava a minha entrega aos animais e a causas, quando ele é que era e eu nunca lho disse, por timidez parva, porque fico sem jeito quando me elogiam, porque achei que tinha tempo... quando o tempo era algo que estava a escassear. Lição aprendida: não deixar nada por dizer, nada por fazer, nada por viver e não tomar nada como garantido.  Escrevo-o em lágrimas, com o coração apertado, mas grata por ter tido a oportunidade de conhecer esta pessoa maravilhosa. 
 

7 de dezembro de 2016

Já aqui me confessei apaixonada por vestidos

E estes três andam mesmo debaixo de olho:




Na loja do costume, Zara.
Como sou uma pessoa razoável, vou escolher um dos três para me oferecer pelo Natal mas só e porque são o tipo de peças que adoro, que são a minha cara e que uso mesmo muito! Mas não fujo à minha regra, comprar uma peça nova implica sempre o desapego de uma que já não uso ou não lhe sinto a falta, que segue para alguém que possa realmente gostar e usar. 

6 de dezembro de 2016

Há coisa de um ano estava eu tranquilamente alapada no sofá em casa quando num momento de preguiça lânguida deixei descair uma mão e apercebi-me que tinha um alto na mama direita. Só o sentia com o braço direito levantado, mas ele estava lá. Algo que não fazia parte de mim e que aparecia numa zona onde todas sabemos que não é de descurar. Só que eu sou péssima com esta coisa da minha saúde e tão mais chata e insistente com a dos outros e andei a adiar, adiar, adiar, até ao dia em que me apercebi que o nódulo continuava lá e que se sentia mesmo sem ter que levantar o braço. Asneiradas mentais à parte, lá marquei consulta com a médica de família, porque tenho uma das (abençoadamente) boas e atentas. Quando lá cheguei, depois de expor a situação, foram duas as médicas a apalpar-me e a passar logo os exames necessários, aconselhando sítios da sua confiança onde os poderia fazer. Bem comportada, lá fui eu fazer a eco mamária e a mamografia e vim de lá com os cabelos a quererem por-se-me em pé, depois de me dizerem que provavelmente teria que ser operada. Chegada a casa, vai de espreitar o relatório só porque sim e como não percebia nada daquilo, fui ao google, esse senhor sabe tudo, para perceber melhor. Ora acontece que estes exames podem dar origem a uma escala, a BI-Rads, que vai do zero ao cinco e eu estava ali no 4, ainda que no 4A. E o que diz o 4A? 

Categoria 4A: nessa categoria incluem-se lesões que necessitam de intervenção mas cujo grau de suspeição é baixo. Aí estão os cistos complicados que necessitam de aspiração, as lesões palpáveis sólidas, parcialmente circunscritas, e que o ultrassom sugere tratarem-se de fibroadenomas, ou um abscesso mamário. O seguimento dessas lesões pode mostrar um diagnóstico anátomo-patológico adicional comprovando malignidade, ou um seguimento semestral benigno.

Ainda assim, optimista como sou, guardei as preocupações para depois de falar com a minha médica. Quando mostrei os exames, novamente duas médicas, que só me diziam: "Tenha calma, que pode não ser nada". Aí comecei a preocupar-me verdadeiramente. Disseram que me enviariam para o hospital da cidade, mas que gostavam que eu tivesse um diagnóstico mais rápido e que fosse logo à Fundação Champalimaud.  Aqui só aceitam casos que podem de facto ser de cancro e depois de mostrar os exames e o relatório lá fui aceite. No dia da consulta o P. foi comigo, ambos certos de que tudo iria correr pelo melhor. Já me bastava a luta contra a endometriose, essa cabra que me tem atirado para camas de hospital vezes demais, não iria ganhar mais uma mazela. 

A fundação está num edifício espectacular, moderno, à beira rio, com uma vista fantástica e um jardim interior magnífico, tudo muito claro e muito clean, tudo a contrastar com o peso que senti na sala de espera, onde havia pessoas em fase de tratamento contra o cancro, onde a tristeza é uma constante e por vezes a esperança já não brilha no olhar. Mentalmente imaginei-me a passar por tudo - como não imaginar se eu estava ali com a possibilidade de ter cancro? - e o que mais me pesava no momento? Ter que contar à minha família se se confirmasse. Só o P., o meu irmão, cunhada e uma das minhas irmãs sabiam o que se estava a passar e ainda hoje, só eles sabem.  Isto porque, felizmente, na FC fizeram novos exames e consideraram que nesta fase, tem todas as características de benignidade, mas recomendaram consultas semestrais para fazer o acompanhamento, até porque, além do que se sente, encontraram outros nódulos. Por sorte e com estes exames e historial consegui, na consulta da endometriose que faço também semestralmente, que me passassem para a consulta da mama no Hospital de Santa Maria. Brevemente farei nova eco e em finais de Janeiro lá estou eu para mostrar as mamas. À endometriose junta-se mais esta rotina semestral, mais consultas, mais exames chatos, mas sei que estou bem acompanhada, num hospital onde só tenho coisas boas a dizer. O que vier virá com alguém deste lado sempre pronta para vencer qualquer batalha. Porque a escala BI-RADS pode mudar novamente. Mas eu acredito sempre e só em finais felizes.  

Tudo isto apenas para lembrar, a quem está desse lado, que é importante estarmos atentas ao nosso corpo, é importante identificar cada mudança, é importante apalpar as nossas mamas regularmente e, acima de tudo, não descurar a nossa saúde. Não se fiem nas estatísticas, nos ditos grupos de risco, nas idades que estabelecem, não se limitem a um não quando algum médico vos recusa um exame e não se sentem realmente bem - peçam segundas opiniões, informem-se.  Cuidem-se como devem e como merecem. 



5 de dezembro de 2016

Não contribuí para o Banco alimentar contra a fome

Talvez pela primeira vez em anos, desde que me lembro. Mas porque contribuí para outras causas, duas delas mais locais e por isso menos conhecidas. São duas instituições sociais da cidade onde trabalho, cuja recolha, ainda a decorrer, incide em produtos essenciais e que nós, no nosso dia a dia até nos esquecemos do que seria a nossa vida sem os mesmos. Não falo só de comida, mas de produtos de higiene, indispensáveis para o nosso bem estar. Enchi um saco com embalagens de pensos higiénicos e produtos de limpeza. E ainda papas lácteas, kg de arroz e paletes de leite. Quero ainda comprar materiais para a escola: cadernos, canetas, lápis...coisas tão simples e tão acessíveis para mim, quanto inacessíveis a quem mais precisa e para quem todo o incentivo é importante para dar continuidade à sua formação. 
Brevemente vai haver uma recolha de livros em segunda mão para venda, cujos valores revertem para uma associação animal e eu juntei já mais de vinte livros para doar, entre livros que me ofereceram e que não têm anda a ver comigo, livros que li e que não me marcaram e livros que não sei sequer como foram parar lá a casa, é sempre uma forma de ajudar. Enchemos ainda três sacos de roupa boa do P. que ele não usa e doámos à Igreja.
Na semana passada seguiu a nossa prenda para os Anjinhos de Natal, cuidadosamente comprada, embrulhada e enviada com a esperança de dar alguma alegria ao Anjinho que me calhou, o S. e fiz ainda um pequeno donativo para a fundação do Gil. Sou grata por tudo o que tenho, sou grata por poder ajudar. 
As causas são mais do que muitas e as necessidades maiores do que possamos imaginar. Escolham causas que vos tocam no coração, sejam elas de ação junto de pessoas ou de animais. Escolham causas mais conhecidas ou causas locais, instituições pequenas em dimensão e fama, mas grandes em papel que desempenham, que são as que muitas vezes mais precisam. Seja em dinheiro, em roupa que não precisam, livros, bens alimentares, o pouco que vos possa parecer, é sempre maior aos olhos de quem recebe. Escolham alegrar o Natal de quem mais precisa e vão ver como alegram o vosso coração também.

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Sou uma pessoa de celebrações, de datas especiais, de reviver momentos importantes na minha vida, daqueles que nos mudam, que nos ajudam a seguir novos caminhos, a esquecer o que para trás ficou. Por vezes são momentos tão aparentemente simples, como profundamente importantes, são aquele pequeno clique no passado que nos permitiu chegar ao presente. Olho para trás e vejo como tudo poderia ter sido tão diferente e celebro o facto de cada momento da minha vida ter decorrido exactamente como decorreu para ter chegado ao aqui e ao agora. Hoje celebro os 14 anos do primeiro encontro que tive com o P. Aquele mágico encontro, do qual recordo cada detalhe, cada palavra, cada sorriso, sem sabermos ainda que estávamos prestes a arrancar numa dança que é perfeita a dois. São 14 anos que passaram a correr, de meninos a crescidos e tem sido tanto o que temos aprendido e tanto o que temos partilhado...
Não deixem que vos façam acreditar que a paixão acaba e apenas fica o amor, não deixem que vos digam como e o que devem sentir. As borboletas na minha barriga continuam a saltitar, como quando era aquela menina de 24 anos e o meu coração pulava de alegria quando me cruzava com ele nos corredores do trabalho ou quando ele sorria para mim sem que ninguém se apercebesse da cumplicidade que aquele sorriso me transmitia. E tudo é tão melhor agora que nos conhecemos no silêncio, que nos compreendemos sem termos sequer que falar, que não permitimos que as diferenças nos afastem. Os anos passam, mas eu nem dou por eles, certa de que nos conhecemos há mil anos e que mil anos temos pela frente.  

30 de novembro de 2016

Filmes de fim de semana

Estes foram vistos no fim de semana passado, aproveitando as minhas maleitas e a vontade de ficar alapada no sofá, debaixo de mantas. Bem sei que ando atrasada no que aos filmes diz respeito, mas mais vale tarde do que nunca. 
Ambos são o tipo de filmes que gosto, porque me tocam, porque marcam, porque mexem comigo, porque quebram barreiras, por razões completamente distintas:

O primeiro, Room, a desconcertante e claustrofóbica história de uma jovem raptada e mantida em cativeiro (a lembrar tantas histórias dolorosamente reais), num quarto minúsculo, escuro, feio, tendo tido um filho durante esse tempo (não me adianto muito porque não quero spoilar!). As interpretações deste filme são absolutamente fabulosas e o facto de me ter deixado sem ar e desesperada em alguns momentos, é reflexo de como está, para mim, tão bem conseguido:


Já conhecia a Brie Larson e já a achava fantástica, mas o pequeno Jacob Tremblay é fenomenal e profundamente emotivo, essencial para o sucesso deste filme. 

O segundo, caso Spotlight, baseado numa investigação, toca pela dura realidade dos escândalos da igreja, tão forte e frequentemente abafados pelo seu poder e pela sua tão extensa rede que vai muito para além da mesma. Os números são absurdamente elevados no que respeita a casos de pedofilia, investigados só na cidade de Boston, fazendo prever uma extensão monstruosa do que se passa nos EUA e no mundo. É um filme de interpretações, mas também de histórias de persistência, de procura pela verdade, de um jornalismo de investigação como não se vê por cá e que eu adoraria ver: 



Bom feriado - que seja maravilhosamente bem aproveitado:-)

Então e essas black fridays e cyber mondays, que tal?

Confesso que o simples facto de saber que havia promoções e saldos me pôs a milhas de qualquer loja física ou centro comercial. Sou das que gosta de ir com calma, com as lojas arrumadinhas e não em modo feira, sem filas para pagar (já desisti várias vezes de peças que queria mesmo depois de vislumbrar uma fila a dar a volta à loja) e sem tresloucados a empurrar os cabides na nossa direção. Ou seja, gosto de compras, que gosto, mas detesto confusões. Vai daí que passei os 4 dias de black com cyber e afins longe de lojas, mas atenta aos sites e sobretudo atenta se as ditas promoções eram isso mesmo ou um engodo para quem está menos atento aos preços. Queria ainda aproveitar para tratar de alguns presentes (embora já estejam quase todos comprados) e queria muito uma camisola que andava a namorar, mas que às 7h e tal da manhã já estava esgotadíssima no meu número. Acabei por comprar apenas este vestido na mango, que é talvez a minha loja de eleição, de há anos e anos:

20% de desconto e pronto, fiz a festa com uma das peças que mais me caracteriza, os vestidos (nunca são demais). Ontem tinha uma mensagem da Sephora a indicar 20% de desconto, o que a acrescer 25% de descontos em coffrets, me permitiu comprar ainda mais dois presentes e poupar 20€. Até dia 16 mantém o desconto de 20% para quem recebeu a mensagem, por isso ainda vou aproveitar e tratar de mais uns presentes por lá. Outros serão presentes de produtos mais típicos: doces, vinhos e outras delícias, embrulhados em celofane, em modo cabaz (eu cá adoro receber cabazes!). Já faltam poucos, mas só sossego quando os vir a todos embrulhadinhos e prontos a seguir. Depois é tratar da organização das festas, pensar nos detalhes e afinar as cordas das guitarras e vocais - sim, quer do meu lado, quer do lado do maridão, Natal implica sempre muitas cantorias e muitos sorrisos. São sempre natais felizes, junto dos nossos, o que realmente importa. 
Boas compras para os que estão desse lado!

29 de novembro de 2016

E desse lado, já montaram a árvore de Natal?

Tinha decidido não fazer árvore de Natal, à semelhança do que aconteceu no ano passado, certa de que a chegada do Mel a esta família não se coadunava com um elemento gigante (aos olhos dele), carregado de bolas e fitas coloridas, anjinhos e bonecos de neve e toda essa panóplia típica e que eu adoro, mesmo a pedir um salto encarpado e um trambolhão monumental. O Mel saiu da rua com sete meses, estava mais do que habituado a árvores e a brincar com tudo o que lhe aparecia à frente (pelo menos antes de ficar tão doente), por isso no ano passado limitei-me a tratar da árvore da casa da família, que fica sempre a meu cargo e deixei a minha guardada no sítio de sempre à espera de dias mais tranquilos e menos brincalhões. 
Ora acontece que eu adoro o Natal e tudo o que o mesmo implica: as casas enfeitadas, os tons quentes, os festejos, as músicas típicas...talvez por ter tido uma infância complicada, mas em que o Natal significava união, a família junta, as minhas idas ao Alentejo para abraçar a minha querida avó e que ainda hoje tanta falta me faz. Lembrei-me então que tinha uma mini árvore de Natal a ganhar pó e por isso decidi fazê-la, em cima de um móvel, com poucos enfeites (de tão pequena não dá para muito mesmo), para manter a tradição de alguma forma - a verdade é que nunca festejo o Natal na minha casa, porque nos dividimos entre a minha família e a do P., mas ainda assim faço sempre questão de a adornar. 
Dom Mel ficou doido. Começou a ver bolas coloridas e os seus olhos até brilharam. Andou o tempo todo de volta de mim e, assim que terminei o meu trabalho, voltei-me para o apreciar  - isto foi o que encontrei:





Não foi grande trabalho, na verdade, a maioria dos meus enfeites, que adoro, não ficariam bem em algo tão pequeno e por isso não saíram das caixas)  Coloquei ainda um candeeiro daqueles baratuchos ali para tentar impedir o acesso e ele aproveitou para se "camuflar"... Vamos às apostas? Quem acha que ainda está de pé? :-) 

27 de novembro de 2016

Bem que gostava que tivessem sido dois dias cheios de glamour

Mas foram dois dias de mantas, sofá, chá de gengibre e gatos no colo. Ter um problema de saúde também é ter dias maus (felizmente muito esporádicos), em que as dores não me deixam vontade para mais do que enrolar-me no meio do mimo que os meus me dão. O lado bom é que deu para por alguns filmes que tinha em lista em dia e a comida, preparada por ele foi, como sempre, maravilhosa. 

Que a vossa semana seja feliz, cheia de sorrisos!

24 de novembro de 2016

The winter is coming

Entre 2º a 5º graus na viagem para o trabalho a sul e sabem que mais? Adoro. E agora com licença que hoje vai ser um dia longooo, mas longoooo. 



23 de novembro de 2016

Porque mais que o queira negar, por mais que me choque...

A verdade é que sermos felizes incomoda muita gente. Tenho pena que assim seja, porque a nossa felicidade só depende de nós e não dos outros. Ser feliz é concentrarmo-nos no que temos e não no que não temos, não no que os outros têm e nós gostávamos de ter. Ser feliz é sorrir com as pequenas coisas e ser grato por todas elas, por mais simples que possam parecer. Desdenhar, invejar ou falar mal de outros nunca trouxe felicidade a ninguém, pelo contrário, acredito piamente que murcha por dentro, que corrói a alma e o espírito e que só mostra a essência de quem o faz, não dos seus alvos. Ser feliz não implica não dar quedas, não ter lágrimas para chorar, mas ultrapassar esses momentos, aprender com eles e ser capaz de sorrir novamente. E eu sorrio, todos os dias. 


22 de novembro de 2016

Post para animal lovers - sinais que nos chamam a atenção




Dona Blue é a minha gata de sempre, que me acompanha há quase 15 anos e que viveu tantos momentos tão intensos da minha vida, como o irmos as duas viver sozinhas quando eu tinha 24 anos, a chegada do P. uns tempos depois e, no mesmo ano a chegada animada do Tobias, o melhor gato de sempre, as duas mudanças de casa que tivemos pelo meio, viagens para fora com os gatos atrás e tantos outros momentos. Reage quando estou feliz e parece querer abraçar-me quando estou triste. 
Até há uns meses atrás era uma gata enérgica e brincalhona, por vezes resmungona, sobretudo quando os outros gatos a chateiam, ou quando está confortavelmente adormecida no meu colo e eu me mexo um milímetro. Só é meiga comigo e não há forma de mudar isso. Todas as outras pessoas são-lhe razoavelmente indiferentes, podendo por vezes libertar um pouco do seu charme e lançar uma turrinha, mas pouco mais do que isso e é só quando ela quer. Os olhares dengosos, os miados que me respondem, a cumplicidade, é só para mim. 
Pela altura do verão a Blue começou a perder algum peso. No início não me preocupei muito, porque os gatos perdem sempre muito pêlo por esta altura (o que os faz perder volume) e porque noto que comem menos quando está calor e, sobretudo, quando vamos de férias (há ali um princípiozinho de depressão que os assola). O verão passou e nada de ganhar peso, tendo começado a perder a sua típica energia. Deixou de reagir às bolas de papel, aos brinquedos do Mel, ao próprio Mel, sempre pronto para a brincadeira e a saltar para cima dos meus velhotes, às minhas tentativas de brincar às escondidas com ela. Como já é idosa e lhe restam poucos dentes, pensei numa segunda alternativa: está a evitar a ração, que lhe custará mais a comer e está com menos energia por isso. Comecei então a dar-lhe todos os dias um pouco de comida húmida. Come bem (uma gulosa de primeira) ganhou alguma energia (sobretudo quando ouve o som da lata, a esperta), mas o peso permaneceu igual e por isso há umas semanas fomos com ela ao veterinário e aproveitámos e levámos o Mel, o nosso mini gato, que andava com as gengivas vermelhas e que se coçava muito na zona da boca (foi preciso bocejar quase em cima de mim, para perceber o quão vermelho estava). Do Mel, as notícias do costume, mas que muito me apertam o coração: que é um gato especial, que não tem quase defesas e que o provável é que estejam constantemente a aparecer-lhe pequenos problemas, nomeadamente esta gengivite que poderá voltar a qualquer momento. Estava com as gengivas bastante inflamadas e com pus e teve que levar duas injecções. Simpático como só ele, esteve o tempo todo a fazer ronron, deitado na marquesa, super bem disposto (pudera, também conhece muito bem o espaço e as pessoas que lá trabalham de tanto tempo que lá esteve e tantas visitas que tem feito), mesmo enquanto era picado e pesado.  O Mel é uma espécie de estrela da companhia lá no vet, todos o conhecem e querem vê-lo e fazer-lhe uma festa. Vem sempre uma auxiliar que o mima e que fica ali a conversar com ele, o que me faz saber, também por isto, que é o sítio certo para os meus bichos. 
A Blue está com um princípio de insuficiência renal, aquilo que a Vet diz ser o calcanhar de aquiles dos gatos. Havia outros sintomas que eu não tinha valorizado, como o facto de a ver beber muita água (quando me apercebi do exagero foi exactamente no dia em que já tinha decidido levá-la a uma consulta). Felizmente os valores não são elevados, mas implicam alteração na alimentação, medicação e acompanhamento regular. Está na terceira semana de tratamento e este fim de semana repetiu as análises e está a reagir muito bem. Já recuperou energia, já voltou a ser ela. O peso mantêm-se mais baixo do que o habitual, que sempre foi uma gata robusta e grande, mas noto-a mais ela. Já corre, já brinca, o que me deixa tão mais aliviada. 
Isto para vos dizer, a todos os que têm animais, que a mais pequena alteração no comportamento do vosso animal é quase sempre uma confirmação de que algo não está bem. Pode ser algo simples, como a gengivite do Mel que o levava a coçar-se a cada dois minutos, ou algo mais complicado e que, detectado a tempo, pode ser bem acompanhado e revertido, mas uma simples mudança de comportamento, significa que algo mudou dentro deles. O P. tende sempre a desvalorizar e achar que está tudo bem (essa é a postura dele perante tudo na vida), eu fico sempre mais atenta e opto pelo caminho mais seguro, prefiro sempre a prevenção. 
Já antes nos aconteceu com o Tobias, um gato super humanizado, que anda sempre atrás de nós e o simples facto de passar um ou dois dias inteiros dentro de uma transportadora por opção dele (ele prefere sempre o nosso colo ou o sofá), foi o primeiro sinal para um diagnóstico de pancreatite. Fiquem atentos, sem exageros, claro (como a minha querida irmã que é hipocondríaca com ela e com os gatos, um sonho de qualquer veterinário menos honesto), mas sempre que uma alteração se dá por dias e dias, é de verificar. Para eles o melhor - só assim, com esta entrega e este cuidado, nos devemos permitir ter animais. 

21 de novembro de 2016

No fim de semana, foi assim:

Fim de semana de temperaturas mais baixas e temporal, não foi desculpa para não o aproveitarmos como deve ser. Sábado rumámos a um bom restaurante com os nossos amigos mais queridos e depois, passeámos pela mágica Sintra, onde não me canso de ir. Não fomos aos travesseiros (não sou grande fã) mas sim às queijadas, que adoro. 
Comemos tanto e tão bem, que o nosso jantar foram castanhas, queijo e vinho, com os nossos gatos felizes por estarmos em casa e por poderem aninhar-se em nós. De seguida, um filme que me comoveu até à medula: A Rapariga Dinamarquesa, com um Eddie Redmayne a mostrar porque é tão espectacularmente maravilhoso e como se entrega tanto aos papéis que desempenha. Fico com aquela sensação de que quando o vir novamente, não o vou conseguir dissociar da personagem que interpretou, mas a verdade é que já o tinha sentido antes quando vi a Teoria de tudo. A Rapariga Dinamarquesa não só é um filme de interpretações maravilhosas (também a Alicia Vikander a dar cartas, uma vez mais) e baseado numa história comovente e verídica, como tem momentos em que tudo parece uma pintura bem emoldurada e com cores subtilmente perfeitas, mostrando-nos uma Dinamarca boémia e muito mais aberta nos anos 30, do que este nosso cantinho à beira mar plantado. Na história real, o Eine Wegener conseguiu mudar a sua identidade e passar a ser a Lili Elbe, conseguiu documentos com a sua nova identidade e fazer várias operações para mudar de sexo. O que o filme não mostra, é que na realidade morreu após a sua 5.ª cirurgia, numa tentativa de transplante de útero. Alma corajosa, que não conseguiu o seu final feliz. 

Por Sintra: 






Imagens maravilhosas do filme, como quadros perfeitos:






Bem sei que meio mundo já viu o filme há séculos, mas nós andávamos a adiar este há algum tempo, talvez desencantados com muitos dos filmes oscarizados e que depois não nos enchem as medidas. 

Para todos, uma semana feliz, cheia de sorrisos.

18 de novembro de 2016

Das pessoas perfeitas uma para a outra

Saber que ele tem ido, todas as noites, colocar comida e água para um gato que tem aparecido na nossa rua. Tem o cuidado de colocar junto a uma árvore e protegido pela mota dele, longe dos olhares maldosos dos humanos sem coração. Saber que, como eu, partilha este amor pelos animais e esta compaixão por aqueles que não têm um teto e alguém que os proteja. Podemos não ser perfeitos, mas certamente que o somos um para o outro. 

17 de novembro de 2016

Mudanças

Sou um pouco bipolar no que respeita ao meu cabelo. Tão depressa me apetece ter curto, como o quero comprido, como adoro as ondas rebeldes, ou suspiro pelo liso sem stress e sem vida própria. E a franja? Ah a franja que adoro nos cinco dias a seguir a cortar, para passar os meses seguintes a segurá-la com gancho ou a ter que a esticar diariamente e sem grande sucesso e a pedir por tudo que cresça mais rapidamente, para depois a cortar outra vez, esquecida que fico do trabalho que dá. Não tenho dificuldade alguma em dar-lhe um corte valente e foi isso que fiz há uns três anos atrás, antes ainda de toda a gente ter cabelo curto (um pouco acima dos ombros, vá) e em Abril deste ano, cortando pelos ombros...sendo que, por ser muito ondulado, facilmente ficou acima dos ombros em dias de mais humidade e de chuva impiedosa. A parte do volume também se vence com um  ou dois alisamentos por ano, que foi o que fiz antes de ontem. Com a chegada do inverno fica muito difícil andar com ele como quero, como gosto, algo muito mais fácil nas estações secas, com os produtos certos. Mas entra o outono e nem os melhores produtos me tiram os nervos capilares, nomeadamente quando acordo com um lado mais para o encaracolado e o outro, ondulado. Bonito, não é?  Não, não é. A única coisa que não lhe faço é pintar. Já o fiz, há uns anos atrás, com aquelas tintas que saem com as lavagens e fiz madeixas uma vez, para jurar que nunca mais o faria, de tão terrivelmente seco que ficou. Dava para esconder coisas nos nós do meu cabelo (outros tempos, outros produtos, quero acreditar). Assim, está decidido que este cabelinho só verá tintas quando os brancos forem demasiado evidentes o que, por ter o cabelo claro, é bem capaz de demorar um tempo. Com a minha idade a minha mãe, morena que só ela (sangue indiano, por isso, dá para imaginar), já pintava o cabelo para cobrir os brancos, o meu pai hoje, aos 62 anos, tem uns três cabelos brancos tão bem espalhados que nem se dá por eles (temos o cabelo da mesma cor). O meu cabelo era louro mas louro quando era mais nova, foi escurecendo com a idade, mas ainda fica bem claro quando apanha sol, algo que abundou para estes lados este ano, como se pode ver na foto. 
Ora o alisamento tem esta primeira fase inicial, antes de se poder lavar, em que uma pessoa fica demasiado "lambida", em que não pode prender o cabelo, não se pode por um gancho, usar chapéus, nada. Um stress para mim, que tenho por hábito os rabos de cavalo quando cozinho, que gosto de o prender no alto, quando estou mais descontraída e que uso e abuso dos ganchos, boinas e afins. Penso que o stress de o deixar ficar marcado é tanto que deve explicar o facto de hoje ter dormido de cabeça para baixo e acordado com a cara toda marcada - parecia o scarface. 
Mas pronto, alisamento feito, já pode vir a chuva que eu estou preparada!  



E sim, a camisola está cheia de pelos - marcas de amor dos meus bichanos - e a foto está uma desgraça, que eu tenho zero de jeito para tirar fotos a mim mesma :D