Apenas para lembrar como era o antes, aqui fica um excerto de um poema de Ary dos Santos - As portas que Abril Abriu:
Era uma vez um país
onde o pão era contado
onde quem tinha a raiz
tinha o fruto arrecadado
onde quem tinha o dinheiro
tinha o operário algemado
onde suava o ceifeiro
que dormia com o gado
onde tossia o mineiro
em Aljustrel ajustado
onde morria primeiro
quem nascia desgraçado.
Era uma vez um país
de tal maneira explorado
pelos consórcios fabris
pelo mando acumulado
pelas ideias nazis
pelo dinheiro estragado
pelo dobrar da cerviz
pelo trabalho amarrado
que até hoje já se diz
que nos tempos do passado
se chamava esse país Portugal suicidado.
Não quer dizer que, chegados aqui, não tenhamos que lutar pelo depois.
Penso que, volvidos 35 anos, o antes confunde-se com o depois.
ResponderEliminarNo antes, o meu pai fugiu do país para não ser agarrado pelas malhas da PIDE... Hoje, e embora as pessoas não se queiram confrontar com a realidade, o medo continua. Silenciado em cada mesa "onde o pão É contado".
É este o Portugal de Abril?
;)
... E hoje, cá por casa, não se ouve outra coisa a não ser Zeca Afonso!
ResponderEliminar;)
Hoje acordei a cantar "Grândola Vila Morena" - essa música mexe comigo ;).
ResponderEliminarOs meus pais eram jovens na altura do 25 de Abril, mas relatam-me as suas vivências. Assim como os meus avós me relatavam as dificuldades que se viviam e sentiam. É verdade que o medo continua, mas às vezes tenho dúvidas se esta geração teria coragem para um novo 25 de Abril.
Era uma vez a liberdade que herdei
ResponderEliminarQue foge veloz como fumo destemido que além passa
Era uma vez a esperança que para sempre alimentarei
É o não apagar da ilusão que me deixa alma devassa!
Não me sinto livre porque me obrigam a lutar. Sinto-me livre porque é essa a única forma de sobrepor o viver ao sobreviver!
Revolução de mentalidades. é o que é preciso. Um Beij*
ResponderEliminarPor aqui ainda se ouvem as "velhinhas" cassetes, verdadeiras relíquias de tempos idos, mas que deixam saudades...
ResponderEliminarEmbora tenha nascido dois anos após a Revolução, fui educada segundo os valores da mesma: Liberdade, Igualdade, Fraternidade. Nada disto hoje existe. Quando alguém se manifesta contra o sistema do compadrio existente - e hoje muito pior que nos tempos da ditadura -, é silenciado : ou porque a sua voz não passa de um número, ou porque é imediatamente assediado por um "tacho". O que principalmente caracteriza a sociedade portuguesa de hoje é a FRAQUEZA. De corpo e principalmente de espírito. Toda a minha família provém de origens humildes - agricultores e pastores -, que sempre lutou pelo pão de cada dia. E hoje a luta continua. Eu continuo: pelo pão e contra o sistema.
;)
temos de aprender a dar valor aquilo q temos e a respeitar a liberdade que tantou custou a conquistar.
ResponderEliminarso e pena o feriado ser ao sabado :p
E cada vez temos que lutar mais...esta foi uma Revolução que só vai ter efeitos a longo prazo, e por isso todos temos que remar p o mm lado.
ResponderEliminarMas bem que o 25 de Abril podia ter calhado de semana :|
... E eu continuo a perguntar-me porque é que o facto de o feriado ser ao sábado incomoda. Há muita gente por aí que se vê "em feriado" (vulgo desemprego), e que certamente nem ao sábado se importaria de trabalhar.
ResponderEliminarExistem valores que deveriam estar acima de um dia de descanso... Liberdade aparente.
;)
Maria, não incomoda. Mas isso n obsta a que gostasse que calhasse de semana, e com isso n estou a diminuir ninguém, nomeadamente quem, infelizmente, n tem emprego.
ResponderEliminarNão foi um comentário egoísta.
Desafio lá no cantinho .P
ResponderEliminarXinXin
Dexter,
ResponderEliminarNão o considero egoísta, mas algo despropositado nos tempos que se vivem. Infelizmente o comentário não foi único, não apenas por aqui mas também por acolá.
Não se trata de diminuir que não tem emprego - falo na 1ª pessoa e em nada me senti diminuída, felizmente sei o que valho - mas, recorrendo às tuas próprias palavras "temos todos que remar para o mesmo lado".
A longo prazo? O português deixa sempre tudo para amanhã... E o resultado salta à vista.
;)
Quando referi o "longo prazo" não me referia ao que estás a pensar, suponho. Queria dizer que os resultados práticos de uma Revolução (tirando os óbvios, como o fim de um regime ditatorial e a instauração de uma democracia no verdadeiro sentido da palavra) nunca se dão de imediato, mas sim a longo prazo. No entanto, para que se atinjam esses resultados a longo prazo é preciso trabalhar e lutar todos os dias pelo que foi feito nessa Revolução. Por isso, acredito que daqui a uns anos (uns 40, que foi o tempo que o País esteve estagnado com regimes ditatoriais, mais coisa menos coisa) atinjamos o nível de desenvolvimento e de abertura mental desejado.
ResponderEliminarDexter, os factos a que hoje assistimos não deixam muita margem para acreditar que esse "nível de desenvolvimento e abertura mental" a que te referes estarão a ser postos em acção. Uma Revolução implica Evolução, e sinceramente não é isso que se verifica. Um dos valores de Abril foi a Igualdade, aplicada para todos: embora algo idealista, como sabemos, teria sido possível - embora com discrepâncias, é claro -, se os políticos e as suas "politiquices" não tivessem ficados inebriados com a ideia e sensação de poder.
ResponderEliminarQuando falei a longo prazo, referia-me à História: os portugueses são um povo que, salvo as conhecidas excepções, prima pela preguiça: está sempre à espera de um "bom pastor" que os guie, sempre com o sentimento da esperança latente... E depois falam-me em "fado". O verdadeiro "fado" está nas nossas mãos.
Falas-me em 40 anos: passaram já 35, e não é em 5 anos que o "boom evolutivo" se dará. Não por aqui, e não como as coisas estão. O que as pessoas querem, e sempre quererão, é "pão para a boca".
;)
P.S.: Bê, peço desculpa pela ocupação abusiva do Cantinho :)
Olá B sim sem dúvida um poema bonito e verdadeiro.
ResponderEliminartem tanto de uma coisa como de outra
beijo
Caros, neste blog respira-se liberdade: de opinião e de expressão. Estejam à vontade ;)
ResponderEliminarContinua actual, apesar de ja ter uns bons aninhos. :) Adoro este poeta.
ResponderEliminarO futuro é um grande ponto de interrogação... Será que não estaria na altura de outro 25 de abril?
ResponderEliminar**
Tão bonito, Bê! Obrigado!
ResponderEliminarSanxeri - é bem verdade...e assustador.
ResponderEliminarBrzum - às vezes penso se esta geraçaõ, na qual nos incluímos, terá força para isso...
Lady Cat - ;)