30 de maio de 2009

Desconfianças

Vivemos numa sociedade cada vez mais desconfiada, mais fechada em si mesma e, consequentemente, com receio de olhar para o outro. Ganho mais consciência disso, quando estou no meu carro com uma amiga e, junto a uma pequena rotunda, uma senhora com dificuldades motoras me faz sinal para parar e me pede que a leve até uma determinada morada. Vacilei. Vacilei, porque tive medo. Medo porque pensei na imensidão de esquemas e de crimes violentos que ouvimos hoje em dia em todos os meios de comunicação social. Disse-lhe (e não era mentira) que estava cheia de pressa e não conhecia a rua. Perante o seu olhar desesperado e a promessa de que a tal a rua ficava perto, acabei por aceder...deixei-a entrar para o banco de trás e fui o tempo todo a pensar e agora o que é que nos vai acontecer. Já a imaginar uma rua escura vazia, com uns quantos gorilas à nossa espera para nos roubarem o carro e sei lá mais o quê. Pensei eu e a A. ao meu lado. Lá fomos por ruas menos frequentadas e menos conhecidas até ao destino da senhora. Deixámo-la e olhámos uma para a outra para nos apercebermos que estávamos as duas com receio de que tudo não passasse de um truque. Lá fomos à nossa vidinha com a consciência pesada e envergonhada por tão prontamente acharmos que tudo e todos têm uma má intenção. Parámos no banco, para levantarmos dinheiro e quando eu saio do carro e vou buscar a minha mala ao banco de trás parei repentinamente. Não via a minha mala, que sabia que tinha posto no banco de trás, minutos antes de apanhar a A. A minha mala, onde estavam o meu telemóvel, a minha carteira, os meus cartões, óculos escuros, as chaves de casa e tantas outras coisas mais ou menos necessárias. O meu coração parou ali e gritei "A. a minha mala. A senhora (sim, chamei-lhe senhora) levou-me a mala" - entrei em pânico. Tive um pequeno ataque de stress: o meu coração disparou e as minhas mãos começaram a tremer. A minha franja, ainda nervosa, espetou na hora, novamente. Na minha mente, nos espaço de 5 segundos formaram-se imagens da dita senhora a largar as muletas e a correr disparada por uma ruazinha qualquer, qual Obikwelu, para me despistar a mim e ao batalhão de polícia que entretanto iria chamar. a minha cara deve ter variado entre todas as cores do arco-iris e mais algumas. Perdi uns dois anos de vida naquele momento. A A. olhou para o banco de trás, abriu a porta e disse-me calmamente: está aqui. Debaixo dos 23 casacos, sacos e até de um caixote pequeno. Lá estava ela. E mais uma vez fiquei envergonhada comigo mesma e não foi por ter um carro tão desarrumado, mas porque julguei na hora que tinha acabado de ser assaltada. Mas ainda fui a correr ver se estava tudo lá dentro (é que já fui assaltada umas quantas vezes, uma pessoa ganha trauma). E dou comigo a pensar quantos de nós não negamos a ajuda ao próximo com medo das suas intenções? De qualquer forma, apanhei um grande susto com o qual aprendi que, da próxima vez que der boleia a alguém que me pareça mesmo necessitado (sim, porque não daria boleia a qualquer um, óbvio) levo a mala ao colo - é que teria sido tão fácil, mas tão fácil levá-la...

29 de maio de 2009

Continuando...

Ok ok, eu partilho...(se eu não me rir de mim, quem rirá?).
O antes:










O depois, saída do cabeleireiro (ainda com tudo no sítio, mas bem mais pobre):
Ainda pensei partilhar a minha crista...mas era demais ;) fica para a imaginação de cada um! Agora sim, podem apedrejar-me...
E porque hoje é dia de sair do trabalho às 22h, vou, quase de seguida até à prainha, beber um coffe e aproveitar a bela noite que aí vem! Bom fim-de-semana!

Bê tochasDiaz

Nós mulheres inventamos um bocadinho. E não venham já apedrejar-me, porque a verdade é essa. Nunca estamos satisfeitas com o que temos e queremos sempre aquilo que não temos. Ora depois de passar 30 anos a lutar contra os meus caracóis e ondas rebeldes (exagero, porque só os aliso desde os 20, mais coisa menos coisa), no cabeleireiro onde fui da última vez (o tal que me descobriu o meu cabelo branco, mas que me deu 23 anos), falaram-me de um tratamento muito nutritivo, saudável e não agressivo que permite ficar com o cabelo liso durante cerca de 3/4 meses - bem mais barato do que o alisamento japonês. Ora a Maria Bê ficou uns bons dias a pensar nisso, a fazer contas à vida e a imaginar-se de cabelo liso e sedoso nos próximos meses, qual imagem de filme romântico em câmara lenta. E gostou da imagem. Ontem, depois do pay-day, lá fui eu mais a minha amiga A. (que nestas coisas é sempre bom ir mais do que uma, assim se correr mal e ficar careca, ao menos somos duas) depois de a convencer que ia poupar dinheiro já que estica o cabelo todas as semanas. Ainda não sei como correu...primeiro falaram-nos em duas horas de processo, mas entre lava cabeça, put the creme on, lava cabeça, estica cabelo, passa a prancha, estica cabelo, passa a prancha e estica cabelo e aplica um spray passaram três horas e meia e muito fumo e desespero de uma cabeça quase queimadinha. Depois desta tortura o resultado final foi muito bom: cabelo lisinho, enorme, bonito e sedoso. Os conselhos foram muitos: nada de transpirar (ok, hoje vão estar 34 º - não vai ser fácil), não prender, não colocar ganchos (senão fica marcado durante 3/4 meses) e não lavar durante dois dias (lá se vai a praia completa amanhã). Tudo seria perfeito e bonitinho e poderia estar até muito satisfeita, se não tivesse passado a noite a pensar que se calhar os caracóis até me ficavam bem melhor...não sei, ainda estou na dúvida. Mas, o maior dos problemas que enfrento neste momento (e que tenho que resolver não sei como até à hora de ir trabalhar) é que, desde que acordei que a minha franja está uma grande mistura entre o cabelo do Pedro Tochas (esse mesmo dos anúncios, com ar de alucinado) e a franja da Cameron Diaz no Doidos por mary depois de aplicar o gel da mão do Ben Stiller. Está toda no ar. Está assim, espetada para cima, como se fosse levantar voo, enquanto escrevo estas linhas. E não posso pôr gancho senão marca, não posso molhar senão estraga o alisamento, não posso nada! Eu não vou sair de casa assim! E ainda me resta lavar o cabelo em casa daqui a dois e comprovar se fica mesmo como dizem...E agora só penso: qual é o mal de ter caracóis? Humpffffff!&%$$##"!!!Bem feita, bem feita, bem feita - diz-me a minha consciência, já sabia que devo dar valor ao que tenho!

Decisões

A vida é feita de pequenas e grandes decisões. Todas elas com a sua importância, com o seu valor e com o seu objectivo. às vezes parecem-nos pequenas e podem ter um impacto gigantesco na nossa vida...e o contrário também. Ontem tomei uma decisão que ando a adiar há tempo de mais e isso bastou para me sentir feliz, orgulhosa de mim e cheia de vontade de a por em prática!
Curiosos? Têm que aguentar mais um bocadinho - assim que oficializar a coisa eu partilho! Não gosto nem posso por carroças à frente dos bois, nem ovos no C%$# da galinha como já o fiz no passado (porquê é que estas expressões incluem sempre animais, córror?), pois parece que me dou sempre mal quando me entusiasmo muito antes das coisas acontecerem. Hum...porque será*?
*Muita carga negativa? Começo a acreditar no poder da mesma...oh se acredito...

28 de maio de 2009

Casa-trabalho/Trabalho-casa II

Pronto, pronto! Não me odeiem. Há algumas desvantagens em morar e trabalhar na mesma zona. Especialmente quando trabalhamos numa função que nos permite ter um contacto muito próximo com a comunidade com baixa escolaridade e sobretudo com utentes do centro de emprego. Pois é: já entrevistei o vizinho do prédio ao lado e do andar por baixo do meu. Este último estava um dia atrás de mim na fila para pagar no Lidl e à frente, nesse mesmo dia, estava uma outra senhora que tinha orientado pouco tempo antes. Cruzo-me com pessoas com quem contacto no trabalho (e de quem passo a saber coisas tão íntimas como o facto de terem sido presas por posse de droga ou que sofrem de esquizofrenia, quando não são coisas bem piores) cruzo-me no supermercado enquanto compro produtos de higiene íntima feminina (é sempre nestes momentos, pois claro), nos concertos na cidade, nos cafés mais frequentados e até nas lojas onde compro roupa...Só estou para ver quando é que me cruzo com aquele simpático que rosnava e que tive que expulsar da sala aqui...Medooooooo! Acho que não sobrevivo a uma próxima vez...Ou então a ter que entrevistar a assistente da minha ginecologista (nãoooo!).
Mas, o que mais me custa é a quantidade de pessoas que andaram comigo na escola, algumas na minha turma. Pessoas que por opção ou por necessidade não terminaram os seus estudos e que estão em situações complicadas...Fico tão sem-jeito nos momentos de as entrevistar...Porque estou ali, no outro lado, com uma vida profissional estável e tranquila e eles, do outro, a tentar agarrar toda e qualquer oportunidade que lhes permita fazer frente à crise e a exporem a sua vida e as suas experiências a alguém que as conhece de um tempo em que os sonhos eram muitos e a vontade de os alcançar bem maior do que a dura realidade que agora enfrentam.
Gosto do meu trabalho, mas nem sempre é fácil desempenhá-lo...
Mas mesmo depois disto tudo, continuo a amar trabalhar tão perto de casa!

27 de maio de 2009

Casa-trabalho/Trabalho-casa

Quando, a partir de Setembro, comecei a partilhar com a família, os amigos e conhecidos, que ia começar a trabalhar perto de casa, mas tão perto que dava para ir a pé e podia ir almoçar a casa, algumas pessoas faziam um ar (quase) horrorizado e lançavam-me, invariavelmente um "e gostas de trabalhar tão perto de casa?", como se fosse uma coisa má, odiosa, terrível e nunca antes vista e a sua expressão assim o indicava. Pois, meus amigos, de facto é terrível trabalhar tão perto de casa por todas as razões que a seguir exponho:
1 - É para mim, uma verdadeira tortura, ter que acordar todos os dias mais cedo...não desculpem, pelo menos uma hora mais tarde do que antes, nem sei como aguento...;
2 - Por outro lado, custa-me muito o facto de poder sair de casa apenas 5 mnt antes de entrar no trabalho e ainda poder vir tranquila, a pé (ao invés de, pelo menos uma hora, como antes, passadinha dentro do carro, no meio do trânsito);
3 - Algo que me faz confusão, é que agora quer esteja um sol maravilhoso ou a chover torrencialmente, eu demoro sempre os mesmos 5 mnt, quando antes dependia das condições meteorológicas que determinavam o tamanho da fila que apanhava (mais chuva, mais carros, toma lá) e esta dependência tempo/fila fazia parte de mim há tantos e tantos anos (desde os tempos da faculdade, ou seja, desde finais dos anos 90) que me foi mesmo muito difícil deixar de depender dela;
4 - Péssimo péssimo, é poder ir almoçar a casa e ainda ter tempo para me sentar, tranquilamente, a beber o meu cafezinho nexpresso na chaise longue, enquanto vejo as notícias...indo mais longe, até posso ir a casa só para ir à minha casa-de-banho, caso tenha por aí uma dor de barriga mais forte...;
5 - Quando saio às 22h, como já antes saía, agora estou em casa às 22:05, enquanto antes ainda tinha pelo menos meia hora de trânsito pela frente, quando não era mais...
6 - E ainda poupo na gasolina, nas refeições, na portagem e não desgasto o meu carrinho lindo! Uma chatice, sem dúvida.
E o maior argumento, o mais utilizado - ah e tal, assim abusam de ti e tens que ficar até mais tarde e ir mais cedo - é um mito. Ninguém me diz moras já aqui, por isso podes muito bem fazer mais horas e trabalhar mais e abrir e fechar o estaminé, etc, etc.
Neste momento, para os outros, sou aquilo que eu própria chamo uma Mete-nojo, mas vá, não vai ser assim a vida toda, por isso, vou aproveitar enquanto posso! Aproveito e bem o facto de ter mais tempo = qualidade de vida! Um mimo...num mundo cada vez mais alucinante e exigente.
E desculpem a ironia mal disfarçada mas hoje estou assim, depois de um dia daqueles...

26 de maio de 2009

Casadas e solteiras

Ontem à noite fui ao cinema com uma amiga. Mas não é sobre o filme que vi que vou escrever, mas sobre o facto de eu, uma mulher casada, ter ido ao cinema com uma amiga. E às vezes vamos jantar fora, vamos sair, vamos às compras. E porquê é que isso dá direito a um post? Porque me parece que é um dos muitos hábitos que as mulheres casadas, ou juntas ou demasiado absorvidas por uma relação deixam de ter. Muitas vezes o que sinto é que não só as minhas amigas casadas (ou juntas, o que é praticamente o mesmo) deixaram de o fazer, mas mesmo algumas das minhas amigas solteiras (felizmente não são todas) deixaram de me convidar para programas só femininos, por eu ser casada. Que estigma, que preconceito, que forma tão subtil de categorizarmos as pessoas pelo seu estado civil! Tenho fases caseiras sim, fases em que ando tão cansada que nem tenho a iniciativa para combinações, mas adoro estar com amigas. Jamais deixaria de o fazer porque não acho isso nada saudável. Para nós, casal, existem os momentos só nossos, que privilegio e adoro. Existem os momentos em que estamos com amigos que se foram tornando comuns e que são uma delícia: seja em jantares em casa, jantares fora, idas à praia, férias em conjunto... E existem os momentos em que cada um se deve dedicar a si próprio e aos seus amigos. Em que cada um se deve sentir livre para marcar os seus encontros, cinemas, jantares, cafés, idas ao futebol ou às compras, o que for, porque são os seus amigos e precisam de estar com eles. Uma relação não deve, nem pode nunca ser de exclusividade a este nível, porque amar é também dar espaço ao outro para se manter fiel aos seus valores, aos seus princípios, às suas necessidades e amizades. Porque não é só o amor que deve ser cultivado, bem cuidado, acarinhado, mas também (e muito) a amizade…Porque um bom amigo não é um irmão de sangue, mas sim do coração e por isso a sua importância na nossa vida pode ser do tamanho do mundo. E sim, para mim o P. é o meu melhor amigo, é o meu confidente, a pessoa que melhor me conhece, que sabe ver quando eu não estou bem, mesmo que procure disfarçar e exactamente por o ser sabe que eu preciso das minhas amigas assim como eu sei que ele precisa dos dele. Porque não somos exclusivos um do outro, temos mais amigos...:D

25 de maio de 2009

Para ti P.

Porque este fim-de-semana me preparaste uma surpresa maravilhosa, que eu adorei, aqui fica uma lembrança, para ti, de um dos momentos mais bonitos que vivi e que foste tu a proporcionar...
E porque o meu blog é um espaço de reflexão muito meu, de partilha do que me vai na alma, que conta um pouco da minha história, aqui fica mais um pouco de mim, de ti, de nós...

A todos...

A todos os que se deram ao trabalho de me responder ao post anterior, face à minha azelhice com estas coisas informáticas; a todos os que comigo partilham as angústias de se verem impedidos de visitar outros cantinhos; a todos os que me explicaram em pormenor as vantagens e desvantagens do IE e de outros; a todos os que me aconselharam, permitindo assim que possa navegar à vontade pelo mundo blogesférico, sem stresses e sem operações canceladas: este post é para vocês! Uma vez que as opiniões vão todas no mesmo sentido - Mozilla firefox - vou confiar ;)!

22 de maio de 2009

Socorro!

Alguém me consegue explicar o porquê de, nos últimos dias, me aparecer constantemente uma mensagem do internet explorer com o seguinte texto:
O internet explorer não consegue abrir o site da internet "tal e tal" Operação cancelada??
É que estou quase quase a ficar irritada. Se o internet explorer fosse uma pessoa, corria o sério risco de levar com uma praga minha em cima e não era das bonitas (com toda a certeza iria incluir necessidades fisiológicas levadas ao extremo).
Não consigo ir a muitos dos vossos blogues e muito menos comentar-vos! E acontece-me tanto no meu portátil, como no trabalho! A verdade é que há blogues nos quais estou (quase) viciada e que fazem parte do meu dia-a-dia e estar sem vos poder visitar é triste...muito triste. Por isso, se alguém por aí souber explicar-me o que se passa (como se eu fosse muito burra, se faz favor, que isto não é a minha área) e o que posso fazer para o evitar, ganha um post inteiramente dedicado a si (ahahaha - um espectáculo não é? Uma honra, eu sei!).
Ficam os meus votos de um excelente fim-de-semana - o meu vai ser a trabalhar!

21 de maio de 2009

O poder do som

Há momentos em que nada é mais poderoso no nosso estado de espírito do que o efeito daquela música.... Aquela que nos faz dançar como se não houvesse amanhã. Aquela que nos dá energia e optimismo. Aquela que nos faz acreditar e querer mais...aquela que nos faz sorrir e ter esperança.

Mais um dia

Ontem vivi, pela primeira vez e em tantos anos de formação, de recursos humanos e de contacto com o público, um momento novo, desagradável e que espero não repetir. No meio de uma sessão de esclarecimento, um senhor, algo perturbado resolveu levantar-se, começar a ser mal educado para mim e dizer que eu falava muito bem e tal, mas que aquilo não era para ele. Tentei conduzir tudo de forma diplomática e eficaz. Tentei que ele não abalasse as restantes pessoas que enchiam a sala no fim de um dia de trabalho - meu e deles. Sou o tipo de pessoa que, mesmo nervosa e tensa, consegue não o transmitir e assim me portei, no alto da minha juventude feminina perante um homem retrogrado e visivelmente machista, com comentários desajustados. Sou também uma pessoa de sorriso fácil, mas expressiva o suficiente para perceberem o que me vai na alma e quando são mal-educados ou injustos, o sorriso desvanece-se, mas a boa educação nunca. Dei-lhe uma hipótese: que se sentasse e ouvisse o que eu tinha para dizer e que no fim falaríamos a sós. Sentou-se, mas a sua calma aparente durou dois segundos e eu tive que lhe pedir, educadamente, para sair da sala. Firme e irta (por dentro tremia, sem saber o que vinha dali). Aparentemente segura, perante os olhares espantados de uma sala apinhada de gente. O senhor passou por mim quase a rosnar e saiu aos pontapés perante a surpresa de todos os outros. Os que ficaram sorriram para mim. No fim, alguns, sem me conhecerem antes, deram-me os parabéns pela forma como eu conduzi a situação. E eu senti-me um pouquinho mais crescida. É verdade...porque perante situações novas nunca sabemos como vamos lidar com a mesma, nem sequer se vamos ser eficazes. E custou-me...custou-me muito ter que o fazer, mexeu comigo.
Mas, acima de tudo, custa-me assistir ao discurso de pessoas que se queixam de tudo na vida, mas que depois não fazem nada por si próprias. Querem tudo dado, sem luta, sem sacrifício. Para estas, as opções menos certas que possam ter tomado na vida não têm qualquer influência, apenas o mundo à sua volta. Provavelmente olhou para mim, pensando que à sua frente estava uma mulher, bem mais jovem, com uma boa vida, por ter uma licenciatura. A verdade é que já passei dificuldades e trabalho desde os meus 15 anos, para chegar aqui hoje e não quero, nem vou parar. Dou formação sempre que posso, perdendo alguns fins-de-semana, estudo com frequência, quero voltar à faculdade...Sei que em algum momento da minha vida tive sorte e dou graças frequentemente por ter tido algumas oportunidades que agarrei com unhas e dentes....mas também com sacrifício. E sei que há vidas muito complicadas. Lido com isso diariamente, mas também sei que muitos lutam por melhorar, outros queixam-se e esperam que um dia a sorte lhes caia em cima...E depois a sua atitude de revolta perante o mundo parece-me extremamente injusta.
Agora resta-me esperar pelo dia da entrevista e ver como corre, ou se levo uns tabefes...Cheira-me que há cenas dos próximos capítulos...

20 de maio de 2009

Não sei...

Não sei durante quanto tempo mais irei conseguir manter o sorriso, a boa disposição e a resposta espirituosa, sempre que me fazem a mesma típica, generalizada e mais do que repetida pergunta. É que não sei mesmo...

19 de maio de 2009

Pelo Ruanda

Vamos acender uma vela pelo Ruanda aqui no Cantinho...

Dizem por aí...

Dizem que sou boa conselheira. Boa ouvinte. Calma, atenta e sensata. Dizem que tirei o curso certo, porque sou uma verdadeira psicóloga quer no meu dia-a-dia no trabalho, quer quando alguém precisa de desabafar sobre si, sobre o/a namorado/a, o marido, ou a falta dele, sobre relacionamentos acabados, sobre problemas financeiros, sobre dúvidas existenciais. Dizem que tenho paciência e digo as coisas certas. Que transmito uma boa energia e esperança. Dizem tanta coisa...O que é certo é que gosto de o fazer. Gosto que as pessoas que me conhecem (ou nem tanto), que me rodeiam, saibam que podem contar comigo a qualquer hora do dia ou da noite. Gosto de sentir que estou a ajudar, que posso ter algum impacto ou mesmo fazer a diferença. Não é por ser psicóloga...sempre o disse. Todos nós podemos ter alguma psicologia que nos ajuda a lidar com os outros, com as situações, o que nos torna bons conselheiros. Mas não precisamos de ter um curso para isso. Não foi na faculdade que aprendi a ouvir pessoas. A ler no reflexo dos seus olhos, ou nos seus gestos, a perceber não só as suas palavras, mas o tom com que são proferidas. Acredito mesmo que é algo que faz parte de mim. E eu gosto disso, embora tenha alguma dificuldade em desligar-me dos problemas dos outros e por vezes os viva intensamente. É algo que espero nunca perder, porque às vezes penso que com tantas bofetadas, desilusões, palmadas, murros e cambalhotas que a vida nos faz dar, nunca sabemos como seremos amanhã. E nisto, eu espero nunca mudar...

18 de maio de 2009

Injusta(mente) II

E no dia em que resolvo falar sobre injustiças, saio de casa, preparada para pegar no meu carro, para ir buscar os últimos exames* (finalmente) e deparo-me com o espelho do lado do pendura...assim...pendurado! Um dos meus vizinhos, um qualquer simpático (e bom condutor e cego e surdo também, por sinal) deu uma pancada tal que não há nada a fazer (e o meu espelho é daqueles que vai para trás, exactamente para evitar a quebra) e nem se acusou. Pois claro que isto deu cabo do bom humor para o resto do meu dia e estava no trabalho desejosa de me vir embora, porque se algo hoje corresse mal, acho que a adrenalina tomava conta de mim. Aproveitei para por em dia o trabalho mais chato e burocrático, para ver se me acalmava as ânsias. É que, a este ritmo, gasto mais dinheiro a arranjar as mossas que outros me fazem aqui na rua, do que em gasolina! Sim, porque já antes alguém, provavelmente ao sacudir a toalha depois de uma refeição, deixou cair o que eu julgo ter sido uma faca na parte de cima do meu carro, fazendo-lhe um belo de um buraco, pelo qual entrava chuva!
Se eu soubesse quem o fez...ai se eu soubesse...pronto, não fazia absolutamente nada, mas ia lançar-lhe uma cara n.º 31 cada vez que me cruzasse com tal indivíduo. Que injustiça! Eu nunca bati e jamais fugiria sem me acusar e depois levo com estes nabos que devem ter tirado a carta na farinha amparo e que só conduzem no primeiro sábado de cada mês. Grrrrrrrrrrr....
* - para piorar o mau humor, coisa pouco habitual em mim, os exames são daqueles cheios de palavrões que não se entende nada. É que nem me vou dar ao trabalho de fazer pesquisa na net. Não vou mesmo. Da última vez que o fiz ia perdendo uns quantos anos de vida e foi quando, provavelmente, me nasceu o meu único cabelo branco.

Injusta(mente)

A injustiça é algo que mexe muito comigo. Provoca-me uma revolta de sentimentos e emoções que me faz ferver e dizer tudo o que me vai no coração. Não o suporto. Tanto na vida real, como na ficção, custa-me lidar com casos de injustiça, quer sejam comigo quer sejam com outros. Mesmo em filmes ou séries, perante situações de acusações injustas, fico sempre mal disposta...como se um formigueiro tomasse conta de mim. Fico com vontade de parar logo ali. Fico mal-disposta, irritada. Um dos grandes exemplos é o filme Condenados de Shawshank, durante o qual sofri horrores, como se fosse a personagem principal.
Talvez por ainda me lembrar da primeira vez que fui injustamente acusada de algo. Fruto de uma brincadeira parva de crianças, do tempo em que ainda se brincava na rua e chegava a casa com os joelhos esfolados, as unhas cheias de terra, o cabelo desgrenhado e colado à cara, mas feliz. Foi no dia em que uma amiga minha, da rua onde vivia, a Marta (mais conhecida por Ranhosa, junto dos meninos mais insensíveis), resolveu pintar de castanho terra os lençóis brancos tão cuidadosamente estendidos por um dos vizinhos. Na hora H, a Marta fugiu e eu, que nada tinha feito (e que inclusive lhe pedi para não o fazer) fui vista por ali e prontamente acusada. Os vizinhos foram à minha casa, acusaram-me e a minha mãe, mesmo certa de que eu não era de fazer brincadeiras deste tipo (fazia muito mais o género do meu irmão, travesso e reguila), não teve outra opção que não aceitar e castigar-me. Não me lembro do castigo. Nem me lembro do que aconteceu aos lençóis. Nem sequer me lembro do que a minha mãe me disse. Mas nunca mais me esqueci de ter sido injustamente acusada de algo que não fiz e que tentei mesmo evitar que acontecesse. Acima de tudo senti-me profundamente infeliz, por ninguém acreditar na verdade...
Ainda hoje esse sentimento, a que agora dou o nome de revolta, me domina em situações de injustiça, mas, o meu crescimento trouxe também alguma segurança, maturidade e força, que é como dizer que, neste tipo de situações não fico calada, não aceito "castigos" sem defesa, mas sofro muitas vezes as consequências. Normalmente estas situações surgem a nível profissional, comigo ou com outros e, sempre que falo, acabo por me prejudicar. Já o sei à partida, mas confesso que prefiro isso e dormir à noite com a cabeça tranquila, do que deitar-me sabendo-me fraca e acomodada. Já defendi colegas em situações em que todos (inclusive os próprios) ficaram calados, já me dei como culpada, quando me apercebi que outros o estavam a ser considerados no meu lugar, já me deixei queimar para não prejudicar outros, já levantei a voz para defender pessoas injustamente acusadas de algo. E quando eu defendo algo, defendo com unhas e dentes, embora sem fugir à boa educação, mas não chega. Custa-me a leviandade com que se acusa alguém sem se analisar os factos, muitas vezes procurando-se a reposta/saída mais fácil. Mais ainda, custa-me ver os que não conseguem sequer assumir os próprios erros e que procuram culpados em tudo e todos à sua volta. O que é certo é que antes, em tempos já idos, era tida como a boazinha, calminha e tímida. Hoje sou aquela que não receia dizer o que sente. Aquela que não tem medo de dizer não e que assume os seus erros, sempre. Mas não chega. Porque ao olhar para trás, vejo-me prejudicada num mundo em que impera a falsidade e o cinismo. E isso custa-me tanto...Não o facto de ser prejudicada, mas o facto de o ser por lutar por aquilo em que acredito como justo.

17 de maio de 2009

Vida de gato

Enquanto uns trabalham que nem loucos, durante o fim-de-semana, preparando formações, materiais, slides e afins e desperdiçando um belo dia de sol, outros...bem, outros fazem isto:

Vida de gato, já!!


Relações II

Bem a propósito do post de ontem (Relações), que sei que o P. não leu, há melhor maneira de acordar, ainda meio ensonada, com as ramelas no canto do olho, desgrenhada, sozinha em casa e ter algo deste género (em português, claro) no espelho da casa-de-banho? Óbvio que estou com um sorriso do tamanho do mundo, que se vai manter ao longo do dia, mesmo tendo que trabalhar com o sol a brilhar lá fora!
O meu diz o seguinte: És a coisa mais linda deste mundo. Amo-te mais do que tudo na vida. Beijo grande. P.

16 de maio de 2009

E...novamente o futebol

Como é que um homem consegue estar a ver um jogo de futebol na TV (ainda para mais o FCP - ok, eu sei, é o clube dele, mas eu não me conformo com as diferenças clubísticas aqui do Cantinho) e, ao mesmo tempo, estar a jogar FM - futebol manager, no computador portátil? Atento aos dois, a resmungar/regozijar com os dois? Mas depois não posso falar muito enquanto, atentamente, troca os olhares entre um ecran e o outro - informação a mais para a sua cabeça que vive futebol durante aqueles cerca de 90minutos...?
Mas depois, é tão deliciosamente bonito que eu acabo por não me importar e aceito com vontade, os beijos que faz questão de me dar, cada vez que o seu clube marca um golo.

Relações

O difícil não é começar uma relação. Difícil difícil é manter uma relação. E mantermo-nos felizes, fazendo a outra pessoa feliz também.
A mim assusta-me a possibilidade (e a realidade) de as pessoas se acomodarem ao que têm, esquecendo-se que devem investir diariamente no sentimento em si, no amor. Não basta partilhar uma casa, uma vida, um cinema, uns quantos jantares fora e, por vezes, umas férias. Há que mostrar, nos olhares, nos sorrisos e nos pequenos gestos do dia-a-dia (ou num post it amarelo, no espelho da casa-de-banho, como faço, uma vez que, de manhã nem nos cruzamos), que o amor está lá, bem presente e que faz parte de nós. Claro que há discussões, fases menos boas, momentos em que, mesmo acompanhados, nos sentimos completamente sozinhos, como se ninguém no mundo, nem a pessoa que melhor nos conhece, compreendesse os nossos problemas. Mas quando o amor está lá, é possível dar a volta. E também isso se pode tornar difícil: perceber se ainda é amor, se há paixão, ou se já só resta amizade, carinho...ou nem isso. E é por isso que me assusta o comodismo, assusta-me que muitas pessoas optem por manter algo que está morto à partida, que desistam de ser felizes.
Sou uma pessoa observadora e gosto de analisar comportamentos. Por vezes, nos restaurantes ou cafés, observo casais que passam uma refeição inteira sem trocarem uma palavra, um sorriso, um gesto de carinho. Não dão as mãos, não têm o que conversar. Mas algo os leva a estar ali juntos...Assusta-me pensar que um dia me possa acontecer. Porque pode, sejamos realistas, pode acontecer a qualquer um de nós.
Sei que hoje sou feliz, sei que faço feliz a pessoa que está comigo, sei também que tenho uma relação que não é perfeita (isso existe?), mas em que somos perfeitos um para o outro. Sou aquela que invisto, que demonstro o que sinto, que ponho sentimento em cada palavra, em cada olhar. E espero continuar a ser, porque difícil difícil é manter...Espero um dia olhar para nós e ver um casal de idosos que passeiam nas ruas de mãos dadas...com um sorriso nos lábios e com o mesmo sentimento nas palavras que são partilhadas.

15 de maio de 2009

O primeiro

Parece que ontem o cabeleireiro descobriu o meu primeiro cabelo branco! Depois da primeira ruga de expressão se instalar teimosamente e sem pedir licença, o que eu pedi para este dia não chegar! Logo a seguir, o mesmo cabeleireiro disse que não me dava mais de 23 anos. Ainda mal refeita do primeiro choque, soube bem ouvir a segunda parte, embora esteja (quase) convencida que estava só a ser simpático, depois da terrível descoberta...Tirar sete anos soa sempre a exagero. Uns 3/4 ainda vá, mais do que isso, fico desconfiada, pois claro que fico.
Alguém sabe se há algum fundamento científico no pressuposto de que se arrancarmos um cabelo branco, nascem sete? É que se é verdade, deixo-o ficar por cá, bem disfarçado na minha melena, junto dos outros todos, já que o meu cabelo é castanho claro e por isso não o deve deixar evidenciar-se muito. Se não, vai já à vida, sem dó nem piedade.

Dar a cara

Quanto mais ando por aqui, no meu ou noutros Cantinhos, mais sinto que ainda há pessoas muito reprimidas, que se escondem atrás de máscaras, atrás do anonimato, sem coragem e...desculpem a expressão, sem tomates. Não é por discordarem de mim (até porque não manifestam concordância ou discordância), mas mesmo que discordem, acho isso muito bom, porque nunca tento impingir as minhas ideias e os meus valores, apenas partilho a minha opinião. É por serem mazinhas e tentarem atingir com argumentos...no mínimo idiotas, sem lógica, sem critério. E usam covardemente esse anonimato para deitarem abaixo os outros, chamando-lhes nomes, ofendendo, sem terem um argumento fundamentado, sem se justificarem. Pois querem saber: a mim não me ofendem ;) - o que vem de baixo não me atinge e desculpem lá a falta de modéstia, mas eu dou a cara e assumo as minhas posições e, por isso, sinto-me indubitavelmente superior a essas pessoinhas.

14 de maio de 2009

Desiludida...

Hoje estou um bocadinho desiludida com a blogosfera. Só um bocadinho. Já aconteceu antes, hoje aconteceu com mais força. Porque há imensos blogues que acompanho, que comento e que visito quase diariamente. E hoje, num desses blogues (penso que dos mais famosos e do qual gosto assumidamente), em que o tema estava relacionado com o ter filhos, com a rapidez com que as pessoas se divorciam e o impacto que isso mesmo tem nas crianças e, sendo eu, além de psicóloga, filha de pais divorciados e com uma opinião muito própria em relação ao assunto, não hesitei em discordar. Não é uma opinião mais ou menos certa do que a da autora ou de qualquer pessoa que tenha lido o post, é a minha opinião, fruto da minha vivência. Porque sou filha de pais divorciados, há muitos anos e porque sei que a minha sanidade mental resulta disso mesmo, do facto de eles se terem divorciado: porque não eram felizes juntos, viviam numa discussão permanente e ninguém merece viver assim. Porque tive uma infância muito complicada e infeliz em determinados momentos e não hesito em dize-lo. Vivi momentos que nenhuma criança merece viver e só com o momento do divórcio, a minha vida acalmou. Não perdi uma mãe, nem um pai, ganhámos todos paz. Os meus pais tiveram muita coragem, numa altura em que era (quase) um escândalo um casal divorciar-se e assumir o mesmo perante a família e a sociedade. Hoje os meus pais são bons amigos e temos uma família muito mais unida e feliz.
Face ao post em questão, comentei o seguinte:
1º comentário- Não posso concordar. Em primeiro lugar porque não me parece que a maioria das pessoas tenham filhos por ser moda. Em segundo, porque não é quando as crianças nascem que surgem os problemas. Com certeza que eles já existem, os ritmos das pessoas é que se tornam diferentes e os problemas podem ser enfatizados, mas não é porque nasceu uma criança. Em terceiro, não é porque os pais se divorciam que as crianças surgem com problemas, é pela instabilidade que surge. Porque cabe ao casal saber lidar com a situação e quando os divórcios são litigiosos e criam imensas discussões e problemas é porque algo já está muito mal com o casal, por isso, mesmo que não se divorciem, a criança corre exactamente o mesmo risco de se tornar instável. Por isso, mais vale o divórcio, porque os períodos de calma, que proporcionam estabilidade emocional, são com certeza maiores. Mas esta é apenas a minha opinião de filha de pais divorciados (divórcio litigioso) e de psicóloga.
2.º comentário (depois de uma resposta da autora, em que a mesma mostrava a sua visão das coisas)- Eu quero muito ser uma romântica e acreditar nos finais felizes (e aqui já não é a psicóloga a falar), mas sei que muitos casais sofrem grandes alterações quando nasce um filho, às quais não é fácil adaptarem-se. O que acho é que, se as coisas realmente não correm bem, é porque já algo estava mal antes. E se hoje os casais se juntam e tentam construir uma família com demasiada facilidade, a qual terminam com a mesma facilidade, será que antes os casais, sofrendo as represálias da sociedade, não se mantinham juntos para as aparências e para manterem os bens em comum, vivendo assim, igualmente, imensos problemas? Acho que já estou a fugir ao tema ;)...
Depois destes comentário (em que, assumidamente tive a ousadia de discordar) li este outro comentário:
Resposta (não vou identificar o/a leitor(a), claro):
Fantástico este teu post, não posso concordar mais . Desejo que hoje tenhas muitos leitores e obviamente que ,o comentário de Bê, me chocou mas estou certa que muita gente pensa como ela, caso contrário não aconteceria o que tão bem descreves fruto da tua vivência e saber.Acabo de ler o uma resposta tua á Bê e mais uma vez tens razão.Parabens XXXXX (o nome não interessa, porque não é o post da autora que está em questão).
Resumo da história, ou a senhora discordou de mim, apenas porque eu tenho uma opinião contrária (e, creio, nem leu o que eu escrevi) ou então a culpa por a sociedade estar como está é de pessoas como eu…
Não sou cretina, nem falsa, nem lambe botas. Quando leio algo com o qual concordo, digo-o, quando não concordo, assumo-o, sem nunca por em causa a opinião do autor, mas apresentando a minha visão das coisas. E assim vou continuar a ser, gostem ou não. Porque senão, não seria eu, Bê.

Corte...e costura

De cabelinho cortado (e não foi pouco, mas não foi demais - os cabeleireiros nunca me aconselham a cortar muito o cabelo, por isso está um pouco abaixo dos ombros) e bem arranjado (esticado, mas com algumas ondas largas e uns ajustes na franja) estou satisfeita...até o lavar em casa, tentar o mesmo efeito e não conseguir, óbvio.
Dei comigo no cabeleireiro, a pensar em algo que, para mim é, desde sempre, um fenómeno: porque é que grande parte das cabeleireiras, com todo o conhecimento que têm, com todos os produtos de qualidade que vendem e aplicam, com todos os conselhos que dão, com a possibilidade de estarem sempre em cima do acontecimento em termos de tendências, têm sempre os cabelos mais horríveis, com uma mistura de cores que não se entende e cortes que não lembram nem ao mais radical músico pseudopoppsicadélico? Por acaso, foi um rapaz, todo fashion que tratou de mim, mas as cabeleireiras...oh god - o que lhes passará pela cabeça? Mais pareciam um catálogo de cores variadas, para o cliente escolher ao vivo...do louro platinado ao vermelho escuro, tudo pairava naquelas cabecinhas e era uma tendência que se estendia a todas, mas mesmo todas...

Apetece-me partilhar isto IV

aqui mostrei o Tobias, o meu gato. Esta é a Blue, a menina dos meus olhos, a minha companheira, a minha menina. Está comigo há 7 anos, desde que a resgatei de uma ninhada de gatinhos atacada por cães. Nunca mais nos largámos. Parece siamesa, mas é rafeira. Vinha em muito mau estado: feridas na cauda, magrinha e cheia de problemas intestinais que é como quem diz que, no início, bem se esforçava, mas nunca chegava a tempo ao caixote de areia. Pesava umas míseras gramas e cabia na palma da minha mão. Era um ser pequenino e frágil que logo logo passou a sentir-se confiante e protegida sempre que estava comigo. Tem uns lindos olhos azuis, que deram origem ao seu nome. O seu temperamento é muito independente, brincalhão, inteligente e forte, chegando ao ponto de amuar durante as primeiras horas, quando regressamos de férias. Só é verdadeiramente simpática e meiga para mim e nunca me trocaria por postinhas de peixe cozido ou latas de sheba. Quando eu não estou é capaz de nem ir para a sala, para junto do P. e dos nossos outros gatos (sim, são mais dois...andamos sempre a resgatá-los e depois dá nisto), ficando sozinha, na sua cama a dormir. Na sala, o seu lugar habitual é junto a mim, sendo o meu colo, o único que gosta e procura. Defende-me com unhas e dentes, na verdadeira acepção da palavra, se sentir que algo me está a ameaçar*. Comigo é a coisa mais doce que existe, com todos os outros, simplesmente ignora, não quer nem saber, é como se nem estivessem ali. Acho que sente que a casa é só nossa, minha e dela, porque esta família começou connosco: eu e ela. E, a verdade, é que eu nunca me senti sozinha. Mesmo agora, enquanto escrevo este post, ela está ao meu lado, a fazer ronron e a dar marradinhas no portátil, para me chamar a atenção, pelo meio lança-me olhares melosos e miadinhos curtos e doces, a pedir carinho. Adoro-a...faz parte de mim e sinto, de uma forma que só quem tem animais pode também sentir (e acreditar), que ela também me adora!
Já me assumi como uma Cat person, neste post, hoje vim só relembrar ;)
* O P. que o diga, quando um dia, estávamos na brincadeira, a fingir que batíamos um no outro e ela o atacou com uma dentada na cabeça e unhadas na cara - e o que eu me ri...

13 de maio de 2009

Coisas de mulheres

Amanhã vou cortar o cabelo. Está mais do que decidido - está marcado.
Normalmente acontece-me ter uma vontade louca louca de dar uma volta renovada no visual e não descanso enquanto não o faço. Depois, vejo-me ao espelho e tenho uma vontade louca que o cabelo cresça e volte ao estado em que estava antes de o cortar...
Enfim, coisas de mulheres...

12 de maio de 2009

Compromisso de corpo e alma

E quando um desconhecido, bem mais novo do que eu, numa segunda entrevista, onde lhe apresentei propostas de formação para enriquecer o seu currículo, me olha nos olhos e diz que adorou conhecer-me e que logo da primeira vez que me ouviu, numa sessão de esclarecimento, ficou encantado (e a conversa teria ido mais longe se eu não a redireccionasse para coisas de trabalho, que realmente interessam), isso é o quê?
Senti as faces a escaldar, corei que nem um tomate e fiquei embaraçada, confesso, porque já não estou habituada a estas coisas e tratei de o canalizar para a entrevista, a qual dei por terminada assim que pude.
Dei comigo a pensar na resposta possível, o "sou casada", que a maioria das pessoas dá nestas situações, quando há alguma insistência, à qual, felizmente, consegui não chegar. Para mim não chega. Não é por ser casada, não é por ter uma aliança, não é por ter assinado um papel, é por muito mais do que isso. É por ser profundamente apaixonada por uma pessoa que me completa, me preenche e me faz sentir feliz. Só o seu sorriso tem o efeito de me iluminar, de me fazer sentir única. E sentiria exactamente o mesmo, mesmo que não nos tivessemos casado. É um sentimento de compromisso de corpo e de alma, não de papel. E por isso, da próxima vez (se houver uma próxima, que presunçosa) ainda dou comigo a responder peço desculpa, mas sou completamente apaixonada pelo homem da minha vida.

Casa arrumada

E quando uma mulher dos tempos modernos, que vive uma relação moderna*, depois de uma semaninha inteirinha a trabalhar, depois de um fim-de-semana inteirinho a trabalhar e depois de andar a dormir em média, 4 a 5h horas por noite, chega a casa a um domingo à tarde, depois do trabalho, espera ter a casa, no mínimo arrumada e o seu maridinho de braços abertos à sua espera, com um belo pitéu de fazer crescer água na boca, uma garrafinha de vinho do bom e uma sobremesa daquelas de se babar toda, além de muitos miminhos e coiso, certo? Errado. Erradíssimo. A casa estava virada do avesso (é que nem o saco do lixo levou para baixo e nem os sacos de papel, estrategicamente colocados ao lado da porta, foram para a reciclagem) e maridinho nem vê-lo. Porque me apanha fora de casa e aproveita para ir jogar futebol de manhã, almoçar com os amigos do futebol, assistir a um jogo de futebol de um clube onde já jogou à tarde e à noite, quando chega, ainda se senta a ver futebol e a curtir o seu "verão azul" (que é como quem diz que eu estou com azia porque o Porto ganhou o campeonato e porque a casa estava de pantanas). E pronto, aqui a Maria (sim, porque um dos meus nomes é mesmo Maria) dedicou-se, ontem à noite, depois de um dia de trabalho, a ir ao supermercado, para poder trocar os iogurtes fora de prazo que jaziam no frigorífico e comprar detergentes, alguma comida e afins, chegar a casa e por as mãos à obra. Eram 23h e ainda estava a esfregar a casa-de-banho e já não podia com as dores nas costas (estou a começar a sentir os efeitos da pdi). E eu não sou a pessoa mais organizada do mundo, é que não sou mesmo, contra todas as previsões e generalizações astrológicas de quem nasceu sob o signo virgem, sou até bastante desorganizada e descontraída com a casa, fruto, com toda a certeza, de uma educação materna levada ao limite da arrumação - deu no que deu, saí ao contrário e não padeço daquilo a que na família chamamos, tão graciosamente a doença da migalha**! Mas pronto, tudo tem limites e eu gosto de me sentir bem no meu palácio.
*Moderno para mim é termos os dois tarefas e ele passar a sua roupa a ferro, não pensem em esquisitices!
** Por doença da migalha entende-se uma quase neurose obsessiva de apanhar toda e qualquer coisinha, por mais minúscula que seja do chão e ter a casa sempre toda a brilhar e a cheirar a detergente e poutporri e afins.

11 de maio de 2009

O meu sorriso

Venho partilhar convosco o meu sorriso*... Este não é de hoje e peca pela falta de qualidade da imagem, mas é mais ou menos assim que me sinto.
Não sei os resultados todos de imediato, mas o mais importante sei: estou limpinha...O resto são detalhes.
A todos, obrigada pelas palavras cheias de força e pelo apoio demonstrado de forma tão tocante no post anterior.
* E sim, durante os próximos tempos poderei sorrir sem medo!

Submersa em mim...

E porque nem tudo são sorrisos na vida, hoje vou finalmente fazer o meu check up pós - operatório. Passaram três meses desde que fui operada e pouco menos de três meses que ouvi a palavra mais desejada - benigno...mas tenho que estar em cima do acontecimento o resto da vida, o que não foi feito para mim que sou dada a grandes desleixos comigo mesma. Felizmente tenho pessoas à minha volta que não me deixam descurar, o que me faz agir mais por elas do que por mim. Às vezes adio as coisas, porque quero adiar respostas. Evito-as, nego-as a mim mesma, como que a programar a minha mente, deixando de fora hipóteses menos boas. Ignoro os sinais, invocando normalidade e escondendo-me atrás das teorias de que determinados problemas só surgem a partir de certa idade, entre outros dados nos quais não me enquadro. Mas as possibilidades de reincidência estão lá e não as posso ignorar.
Enfrento, por isso, uma manhã, no mínimo chata, com esperas pelo meio, jejuns, exames e sei lá mais o quê. Mas com toda a certeza de que venho de lá com o alívio no sorriso e a alegria no olhar*...Só pode, não é?
* e um livro debaixo do braço

10 de maio de 2009

Vista para o rio

Das janelas da minha casa tenho vista para o rio. Tenho uma vista sobre a minha cidade e sobre cidades lá ao longe. Tenho vista para árvores, lindas e frondosas e cheias de passarinhos que adoro ouvir, como que a anunciarem a chegada da Primavera. Tenho vista para um pequeno jardim, que faz as delícias dos mais jovens. Tenho vista para o céu e, por vezes para a lua. Tenho vista para alguns prédios em frente ao meu, do qual vejo varandas e janelas, cheias de histórias e vivências, por trás de cada uma delas.
Porquê, pergunto-me então, é que dou comigo a andar em trajes (bem) menores pela casa, com as janelas todas abertas? É que normalmente só reparo quando já é tarde e dou comigo, qual desenho animado a parar horrorizada e a voltar, de mansinho, para trás, ou então a tentar tapar-me com alguma pecita de roupa minúscula que tenha nas mãos (como umas meias...)! E o P. é igual! Que horror. Acontece quando saio do banho e quando ando à procura de uma qualquer peça pela casa, sobretudo se estou com pressa matinal (todos os dias, pois claro).
Acho que vou espalhar uns post-it's pela casa, qual bilhete de mim para mim, para nunca mais acontecer...

E, finalmente, vou por as minhas leituras em dia, pelos vossos blogues! Já volto...

8 de maio de 2009

Obsessivocompulsivoparanóica??

Alguém comentou, a propósito do post anterior, que eu não ia conseguir ficar tanto tempo longe do blog...parece que é verdade. Mas não é do blog em si, mas de vocês que o animam, o mimam e fazem parte dele.
Por isso, vim partilhar convosco algo que li, ao longo das minhas pesquisas (quase) científicas dos últimos dias (atenção, o texto está em português do Brasil):
Compulsão é um comportamento consciente e repetitivo, como contar, verificar ou evitar um pensamento que serve para anular uma obsessão. Outros exemplos de compulsão são o ato de lavar as mãos ou tomar banho repetidamente, conferir reiteradamente se esqueceu algo como uma torneira aberta ou a porta de casa sem trancar. Deve-se deixar claro porém que para que esses comportamentos sejam considerados compulsivos, devem ocorrer em uma frequencia bem acima do necessário diante de qualquer padrão de avaliação.
A última frase está em bold porque foi o meu alívio (penso eu, porque não havendo de facto uma contabilização do que é normal e do que roça a compulsividade, não sei se estou safa). Durante anos e anos lembrei-me de um professor na faculdade (psicólogo, inteligentíssimo e cujas aulas adorava. Tinha uma voz potente, uma presença forte...enfim, é um daqueles que não se esquece) que dizia que as pessoas que, por exemplo, ao saírem de casa, voltam atrás algumas vezes para conferirem se o gás está desligado, ou as luzes apagadas, são obsessivas e paranóicas. Ora juntando tudo isto e analisando a minha pessoa, direi que tenho indícios de paranóica/obsessiva/compulsiva. A verdade é que eu, distraída como sou, sempre com a cabeça na lua, volto sempre atrás! Não é sempre, vá, mas é praticamente sempre: para confirmar se o ferro ficou desligado (e isto por vezes faço mais do que uma vez, numa manhã, mas a verdade é que já uma vez, um de nós o deixou ligado bastantes horas), se a máquina do café está desligada (já ficou várias vezes, o que é um perfeito disparate - consumo enérgico dispendido), se as janelas estão bem fechadas (esta última, desde que fui assaltada), etc, etc. Além de que sou bem capaz de lavar as mãos com muita frequência, porque no meu trabalho aperto as mãos a muita gente...algumas transpiradas ou então que servem para limpar a transpiração que segue pela testa fora sem dó nem piedade, outras com as unhacas cheias de ronhonhó e, sabe-se lá onde é que andaram com as mãos. Já para não falar da unha do dedo mindinho enooorme- pensam vocês é para toca guitarra - mas na verdade, confirmo que não faz parte das suas actividades, por isso só lhe consigo encontrar três funções: limpeza nasal mais eficaz, coçar a micose e limpeza auditiva. E sim, detesto por as minhas mãozinhas de fada naqueles sítios em que toda a gente põe - maçanetas de portas de wc's públicos; menus de restaurantes (aposto que não sabias esta P.), comandos de TV de hóteis (acham que alguém os limpa?), dvd's alugados e, felizmente, não preciso de andar de transportes públicos, senão a lista aumentava. E sim, no Verão, sou pessoa para, por vezes, tomar banho duas vezes...mas é quando o calor aperta, ou mesmo para relaxar depois de um longo dia de trabalho. Tudo tem um propósito...Direi eu!
Pronto...sou uma quase quase compulsiva. Parece...ou serei? Hum...
Mais alguém por aí que padeça da mesma quase quase obessão compulsiva com algo?

6 de maio de 2009

Out of service

Hoje estou out of service aqui para estes lados. E assim vou ficar o resto da semana - são os efeitos de muito trabalho, neste caso, ao som de Mozart, o que me permite elevados níveis de concentração e capacidade de abstracção do mundo.
Pelo rumo que as coisas levam e porque vou trabalhar sábado e domingo - e neste novo trabalho tenho que ser fabulosa, maravilhosa e sei lá mais o quê - voltarei lá para segunda-feira, cheia de vontade de postar e, sobretudo, de por as leituras dos vossos blogues em dia.

Até lá!

5 de maio de 2009

Devaneios ao espelho

Aqui há uns tempos resolvi comprar um destes espelhos, que há sempre nos bons hotéis e que tem dois lados: um para nos vermos no tamanho real e outro aumentado. O que me levou a comprar foi mesmo o lado aumentado, que nos permite ver e atacar quase cirurgicamente e ao pormenor essas imperfeições chatas, como uma sobrancelha fora do sítio ou um pontinho negro teimoso. Descobri que, se por um lado é óptimo ter uma coisas destas em casa, porque nos permite encontrar esses pequenos defeitos, por outro, é péssimo e, exactamente porque nos permite encontrar esses pequenos defeitos...e outros. É que não há ruguinha, por mais pequenina que seja que não se veja...pontos negros, borbulhinhas e manchas que nos passem despercebidas, olheiras até ao chão, sinais que quase desconhecíamos... Isto tendo em conta que, a maioria das mulheres (eu incluída) tem dias em que se sente um verdadeiro trambolho e não há nada que elimine essa sensação, nem mesmo a nossa peça de roupa preferida ou uma maquilhagem (quase) perfeita, ou os sapatos novos que usamos no primeiro raio de sol. Talvez se nos cruzarmos com o George Clooney e ele nos olhar de alto a baixo...mas, mesmo assim, somos levadas a crer que ele está horrorizado com o nosso mau aspecto. Nem mesmo quando eles, que nos conhecem bem e que nos acham lindas, nos dizem que estamos óptimas, perfeitas, maravilhosas, se nos sentimos um trambolho, não há nada a fazer, sentimo-nos um trambolho e pronto.. A acrescentar estes devaneios ao espelho, borbulhas e ruguinhas de expressão teimosas...ui! Mais vale tirar o dia e vegetar no sofá, até que nos passe o disparate. E, desenganem-se os homens - estas crises não são só quando estamos com o tão famoso TPM - podem acontecer a qualquer altura do mês! Pelo menos comigo, é assim...

4 de maio de 2009

Leituras que marcam...

Hoje falava com o meu colega S. sobre livros. Perdemo-nos na partilha de livros e autores que marcam a nossa vida. E dei comigo a pensar qual a sensação de acabar de ler um livro que nos marca de forma indelével, que permanece para sempre como uma referência.
Para mim é sempre um misto de sentimentos positivos, por ter tido a oportunidade de viver aquela história, de beber aquelas palavras e sentir as personagens, mas também de alguma tristeza, por chegar ao fim, associado a algum receio de nunca mais sentir o mesmo por outro livro. Parece que perco algo no final e por isso, muitas vezes, quando me marcam desta forma, penso para mim, no bom que seria se o pudesse esquecer, para poder viver o prazer e a emoção de o ler novamente.
E vocês, como se sentem quando chegam ao fim de um bom livro?

E, numa fase em que só leio livros técnicos, relacionados com gestão de stress, programação neuro-linguística, inteligência emcional e afins, estou mortinha por pegar no Mia Couto que anda a olhar para mim já há uns 3 meses...está quase quase...

Seguidores

Estou um pouco intrigada...ontem entrei no meu blog e fui a visitante n.º 6666 - número feio, mesmo para mim que não sou nada dada a estas coisas e, quase instantaneamente percebi que perdi um seguidor - terá sido obra do diabo? O que leva um seguidor a deixar de o ser? Alguém me explica?
E logo a seguir recebi este prémio lindo que coloquei aí ao lado, dado pela Tita e pela *B* :D

Pequenez...

No decorrer do meu trabalho e com a infinidade de entrevistas que tenho a fazer, costumo incidir sobre duas perguntas relacionadas com questões de cidadania, hoje tão em voga, concretamente, se a pessoa em questão vota e recicla! Invariável e tristemente, as respostas são, na sua maioria, não...No primeiro caso, porque não acreditam nos políticos e são todos uns mentirosos, uns aldrabões, que não fazem nada, bla bla bla (para falar mal estão lá eles). No segundo, porque dá muito trabalho, não têm tempo, não há eco-pontos junto das suas casas (mentirinha da boa, que eu conheço muito bem a minha cidade)...
Após estas pérolas, a minha mente e bom senso normalmente vacilam entre disparatar e tentar incutir alguma sensibilidade para o caso na cabecinha de cada um deles. Com toda a calma, argumento com o meu português mais motivador que consigo encontrar. Não consigo perceber estas desculpas e dou comigo a pensar que, quem se porta assim, não deveria, em primeiro lugar, ter sequer o direito de se queixar do governo que temos, ou da crise, ou do raio que o parta. Não devia e pronto. A sua contribuição é nula, zero, nicles. E, em segundo, quem não recicla, devia apanhar uma valente multa de cada vez que coloca materiais recicláveis nos caixotes de lixo orgânico. A mim também me dá trabalho! São cartões, garrafas, papéis, pilhas, plásticos, latas, pacotes e afins, que separo com cuidado, em sacos próprios, que carrego que nem uma mula pela rua abaixo e que deposito no caixote correspondente. E depois, quando ouço estas pessoas, fico possessa...Salvam-se alguns casos em que as pessoas dizem que reciclam porque os filhos obrigam - nem pensam na razão para o fazer, estão apenas a evitar uma discussãozinha...mas pelo menos reciclam...

E eu aqui a pensar cá para mim, que a política e as mentalidades estão mesmo mesmo a precisar de uma grande reciclagem...Espero que o senhor que diz que é eng. não conheça o meu blog, senão ainda levo uma censura...

3 de maio de 2009

Para ti...

Não vou escrever um post sobre o dia da mãe. É que não vou mesmo.
Vou escrever sobre ti, querida amiga, conselheira, companheira, confidente, carinhosa, alegre, bem-disposta, linda linda e, como diria, no passado, do alto dos meus 4 ou 5 anos, cor-de-rosinha, o que para mim, na altura, era o melhor elogio que poderia fazer.
Tentar encontrar palavras para te dizer o quanto és importante para mim é sentir uma revolução de sentimentos e emoções que se baralham e me trazem à memória a nossa história, o nosso percurso até aqui. Porque tudo o que sou, sou porque te tenho sempre ao meu lado, nos bons e maus momentos. Porque o carinho e o amor com que sempre me rodeaste me permitiu enfrentar as fases menos boas que vivemos e hoje, olho para trás e vejo como juntas ultrapassámos obstáculos, ventos e tempestades, mais fortes e mais unidas.
Muitos dizem que sou igual a ti e eu sorrio feliz, porque, desde sempre, foste o meu modelo, a pessoa em que gostaria de me tornar. Porque foste sempre um exemplo de força, de honestidade, de mulher cheia de valores e fiel aos seus princípios. E porque tiveste o cuidado e a preocupação de me ajudar a entender e a aprender com os teus próprios erros e aceitar e aprender também com os meus.
Não há palavras que descrevam na íntegra e de forma real, o que sinto por ti. Acho que me entendes se te disser que és tudo para mim...

2 de maio de 2009

O post que não é post II

Neste fim-de-semana estuda-se aqui para estes lados. O sol brilha, está calor, a praia deve estar uma maravilha, são 3 dias de fim-de-semana, mas aqui no Cantinho, estou agarrada a livros, a preparar slides, a investigar filmes relacionados com gestão de stress, a criar instrumentos de análise...bla, bla, bla. Algo que gosto, que é muito interessante e que quero fazer com o máximo rigor e qualidade. Mas confesso que o dia lá fora está a chamar-me e eu não sei se vou aguentar mais um dia inteirinho enfiada em casa, perdida no meio de apontamentos. Acho que vou só calçar as havaianas e vou até ali à praia, só um bocadinho e, quem sabe, depois, comer sushi e beber um bom vinho branco, bem fresquinho...e talvez, a seguir ver um bom filme (ando doida para ver o The Reader) e...depois, voltar para o Cantinho e trabalhar que nem uma louca e lamentar-me por ter ido à praia e comer sushi, beber vinho e visto um filme!
É provável que post's de jeito (e este não conta), só lá para segunda-feira e, seguramente, não vou ter muito tempo para vos visitar, algo que já faz parte da minha rotina diária e que complementa o meu dia. Mas, eu regresso e tratarei logo logo, de por as minhas leituras em dia.
Defino como post que não é post, algo que não é mais do que um recado, para aqueles que me visitam com regularidade, faltando-lhe, por isso, um conteúdo de jeito, não sendo, por isso mesmo, grande merecedor de comentários!