18 de maio de 2009

Injusta(mente)

A injustiça é algo que mexe muito comigo. Provoca-me uma revolta de sentimentos e emoções que me faz ferver e dizer tudo o que me vai no coração. Não o suporto. Tanto na vida real, como na ficção, custa-me lidar com casos de injustiça, quer sejam comigo quer sejam com outros. Mesmo em filmes ou séries, perante situações de acusações injustas, fico sempre mal disposta...como se um formigueiro tomasse conta de mim. Fico com vontade de parar logo ali. Fico mal-disposta, irritada. Um dos grandes exemplos é o filme Condenados de Shawshank, durante o qual sofri horrores, como se fosse a personagem principal.
Talvez por ainda me lembrar da primeira vez que fui injustamente acusada de algo. Fruto de uma brincadeira parva de crianças, do tempo em que ainda se brincava na rua e chegava a casa com os joelhos esfolados, as unhas cheias de terra, o cabelo desgrenhado e colado à cara, mas feliz. Foi no dia em que uma amiga minha, da rua onde vivia, a Marta (mais conhecida por Ranhosa, junto dos meninos mais insensíveis), resolveu pintar de castanho terra os lençóis brancos tão cuidadosamente estendidos por um dos vizinhos. Na hora H, a Marta fugiu e eu, que nada tinha feito (e que inclusive lhe pedi para não o fazer) fui vista por ali e prontamente acusada. Os vizinhos foram à minha casa, acusaram-me e a minha mãe, mesmo certa de que eu não era de fazer brincadeiras deste tipo (fazia muito mais o género do meu irmão, travesso e reguila), não teve outra opção que não aceitar e castigar-me. Não me lembro do castigo. Nem me lembro do que aconteceu aos lençóis. Nem sequer me lembro do que a minha mãe me disse. Mas nunca mais me esqueci de ter sido injustamente acusada de algo que não fiz e que tentei mesmo evitar que acontecesse. Acima de tudo senti-me profundamente infeliz, por ninguém acreditar na verdade...
Ainda hoje esse sentimento, a que agora dou o nome de revolta, me domina em situações de injustiça, mas, o meu crescimento trouxe também alguma segurança, maturidade e força, que é como dizer que, neste tipo de situações não fico calada, não aceito "castigos" sem defesa, mas sofro muitas vezes as consequências. Normalmente estas situações surgem a nível profissional, comigo ou com outros e, sempre que falo, acabo por me prejudicar. Já o sei à partida, mas confesso que prefiro isso e dormir à noite com a cabeça tranquila, do que deitar-me sabendo-me fraca e acomodada. Já defendi colegas em situações em que todos (inclusive os próprios) ficaram calados, já me dei como culpada, quando me apercebi que outros o estavam a ser considerados no meu lugar, já me deixei queimar para não prejudicar outros, já levantei a voz para defender pessoas injustamente acusadas de algo. E quando eu defendo algo, defendo com unhas e dentes, embora sem fugir à boa educação, mas não chega. Custa-me a leviandade com que se acusa alguém sem se analisar os factos, muitas vezes procurando-se a reposta/saída mais fácil. Mais ainda, custa-me ver os que não conseguem sequer assumir os próprios erros e que procuram culpados em tudo e todos à sua volta. O que é certo é que antes, em tempos já idos, era tida como a boazinha, calminha e tímida. Hoje sou aquela que não receia dizer o que sente. Aquela que não tem medo de dizer não e que assume os seus erros, sempre. Mas não chega. Porque ao olhar para trás, vejo-me prejudicada num mundo em que impera a falsidade e o cinismo. E isso custa-me tanto...Não o facto de ser prejudicada, mas o facto de o ser por lutar por aquilo em que acredito como justo.

20 comentários:

  1. Dos posts mais bonitos que li nos ultimos tempos (em tds os blogs q visito)... Tb sou um bocado assim, mas tenho outra coisa, é que nem que se o mundo inteiro inteiro me estiver a cair em cima, e se eu tiver razao, nao me calo nem desisto.

    va, gostei mt de ler

    ResponderEliminar
  2. Ui a justiça...se eu começasse a escrever sobre isso nunca mais saía daqui...

    Na minha profissão lido com a (in)justiça todos os dias e acredita...se eu soubesse o que sei hj n sei se me teria metido nisto. Às vezes só nos apetece gritar e chamar as pessoas à razão, porque onde eu vejo mais injustiça é no mundo da...Justiça!

    ResponderEliminar
  3. E tao mais facil colocar a culpa nos outros eou cruzar os bracos e nao defender quem injustamente e acusado de algo. Infelizmente a sociedade em que vivemos torna as pessoas egoistas so olham para o seu proprio umbigo e sao geralmente essas que nao lurtam para defender quem injustamente e acusado mas tambem sao os primeiros a sentir-se injusticados quando o feitico se vira contra o feiticeiro,, ironico nao e ?
    Concordo com tudo o que escreveste, tal como tu tambem nao suporto injusticas. Nem que tenha que me prejudicar mas fico quieta. Falaste num filme e para mim o que me marcou ate hoje foi a Lista de Schildler, de tal forma que nunca mais consegui rever.
    Beijinho e bom inicio de semana.

    ResponderEliminar
  4. Apontar o dedo é muito fácil e anda por aí muita gente que não se importa de apontar o dedo só para salvar a sua pele.. basicamente deixam que as injustiças se comentam..
    Quando referes que muitas vezes assumes a "culpa" ou te deixas queimar é porque até achas que estás a fazer o que achas correcto e que ninguém sai prejudicado.. mas infelizmente quem dá a cara leva.. somos demasiado inocentes a achar que muita gente é como nós, mas não são...
    Besitos*

    ResponderEliminar
  5. Olá Bê!
    visito o teu blog regularmente, mas é hoje a 1.ª vez que deixo um comentário:
    adoro o teu blog e a forma como te expressas, as tuas palavras eternecem-me porque são moldadas de sentimento e de vida, e de paixão! adoro a tua maneira apaixonada de viver cada detalhe da vida,
    adorei o post "relações"
    adoro saber que o amor existe :)
    adoro saber que és uma lutadora e que preferes dizer e confrontar ainda que as consequências sejam desgradáveis, do que remoer escondida na culpa e na mesquinhez!
    sim, eu também adoro dormir tranquila à noite, ainda que "os outros" me tenham como "politica ou socialmente incorrecta", who cares???!!!!
    ahahaha, só me dão é vontade de rir, pfff
    mas depois é tudo mais complicado e difícil...paciência...não temos perfil de "lambe botas"....
    enfim :)
    tens aqui uma fã!!! ;)
    um beijinho grande e sê sempre muito, muito, muito feliz!
    Inês

    ResponderEliminar
  6. Também detesto injustiças. E eu sou daquelas que "não me fico" e farto-me de refilar. Toda a gente me diz que é uma perda de tempo e que só me chateio com essas coisas mas eu sinceramente recuso-me a ser mais uma daquelas que se deixa ir ao ver que está tudo mal.

    BJS*

    ResponderEliminar
  7. Princípios e valores, eis o que muita gente já fez questão de esquecer.
    Os Condenados de Shawshank é um reflexo limite de um mundo onde todos nós, se não compactuarmos com este sistema mesquinho e reles, nos encontramos a priori condenados... A única diferença é que nos aprisionamos a nós mesmos.
    Haverá liberdade para isto? Julgo que sim... Basta cada um querer.

    ;)

    ResponderEliminar
  8. Ricardo - obrigada pela visita :D. Também não consigo ficar calada, mas a verdade é que às vezes acabo por sair prejudicada...enfim!

    Dexter - pois, na tua área é o mais frequente...embora não conhecendo o teu contexto, imagino a quantidade de injustiças a que assistes.

    Miepeee - A Lista de Schidlres também me marcou muito e também o achie revoltante, por retratar a realidade. Qualquer dos filmes foram filmes que adorei, mas que me fazem sentir tão angustiada, cmo se o estivesse a viver.

    Poupinhas - é bem verdade o que escreves. Muitas pessoas não conseguem assumir os seus erros e escondem-se, mesmo que outros seja injustamente acusados. E isso tira-me do sério.

    Inês - Obrigada pela visita e pelo comentário que me deixou com um grande sorriso :D

    Miss Kitty - a mim dizem-me o mesmo! E espanta-me a pasmaceira dos que se acomodam às coisas, sem lutarem pelos seus ideiais. O que é certo é que nós é que vamos sendo mal vistos perante a sociedade em geral!

    Maria - concordo. E sim, basta cada um querer...mas há muita gente que se prefere acomodar e que procura sempre a via mais fácil...

    ResponderEliminar
  9. Olá B, entendo o que dizes e também sou assim, por causa disso ja me prejudiquei sabes.
    São as consequencias de ser justo.
    em fim. Olha adorei este post

    ResponderEliminar
  10. Sabes, a questão da justiça, do sermos justos para connosco e com os outros, é algo que exige muita lucidez e sentido de rectidão. Sempre tentei ser justa, mesmo quando sei que posso sair magoada por algo que possa fazer ou dizer para repor a verdade. Não me arrependo de ser assim, porque sempre que me deito durmo sem pesos de consciência. Mas confesso que quando não posso fazer nada por algo ou alguém, fico irritada e frustrada, ainda que tenha noção que não sou a super mulher.
    Mas sim Bê, nada como seguirmos os nossos ideias :)

    ResponderEliminar
  11. Bê: não só por este post, por muitos outros, pareces-me uma pessoa tão justa e determinada! Gosto muito disso! Tivesse toda a gente essa coragem, viviamos num mundo bem diferente... Tbm detesto injustiças!

    Beijinho, Bê *

    ResponderEliminar
  12. Gostei muito do post. Eu também sou assim e é bom saber que ainda há pessoa sa lutar pela justiça!

    ResponderEliminar
  13. engraçado (ou nao) ...eu tb sou assim...
    alias, naquelas perguntinhas que as vezes nos aparecem em inqueritos, à "qual a pior coisa que lhe podem fazer", enqnto mts responder trair, eu respondo e sempre respondi desde pequena: ser acusada injustamente!.

    mexe-me com as entranhas....tira-me o fôlego, dá-me a volta ao estomago...




    mas...


    acho que faz parte nao é?? nao significa que comamos caladas!

    ResponderEliminar
  14. Olá Bê,
    hoje vou falar um bocadinho mais a sério do que ultimas vezes ;-)

    Também adorei o filme. É daqueles que tem mensagem e que convém aprender e não esquecer.
    Não sei se pela educação que tive, se pelo meu ADN luto sempre por aquilo que acredito. Mesmo que implique lutar contra o mundo e estar sozinho nessa batalha.
    Injustiças existirão sempre. É utopia acreditar num mundo perfeito. Aquilo que é possivel, é acreditar de consciencia nos nossos actos e não temer as consequencias. Se assim o fizermos, seremos sempre superiores a qualquer injustiça.

    Bjooooooooooooos

    ResponderEliminar
  15. tive um fim de semana complicado mas agra ja ta melhor... Quanto ao teu post... a injustiça... acho que já não é possivel haver justiça neste mundo plo menos nunca será para todos...

    ResponderEliminar
  16. É bom saber que há pessoas que se preocupam com a justiça e que lutam pelos seus ideiais! Vejo tantas pessoas acomodadas...pouco preoucupadas com o outro, com a liberdade e direitos do outro...

    ResponderEliminar
  17. Bê, continue assim. Aquí no Brasil dizemos que fazer o que você tem como luta é "andar na contra-mão".
    Com todo o cinismo das mentiras e injustiças em todos os níveis, hoje em dia, ou, talvez até sempre, formamos uma turma aquí e colocamos o nome :"Na contra-mão". Tentamos correr atrás de ajudar na solução de problemas de pessoas consideradas excluidas do mundo. São as sempre culpadas em qualquer situação. Por exemplo: Se roubarem um tablete de chocolate em um super-mercado e tivermos alguém mal vestido lá dentro, torna-se automáticamente culpado (nem passa por ser suspeito). O que acontece de resto você já sabe. Pena que conseguimos interferir apenas após o ocorrido, mas já é alguma coisa. Por isso também me revolta muito vivermos num mundo com justiças compradas com os sofrimentos dos sem numerário para comprar direito de serem respeitados. Mas...
    Beijocas. Manoel Eduardo - Brasil.

    ResponderEliminar
  18. Se há coisa que me tira o sono e me tira do serio é mesmo a injustiça. Detesto... uma pessoa ser acusada do que não fez eh no mínimo triste....
    Gosto muito de ah noite deitar-me e dormir de consciência tranquila.
    Mas há pessoas capazes de tudo.... e acabamos por pagar por causa de outros é outra coisa que não é justa. Mas pronto... nunca irá mudar...
    Beijinhos

    ResponderEliminar

Aceitam-se elogios, críticas, gargalhadas, lágrimas, sorrisos e afins