21 de maio de 2009

Mais um dia

Ontem vivi, pela primeira vez e em tantos anos de formação, de recursos humanos e de contacto com o público, um momento novo, desagradável e que espero não repetir. No meio de uma sessão de esclarecimento, um senhor, algo perturbado resolveu levantar-se, começar a ser mal educado para mim e dizer que eu falava muito bem e tal, mas que aquilo não era para ele. Tentei conduzir tudo de forma diplomática e eficaz. Tentei que ele não abalasse as restantes pessoas que enchiam a sala no fim de um dia de trabalho - meu e deles. Sou o tipo de pessoa que, mesmo nervosa e tensa, consegue não o transmitir e assim me portei, no alto da minha juventude feminina perante um homem retrogrado e visivelmente machista, com comentários desajustados. Sou também uma pessoa de sorriso fácil, mas expressiva o suficiente para perceberem o que me vai na alma e quando são mal-educados ou injustos, o sorriso desvanece-se, mas a boa educação nunca. Dei-lhe uma hipótese: que se sentasse e ouvisse o que eu tinha para dizer e que no fim falaríamos a sós. Sentou-se, mas a sua calma aparente durou dois segundos e eu tive que lhe pedir, educadamente, para sair da sala. Firme e irta (por dentro tremia, sem saber o que vinha dali). Aparentemente segura, perante os olhares espantados de uma sala apinhada de gente. O senhor passou por mim quase a rosnar e saiu aos pontapés perante a surpresa de todos os outros. Os que ficaram sorriram para mim. No fim, alguns, sem me conhecerem antes, deram-me os parabéns pela forma como eu conduzi a situação. E eu senti-me um pouquinho mais crescida. É verdade...porque perante situações novas nunca sabemos como vamos lidar com a mesma, nem sequer se vamos ser eficazes. E custou-me...custou-me muito ter que o fazer, mexeu comigo.
Mas, acima de tudo, custa-me assistir ao discurso de pessoas que se queixam de tudo na vida, mas que depois não fazem nada por si próprias. Querem tudo dado, sem luta, sem sacrifício. Para estas, as opções menos certas que possam ter tomado na vida não têm qualquer influência, apenas o mundo à sua volta. Provavelmente olhou para mim, pensando que à sua frente estava uma mulher, bem mais jovem, com uma boa vida, por ter uma licenciatura. A verdade é que já passei dificuldades e trabalho desde os meus 15 anos, para chegar aqui hoje e não quero, nem vou parar. Dou formação sempre que posso, perdendo alguns fins-de-semana, estudo com frequência, quero voltar à faculdade...Sei que em algum momento da minha vida tive sorte e dou graças frequentemente por ter tido algumas oportunidades que agarrei com unhas e dentes....mas também com sacrifício. E sei que há vidas muito complicadas. Lido com isso diariamente, mas também sei que muitos lutam por melhorar, outros queixam-se e esperam que um dia a sorte lhes caia em cima...E depois a sua atitude de revolta perante o mundo parece-me extremamente injusta.
Agora resta-me esperar pelo dia da entrevista e ver como corre, ou se levo uns tabefes...Cheira-me que há cenas dos próximos capítulos...

26 comentários:

  1. Deve ter sido complicado, mas são nestas situações imprevisiveis, e novas que vao surgindo que vemos como somos fortes em dar a volta às questões... fico contente por teres resolvido a questoa da melhor forma, mesmo que por dentro tenha sido muito dificl, mas não esperava menos de uma pessoa como tu... esforçada, decidida, lutadora e forte... se hover proximas cenas, conta:) bj

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  2. é verdade querida Bê, Às vezes há situações desagradáveis que não podemos controlar. Mas ao longo da vida vamos a prendendo a lidar com elas e é assim que nos tornamos mais fortes e com mais capacidades pra resolver esses imprevistos ;)

    beijinho

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  3. O que eu acho verdadeiramente revoltante é estas pessoas estarem a receber o subsídio de desemprego - ou qualquer outro tipo de benesse -, passarem o dia sem mexerem o rabo, e ainda reclamarem que as coisas estão mal. É claro que existem casos e casos - e não convém generalizar -, mas este país está como está por preguiça. Mental. E quando a mente não funciona, funciona o instinto. E o instinto como é "animal"... A reacção fala por si.

    À Bê tenho de dar os parabéns pela atitude, calma (aparente, of course) e ponderação. Se fosse comigo... Não sei, mas como já me esfalfei tanto na vida e o pouco que tenho envolveu principalmente "suor e lágrimas"... Certamente que um educado "energúmeno" me saía.

    ;)

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  4. Realmente, há pessoas mesmo mal educadas, ainda bem que conseguiste controlar a situação!

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  5. Mostras-te que es uma senhora, controlaste a situacao e acimaq de tudo mantives-te a educacao.
    Quanto as pessoas que estao a espera que tudo lhes caia do ceu, ai minha querida comnheco algumas e da-me com cada volta ao estomago que nem te conto. No fim de tudo alguns ainda acabam por ter sorte e quem luta as vezes acaba por desistir porque anda anos a tentar algo que vai parar as maos de quem nada fez para o conseguir. A vida pode ser muito injusta.
    Beijinho.

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  6. estiveste mto bem!!! fosse toda a gente assim....

    realmente tnt gente se queixa e nao faz nada!!pensam k toda a gente alcançou o que tem de mao beijada e sem sacrificios!! nao querem é lutar, preferem resignar-se à condiçao de pobres coitados que nao tiveram sorte nenhuma...

    enfim...


    beijinho e tens premio no meu blog!**

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  7. Grande Bê! Não te apoquentes muito, pois demonstraste um elevado nível de profissionalismo e boa-educação!

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  8. Parabens Bê.
    A sorte em parte somos nos que a fazemos, e se tens tudo o que tens com certeza foi fruto do teu trabalho e dedicação, dos teus sacrificios. Pessoas mal educadas não merecem a tua atenção, e esse senhor que foi mau contigo é com certeza uma pessoa frustrada por não lhe darem a atenção que quer.

    Beijinhos

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  9. Olá BÊ! Deve ter sido difícil manter a calma, mas fico contente porque resolveste bem as coisas. Infelizmente, hoje em dia em Portugal, ter uma licenciatura não é sinal de nada, nem de emprego.

    Li que dás formação em recursos humanos. Eu tenho um trabalho para fazer na cadeira de Gestão de Recursos Humanos e queria saber se me podes ajudar a nível de informação sobre "Recrutamento e Selecção".

    ***

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  10. Grande Mulher!
    Beijinho
    Margarida

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  11. Dou-te os Parabéns por teres sabido reagir da melhor forma, mesmo que por dentro estivesses a tremer.
    Eu acho que não conseguiria fazer o mesmo e o mais certo era por-me a disparatar com essa pessoinha que nem isso merece... Não merece que te enerves por tão pouco!
    Acabas por ser um bom exemplo para todos nós que te lemos, e para as pessoas que contigo convivem em todas as situações da tua vida.
    Beijinho grande*

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  12. Situações destas são inesperadas! Ninguém as prevê e portanto, há que manter alguma sobriedade na resposta. e foi o que fizeste. E afinal, puseste-te a ti à prova e superaste-te!

    Portanto, não deixes que esse incidente te marque pela negativa. pensa nisso como mais um percurso na tua aprendizagem.

    Beijoca!

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  13. Há que ser superior em situações assim. Deste a volta, isso é que importa. E não penses nos próximos capítulos porque podem nunca vir a existir ;)

    Bijooo

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  14. Bem.... que situação...
    Mas quem lida com "pessoas" está sujeito a uma situação deste género.
    Também já me aconteceu. Uma pessoa tem que se impor, claro que por dentro é como dizer, tremer... mas nunca mostrar isso.
    Vai correr tudo bem
    Jinhus

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  15. é assim mesmo! Eu não sei se teria esse "sangue frio".

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  16. Bem, imagino!

    Eu sou igual; como diz a minha Mãe, 'nunca desço do salto'. Sou sempre educada, mas perco as estribeiras facilmente, o que não implica, perder a educação!

    Também dou formação, mas nunca me aconteceu nada assim. Só há uns dias um senhor mais velho do que eu (bastante, como quase todos os meus formandos) me dizia que aquilo que eu dizia não era bem assim! É claro que não sou infalível, mas estava segura (como sempre!) do que estava a ensinar. Ele insistiu até que, educadamente, segui em frente e propus-me a esclarecê-lo mais tarde. Não quis.

    Fiquei aborrecida porque uma coisa é a opinião do senhor, outra é estar a afirmar em plena sala que aquilo não era assim.

    Enfim...


    Beijinho, querida Bê

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  17. Situações dessas são sempre complicadas, mas temos é que manter a calma e n entrar da mesma forma que eles...senão aí está o caldo entornado! Acho que fizeste mto bem e agir como agiste...só demonstra maturidade e profissionalismo.

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  18. Muito bem! Deves ter estado super bem! No fim não ficaste admirada pela tua reacção? Às vezes acontece-me, chegar ao fim e pensar: woo, consegui lidar bem com isto!

    Continua assim, querida :)

    Beijinho *

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  19. Infelizmente no trabalho com adultos acontecem algumas situações bem desagradáveis mas faz parte do nosso crescimento e da nossa maturidade conseguir dar lidar com isso. Hoje sou bem mais paciente e tolerante mas também assertiva e segura daquele da forma como giro as minhas sessões de formação.

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  20. :D
    Desculpem a minha falta de tempo para comentar individualmente! Isto aqui pelo Cantinho anda a mil!
    Eu depois conto as cenas do próximo capítulo, se as houver, porque penso que o senhor nem aparecerá para a entrevista.
    Branquinha - manda-me um e-mail a pedir o que precisas. Neste momento estou mais ligada à área de formação, mas se puder ajudar, terei todo o gosto!

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  21. Eu deixei aqui um comentário!

    Desapareceu?!

    =)

    Beijinho, querida Bê*

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  22. Não me digas *B* - isto da moderação de comentários pode ter esse efeito! :(

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  23. Bê, quem trabalha desde os 15 anos de idade já passou por muitas situações. Como você é inteligente, aprendeu com as más e agarrou as boas. Consequentemente nunca se aperta com as novidades (ruins). Sai-se bem porque suas intenções são sempre boas e construtivas. Deus a protegerá sempre. Deus ajuda quem ajuda e se ajuda. Beijo carinhoso. Manoel Eduardo. - Brasil.

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  24. Bâ é o chamado locus de controlo interno.. neste caso o teu é bastante elevado e o do senhor é tão baixo que se torna um locus de controlo externo..
    Nas situações limite ou crescemos ou perdemos a cabeça.. e, para mim é sempre bom tentar não perder a cabeça para crescer :)
    Besitos*

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  25. Não sei, querida Bê!

    Contava-te que, apesar de ferver em pouca água, em momentos mais controversos, nunca perdi a boa educação! 'Nunca desci do salto', como dia a minha Mãe!

    Ainda há uns dias, um formando meu, afirmava que o que eu dizia estava errado. Eu sabia que não, claro, estou sempre segura do que ensino, MAS NÃO SOU INFALÍVEL, mas naquele caso, eu estava certa. Não sei se por ser mais velho do que eu (por acaso até estranhei a atitude) ou por ser também formador, aquilo caiu-me mal. Disponibilizei-me para o esclarecer mais tarde. Foi a primeira vez que aconteceu. Acho, honestamente, que o senhor nas suas formações procede de forma menos correcta e, perante o que dizia, lá achou por bem dizer que eu estava errada, quase em jeito de defesa pessoal... Não sei!

    Reagiste muito bem, querida Bê!

    Beijinho especial*

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  26. Eu que trabalho num ramo em que "o cliente tem sempre razão"... já tive que engolir cada sapo... já tive de contar tanta vez até dez, já tive de morder tanta vez os lábios... que não sei... um dia passo-me, agarro-me na cabeça de alguém e esmurro-o na parede.


    Dasss

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