19 de junho de 2009

Coisas que me irritam II

Pessoinhas sem espírito de equipa. Com os níveis de concentração altamente centrados no próprio umbigo e que fingem não reparar nos outros à sua volta. E que incham com as suas pequenas vitórias no dia-a-dia, alcançadas muitas vezes, com a ajuda dos outros, sem o reconhecerem. Pessoas que pedem ajuda a torto e a direito, que pressionam e stressam os demais, mas que, quando lhes pedimos ajuda, fazem cara de enojadas, como se tivessem acabo de cheirar um sapo azedo vindo do esgoto. Pessoas acomodadas, que se queixam de tudo e todos, mas que não fazem nada para implementar mudanças. Pessoas que manifestam medo, desagrado, insegurança, perante as vitórias dos outros. Pessoas que beneficiam da ajuda dos outros, mas que são incapazes de ajudar por vontade própria (e, para mim, para o fazerem de má vontade e com azia, mais vale não fazer). Pessoas que, na hora H, quando o trabalho aperta, fogem sorrateiramente e só aparecem no final, cheias de sorrisinhos e prontas a recolher os louros pelos outros. Pessoas que ficam à espera que os outros façam o seu trabalho, para depois se aproveitarem do mesmo para fazerem o seu. Que dão bitaites, mas não têm iniciativa. Que não mostram respeito pelos trabalhos dos outros e ainda têm a lata de mandar boquinhas a diminuir as suas funções. A sério que me irritam…fico fora de mim. E que falam mal de métodos, de procedimentos, das opções da chefia, mas depois, nas reuniões nem piam (nem apoiam os outros que assumem as suas posições) e ainda têm o displante de dizer ia falar para quê? não adianta nada. Arghhhhhhh!!
Sempre fui considerada uma boa colega. Lembro-me de uma das chefes mais duras (e inteligentes) que tive até hoje, me dizer, na minha avaliação de desempenho (na qual, acreditem, eu tremia por dentro – ela era uma autêntica Nazi. Cada vez que errava em algo, juro que só o seu olhar fulminava os meus neurónios) que eu era das pessoas mais disponíveis que já tinha conhecido. Sempre atenta aos outros e com vontade de ajudar. A verdade é que, tendo o meu trabalho bem orientado, é com bom grado que me disponibilizo para ajudar os meus colegas. E o facto de ser assim só me faz ser cada vez mais intolerante perante quem é exactamente ao contrário. Mas também é verdade que o facto de já ter levado verdadeiros baldes de água fria na cabecinha, depois de pedir ajuda a alguém (ingénua, já fui tão, mas tão ingénua), também me faz ser mais selectiva sobre quem merece realmente a minha ajuda…mas, coração mole como sou…se vejo alguém em apuros, lá vou eu, qual bombeira voluntariosa, socorrer as madames em apuros…Mas que me irritam, lá isso irritam e a minha carinha n.º 25 diz tudinho.
E agora, além de boa colega, com o tempo, a idade, a experiência, sou também considerada aquela que diz o que sente, mesmo correndo alguns riscos. Mesmo ficando, por vezes, mal vista, perante chefias menos seguras. Quando não concordo, quando acho que as coisas não estão bem, quando sinto que o meu/nosso trabalho pode ser afectado, digo. Já me recusei a fazer coisas com as quais não concordava. Já me prejudiquei. E hei-de continuar a dizer sempre...mesmo sabendo que me vou prejudixar (prejudicar-lixar). Porque eu sou assim, nem melhor nem pior do que os outros, sou eu...

23 comentários:

  1. Conselho da Ginger:
    Espera que o lollipop de Amesterdão comece a derreter, e depois esfrega-lho nas caras!


    p.s. não te esqueças de usar luvas*


    kiss*

    ResponderEliminar
  2. Ahaha!Ora aí está uma excelene opção!
    Beijos Gingerbread ;)

    ResponderEliminar
  3. é das poucas vantagens que o regime de bologna implementou nos cursos universitários cá: os trabalhos de grupo sao tao importantes quanto os exames e as aulas...ou seja, todos têm k ganhar "skills" para trabalharem em grupo, desenvolver essas capacidades desde muito cedo... Espera-se que, assim, quando um dia profissionais, a prática retirada do curso, os ajude a ser menos egocentricos e egoistas e a nao se "encostarem" ao trabalho dos outros.

    mantem a mesma postura. eu tb sempre fui a favor da frontalidade, com educaçao e nivel, mas frontalidade sempre.

    beijinho

    ResponderEliminar
  4. Não há longe, teu mundo a ilha
    Tens andar gingão mesmo à maneira
    O verde é manto que te afaga os pés
    O mar é o teu azul por cabeceira

    Passos ao encontro
    Alma cheia de cor e ilusão
    Braços abertos à aventura
    O mundo na palma da mão

    Bom fim de semana


    Mágico beijo

    ResponderEliminar
  5. Em várias situações dessas me vi imiscuída. Ajudo tudo e todos, com a maior das prestações - porque acho que o ser humano não aprende nada em regime de clausura existencial - e, chegada a hora H, "foi a Maria"...
    No estudo que agora desenvolvo, as situações relacionadas com o Património são gritantes... Dá vontade de se perderem as estribeiras! Para além de muitos fazerem questão de não partilhar o seu suposto saber, com receio de serem "roubados" nas ideias (em breve irei esmifrar uma situação num post, na qual estou envolvida), outros "lambem" por tudo o que é sítio para conseguirem aquele reconhecimento que muito bem dispenso. Ainda ontem lá estavam três das dondocas do costume a derreterem-se de sorrisos e coisas que mais para o "mestre", e eu, que bem precisava falar com ele sobre assuntos sérios, lá tive de desistir perante tanto melanço... Antes que me saísse alguma "educada". A paciência e a postura sempre calma têm os seus limites...

    ;)

    ResponderEliminar
  6. Ai Bê, como te entendo. Já fiz um post sobre isso. Já recusei fazer trabalhos (eu sou de ciências, falo em trabalhos de laboratório) porque sabia que não iam correr bem e porque a chefia dava aquela ordem para me testar. Já discordei, já argumentei, já tudo!!! Mas sempre no salto (o que O irritava ainda mais)...

    Enfim... E sempre fui boa colega e senti que os outros nem sempre o eram para mim!

    Beijinho! Bom fim-de-semana, querida*

    ResponderEliminar
  7. Queres umas vacas ou cabras para a troca? Tenho aqui muitas.

    ResponderEliminar
  8. Hannah - também vivi isso durante o curso e eu sou da "velha guarda". Mesmo assim os trabalhos de grupo já tinham um peso muito importante nas notas. Mas o que é certo é que na área de psicologia, sendo maioria mulheres, é complicado ;)

    Profeta - obrigada pelas palavras mágicas ;)

    Maria - como eu te entendo. Esqueci-me de referir que as pessoas lambe botas também me tiram do sério e muito!

    *B* - pois. eu também já tenho recusado trabalhos pela mesma razão...não há santo que aguente ;)

    Miepeee - não, obrigadinha ;)

    ResponderEliminar
  9. É pelo que dizes que nunca gostei muito de trabalhos de grupo... Havia sempre 2 ou 3 que faziam tudo e no final a nota era geral (e como eu estava sempre nos que trabalhavam, bom...:X) Agora na faculdade penso que as coisas correm melhor, e a cooperação é totalmente diferente (tanto que por vezes já me senti eu das mais baldas:X Não por não fazer o trabalho, mas por deixar para as últimas e tal...É agora que começo a ver quanto um trabalho de grupo pode estimular=D)

    Mas acho que, no fundo, partilho de todas as ideias que escreveste:)

    *

    ResponderEliminar
  10. Sabes, agradeço imenso trabalhar num sitio em que o espirito de equipa é tudo.
    É nos incutido logo à partida. Estamos ali para trabalhar para um mesmo objectivo...se o alcançarmos, todos ganhamos com isso (e falo em €€€!). Se não trabalharmos bem em conjunto, saímos todos a perder... Claro que há sempre alguém mais à sombra da bananeira, mas é logo topado! :)
    Continua a ser como és, com a tua filosofia de vida, com tudo de bom que tens nesse coração...
    Beijinhos***

    ResponderEliminar
  11. Num local onde se trabalha com muita gente as coisas só vão lá com cooperação e trabalho de equipa agora paus mandados é que não. Quando fazia trabalhos de grupo havia uma que queria tudo semprre à sua maneira, ás horas que queria e os dias.. só o fez uma vez.
    Beijinhos*

    ResponderEliminar
  12. Bê tudo o que descreveste é precisamente o que me tira e tira a muitos do sério mas lembra-te que quanto mais te irritares mais te prejudicas, por isso, esquece. A mim o que me irritam mais ainda são os fulaninhos que não tem valor nenhum, ter valor é ter personalidade, assumir o que se faz e diz, não é ser oportunista e vira casacas, mas porque têm alguns bens, porque são de determinado partido, blá, blá,andam para aí feito bailarinos a lixar tudo e todos. Mas que fazer? Não lhes passar cartão.
    Sabes o que vale a pena pensar? Em quem amamos e quem nos ama, naquilo que nos dá prazer. Nada é mais importante que o nosso bem estar. Não te deixes vencer pela inutilidade. Beijos

    ResponderEliminar
  13. Minha bombeira predileta, trabalhar com você foi um prazer enorme, você é ótima colega, excelente companhia e boa profissional! Bjs!

    ResponderEliminar
  14. Quando trabalhava para outrém, também me acontecia. Quando me tornei chefe, fazia-me imensa confusão as pessoas como as que descreves. Com certeza que nem sempre fui justa, mas tentava. E uma coisa é certa: no meu departamento ninguém tocava. Para fora eu assumia todas as culpas (e não podia ser de outra forma). Depois resolvia com os meus subordinados a questão.
    Isto para dizer que eu penso que os subordinados espelham as chefias que têm.

    ResponderEliminar
  15. E não tens de mudar! É assim que gostamos de ti.... :D

    ResponderEliminar
  16. Olá!
    Ter atitudes e visão da vida como tu, depende um pouco da experi~encia , profissionalismo, brio e sobretudo segurança...
    Porque tudo tem um preço, e tu para chegares a este patamar, tiveste-o, de pagar:=)
    ;=)

    beijocas
    Bom fim de semana

    ResponderEliminar
  17. Eu na secundaria era a fornecedora oficial de apontamentos lol os meus colegas so me diziam 'epa nao sei como é que estudamos pelos mm apontamentos e tu tens 18 e eu tenho 14' lol

    ResponderEliminar
  18. Subscrevo completamente, eu não teria capacidade para descrevê-lo de forma tão expressiva e eficaz.

    Posso colocar no meu blog fazendo-te referência! só um link pode ser?

    È que é expecional!!!

    Por que são mesmo as palavras que nunca me sairam da boca mas que com toda a certeza estão na minha cabeça!!!

    ResponderEliminar
  19. Chocolate - obrigada pela visita e pelas palavras. Estás à vontade ;)

    ResponderEliminar
  20. Bê, pessoas com seu modo maduro de pensar são pérolas raras e muito necessárias no mundo. Veja que quer queiramos ou não, vivemos numa comunidade. Quando uns não funcionam em suas obrigações, todos pagam. Acho que os "aproveitadores" aos poucos vão "quebrando a cara". Perdem a prática do fazer para sobreviver e às vezes isso é muito necessário. Continue sendo a Bê que és... Antes de eu ler bombeira, no seu texto, eu já estava imaginando assim. Isso que você faz , chama-se doação e é lindo. Beijinho. Manoel Eduardo - Brasil.

    ResponderEliminar
  21. Pois é... ora aqui está algo com o que me identifico... a seriedade e a serenidade de falar o que se pensa, mesmo correndo o risco de... levar um corre!
    Por ser assim, no semestre passado (é que apesar de já ser "idosa" resolvi voltar a estudar e fui para a Faculdade) por dizer umas coisinhas a uma certa professorinha tendenciosa, lixei-me e bem, pois a nota foi uma porcaria e estragou a minha média e podendo ter tido uma média de 15, só tive 14...
    Claro, que como gato escaldado de água fria tem medo, no início deste semestre entrei a modos que mais cautelosa, mas... como não tolero injustiças, falsidades, ignorâncias, a boa da Ana Rita, lá disse outra vez o que não devia e palpita-me que me lixei de novo, mas queres saber que mais? Estou bem aí... pelo menos disse o que pensava e fiquei de consciência tranquila.
    A inveja é um dos sentimentos mais feios que pode existir à face da terra e como costumo dizer (e já tive oportunidade de aqui o falar), a importância apenas deve ser dada a quem e ao que realmente a merece, tudo o resto... podem ir dar uma voltinha, mas importância não a terão.
    Pensa que quanto mais inveja têm de ti, mais força te estão a dar para venceres... interioriza...
    Pensa nisso e depois diz-me se tenho ou não razão.

    Beijinhos

    ResponderEliminar
  22. Lol. Ri tanto coleguinha, com este teu post.
    É que para além de percerber o contexto em que o escreveste, consigo visualizar as caracteristicas do teu desabafo.

    Acreditem Bloguistas, a Bê fez aqui uma descrição PERFEITA do tipo de gentalha que temos de aturar todos os dias.

    Só quero acrescentar uma coisa:

    Nós teremos sempre alguém com quem partilhar os nossos troféus. Outros há que ficarão o resto da vida a puxar o lustro aos troféus para se poderem reflectir neles e sentirem que partilham aquilo com alguém, quando na verdade estão SÓS.

    Tenho dito.

    Viva o espirito de EQUIPA!

    ResponderEliminar

Aceitam-se elogios, críticas, gargalhadas, lágrimas, sorrisos e afins