4 de junho de 2009

Sonhar ou não sonhar

Sou a típica pessoa sonhadora, que se aproveita da máxima “sonhar não custa nada”. Sonho a dormir, sonho acordada. Sonho naqueles momentos de solidão, de longas esperas, sonho quando conduzo, ou durante um debate chato. Tenho uma imaginação que facilmente me transporta “lá fora” como costumo dizer, meio a brincar, meio a sério. O que normalmente é muito bom, sobretudo pela capacidade de abstracção nos momentos menos bons, como uma longa fila de trânsito, ou na sala de espera para uma consulta daquelas que me põe os nervos em pé. Mas pode ser mau, quando me impede de me concentrar em algo.
Mais forte ainda é a minha memória dos sonhos vividos na manhã seguinte, depois de cada noite de sono. Sonhos cor-de-rosa e sonhos bem negros. Verdadeiros guiões de filmes de acção, qual elemento das forças policiais de elite do mais avançado, comédias delicodoces e dramas de faca e alguidar – por vezes a roçar uma verdadeira telenovela mexicana e eu nem vejo novelas, seja de que nacionalidade for.
Alguns sonhos revelam alguns medos e inseguranças, que se desvanecem com o tempo e com a experiência – como o estar nua num sítio público (quando era mais nova era extremamente tímida e tinha a necessidade de passar sempre despercebida) ou ir a um wc do mais sujo e nojento que alguma vez se viu (sou do mais esquisito que há com qualquer wc que não seja o meu).
Outros parecem vir de uma outra vida, porque os que são mais frequentes são os pesadelos e esses são o meu pior receio. Porque são pesadelos dignos de um filme de terror de série A, com perseguições, violência, guerras, monstros, catástrofes e morte. Estes pesadelos dão direito a um sono irregular, nervoso, agitado e normalmente terminam com um acordar em sobressalto, ainda com receio de um mal escondido no escuro do quarto ou da casa em silêncio. Por vezes, é o P., que facilmente dorme debaixo de uma imponente tempestade, que tem que me acordar, quando nem o facto de ser apanhada pelo vilão, assassino, monstro ou o que for, me desperta. E nesses momentos sinto-me tão pequenina e frágil, desejosa da segurança e tranquilidade que me trazem os primeiros raios de sol e o som dos passarinhos lá fora. Noutros sonhos tenho a estranha capacidade de me aperceber que não passa disso mesmo – um sonho, e acabo por poder alterar as coisas a meu gosto. Mas estes são os maus raros e penso que devem acontecer quando estou num estado semi-consciente.
Lembro-me de ser pequenina e me sentir já um pouco atormentada com o facto de sonhar, porque, ainda pouco conhecedora do mundo lá fora, sonhava constantemente que estava numa fila de pessoas num campo de concentração, quem sabe, influenciada pelos constantes filmes da 2.ª guerra mundial e afins, que o meu querido irmão via repetidas vezes e dos quais eu fugia a sete pés, receosa de algum dia ter que ir para a tropa, como ele fazia questão de me afiançar, apenas para me transtornar – o seu passatempo preferido nos nossos tempos de criança.
A minha mãe dizia sempre para não me preocupar, porque com o tempo (leia-se idade, pois claro) a tendência é perdermos a capacidade de nos lembrarmos dos sonhos. Mas não. Já no alto dos meus 30 anos, posso afirmar com toda a verdade que me lembro perfeitamente do sonho que tive esta noite e que, não sendo de terror, me deixou balançada. Por parecer tão real e envolver pessoas que conheço.
Outros sonhos são tão estranhos e abstractos que acordo sempre com a sensação de wtf?! Tenho até alguns livros de interpretação de sonhos, até porque o tema sempre me interessou e, durante algum tempo, dediquei-me a fazer uma análise, mas confesso que não o faço com frequência. Seria uma canseira. Não faria mais nada da vida.
Os meus preferidos são os sonhos em que consigo voar – porque tudo nos sonhos tem o seu quê de real e a sensação sentida parece tão real que é como viver o momento. Já os sonhos de queda são um horror, exactamente pela mesma sensação de realidade e acordo sempre no momento do embate, com o coração em sobressalto.
O que é certo é que tenho muitas insónias…algumas explicadas pelo meu receio/incapacidade de adormecer novamente após um pesadelo, por isso, por vezes, gostava de conseguir não sonhar…mas só por vezes. Os sonhos bons são sempre um bálsamo que me faz acordar com energia renovada e bem-disposta. E por estes, vale bem a pena sonhar…

18 comentários:

  1. Costumava ter um sonho recorrente, que começou na infância e com o passar dos anos deixou de me atormentar. Estava a dormir e, de repente, do nada, aparecia-me uma cobra a olhar para mim, como se estivesse mesmo ali à minha frente. Muitas foram as noites em que acordava a gritar, saltava da cama e corria pela casa até encontrar um obstáculo que me parasse. Só quando o meu pai (normalmente era ele que acordava com os meus gritos) me chamava, é que eu acordava e percebia que estava no meio da sala.
    Depois arranjei uma maneira de acabar com essas "aparições". Acho que resultou. Acabaram-se as cobras.

    Espero que também possas acabar com os sonhos menos bons e ficar apenas com os melhores :)

    Beijinho grande

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  2. Também me recordo com bastante facilidade dos sonhos que tive e tenho, um tema que também me interessa bastante, e para o qual também tenho alguns livros de interpretações e afins... Muitos "também".
    Esta noite tive um pesadelo... Sonhei que tinha voltado à minha antiga faculdade das Belas-Artes, e que fui incumbida dos arranjos de Natal (wtf, que nunca vi decorações de Natal por lá, a não ser a árvore de Natal raquítica à porta...!). No entanto - e agora vem a parte pior - andava para lá um psicopata de machado em punho a esventrar tudo o que tinha ventre... Acordei com o fulano atrás de mim. E eu não vejo filmes de terror: recuso-me. Resultado: andei todo o dia a pensar no Natal :-)

    ;)

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  3. Obrigada pela partilha Metade da Laranja. Ainda para mais eras sonãmbula, que perigo!
    O sonho que me atormentava na infância já passou, mas há muitos que ainda me perseguem...espeor também arranjar forma de os ultrapassar.

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  4. Maria, esse pesadelo poderia ter sido meu! Que horror!Eu também não vejo filmes de terror, nem pensar, não só porque não gosto, mas porque me iriam influenciar a ter ainda mais pesadelos!

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  5. Um verdadeiro Jack, o Estripador, versão "à machadada"...!
    Ok, vou dormir...

    ;)

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  6. Bons sonhos! nada com Jack's ok?

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  7. Nunca lembro os meus sonhos. Isso é de muito tempo. Ao lê-la lembrei a história de um homem que após um acidente não conseguia mais sonhar, e partia em busca de um modo de tornar a ter os sonhos.

    Abraço,

    R.Vinicius

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  8. R. Vinicius - pois. Na verdade sinto que se deixasse de me lembrar, também sentiria falta, porque alguns são muito bons. Contudo, há noites em que simplesmente não durmo bem, por causa dos pesadelos...

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  9. E quando estás a ter um sonho horrível, acordas, adormeces e voltas a sonhar a mesma coisa, como se estivesses a ver um filme e tivesses colocado pause... Acontece-me montes de vezes, o pesadelo parece que não tem fim. E sonhar o mesmo sonho exactamente igual?? As vezes estou a sonhar com a sensação de dejavu.. Sei perfeitamente o que vai acontecer a seguir....
    Tenho muitos mas mesmo muitos pesadelos ;s
    E também ir a cair no sonho e acordar dando um salto lol
    Jinhus

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  10. Marisa, não referi isso, mas também me acontece. É terrível quando um sonho mau tem continuidade!

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  11. do que eu gosto mm é de sonhar acordada :)

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  12. Caramba... só eu é que não sonho nada de jeito... :x

    Bem... ás vezes sonho e tenho a perfeita consciência de que estou a sonhar... no próprio sonho sei que estou num sonho.

    Mas o pior... a PIOR sensação que pode haver e que me acontece com alguma frequência, é acordar enquanto sonho que estou a cair! :s É do worst!! Deve ser das piores sensações que se podem ter.
    Arre.


    *

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  13. Como me revi neste teu post Bê. Eu adoro sonhar e adoro poder lembrar-me dos bons sonhos.. ultimamente, devido aoq ue tenho andado a passar, tenho quase todos os dias insónias e pesadelos, pior é que acordo toda suada, com o coração a mil, assustada e a lembrar-me exactamente de todos os promenores.É uma agonia crescente, mais porque tb sou como tu, adoro saber interpretar os sonhos.. o que por vezes me põe num estado de alerta e não poder adormecer no meu pleno.. mas tenho a certeza que à medida que as coisas vão passando vou deixar de ter tantos pesadelos..
    Um besito e sonhos cor-de-rosa :)

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  14. Sonhar é o que mais faço, seja a dormir ou acordada. E tal como tu, tenho sonhos recorrentes que davam uma novela mexicana :D Como pisciana que sou, escusado será dizer que passo a vida a sonhar ;)

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  15. Hoje tive um verdadeiro pesadelo... daqueles que já não se tem desde os cinco anitos, ou à volta disso... andava uma cobra atrás de mim, gigantérrima, até que do nada aparece o meu primo, que não vejo à anos e mata a cobra... para depois ser mordido por outra! HORRÍVEL! Acordei toda em suores frios e ainda agora não percebo de onde veio semelhante sonho! Enfim... só queria dizer que adorei o texto! E mais uma vez, estamos em sintonia! ;) - Boas férias e Bons Sonhos para ti!

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  16. Eu adoro sonhar. Tenho sempre a sensação de sonhar imenso. Mesmo quando não me consigo recordar exactamente, acordo com a sensação de que passei a noite a sonhar :) Pesadelos quase nunca tenho, ainda bem :)

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