31 de agosto de 2009

Noite difícil...

Dormi mal esta noite. Mal não...pessimamente mal. O que me deu cabo do humor e da segunda-feira, já de si um dia difícil. Acordaste-me quando já estava profundamente adormecida. Sussurraste ao meu ouvido, tocaste na minha pele e mesmo quando, cheia do calor que me transpirava já a mente, me tapei com o lençol, certa de assim te demover dos teus intentos, insististe e permaneceste junto a mim. O teu som no meu ouvido estava a por-me doida e lembrou-me as tuas marcas impressas no meu corpo na noite anterior - Duas noites seguidas? Ninguém merece - pensei para mim. Virei-me para um lado, virei-me para o outro, já na dúvida se deveria acender a luz e enfrentar-te ou se me levantava e ia para o sofá onde, certamente, não me procurarias. Por momentos paraste e eu suspirei quase silenciosamente, aliviada. Fechei os olhos, preparei-me para adormecer...mas pouco depois lá estavas tu, teimosamente insistente, vencendo o meu cansaço e fazendo do meu corpo o teu banquete...
Hoje sim, estou preparada para ti...
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É claro que estou a referir-me a uma melga horrorosa, que passou a noite a chatear-me e que não matei não só porque não consigo matar o que quer que seja, como para não acordar o P. que, ao meu lado, dormia descansado...Suas mentes depravadas...ai ai! Ide rezar, ide!

30 de agosto de 2009

Giro giro...

Giro giro é chegar a casa do meu pai para o jantar semanal de família, usar o seu computador e verificar que o meu blog está nos seus favoritos na internet...Só o meu blog e o sapo.

É giro e significa que tenho que ter muito cuidadinho com os disparates que escrevo por aqui...Ele é pai, mãe, irmãos, amigos, marido...no que eu me fui meter...MEDOOOOOOO!

29 de agosto de 2009

Obrigada

E não é que descobri que há abraços que me envolvem na imensidão da blogsfera, palavras que reforçam o meu optimismo, partilhas que me enchem a alma e sorrisos que me dão esperança e me fazem continuar a acreditar? Porque a blogsfera pode ser muito mais do que frases perdidas e comentários soltos...Muito mais do que possamos muitas vezes imaginar.

Por isso e por muito mais que possa descrever em meras palavras, obrigada...


28 de agosto de 2009

Pecadora...

Hoje comi uma coisa destas ao almoço. Eu, gulosa confessa e doida por chocolate, mas que bem me queixo dos kg a mais, dou-me a estes luxos: um maravilhoso petit gateau com duas bolas de gelado de baunilha, depois de dividir uma bela pizza e beber uma sangria de babar, no melhor restaurante italiano da zona. Deveria estar arrependida? Pois claro que devia...mas não estou. Como diz a minha querida A, isto equivale a um orgasmo gástrico - e dos bons, acrescentei eu...E isso não tem preço ;) - faz bem à alma e à mente.
Bom fim-de-semana, cheio de sorrisos!

B.

Querida B.
Hoje estou feliz e com um sorriso de orelha a orelha! Emocionei-me tanto quando soube da tua chegada que fiquei com uma lagrimazinha no canto do olho. Lágrimas de felicidade, de emoção. Finalmente rompeste a espera que nos separava a todos de ti e nasceste, linda como só tu e mais ninguém, grande e forte como se quer.
Tens tudo para ser feliz: uns pais fantásticos e que te amam desde o primeiro momento. E muitos tios - verdadeiros e emprestados, para te mimarem muito! Estou desejosa de te ver - espero que estejas preparada para os meus beijos repenicados, o meu colinho paciente e a minha mania inalterável de falar "bebez" - algo incontrolável e capaz de envergonhar muito boa gente.

Sê bem-vinda!

PS: Eu bem dizia ao teu pai que ias esperar pelo final do mês para saíres a esta tua titi emprestada: mais uma B. virgem! :)

27 de agosto de 2009

Querido S.

Hoje resolvi escrever-te, certa da imensa melancolia e inquietude que estás neste momento a viver. Estar de férias no Algarve, numa vivenda, cheia de amigos, mulher e filho é dose. Horas seguidas de praia, churrascadas todos os dias, dormir até mais não e beber a toda a hora, deve ser penoso para ti, sobretudo quando sabes que poderias estar aqui, connosco. Imagino o quanto tens saudades nossas e do nosso trabalho, dos colegas, da chefe, do calor intolerável pela falta de ventoinha (já para não falar de ar condicionado). De facto, todos os dias entramos fresquinhas que nem alfaces e saímos, ao fim do dia, inquietas pela banheira. Não gostavas de estar a passar por isso? Eu sei que sim. Também te deves lastimar da falta de máquina do café e da proibição de fumares nas instalações, o que te leva a infringir muitas vezes as regras e a faze-lo às escondidas. Aposto que até disso sentes falta, o que te corrói a alma e o cabelo que te resta.
Para veres como tem sido divertido, fica a saber que estivemos cerca de duas semanas sem internet o que para mim não fez grande diferença, porque tenho sempre imensas entrevistas para fazer, atendimentos, contactos, materiais novos, etc, mas o mesmo levou a que as nossas colegas preferidas se tenham deixado seduzir por um jogo de computador e estou agora a prepará-las para o desmame, já que na semana que vem as coisas começam a sério, forte e feio. Quase que têm tiques na mão que agarra o rato e os olhos mais arregalados que os meus naturais olhinhos de besugo. Já só falam em peças e em encaixe, especialmente agora, que chegaram a um nível que não conseguem ultrapassar. Em alternativa, deliciam-se a ler os trabalhos dos formandos e estão a emburrecer completamente: com cada pérola de sabedoria e inteligência na escrita que até eu, só de as ouvir já não sei se se diz devido a ou derivado a, entre outras dúvidas existenciais que as vão assolando e que (quase) me contaminam.
A A. continua com as suas crises emocionais e eu preciso de ti, da tua calma e serenidade e do teu ponto de vista masculino, para me ajudares a pôr-lhe algum juízo na cabeça – eu bem lhe dou ideias, mas a rapariga é teimosa como só ela. Eu adoro-a, é minha amiga do coração (foi amizade à primeira vista) e entendo-me às mil maravilhas com ela, mas às vezes só me apetece dar-lhe umas chapadinhas de tão casmurra que a rapariga é nesta nova relação. Juro que me apetece. Hoje levei-a às compras e convenci-a a comprar um vestido preto hiper/mega sexy e uma lingerie ao mesmo nível. Ias aprovar a escolha, e certeza que terias gostado de estar connosco e de ajudar.
A F., por seu lado, tem carro novo e não fala noutra coisa. Todos os dias chega ao trabalho mais cedo para escolher o melhor lugar e quando se vai embora, perde pelo menos uns 5 minutos a inspeccionar a “viatura”, para garantir que ninguém a riscou. Está completamente apaixonada e alucinada. Se pudesse, dava mesmo cabo de todos os pássaros da região que ousam usar o seu carro como wc. A G. também já regressou de férias, tranquila como sempre e cheia de vontade de ajudar.
O L.M. chegou dos Açores, com a sua calma tímida habitual e o bom feitio do costume, mas, ao invés de trazer um vírus da gripe A (que me dava mesmo muito jeito ter agora e não nas minhas próximas férias) trouxe apenas viroses tecnológicas, que têm feito todos os computadores apitar que nem doidos e o tamiflu cibernético a funcionar a toda a hora. Também ele chegou cheio de crises matrimoniais, mas penso que os meus conselhos o estão a por no bom caminho (qualquer dia até já faz o canguru perneta e ainda se gaba disso).
Eu continuo igual a mim própria: a partilhar as minhas gargalhadas gigantescas e as minhas histórias caseiras. Por vezes irónica, por vezes sarcástica. Ontem a A. ficou escandalizada porque chegou um senhor que espreitou pela janela e perguntou, de sorriso de orelha a orelha onde era a entrada e eu respondi, com um sorriso igual, que era pela porta (ainda não percebi o que a A. achava que eu devia ter respondido..., dado que a porta era logo a seguir... o que é que achas? É que eu estava, de facto, a tentar ajudar um senhor deveras distraído).
A M. também já voltou. Chatinha como só ela. Segunda-feira chegou às 10:15 e nós estranhámos e ficámos preocupados. Terça e quarta-feira chegou por volta das 11:30 e continuámos preocupados e sem saber o que fazer ou dizer. Hoje chegou às 15h e já ficámos mais descansados, percebemos que afinal estava tudo bem. Contamos que amanhã só chegue na hora de nos irmos embora, o que daria um outro sabor à sexta-feira e a certeza de que é a nossa M. de sempre. Muito concentrada no plano de 2009/2010, tem pedido ajuda à F. para coisas tão complicadas como gravar um documento em Word e conseguir enviar ficheiros. Tem sido uma trabalheira e a F., agastada, já nos olha de lado, por termos tirado à sorte e ter sido ela a feliz contemplada em dar ajuda – agora é sempre chamada e sabes que para coisas tão complexas como esta, perde sempre cerca de 30 minutos, umas duas ou três vezes por dia! Igual a si própria, a M. já conseguiu ficar fechada na escola, uma vez que não se preocupou com a hora de saída. Eu bem avisei que às 18h já o outro S. andava de chaves na mão, pronto a fechar tudo, mas tu sabes como é…
Continuamos a ir ao Spot, tomar o pequeno-almoço e almoçar, lugar que permanece inalterável e virgem desde a última vez que estiveste lá connosco, isto é, não há chefe à vista. Além de que os sumos de laranja continuam divinais e o rapazinho giro giro, embora parvinho até mais não, daqueles com a mania que é engraçado (acho que esta parte é capaz de não te interessar grande coisa).
A senhora da limpeza é nova e todos os dias há um filme diferente com a chave: ora anda a passear pela escola com ela no bolso e ninguém a encontra, ora sai da escola e leva a chave consigo e não há quem nos valha. É um regabofe sem igual, chegar a horas e não poder abrir as portas e trabalhar. A senhora da portaria continua igual a ela própria: uma cópia insuflada de uma qualquer modelo de um vídeo de rock bera dos anos 80, carregada de maquilhagem e com o cabelo no ar.
E pronto, caro colega e amigo, para que saibas que as coisas por aqui estão às mil maravilhas, divertidas como sempre. Mas não desesperes, nós esperamos por ti. Estamos cheias de saudades tuas e das tuas músicas, da tua boa-disposição e da tua companhia. As férias passam rápido e logo logo estás connosco a partilhar estas e outras maravilhas do trabalho.

Beijo grande,

O verdadeiro creme das estrelas, pseudo-estrelas e afins...

Isto para apontar que muitas das mulheres lindas, maravilhosas e perfeitas que vemos nas revistas são tão reais quanto nós e nós somos tão bonitas, perfeitas e tão mulheres quanto elas...
Nota: nenhuma das fotos pessoalmente minhas colocadas neste blog foram retocadas com este creme - não é para a minha carteira ;)

Minie...

Porque às vezes temos amigos que nos escrevem coisas assim e nos tocam o coração...fiquei sem palavras, por isso, nada melhor do que transcrever o que a minha querida amiga de tantos e tantos anos, de tantos e tantos momentos escreveu, acerca do meu último post:
Como eu conheço e sou amiga da Bê há anos é-me difícil dar-lhe os parabéns apenas (agora!) pelo Blogue que transmite uma ínfima parte do seu grande ser... a gargalhada só vista de bonita e fácil que é, os olhos grandes são expressivos, meigos e ternurentos, o coração esse sim é que é grande! Nem vou falar da família porque o Blogue é da Bê... mas relativamente à família às vezes sinto-a já como minha, para qualquer ocasião...podem cobiçar a minha amiga à vontade que eu deixo :P
Estas são as as palavras da Minie, que mora aqui, minha amiga de sempre e para sempre. Linda que só ela, inteligente até mais não, meiga, doce e uma verdadeira cat lover, tal como eu - temos tudo para resultar ;), embora sejamos tão diferentes uma da outra, como gato preto e gato branco, como a noite e o dia, o Inverno e o Verão, como dois flocos de neve, mas com tanto em comum. Já vivemos tanto juntas, já nos amparamos nos maus momentos, já rimos juntas, já contámos segredos quase inconfessáveis, daqueles que só se partilham com as melhores amigas, aquelas que não nos julgam, antes nos ajudam. E mesmo quando alguma distância se coloca entre nós (a distância da vida), ambas sabemos que a outra está sempre lá.
E porque as suas palavras me tocaram e me provocaram um grande sorriso, aqui fica um post inteirinho só para ela! Porque sim, porque a adoro, porque a quero na minha vida para sempre.
PS: Espero que não te zangues por estar a divulgar o teu canto por aqui.

26 de agosto de 2009

Um ano depois

Parece que o Cantinho faz hoje um ano. Um ano...um ano de desabafos, de partilha com a escrita, de envolvência com a blogsfera, de risos, sorrisos e gargalhadas, de lágrimas, de patetices e futilidades. Começou tímido e devagarinho. No início o processo era esporádico, muito esporádico, no máximo um ou dois post's por mês, por vezes nem isso. Mas o blog foi crescendo e começou a ter um significado muito especial e a fazer parte de mim.
Tudo começou nas vésperas de grandes mudanças na minha vida: a chegada aos trinta, o casamento e a mudança de emprego, embora na altura, a partilha não tenha sido tão intensa como se foi tornando com o passar do tempo e com o número de visitantes que, sem esperar, comecei a ter. Porque a verdade é que esse mesmo facto me motivou, me influenciou e me deu vontade de escrever mais e mais, porque nunca me passou pela cabeça que alguém que não eu, tivesse o mínimo interesse em acompanhar-me, em ler-me e ainda em segurar, ainda que virtualmente, os meus ombros nos momentos mais difíceis. Hoje, quem me acompanha, conhece muito de mim: sabe que adoro gatos, que sou feliz, que tenho pais divorciados, mas que me dou muito bem com os dois, que perdi a minha querida avó, mágoa que vive para sempre dentro de mim, que enfrentei um problema de saúde, que não foi grave, mas poderia ter sido (com o qual vou viver sempre, porque pode reincidir), que adoro o meu trabalho e que sou de gargalhada fácil. Sabe que gosto de escrever, que adoro o Alentejo e o Algarve, embora odeie calor a mais. Sabe que não gosto de sardinhas, mas adoro petit gateu e sou doida por todo o tipo de chocolates. Sabe que adoro mojitos, vinho branco e tinto, sangria e amêndoa amarga. Sabe que tenho caracóis disfarçados pelo cabelo liso. Sabe que gosto de roupas e sapatos, de livros e de música. Sabe que adoro viajar. Sabe que me rio de mim. Sabe que sou fanaticamente benfiquista, casada com um igualmente ou mais fanático, portista. Sabe que partilho as alegrias da minha vida e as tristezas também. Sabe que escrevo com a alma na ponta dos dedos. Sabe que partilho muito, mas mesmo muito de mim. E que hei-de partilhar ainda mais.
Sempre adorei escrever e aqui posso fazê-lo quando quero, como quero, sem receio e sem (grandes) inibições, é o meu escape, o meu canto, o meu espaço. Aqui posso dar-me a conhecer, sem ser demais. Faz hoje um ano, que, por uma razão muito pessoal, iniciei o blog, sem nunca me passar pela cabeça na forma como me iria entregar...por isso, depois deste ano, espero que venham muitos mais ;). Hoje celebro a escrita e a existência deste blogue. Hoje celebro o facto de poder viver esta experiência que me trouxe muita coisa boa: muitos blogues que adoro, muitas pessoas que, ainda que não conheça pessoalmente, me marcam virtualmente.

Por tudo isto e muito mais, daqui para a frente continuará a viver uma pequena (grande) parte de mim por aqui...neste Cantinho, na blogsfera plantado.

25 de agosto de 2009

Muito mais do que um número

Há um ano atrás, por esta altura, andava mais do que preocupada, receosa e a matutar na proximidade do dia em que iria fazer 30 anos. Para mim e penso que para muitas mulheres, é um marco especial, não pela entrada em si, mas pela saída, a saída dos 20. Lembro-me de pensar que passei toda a minha infância a ansiar pela adolescência, a adolescência a ansiar pela idade adulta e na idade adulta a ansiar poder parar no tempo. Com a proximidade dos 30 só queria poder voltar para trás e o factor que mais me incomodava é que agora a meta que gostaria de atingir, já não era possível. Agora, perto de fazer os 31 penso "E depois?" - não me faz a mínima diferença mais um aniversário - venham as prendas, o bolo e o möet chandon, venha a festa e os cartões de aniversário, venham os 31, os 32 e por aí diante. Venham muitos mais. Porque se há algo que aprendi, é que nós somos muito mais do que um número, somos muito mais do que uma cara bonita, um corpo magro ou umas maminhas jeitosas e um rabinho no lugar. Há inconvenientes que vêm com a idade, mas também há tanta coisa boa, como o prazer da experiência, do conhecimento aplicado à vida, há o saber viver, sabendo o que se quer e o que não se quer. Há o facto de gostar muito mais de mim hoje, com quase 31 anos, do que quando tinha 18. E de saber tirar melhor proveito da mulher que sou hoje, do que da jovem que fui em tempos.
Claro que, entre os inconvenientes, temos as rugas, cada uma com a sua história, as gordurinhas que se instalam com mais teimosia, os cabelinhos brancos que começam a espreitar, mas eu acho que as compensações são muito maiores e, sem dúvida melhores, do que estes pequenos inconvenientes, facilmente eliminados com os mais básicos truques de beleza...E, como eu costumo dizer, afinal só tenho 30 anos. Ainda tenho tanto para viver e aprender...
PS: Não, não é hoje que faço anos. Ainda faltam uns dias. Prometo avisar!;)

23 de agosto de 2009

Post em imagens

There's no place like home...
A Aldeia
A igreja e o seu mítico sino (e o ninho da cegonha)


A praça, o local onde todos se encontram, palco de tantas brincadeiras da minha infância

A Casa



O longo corredor e, ao fundo, a porta para o quintal dos meus sonhos

O quarto que era da minha avó


Quarto - Zona de vestir

A sala de estar


A sala de jantar

Os Passeios

Debaixo de um calor abrasador (43º)


Alqueva



Em Moura


A sorrir, mesmo debaixo de 43º...

As ruelas de Moura


Feira Medieval, em Serpa




Um brinde de sangria...xin xin ;)



Mesmo quando já não é a nossa casa...

Porque me fez bem voltar aos mesmos lugares e sentir os mesmos cheiros, ver as mesmas cores, foi catártico, foi mágico, fez-me feliz. Fez-me sentir perto da minha avó e adorei poder partilhar tudo isto com o P.

PS: Todas as fotos estão a preto e branco propositadamente, porque embora percam alguma qualidade (até porque não sou grande fotógrafa, apenas tenho boa vontade), são uma forma mais discreta de me partilhar, sem partilhar demais. Ou então é uma pancada minha, não sei bem...

Eu sou assim

Pouco depois de nos casarmos, o P. chegou um dia a casa com uma prenda e um pedido: a prenda era uma lingerie super sexy e o pedido era para que eu nunca me desleixasse comigo. Rimo-nos os dois, por causa da sua piadinha: depois de 6 anos de coabitação, ele bem sabe que não há ninguém menos desleixada do que eu e que jamais deixaria de me preocupar comigo mesma - e não é por ele, é por mim. Não é que não goste de estar bonita para ele - gosto e muito - mas sei que me ama mesmo quando acordo de manhã, de ramela no canto do olho e hálito matinal. Mesmo quando ando de pijaminha pela casa ou quando chego da ginástica toda suada e com os cabelos colados à cara. Mesmo depois de um longo dia de trabalho, daqueles em que chego, inevitavelmente com olheiras até aos joelhos e com a paciência de um adepto fervoroso de futebol, quando a sua equipa está a ser claramente roubada. Sei que para ele sou bonita em todas as horas, em todos os lugares. É por mim mesma que sou assim, preocupada, vaidosa (q.b) e ando (quase) sempre arranjada. Porque acho fundamental sentir-me bem comigo mesma - a velha e sábia filosofia do leite matinal aplica-se na perfeição ao que sinto e ao que faço por mim - é um dos meus lemas de vida, que se aplica não só ao bem-estar físico, mas também ao emocional, à minha maneira de ser. Gosto de conhecer os meus defeitos, para os poder combater. Gosto de olhar no espelho e de apreciar a imagem reflectida - perdoem-me a falta de humildade, mas gosto de mim como sou, com todas as minhas qualidades e com muitos dos meus defeitos: as gordurinhas a mais, a celulitezinha, as borbulhas teimosas, as rugas de expressão, o meu único cabelo branco, as estrias teimosas, os olhos demasiado grandes, as pernas ligeiramente arqueadas, a teimosia, as gargalhadas demasiado sonoras, etc, etc, etc. Mas não é por ter esses defeitos que invisto menos em mim - faço-o com prazer e elevo a minha auto-estima. E a auto-estima tem um poder tão importante na nossa vida, porque quando gostamos do que somos, de quem somos, tornamo-nos muito mais confiantes, muito mais fortes, muito mais felizes e isso transparece. É certo que nem sempre fui assim. E foi preciso uma grande mudança na minha vida para me tornar como sou hoje. Já perdi demasiado tempo na minha vida a não olhar o espelho, a não me preocupar comigo e a não gostar especialmente de mim. Hoje tenho rituais que mantenho e sem os quais não saio de casa: o cabelo sempre bem arranjado e tratado, alguma maquilhagem (nem demais, nem de menos), roupa adequada à situação: não levo chinelos para o trabalho, nem saltos para a praia, rio sempre que posso e permito-me ser feliz, mesmo com as pequenas coisas do dia-a-dia. Hoje vejo-me como sou e tento tirar o melhor proveito de mim. Porque eu sou assim...e assim vou continuar, por isso, mais vale gostar e mimar...

21 de agosto de 2009

Viagem ao fundo da memória

Já preparei a mala para a viagem, preparei a comidinha e água para os gatos e preparei a casa - está arrumada, organizada e trancada. E já estou quase quase preparada psicologicamente - quase, porque estou de tal forma nervosinha que só eu sei o reboliço que vai aqui dentro...reboliço esse que estou a tentar arrumar nos sítios certos, bem fechadinho a vinte e três-chaves. Vai ser, acima de tudo, uma viagem emocional, na qual arrisco a manifestar a Maria Madalena de faca e alguidar que existe em mim, ao confrontar-me com as minhas memórias. Memórias essas que terei, obrigatoriamente, que partilhar por aqui. Virei cheia de fotos dessa terra maravilhosa, quase perdida no meio do Baixo e quente Alentejo.
Enfim, para mim e para todos vocês, bom fim-de-semana, cheio de sorrisos.

Parece que...

Parece que a vontade de escrever voltou...Já tenho post's agendados e post's ainda em rascunho. Pos't para o menino e para a menina, prontinhos a sair. Ideias na cabeça e temas apontados no meu moleskine. Porque há fases menos boas, fases de introspecção e de falta de motivação, mas há fases em que não há nada a fazer, goste-se ou não, ninguém me agarra ;)

20 de agosto de 2009

Aquela altura...Post só para meninas! (Os homens não me vão entender)

Cada vez que estou naquela altura do mês, convenço-me que todos os homens deviam, pelo menos uma vez na vida, sentir na pele todos os sintomas e limitações, que vêm por arrasto com esta nossa condição feminina: as dores - de barriga e de cabeça - os calores, o mau-estar constante que nos tira a vontade de tudo, até de sorrir, o mau-feitio (por acaso nem é o meu caso, mas é algo frequente em muitas mulheres), o ter que andar prevenida com pensos higiénicos de tipos diferentes, tamanhos diferentes e cores diferentes, consoante os dias e o fluxo, tampões tal e qual (ele há pequenos, médios, grandes e super - cuja necessidade vai mudando, consoante os dias), etc, etc, etc. É que deviam mesmo. E agora imaginemos isto a começar na adolescência e a durar cerca de 40 anos, entre 5 a 7 dias por mês, seja Verão ou Inverno, faça chuva ou faça sol, nos aniversários e no Natal. É quando for, não é quando queremos. E são dias da nossa vida de qualidade muito reduzida: cerca de 84 dias num ano, cerca de 3360 ao fim de 40 anos! E depois venham dizer-me que ter que fazer a barba é mau...(como se nós não nos depilássemos nunca - com cera, naquelas partes e nas axilas e nas pernas). Acredito mesmo que, depois de todos os sintomas sentidos, nunca mais teriam coragem de se queixar de uma dorzinha de cabeça que só se sente quando se abana muito a mesma. E poderiam passar a mimar-nos ainda mais quando estamos assim. E a não nos deixar fazer nada. E a dizer que somos lindas e maravilhosas à mesma...porque nestas alturas sentimo-nos um trambolho desajeitado de todo o tamanho...
PS: O P. mima-me muito e entende-me, mas, nestas alturas, uma mulher quer sempre mais ;)

Coisas que me irritam V

Discotecas ambulantes, (mal) ajeitadas em cima de 4 rodas, com colunas tão ou mais potentes do que as dignas de um concerto no pavilhão atlântico (e que fazem tremer as minhas janelas e a minha paciência) e que incluem um mentecapto com a pilinha pequenina*, que se passeia por zonas residenciais às tantas da manhã, partilhando o seu gosto musical duvidoso, a roçar o estilo das discotecas fora de moda dos anos 90. É que me tira mesmo do sério, até porque eu sou do género de ouvir o vizinho do 3.º andar a tossir (e eu vivo no 1.º). Não se pode!

* Nestas coisas quer-me cá parecer que a vontade de exibicionismo é inversamente proporcional ao tamanho do órgão sexual...

19 de agosto de 2009

Além Tejo

Concentrada que estou no próximo fim-de-semana, no qual vou, finalmente, enfrentar alguns fantasmas do passado, não tenho tido coragem de vir até aqui e escrever, porque sei que me vai sair a alma pela ponta dos dedos e a emoção em cada palavra.
Depois de 13 anos longe da terra do meu coração, da casa que me viu crescer, das minhas raízes, das memórias mais felizes da minha infância, dos cheiros da comida, das searas, da terra molhada no quintal cheio de flores (já partilhado aqui, no Cantinho) decidi que estava na hora de tentar reviver cada um desses elementos, na esperança de poder reaver sentimentos intensos, jamais esquecidos e muito emotivos. Só o simples pensamento do que vou fazer mexe comigo, tira-me o sono, enche-me os olhos de lágrimas. Que raiva que sinto de mim mesma por não conseguir ser mais fria e distante, menos emotiva. É que por vezes, não me aguento a mim mesma. Felizmente o P. é um doce comigo e do mais paciente que há, enchendo-me de mimos e carinhos.
Não sou nada de viver das memórias do passado, mas mais de viver o momento presente, só que este passado vive em mim, nos meus sonhos, na minha pele. E por isso estou melancólica, emotiva, chatinha mesmo. É bem possível que venha cheia de coisas para contar sobre esse meu Alentejo e cheia de fotografias para partilhar a linda aldeia onde apenas não nasci, porque é e sempre será a minha aldeia, passem os anos que passarem.
PS: O Tobias melhora de dia para dia, tendo já recuperado os seus rituais de me ver a tomar banho e de tentar roubar comida do meu prato, mesmo debaixo do meu nariz :)

17 de agosto de 2009

Sem comentários...

Tenho cá para mim que, quando não temos nada de jeito a dizer, devemos ficar calados. Com a escrita, é igual. Se não temos nada de jeito para escrever, não adianta ficar a olhar para o computador, na expectativa de laivos de criatividade, ou, pelo menos, de partilha dos disparates do costume e ideias do dia-a-dia...
Falta-me vontade, falta-me tempo, faltam-me ideias. Por isso ando ausente*, embora sempre presente no silêncio com que passeio pelos vossos cantos.
Prometo voltar...
*Porque há alturas assim...e quando assim é, não há nada a fazer. Porque bem ou mal, escrevo por gosto, com o coração e alma na ponta dos dedos e neste momento não tenho capacidade para o fazer.

13 de agosto de 2009

Profissão: Dona-de-casa...

E depois de um dia longo de trabalho, num edifício sem pontinha de ar condicionado ou mesmo uma ventoinha, nem que fosse do tempo da guerra, com um calor abrasador à sombra, de derreter qualquer neurónio, que me tira a vontade de comer e mesmo de me mexer **, vou fazer o quê?
Tomar um banho refrescante, vestir uma roupa leve e comer uma salada com frutos do mar acompanhada de uma limonada geladinha ou por a roupinha a lavar, limpar o pó, aspirar e lavar o chão e arrumar roupa...?
A chaise longue chama por mim, mas, embora deteste limpezas, adoro ter a casa limpinha, arrumada e cheirosa, por isso, mais vale por mãos à obra agora e terminar a noite com o tão almejado banho refrescante. Acabei de ir às compras ao Jumbo on-line e agora sigo para esta tarefa tão necessária quanto detestável.
A verdade é que o meu sonho era ser daquelas pessoas que adoram arrumar, limpar e organizar e que estão sempre a inventar coisas para fazer em casa, como tampinhas de tecido para os frasquinhos ou etiquetas para as caixas de fotografias, que têm os cd's organizados por ordem alfabética (os meus já estiveram, durante uns dias...) e a despensa é de uma arrumação irrepreensível. Pessoas que encontram tudo à primeira, and so on, and so on, mas que, por outro lado, stressam com pequenas coisas, daquelas que a mim me passam ao lado. Mesmo assim, adorava. É que assim, seria tão fácil chegar a casa e dedicar-me a essa tarefa...ao invés de estar agora com a sensação de preparação do porco para a matança.
**Quem trabalha numa escola vive estas finezas - entra de manhã toda airosa, cheirosa e lavadinha e sai ao fim do dia com ar de quem acabou de correr a maratona. Sou só eu que tomo dois banhos por dia? É que não se aguenta tanto calor...

12 de agosto de 2009

Tobias

Acabei de ir buscar o Tobias ao veterinário, onde ficou internado, para fazer exames: ecografia abdominal, exame radiográfico, análises bioquímicas e termómetro pelo rabinho acima (tendo ele sido um verdadeiro herói em cada um destes momentos - embora eu só tenha assistido ao do termómetro) valeu tudo, para, por fim, se detectar uma pancreatite, o que explica os seus sintomas e obriga a um controlo total do seu comportamento nas próximas semanas, até voltar a repetir a ecografia, no final do mês.
Depois de passar o dia com o coração nas mãos -ansiosa com o que me iriam dizer - viemos os dois, finalmente, para casa com 4 caixas de medicação, uma embalagem de ração XPTOYZS7 que me custou os olhos da cara e de outro sítio também e com muitos euros a menos, mas bem mais descansada por se ter detectado o problema e por ser algo com cura - que sim, poderia ser grave se não tivesse ido logo com ele ao veterinário.
Agora resta-me a tarefa estóica de, durante 3 semanas, enfiar 3 comprimidinhos todas as manhãs pela goela abaixo de um gatinho a quem ainda foram rapados os pelinhos da barriga (que maldade). Valeram os elogios de que tenho um gato simplesmente magnífico, de tão bem comportado, meigo e lindo (confesso que nestas alturas fico quase tão babada como as mamãs a quem gabam os filhos).
Não podia deixar de fazer este post sobre ele, não podia deixar de partilhar convosco, porque depois de todas as manifestações de carinho, apoio e preocupação, depois dos mails que recebi, merecem estar a par da saúde do meu amigo de quatro patas, que neste momento continua muito abatido, mas que ficará bem, com toda a certeza. Foi um dos post's mais comentados aqui no cantinho, o que me fez perceber que, felizmente, há por aí muitos bons amigos dos animais e também muitas pessoas que, mesmo não me conhecendo, se preocupam comigo. Obrigada pela força...Para vocês, aqui ficam mais algumas fotos:



E, depois de tudo isto e de um dia em que mal comi, a correr entre casa, trabalho, casa, veterinário, trabalho, veterinário, farmácia, outra farmácia, casa...estou que nem posso e para acalmar as ânsias e repor energias já comi umas 32 rosquinhas fritas que andavam aqui a olhar para mim. Carregadinhas de açúcar e a obrigar uma hora de step amanhã...

11 de agosto de 2009

:(

O meu gato, habitualmente alegre, bem-disposto, atrevido, está diferente...está murcho, tristonho, distante...e eu estou com o coração nas mãos. Já desde ontem à noite que o sinto diferente: chamo-o e ele não vem; vou tomar banho e ele não se senta em cima da sanita, como sempre faz; comemos e ele não tenta sequer roubar um bocadinho que seja do jantar ou cheirar o meu leite do pequeno-almoço. Tenho que sair para ir trabalhar e detesto ter que o deixar. Sei que muitas pessoas acham exagero, excesso de zelo para com os animais. Mas para mim é a coisa mais natural do mundo - os meus gatos fazem parte de mim, da minha vida e eu sei quando eles estão bem e quando não estão. Logo à noite, quando chegar, a manter-se este quadro de apatia, lá terei que ir a caminho do veterinário - algo que me enerva mais do que enfrentar a cadeira do dentista antes de tirar os dentes do siso. Fico sempre com medo do que têm para me dizer.
Por isso, hoje o humor aqui para estes lados está em baixo e não dá para mais do que isto. O meu gato está triste e eu estou triste com ele...

10 de agosto de 2009

Diz que é fresco...

Já há muito que não faço um post com os mimos que me vão distribuindo pela blogsfera. Na verdade, optei por "imortalizá-los" na barra lateral, para que estejam sempre visíveis. Por outro lado, regras não é comigo e custa-me sempre ter que escolher um número determinado de blogs, em detrimento de tantos que acompanho e adoro. Mas, desta vez, apeteceu-me! Achei um verdadeiro mimo, fresco, giro e muito veraneante, a fazer lembrar as caiprinhas e os mojitos pelos quais me babo nas noites quentes (e nas frescas também) de Verão e por isso, imbuída no espírito, vou portar-me (quase) à altura do mesmo.
O Selo Blog Frescura, foi-me atribuído pela Sílvia Maria, cujo blog mora aqui, pela Eu, que anda por aqui e pela Mna. Margarida, um doce de pessoa e que anda por ali.
As regras são as seguintes:

-Exibir a imagem do selo - done!
-Postar o link de quem me mandou - done!
-Passar a 8 pessoas e avisar - para ser diferente e porque se fizesse tudo By the book, não seria eu, vou passá-lo a apenas 5:

À Cat, do http://in-the-catwalk.blogspot.com/;
À *B*, do http://maisque-imperfeita.blogspot.com/;
À Gingerbread Girl, do http://gatasemtelhado.blogspot.com/;
À BlueC, do http://deepbluec.blogspot.com/;
E à Kitty, do http://panodochao.blogspot.com/

Apenas e simplesmente porque os vossos blogues me fazem sorrir, porque gosto do que escrevem, da forma como escrevem e porque fazem já parte da minha rotina. Há mais que acompanho e adoro, mas hoje fico por aqui ;)
Não vou avisar ninguém! Estou certa de que passarão por aqui e levarão o prémio convosco.

Distraída, eu?

Sou só provavelmente a pessoa mais distraída do mundo, ou pelo menos ando pelo pódio, de certeza! É que na sexta-feira saí tão apressadinha, tão desejosa de voar para longe, tão cheia de vontade de começar o fim-de-semana com o P. que consegui a magnífica proeza de deixar a minha mala, com a carteira (e toda a documentação e cartões MB) telemóvel e uma das prendas do P. em casa e só reparei 200 Km depois...Desde quando é que isso acontece a uma mulher?? É óbvio que depois me senti "nua" durante todo o fim-de-semana e triste por ter deixado a prenda em casa...
Mas o fim-de-semana foi maravilhoso - depois, com mais tempo, posto umas fotos por aqui.
BTW - já repararam na imagem do meu blog? Repararam que a cor voltou? E estou a ver aquelas letras todas bonitinhas e grandes? Foi a minha querida *B*, do Mais-que-(im)perfeita! Obrigada *B*!

7 de agosto de 2009

Até 2.ª feira...

Lista de coisas básicas, mas necessárias para O fim-de-semana:
- Biquínis;
- Havaianas;
- Vestidos e toalha de praia;
- Moleskine e livro;
- Máquina fotográfica;
- Uma toilette para sair à noite, entre outras coisas;
- Prendas;
-Sorrisos e muita vontade de fazer o P. passar uma madrugada, uma manhã, uma tarde e uma noite de aniversário maravilhosas e inesquecíveis;

Sim, porque o meu fim-de-semana vai ser bem longe e vivido como se não houvesse segunda-feira O P. faz anos no sábado (34!!), por isso vamos fugir para parte incerta e só regressamos domingo à noite. Até lá e um bom fim-de-semana, cheio de sol e de sorrisos.

Ps: Ouçam a rádio comercial amanhã, das 21h às 22h - vão lá estar as Gatas em Telhado de Zinco Quente - o que promete um programa de qualidade!!

Afinal é FCP ou SLB, hein?

Quem acompanha o meu canto já sabe que eu e o P., o Homem aqui do Cantinho não partilhamos amores clubísticos, mas a verdade é que ando um bocadinho desconfiada: diz-se do Porto, acérrimo, ferrenho, quase doentio, vá. Tudo para, ainda na sua ingénua meninice, contrariar o pai, benfica confesso. O que é certo é que, ultimamente, apanho-o imensas vezes a ver o Benfica TV, já o apanhei a cantar o Sou Benfica e, mesmo quando chego a casa e ligo a TV, vai direitinho para o referido canal, ou seja, o último que ele viu antes de se deitar. É caso para desconfiar? Hum? Ou está já a preparar-se para uma época de arraso?
PS - eu cá já tenho o cachecol novo do Benfica e estou preparadinha para ir ao primeiro jogo da época! Eu cá não engano ninguém!

6 de agosto de 2009

Devaneios

Adoro ver casais enamorados, gestos de carinho e amor, manifestações públicas de paixão (comedidas, claro), adoro sorrisos sinceros e olhares intensos. Adoro notar a cumplicidade entre duas pessoas. E quanto mais idade as pessoas tiverem, mais gosto de ver, porque me parece mais genuíno. Não há nada mais enternecedor do que duas pessoas de idade, de mãos dadas e sorrisos estampados - pessoas que muitas vezes atravessaram ventos e tempestades, mas isso não quebrou o sentimento que partilham. Muitos queixam-se e lamuriam-se que enjoa, dizendo ser uma falta de respeito, uma pirosice ou simplesmente que não se aguenta. Eu não, não estou a criticar os que não gostam (cada um tem as suas razões), estou apenas a assumir que eu gosto. E não gosto apenas porque me sinto bem e feliz neste momento. Nada disso. Também já sofri, já fui solteira, já me senti muito sozinha, já fui enganada e traída. Já me senti em baixo, incapaz de amar, incapaz de me permitir ser amada*. E mesmo nessa altura, ver pessoas de bem com a vida, apaixonadas, felizes, sorridentes, já me provocava um sorriso - que, se na altura era de esperança, hoje é de certeza de que todos temos capacidade para amar e ser amados e que se todos o pudéssemos sentir, o mundo era, com toda a certeza, um lugar bem melhor - desculpem-me o lugar comum, mas não encontro outra forma de o escrever.
A mim custa-me e assustam-me sim, as manifestações de incerteza, as discussões, a apatia com que muitas pessoas caminham lado a lado, jantam juntas num restaurante, ou passam um dia inteiro na praia.
Porque eu espero um dia, ser já velhinha, cheia de rugas e cabelo branco e passear de mãos dadas, com cumplicidade no olhar e de sorriso sincero...e sentir-me tão apaixonada como hoje.
* Durante a fase mais complexa da minha vida, aquela em que menos acreditei no amor e em que mais queria distância de relações, foi exactamente quando me apaixonei perdidamente e comecei a sentir algo que nunca senti antes por ninguém. Porque o amor não se procura, encontra-se ou encontra-nos, mesmo quando pensamos estar fechados e perdidos...

Não acredito em coincidências

E quando chegamos ao nosso carro, logo pela manhã e, pela segunda vez, num curto espaço de tempo, temos o espelho partido e todo desencaixado, mesmo estando o carro bem estacionado e a minha rua sendo tranquila, acreditamos em coincidências?
Nâo! Eu cá não acredito. Mas acredito que cada um tem o que merece e que a maldade gratuita que se provoca ao outro é, com certeza, proporcional à tristeza de vida que se tem, por isso, sinto-me quase* vingada...

*Sim, quase, porque mais € em despesas com o carro não vem mesmo nada a calhar...por isso, hoje, sinto-me levemente irritada! Mas já passa - afinal, tenho tantas e boas razões para sorrir ;)

5 de agosto de 2009

Nós mulheres...

Nós mulheres, inventamos um bocadinho - frase que já usei aqui no cantinho e que hoje, volto a reescrever na totalidade. Eu não sou excepção...
Quem me lê há algum tempo, sabe que, depois de anos de uma luta inglória e quase infrutífera com o cabelo muito, mas mesmo muito ondulado que o meu querido pai me deu, resolvi apostar (que é como quem diz aplicar dinheiro) num pseudo-tratamento nutritivo que me iria permitir ficar, durante cerca de 4/5 meses, com o cabelo lisinho. Bastou para isso uma sessão de tortura de quase 4 horas, comprar uns produtinhos e aplicá-los de cada vez que lavo o cabelo, tendo que os secar sempre com o secador, mas sem esticar. Feliz e contente, tenho passeado o meu longo cabelo liso e sedoso por aqui e por ali. Ando sempre penteada, sensação que desconhecia. Apenas na praia, os banhos constantes implicam algumas ondas, mas nada de mais. Eis se não quando, depois de um belo dia de praia, começo a olhar de lado para mim e a pensar se as ondas não me ficariam melhor. Mas, quase deprimida e com um grande sentimento de culpa face ao dinheiro gasto, continuei a fazer tudo certinho...pelo menos até hoje. Sim, porque hoje acordei e foi a loucura...usei o champô, apliquei as gotas, escovei-o muito bem, mas não o sequei - e, pela primeira vez desde que me lembro, estou a amar as minhas ondas. Já fiz um estudo de mercado (ou seja, interroguei os meus queridos colegas) e logo à noite, espero para ver o que o P. diz (homem que é homem, normalmente precisa de ser alertado para essas mudanças de visual). É bem provável que as ondas estejam back in town - apenas para chegar o Inverno e eu me fartar de andar sempre despenteada e ponderar fazer tudo novamente...
Isto tudo, para concluir que normalmente não estamos satisfeitas com o que temos: as louras querem ser morenas, as morenas querem ser louras, quem tem caracóis suspira por cabelos lisos e quem tem cabelos lisos anseia por ter caracóis, etc, etc...Raios parta, que não sabemos estar quietinhas e satisfeitas com o que temos e tirar o melhor proveito disso. Eu, pelo menos, ando sempre a querer mudar e como não pinto o cabelo e gosto de o ter comprido...resta-me eliminar os caracóis e ondas ou variar no comprimento da franja (o que, diga-se de passagem, também não correu muito bem, da última vez). Serei a única?

Nova imagem

Andava há dias com vontade de mudar o visual do Cantinho - tal como com as músicas, gosto de poder variar - e a minha querida *B*, do Mais que (IM)perfeita, que é perfeita e linda (e cujo blog eu amo de paixão e é fielmente seguido cá no Cantinho por mim e pelo P.), mesmo sem saber das minhas intenções e estando de férias, enviou-me algumas sugestões e eu aproveitei-as, pois claro. Já é a segunda mudança grande que faço e as duas têm a mãozinha sábia da *B*. Como acho que a imagem do blog, as suas cores, organização, são mais importantes para quem lê e acompanha, do que para quem escreve, gostava de saber a vossa opinião sincera...Estejam à vontade para dizer bem ou mal, para sugerir outras cores, outra organização!
Obrigada!
BTW - Adorava saber colocar umas letras diferentes e chamativas no título, mas não sei, sou totalmente naba nestas coisas :) - por isso, fica como está!

4 de agosto de 2009

Há fases assim

Há fases na vida em que parece que o mundo desaba na nossa cabeça e tudo à volta parece envolvido pela dúvida e pelo medo. Fases em que nos sentimos mais fracos e abatidos, quase incapazes de lutar. Fases em que os problemas se sucedem em catadupa, numa corrente sem fim, que parece atraída pela nossa ineficácia. Felizmente, há também fases em que parece que temos uma estrelinha protectora que, aliada à nossa vontade, faz com o que, o antes era um problema, seja agora uma situação com várias soluções. Estou numa fase assim e sinto-me privilegiada, revigorada, com esperança...E nestas fases, gosto de partilhar com quem me lê, com quem me acompanha, o meu (já repetido*) sorriso ;)
Porque hoje, três problemas que me toldavam o espírito e a mente e que provocaram muitas noites transpiradas de preocupação, encontraram a sua solução. Dizem que o pensamento positivo e a força da mente são muito importantes e porque é essa a minha postura na vida, começo, seriamente, a acreditar...E hoje, vou dormir bem melhor.
* É que não se arranja nenhum melhorzinho por aqui, só mesmo o que me está estampado na cara, no momento em que escrevo estas palavras...

Histórias de vida

O JR era um senhor dos seus cinquenta e poucos anos quando o conheci, mas, envelhecido pelos desgostos da vida, aparentava mais. Foi num mês de Agosto, já distante, que o entrevistei e fiquei a conhecer a sua história. Toda a vida trabalhara na mesma empresa, depois de ter deixado a escola sem terminar o 9.º ano, como tantas outras pessoas, por necessidades familiares e financeiras. Eram outros tempos e a escola era muitas vezes deixada para trás, perante a necessidade de se apoiar os pais no sustento das famílias. Nessa empresa, o JR começou como estafeta: fazia recados, levava cafés e fazia aquelas tarefas que ninguém quer fazer, às quais ninguém dá valor, mas das quais muitos necessitam para um dia de trabalho mais eficiente. Ao longo dos anos e face a tanta dedicação e competência, o JR foi subindo a pulso e evoluindo na empresa, até chegar a uma função na área administrativo-financeira, aquela que lhe era permitida com a sua escolaridade, embora as responsabilidades efectivas ultrapassassem e em muito, aquilo que estava estipulado no contrato e, sobretudo, no salário. O JR era casado, apaixonado pela mulher e tinha dois filhos. Tinha ainda uma boa casa. Podia considerar-se feliz e felizardo.
Um dia a empresa entra em falência e começa a despedir pessoas. O JR foi uma das muitas pessoas que, de um dia para o outro, ficou sem nada. Apenas um pequeno e mísero subsídio, com a duração de três anos e a urgência em arranjar emprego. Isto abalou-o, deitou-o abaixo, fe-lo sentir-se fraco e desprotegido, incapaz de manter o nível (ainda que modesto) de vida da sua família. Entrou em depressão e, em consequência, a mulher deixou-o e os filhos deixaram de querer saber dele. A depressão piorou e as hipóteses de arranjar um emprego também. Lembro-me do seu olhar triste, quando me contou tudo isto, numa voz toldada pelo sofrimento. Soluçava e gaguejava, em consequência da depressão. No fim, chorou e o meu coração chorou silenciosamente com ele. Lembro-de de, depois de ele sair da sala, eu ter precisado de uns minutos para me recompor. Na minha profissão há que saber manter as distâncias e diria mesmo, a frieza perante tantos e tantos casos como o do JR ou outros, ainda piores. Mas eu não consigo, não quando fico sozinha. Vou-me abaixo e carrego as suas tristezas nas minhas costas.
O JR foi tornou-se um dos meus muitos "alunos", depois dessa mesma entrevista. E depois de um período longo e exigente, aprendeu a usar um computador: a escrever no word, a enviar e-mails, a fazer tabelas, a consultar a internet. Reaprendeu muitos conceitos da matemática, algo adormecidos, teve formação em Língua portuguesa, aprendeu a fazer um curriculum vitae e uma carta de apresentação, leu livros e jornais, fez apresentações orais para os colegas e relembrou tantos conceitos e aprendizagens obtidos através da sua vida escolar, mas também profissional. Não faltou a uma única sessão, embora o parco rendimento mal lhe chegasse para os bilhetes de autocarro. Um dia, bastante tempo mais tarde, o JR conseguiu concluir o 9.º ano e, pela primeira vez, vi um brilho no seu olhar e a sua voz fraca mudou. Pouco tempo depois conseguiu um trabalho - na construção civil. Um trabalho duro e diferente de tudo o que tinha feito até então, mas um trabalho honesto e que lhe permitiria dar um novo rumo na sua vida. Conheceu uma senhora, que aceitou as suas dores e compreendeu o seu olhar triste, com quem começou a viver. Aos poucos, gradualmente, a sua vida foi-se organizando novamente. E eu olho para trás, para o JR, e para tantos outros que conheci: o OS, o RR, o CF, o JA, a AS, a RD, e tantos outros rostos desconhecidos, que viveram tanto, sofreram tanto, mas que souberam levantar-se das maiores quedas que possamos imaginar e seguir em frente...
A todos eles, o meu obrigada pela partilha e por me ensinarem aquilo que não se aprende na escola e nos livros. É por eles e por todos aqueles com quem me vou cruzando, que escolhi como área de mestrado, a educação e formação de adultos, área pela qual me apaixonei.
Hoje o meu trabalho é diferente, embora a população seja semelhante e todos os dias eu tenho pequenas/grandes lições de vida. Acima de tudo, aprendo diariamente, a dar valor ao que tenho e a viver cada dia com intensidade, sem tomar nada como certo.

3 de agosto de 2009

Coisas que me irritam IV

Pessoas que falam alto* no cinema: aconteceu-me há dois dias e se de início me ria, de tão aparvalhada que fiquei com o ridículo dos comentários da pessoinha insensível ao meu lado - tais como "ah, o que é que vai acontecer agora?" ou "oh, o que é que ela vai fazer a seguir?", às tantas tive que fugir, já a coçar-me por tudo quanto era lado, senão corria o risco de aplicar logo ali um golpe de karaté bem em cheio na cabeça da senhora, na expectativa de lhe desligar o hemisfério esquerdo do cérebro e impedir que continuasse a falar, pelo menos durante duas horas.
* Por alto entende-se o tom de voz que usamos quando estamos a falar com alguém três cadeiras à nossa direita - que era o caso.
É por estas e por outras que, cada vez mais, gosto de ver filmes no conforto da minha chaise longue, no sossego do meu lar.

2 de agosto de 2009

2 de Agosto - 55

Recordo-me de ti, num tempo já muito distante e da forma como a tua arte dominava a minha infância e a nossa vivência. Recordo-me, numa memória já algo amarelecida pelo tempo, das longas viagens de carro, para irmos almoçar a sítios diferentes. Recordo-me de uma viagem ao Algarve, de um almoço em Sagres e de uma música que marca essa lembrança. Recordo-me das prendas com que nos brindavas, por vezes na tentativa de compensar alguma ausência justificada. Recordo-me de ter medo de te perder, mas de nunca o ter partilhado, numa fase mais complicada da nossa vida. Recordo-me de longos períodos sem ti e de alguma distância se ter instalado entre nós os dois. Deixaste de me conhecer e eu a ti. Mas depois, tudo mudou. Regressaste, pudemos viver juntos e conhecer melhor cada um de nós. Recordo-me das viagens longas, que se tornaram um ritual, pela estrada gelada das terras espanholas, a caminho dos Pirinéus carregados de neve e nós, carregados de sorrisos. Recordo-me de te redescobrir e de gostar mais e mais de ti. Tornaste-te presente e um grande suporte na minha vida, mesmo que não o saibas. Porque, tal como tu, sou parca em palavras emocionais e sentimentalistas, nesta nossa relação. Estiveste ao meu lado em momentos difíceis e amparaste os meus ombros e as minhas quedas, quando mais ninguém o fez. Deixaste-me encher a casa de gatos e cães, cúmplice do meu amor pelos animais e cuidaste deles com tanto zelo quanto eu. Confiaste em mim, nas minhas capacidades e deste-me força para lutar pelo meu futuro. Esperaste por mim, tantas e tantas noites, à porta das discotecas, como forma de garantires que eu chegaria em segurança a casa. Não criticaste os meus erros, antes partilhaste comigo os teus, ajudando-me a encontrar as respostas certas e a compreender as partidas que fazem parte do crescimento de qualquer adolescente. Ouviste os meus desabafos e aprendeste a desabafar comigo. Fizeste com que crescesse mais rápido no tempo. Foste sincero quando precisei e carinhoso nos momentos difíceis. Já discutimos muito, mas também já conversámos horas a fio, já rimos juntos, já chorámos juntos e já demos as mãos em silêncio, como forma de partilha de amor e carinho. Espero poder ser para ti tudo e mais ainda do que tu és para mim. Mesmo sabendo que às vezes falho como filha...
Para ti, hoje...
Parabéns Pai.