27 de agosto de 2009

Querido S.

Hoje resolvi escrever-te, certa da imensa melancolia e inquietude que estás neste momento a viver. Estar de férias no Algarve, numa vivenda, cheia de amigos, mulher e filho é dose. Horas seguidas de praia, churrascadas todos os dias, dormir até mais não e beber a toda a hora, deve ser penoso para ti, sobretudo quando sabes que poderias estar aqui, connosco. Imagino o quanto tens saudades nossas e do nosso trabalho, dos colegas, da chefe, do calor intolerável pela falta de ventoinha (já para não falar de ar condicionado). De facto, todos os dias entramos fresquinhas que nem alfaces e saímos, ao fim do dia, inquietas pela banheira. Não gostavas de estar a passar por isso? Eu sei que sim. Também te deves lastimar da falta de máquina do café e da proibição de fumares nas instalações, o que te leva a infringir muitas vezes as regras e a faze-lo às escondidas. Aposto que até disso sentes falta, o que te corrói a alma e o cabelo que te resta.
Para veres como tem sido divertido, fica a saber que estivemos cerca de duas semanas sem internet o que para mim não fez grande diferença, porque tenho sempre imensas entrevistas para fazer, atendimentos, contactos, materiais novos, etc, mas o mesmo levou a que as nossas colegas preferidas se tenham deixado seduzir por um jogo de computador e estou agora a prepará-las para o desmame, já que na semana que vem as coisas começam a sério, forte e feio. Quase que têm tiques na mão que agarra o rato e os olhos mais arregalados que os meus naturais olhinhos de besugo. Já só falam em peças e em encaixe, especialmente agora, que chegaram a um nível que não conseguem ultrapassar. Em alternativa, deliciam-se a ler os trabalhos dos formandos e estão a emburrecer completamente: com cada pérola de sabedoria e inteligência na escrita que até eu, só de as ouvir já não sei se se diz devido a ou derivado a, entre outras dúvidas existenciais que as vão assolando e que (quase) me contaminam.
A A. continua com as suas crises emocionais e eu preciso de ti, da tua calma e serenidade e do teu ponto de vista masculino, para me ajudares a pôr-lhe algum juízo na cabeça – eu bem lhe dou ideias, mas a rapariga é teimosa como só ela. Eu adoro-a, é minha amiga do coração (foi amizade à primeira vista) e entendo-me às mil maravilhas com ela, mas às vezes só me apetece dar-lhe umas chapadinhas de tão casmurra que a rapariga é nesta nova relação. Juro que me apetece. Hoje levei-a às compras e convenci-a a comprar um vestido preto hiper/mega sexy e uma lingerie ao mesmo nível. Ias aprovar a escolha, e certeza que terias gostado de estar connosco e de ajudar.
A F., por seu lado, tem carro novo e não fala noutra coisa. Todos os dias chega ao trabalho mais cedo para escolher o melhor lugar e quando se vai embora, perde pelo menos uns 5 minutos a inspeccionar a “viatura”, para garantir que ninguém a riscou. Está completamente apaixonada e alucinada. Se pudesse, dava mesmo cabo de todos os pássaros da região que ousam usar o seu carro como wc. A G. também já regressou de férias, tranquila como sempre e cheia de vontade de ajudar.
O L.M. chegou dos Açores, com a sua calma tímida habitual e o bom feitio do costume, mas, ao invés de trazer um vírus da gripe A (que me dava mesmo muito jeito ter agora e não nas minhas próximas férias) trouxe apenas viroses tecnológicas, que têm feito todos os computadores apitar que nem doidos e o tamiflu cibernético a funcionar a toda a hora. Também ele chegou cheio de crises matrimoniais, mas penso que os meus conselhos o estão a por no bom caminho (qualquer dia até já faz o canguru perneta e ainda se gaba disso).
Eu continuo igual a mim própria: a partilhar as minhas gargalhadas gigantescas e as minhas histórias caseiras. Por vezes irónica, por vezes sarcástica. Ontem a A. ficou escandalizada porque chegou um senhor que espreitou pela janela e perguntou, de sorriso de orelha a orelha onde era a entrada e eu respondi, com um sorriso igual, que era pela porta (ainda não percebi o que a A. achava que eu devia ter respondido..., dado que a porta era logo a seguir... o que é que achas? É que eu estava, de facto, a tentar ajudar um senhor deveras distraído).
A M. também já voltou. Chatinha como só ela. Segunda-feira chegou às 10:15 e nós estranhámos e ficámos preocupados. Terça e quarta-feira chegou por volta das 11:30 e continuámos preocupados e sem saber o que fazer ou dizer. Hoje chegou às 15h e já ficámos mais descansados, percebemos que afinal estava tudo bem. Contamos que amanhã só chegue na hora de nos irmos embora, o que daria um outro sabor à sexta-feira e a certeza de que é a nossa M. de sempre. Muito concentrada no plano de 2009/2010, tem pedido ajuda à F. para coisas tão complicadas como gravar um documento em Word e conseguir enviar ficheiros. Tem sido uma trabalheira e a F., agastada, já nos olha de lado, por termos tirado à sorte e ter sido ela a feliz contemplada em dar ajuda – agora é sempre chamada e sabes que para coisas tão complexas como esta, perde sempre cerca de 30 minutos, umas duas ou três vezes por dia! Igual a si própria, a M. já conseguiu ficar fechada na escola, uma vez que não se preocupou com a hora de saída. Eu bem avisei que às 18h já o outro S. andava de chaves na mão, pronto a fechar tudo, mas tu sabes como é…
Continuamos a ir ao Spot, tomar o pequeno-almoço e almoçar, lugar que permanece inalterável e virgem desde a última vez que estiveste lá connosco, isto é, não há chefe à vista. Além de que os sumos de laranja continuam divinais e o rapazinho giro giro, embora parvinho até mais não, daqueles com a mania que é engraçado (acho que esta parte é capaz de não te interessar grande coisa).
A senhora da limpeza é nova e todos os dias há um filme diferente com a chave: ora anda a passear pela escola com ela no bolso e ninguém a encontra, ora sai da escola e leva a chave consigo e não há quem nos valha. É um regabofe sem igual, chegar a horas e não poder abrir as portas e trabalhar. A senhora da portaria continua igual a ela própria: uma cópia insuflada de uma qualquer modelo de um vídeo de rock bera dos anos 80, carregada de maquilhagem e com o cabelo no ar.
E pronto, caro colega e amigo, para que saibas que as coisas por aqui estão às mil maravilhas, divertidas como sempre. Mas não desesperes, nós esperamos por ti. Estamos cheias de saudades tuas e das tuas músicas, da tua boa-disposição e da tua companhia. As férias passam rápido e logo logo estás connosco a partilhar estas e outras maravilhas do trabalho.

Beijo grande,

12 comentários:

  1. Que querida, *BÊ*

    Isso é que é uma ternura pelo teu colega S.. Ainda existem colegas que nas ausências, provocam-nos saudades.

    um *BÊ*ijinho

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  2. Oh, giro ver tanto apreço [e diversão no trabalho, hã? Vício em jogo de computador? Mt oldschool:P Acontecer por ausência de internet é que já é mais dos nossos dias:P]
    Beijinho*

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  3. Oh B fartei-me de rir com este post lolol da forma bem explicada como isto está acredita que o teu colega S não vai perder pitada das louuucuras do vosso trabalho lolol beijinhos

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  4. Adorei esta descrição dos colegas e ambiente de trabalho! :-D

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  5. Também estou com imensas saudades do meu galinheiro (é só mulheres. Não há nem um menino, nem ummm snif...).
    Claro que gosto de todas mas tenho um carinho especial pela I da contabilidade. Já agora deixa-me ir ver se a I já fez magia..

    Beijinhos...

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  6. Eu vou hoje finalmente de férias, a ver se apanho uma côr pois estou uma branquela de primeira... beijocas

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  7. Olha onde conseguiste arranjar aquele tradutor?

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  8. Bernardo, desculpa, penso que já me tinhas colocado essa questão. Manda um e-mail para mim que eu envio-te - foi-me dado pela Mna. Margarida ;)

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  9. Olha que querida tu saíste!?!?! Aposto que aguçaste a saudade do teu amigo e colega S., que neste momento deve estar sedento de regressar ao trabalho! AHAHAHAHAHA

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  10. loool
    Ri-me tt com q a tua colega M.!!!

    Gostei do teu blog:)

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