3 de setembro de 2009

Organizar ou encaixar?

Ontem, depois de uma amiga referir as preocupações de como organizar a sua vida com o novo namorado, saí-me com esta pérola: Os casais não se organizam, encaixam-se. Claro que foi risota total, minha incluída, porque todos levámos para a marotice no momento imediato, mas, na verdade, não era essa a minha intenção. A minha ideia era dar-lhe a entender que as coisas não podem ser demasiado rígidas entre um casal. Não devem haver obrigações e horários, regras e procedimentos previamente estabelecidos e segundo os quais devam gerir a relação. Claro que não deve, nem pode, ser a anarquia total. Há que haver bom senso, há que dialogar e há que saber mediar entre o que se quer, o que se sente e a vida a dois. Hoje, ao pensar nisso, enquanto seguia minha rotina matinal, sob a companhia sempre atenta dos meus felinos, pensei no fundo da questão e lembrei-me de como, em 6 anos de relação, durante 5 o P. jogou futebol, nas 2.ª e 3.ª divisão e ainda na 2.ª divisão alemã. Foram 5 anos de treinos quase diários até às 22h. De viagens para fora, o que incluiu muitos fins-de-semana comigo mesma. De domingos sozinha ou a caminho das cidades onde jogava (quando era perto), para o poder ver, vibrar, tirar fotos e partilhar a sua paixão. De jantares de futebol até às tantas, etc, etc. Para não falar dos cinco meses com milhares de km de distância entre nós. E nunca, neste período de tempo, eu reclamei ou tive sequer a coragem de lhe pedir para deixar de o fazer. Nem tal pensamento cruzou a minha mente. Pelo contrário, no ano em que decidiu que seria o último, preocupou-me o impacto que o mesmo iria ter: sempre o considerei um privilegiado por poder trabalhar e, ao mesmo tempo, poder fazer algo que adorava, que lhe enchia a alma e ainda lhe dava um segundo ordenado. Sempre vi, senti e vivi a importância do futebol na sua vida e isso permitia-me ultrapassar todas as saudades, horas perdidas e domingos solitários, por saber que ele estava feliz - sabia que deixar de o fazer iria mexer muito com ele. Por isso me permiti nunca organizar a nossa relação, mas antes, encaixar nas necessidades dele e sei que ele também se esforça por se encaixar nas minhas - sim, porque exige algum esforço, claro. Mas acho que lidamos muito bem com as necessidades um do outro, com o espaço que cada um deve ter, porque nos conhecemos muito bem e sabemos o que é importante para o outro. E não é que, mesmo desorganizados, nos temos dado muito bem? Claro que agora ele se meteu num campeonato com os colegas da empresa e ainda arranja uns jogos durante a semana e eu? Eu acho óptimo e, na verdade, o tempinho que sobra para mim tem sido sempre muito bem aproveitado: jantares com amigas, idas ao cinema, vegetar no sofá a ver todas as séries tipicamente femininas, and so on... E se hoje acho óptimo que ele jogue, tenho a certeza que vou continuar a achar sempre…Mesmo já velhinho, enquanto as pernas o permitirem e a paixão se mantiver ;)

35 comentários:

  1. no fundo somos materia-prima em bruto, que temos de ser trabalhada, moldada, limada, etc...

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  2. Bernardo, já te tinha respondido a isso antes :D
    Manda-me um e-mail para o mail do cantinho, que eu envio-te o código.

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  3. Querida Bê, ainda ontem tive uma conversa idêntica com o S, mas com a diferença que eu dizia que quando se ama não se muda, molda-se. Disse aquilo sem pensar, mas na verdade estou certa.

    O S também adora desporto e costuma ir com os amigos praticar e até mesmo deslocar-se com alguma frequência. E eu apoio. Ele já chegou até a convidar-me para ir, mas eu evito quase sempre, para que ele tenha aquele tempo e espaço só para ele, assim como eu gosto do meu!

    Por isso entendo-te. Bem, não tive tanto tempo afastada do S e nem ele esteve tão longe... Mas o vosso amor superou e...

    ... Há amores assim! :)



    Ah, é verdade: já te aconteceu teres comentários a falar do teu marido o 'S'? Já não sei quem foi, mas no meu blog já me falaram do meu namorado, o 'P'!!!

    [lol]


    Isto de ser B e Bê é mesmo giro que até nos trocam os homens, Bê querida!!!

    ;););)

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  4. @me@@@ - nem mais!

    *B* - concordo plenamente com o que dizes: também acho que não devemos mudar nem esperar que alguém mude por nós. Temos sim que encontrar forma de nos moldar/encaixar ;)

    Já lhes trocam os nomes? hihihih! A blogosfera anda toda baralhada com as B's!!

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  5. como eu te entendo... o rapaz cá o cantinho joga futebol e passa horas no ginásio e de volta do carro (sempre os carros) e por mim td bem, desde que dp, qd está cmg valha a pena pode ter o tempo só dele...acho saudavel e diz lá, até é bom ter aquelas saudades boas, de qd se sabe que se vai estar c a pessoa mas já se sente a falta...

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  6. hehehehe realmente Bê! isto de relações é isso mesmo respeito!

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  7. Bê querida?

    Mais um miminho no meu blog!

    ;)

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  8. Também acho que é uma questão de nos irmos adaptando à outra pessoa. ;)

    BJS*

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  9. Acho que este texto que escreveste é absolutamente extraordinário. Eu e a minha cara metade também temos uns horários que, por vezes, são incompatíveis. Estamos, por vezes, mais de um dia sem nos vermos. Numa relação a dois, é sempre necessário darmos espaço e alguma liberdade ao outro. Por que não aproveitar estes momentos de "desencontro" para podermos fazer aquilo que queremos? Os exemplos que deste são perfeitos. Enquanto o teu P. não está, aproveitas para jantar com as amigas, ir ao cinema... Assim é que deve ser! E depois, o facto de estarem assim algum tempo afastados, só contribui para que não se fartem um do outro... LOL

    Beijinhos,
    Nuno.

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  10. Nem mais!

    Salvaguardando que o P. é mais velho do que eu 10 anos, e que nos damos lindamente.

    Quando me juntei com o P., ele andava muito ocupado a terminar a casa que ele e a ex-mulher tinham decidido construir e posteriormente vender devido à separação.
    Apesar de já estarem separados à cerca de 2 anos a casa continuava a necessitar dele, os fds começavam com saidas de casa às 8h da manhã e regressos tardios ao domingo, para além dos telefonemas todos da ex para isto e para aquilo.
    Quando a obra terminou era preciso ir lá ajudar a limpar... eu fui e foi assim que descobri que estava grávida da minha primeira kika (não conseguia baixar a cabeça, dava-me vómitos).
    Para além disto tudo sempre aceitei que o trabalho do P. implica deslocações diversas dentro do País, telefonemas a toda a hora, nomeadamente altas horas da noite, implica também estar a trabalhar no PC até muito tarde, sempre foi assim e eu sempre aceitei.

    Temos as nossas falhas claro! Por exemplo o P. diz que não precisa de tempo para ele... para os amigos e afins todo o tempo que lhe resta à parte do trabalho é para a familia... no entanto compreende que eu preciso do gym, dos jantares com as amigas e as saidas de "gajas" :)

    O P. tornou-se no meu marido mas acima de tudo no meu melhor amigo, por isso a nossa relação flui muito bem...

    Eu costumo dizer que num casamento há cedências de parte a parte para que se respeitem um ao outro e as suas necessidades e bem estar, pelo bem comum.

    Bjs e este já foi longo que chegue :)

    Ah guerrinha guerrinha só SLB - FCP :P

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  11. Eu diria que é preciso organizar para depois encaixar. Porque os início não são fáceis, acho que é preciso o casal perceber/ criar regras para não cair na anarquia. Mas eu compreendo o que queres dizer e compreendo, se assim não fosse, a rotina rígida matava o casal!

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  12. como sempre, adorei :) ficou tudo dito. não podemos esperar que os nossos namorados deixem coisas importantes para eles, temos é de nos saber adaptar e lidar com a situação a dois, porque alem dessa vida a dois, cada um tem as suas coisinhas de que gosta e que nao tem de abdicar.
    beijinho querida

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  13. Resumo as relações de sucesso a uma palavra: "cedência".
    Quando não há cedências de ambos os lados, a coisa não resulta. ;)

    kiss

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  14. Concordo Bê. Uma relação só faz sentido assim: quando somos capazes de ceder, de respeitar, de fazermos tudo para ver o outro feliz, ...
    :)

    Beijinho

    P.S. - Miminho para ti no nosso blogue.

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  15. Eu acho que é mesmo isso. As relações tens de ser feitas de adaptações, porque nós não somos sempre as mesmas pessoas, nem as pessoas que amamos, por isso que nos conseguirmos adaptar a todas as situações conseguiremos manter a chama:)!
    (Desculpa a seriedade, mas acho que é um tema sensível. Há 6 anos também conheci o meu mais que tudo e desde aí muita coisa mudou, mas estamos casados há 1 ano e não podíamos ser + felizes:)!)

    Beijo*

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  16. Isso é tudo muito giro, romântico e até agradável para ambas as partes quando não se tem filhos. Porque quando eles aparecem e o outro nunca está porque anda de volta "daquilo que o faz feliz" as coisas mudam de figura.

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  17. Concordo totalmente. O ideal é os dois saberem fazer cedências sem entrar em extremos.
    Cada um também precisa do seu espaço..=)

    beijinho

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  18. Patrícia, entendo o que queres dizer, mas conheço muitos casais do mndo do futebol (e não ganham balúrdio nenhum, muito pelo contrário), que têm filhos, mas que arranjam forma de se adaptarem a esta realidade. Claro que há prioridades que são os filhos, mas confesso que acho que, mesmo assim, cada um deve ter acesso ao seu espaço e a fazer coisas de que gosta.

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  19. O teu namorado é um pervert. :P

    Fora isso, concordo com ele na ideia de que os casais se encaixam. Duas pessoas nunca são iguais, têm incompatibilidades, e é preciso saber encaixar no outro. ;)

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  20. Com ou sem trocadilho concordo com o "encaixe"! Como sempre, um belo texto! :)

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  21. Sim, é uma questão de encaixe. Capacidade de encaixe no bom e no mal. E faço questão de referir o mal pois, principalmente no ínicio, pode ser muito complicado. Eu como individualista assumida confesso que tive sérias dificuldades nos primeiros tempos mas, lá está, fui encaixando, ou melhor, fomos encaixando até criarmos um espaço conjunto entre os espaços individuais de cada um de nós. É um processo de aprendizagem, esta capacidade de encaixe :-)
    Beijos.

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  22. e para o encaixe são requisito fundamental confiança e respeito.
    resumindo o meu caso.
    depois de casados o maridão recebeu este as seguintes propostas de trabalho:
    4 semanas em angola
    ...um ano depois:
    3 meses no algarve
    ...no ano seguinte
    1 ano em lisboa
    sendo que este ano na capital coincidiu com a minha gravidez e só o tive em casa a 100% quando a nossa pequenita tinha 3 meses...
    não foi fácil
    mas foram oportunidades únicas e eu para mim só fazia sentido dar-lhe o meu total e incondicional apoio.
    deu frutos:
    está de volta ao norte e com um cargo que o satisfaz em pleno.
    trabalho reconhecido e uma bebé toda feliz a recebê-lo quando chega a casa;)
    (por isso mesmo com filhos... resulta!)
    beijos

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  23. Eu também acho que é uma questão de adaptação :) é muito bonito quando as pessoas conseguem adaptar-se à vida a dois e ainda assim manter o tempo necessário para fazer algumas coisas que gostam, individualmente :)

    Beijinho

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  24. Assim é que deve ser! SE não for assim não me parece que se vá longe...pelo menos acompanhado LOL!

    * beijocas

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  25. Concordo plenamente contigo querida...tiveste muito bem.

    Bjs

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  26. Amar também é ser capaz de aceitar o que faz feliz ao outro mesmo que isso não nos inclua.

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  27. Concordo contigo, acho que essas coisas devem ser respeitadas!

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  28. Secalhar uma grande das mulheres não aceitaria a vida do teu marido, uma vez que muitas mulheres não sabem o significado de uma relação a dois. E como tu dizes e bem ñão é necessária organização mas sim é preciso "encaixar".

    Beijinhos

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  29. Quando temos filhos, não morremos com mulheres, homens e seres humanos que têm uma vida social e emocional. No entanto, tu agora compensas o tempo que ele passa longe para ti, e as coisas funcionam lindamente. Mas quando vierem os filhos, ele vai estar longe e tu vais estar com o bebe. É fantástico estar-se com os filhos, mas continuamos a precisar do nosso tempo. E se ele não encarar o filho como prioridade mas sim como igual ao futebol, essa magia e compreensão desaparece logo. Infelizmente passei pela mesma situação.

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  30. Patrícia - acho que entendo o que queres dizer. Não tenho filhos, mas imagino que, para quem os tenha a tal necessidade de organização seja bem maior, assim como o poder de encaixe e a definição de prioridades. Obrigada pela partilha - é bom poder conhecer o outro olhar :)

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  31. Adorei este post! Revelou mta sensibilidade, tolerância, carinho e respeito pelo outro. Realmente o difícil está mtas vezes em respeitar o espaço e os gostos da outra pessoa. Parabéns!

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  32. Se algumas pessoas que conheço tivessem a oportunidade de ler este post, talvez conseguissem compreender de uma vez por todas que, quando lhes digo que a minha relação de 8 anos continua forte e saudável porque nenhum dos dois abdicou do seu espaço e de fazer aquilo de que gosta, não estou a dizer que cada um faz só o que lhe apetece.
    Gostamos de sentir que somos a prioridade um do outro e fazemos sempre por encaixar da melhor forma de maneira a que nenhum dos dois fique a perder;)

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