26 de outubro de 2009

Ponto de equilíbrio

Na maior parte das vezes, quando se comparam as principais diferenças entre homens e mulheres, é no sentido pejorativo: os homens a falar mal das mulheres e as mulheres a falar mal de homens. E não estou a referir-me aos quadros sociais que apontam as mulheres como maníacas por compras e por falar ao telefone horas e horas e os homens viciados em futebol e cervejinhas. Estou a referir-me a diferenças mais profundas, de comportamento, de hábitos, diferenças genéticas e biológicas, diferenças de educação e de modelos sociais.
Quando eu e o P. temos os nossos arrufos - por que sim, somos um casal muito próximo, muito amigo, muito apaixonado, mas claro que temos as nossas quezílias - não podíamos ser mais diferentes um do outro. E esse é que é o grande desafio. Não o de resolver o assunto em si, que por vezes é do mais simples que há, mas sim lidarmos com as diferenças comportamentais um do outro: eu, como mulher (complicada) que sou, gosto de analisar tudo até ao ínfimo pormenor. Analiso comportamentos, palavras, frases, olhares, tons de voz, isto é, um sem número de sinais que podem dizer muito, mas também podem não dizer nada, a não ser na minha cabecinha, cheia de argumentos e manias. O que leva a que, normalmente, as coisas cheguem a um ponto em que já nada têm a ver com a discussão inicial, o chamado ponto da roupa suja. O P. por seu lado, dificilmente quer falar no assunto. Prefere deixar o tempo passar e as coisas resolverem-se naturalmente, algo que muitas vezes me tira do sério, assim como eu o tiro do sério quando quero dissecar à lupa tudo e mais alguma coisa. Qual é a melhor abordagem? Eu diria nenhuma delas, porque todos temos que aprender a gerir essas diferenças de forma a encontrarmos o tão almejado ponto de equilíbrio. Como a luz ao fundo do túnel, ou o pote de ouro no arco-íris, metáforas mais do que singelas que sustentam o quanto é difícil chegar a esse estado. No dia-a-dia, vamos vivendo esta batalha relacional, por vezes de amor-ódio, por vezes perfeita, outras mais do que imperfeita. Se já encontrei esse ponto de equilíbrio? Às vezes sim, outras vezes não…porque há tantas outras variantes na vida que condicionam a nossa capacidade para actuar de acordo com o que sabemos estar correcto. Porque nas relações, onde não podem haver regras rígidas, muitas vezes o coração fala mais alto do que a cabeça e o coração é tão mais espontâneo e emocional. Mas procuro sempre, nos meus momentos de silêncio introspectivo, analisar com a cabeça de forma a poder resolver os pequenos dilemas da vida a dois. É uma luta constante, de aprendizagem contínua, de avanços e recuos, mas que não é necessariamente má, porque só o fazemos quando amamos.
E pior do que manter esta contenda interior, é perder, por completo, a vontade de resolver os conflitos e de nos adaptarmos à pessoa que temos ao nosso lado…

21 comentários:

  1. eu acho que enquanto há discussões é porque há vontade de manter a relação viva! Quando uma das partes simplesmente não quer saber, está qualquer coisa muito errada...

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  2. Tocas-te no ponto fraco da minha relação, que é o saber gerir as coisas nos momentos menos bons. Ele quer dar tempo e depois age como não se tivesse passado nada... eu, quero falar, fazer perguntas ! O silêncio dele nestas alturas mata-me. Espero vir também a encontrar um ponto de equilíbrio.

    Beijinhos

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  3. Que texto fantástico, querida Bê!

    Curioso... Eu e o S somos muito parecidos convosco no que diz respeito à gestão dos arrufos. Mas, na verdade, com o avançar do tempo e com a crescente maturidade, não apenas pessoal mas da relação, noto que ambos estamos mais flexíveis. Ele tenta colocar-se no meu lugar e eu no dele.

    Mas é claro que as discussões não se extinguiram e espero que nunca aconteça... Amar também é isto e como diria a minha Avó: casa que não é ralhada, não é governada!

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  4. percebo-te perfeitamente.
    e pelo que vejo, nas relações duradouras de amigos com quem convivo ou nos recentes divórcios que vão acontecendo, acho que a base é mesmo isso. querer que resulte. lutar para que resulte. amuar, ceder, bater o pé, aprender.
    mas ter sempre no pensamento que é com aquela pessoa que queremos estar e que as discussões não são um exclusivo dele(a) mas sim apenas e só mais um imprevisto da vida.
    beijos e boa semana

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  5. Exactamente o mesmo aqui deste lado. ;)

    E pronto... assim é, assim será.



    *

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  6. Olá *BÊ*zinha

    Mais uma reflexão fantástica, em que tenho de concordar que também é assim cá por cá casa.
    Neste muitos anos de convivência (hoje fazemos 7 anos de casados por igreja e festejamos o 23 º aniversário da nossa filha), dei e dou por mim uns dias a não fazer nada em relação ao que aqui reflectes(as diferenças entre o homem e a mulher) e em não baixar os braços e fazer algo para que o rumo das coisas se alterem. Enquanto eu sou expressiva (demais) o meu P. é o oposto, é reservado, não se manifesta tão expressivamente como eu.
    E nos dias (muitos, a meu ver), em que dou por mim a analisar as nossas diferenças, nestes 26 anos de vida em comum, cada vez mais chego á conclusão que nós mulheres temos tendência a complicar o que nada tem de complicado. Porquê, analisar comportamentos, palavras, frases, se, o homem que vive ao nosso lado, continua a vir para casa todos os dias, continuamos a ver que no seu olhar existe muito amor e compreensão.
    Penso que nós mulheres, criamos expectactivas(demasiado altas), mas que são expectactivas nossas e muitas das vezes não correspondem aos mesmos padrões partilhadas por quem connosco vive, não porque não queira, mas porque simplesmente eles valorizam outras coisas, como gostar de estar connosco, sem sair do trabalho e irem encontra-se com colegas e amigos, sentarem no sofá e saberem que estamos perto deles a fazer as mais diversas tarefas, nem que seja, estarmos ali a ler um livro.
    Por diversas vezes, tentei perceber o porquê de não conseguir falar daquilo que está a tornar-se desconfortável para mim e como resposta ouvi.
    Tu gostas de esmiuçar(está na berra este adjectivo)o que não tem de ser esmiuçado. Eu sou assim, não gosto de falar em coisas que considero pura perda de tempo, porque enquanto continuar a dar-te um beijo ao chegar a casa, enquanto te surpreender com uma viagem, enquanto te presentear com algo que não estás á espera, é sinal que as coisas vão bem e que é de ti que eu gosto. Para quê, então discutir a forma como demonstramos como gostamos?

    Fiquei sem palavras, porque é como dizia mais atrás, existem formas diferentes de se mostrar que se gosta e quem somos nós(para além de chatas), quando questionamos a maneira de ser dos nossos companheiros, quando eles nos demonstram todos os dias que nos amam.

    *BÊ*ijinhos, adorei o teu post

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  7. É uma aprendizagem difícil sim, é complicado estabelecer a barreira que define quando devemos parar, quando já chega, quando já não se está a retirar benefício nenhum e quando a conversa/discussão já só está a magoar...

    Mas não deixa de ser uma aprendizagem muito benéfica!

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  8. O ser humano é insatisfeito por natureza, característica inata. Daí a necessidade de uma aprendizagem constante, muito mais rica se partilhada com alguém. Nessa partilha está, para o bem e para o mal, o tão almejado equilíbrio... :)

    ;)

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  9. Lindo Texto! Eu sou casada à quase dez anos e concordo com você. Este ponto de equilíbrio depende de tantos fatores que às vezes em determinados momentos não conseguimos... Mas, uma coisa que acho fundamental é saber pedir desculpas e saber perdoar.

    Beijos...

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  10. Onde é que se assina? É que nada podia vir mais a propósito neste momento...

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  11. Comigo depende do assunto e da disposição.. A maioria das vezes são coisas tão parvinhas e banais que é melhor não dizer nada, para não prolongar a discussão. O meu namorado também é assim... às vezes basta estar a fazer qualquer coisa durante 5min que, quando olhamos outra vez um para o outro, já sabemos que estamos bem. Quando são coisas mais a sério, penso que se deve falar :) Mas nós os dois somos parecidos na forma como lidamos com a coisa ;)

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  12. E nada melhor do que nos aceitarmos mutuamente para que seja possível construir um amor verdadeiro sólido e sem idealizações irreais.
    beijo enorme

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  13. serão os homens que se calam, ou serão vocês que falam e pensam demais ? A verdade é que quando por vezes estamos a olhar para uma janela em silêncio (apenas um exemplo), é mesmo apenas isso que estamos a fazer! não estamos a pensar noutra mulher, não estamos a guardar qualquer segredo. coisa que se calhar nunca irão compreender.

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  14. Nao podia estar mais de acordo mas nao e facil encontrar esse ponto de equilibrio mas como tudo na vida e um desafio que deve ser levado a cabo porque afinal e para o bem de uma relacao :)
    Beijinho.

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  15. If you love, you are going to argue... why? Simply because those who love care enough to ask the questions that need to be answered.

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  16. Lia: é isso mesmo. Na verdade, faz parte de uma relação.

    A do lado! - é o ponto fraco de muitas relações. Não é fácil gerir-se estas diferenças, mas é algo que, com o tempo e com vontade, se consegue.

    *B* - Também sinto isso, a maturidade física mas também relacional traz muita coisa boa, porque nos ajuda a compreender cada vez melhor o outro.

    Art.Soul - nem mais. Quando diexamos de nos esforçar é porque algo está mesmo muito mal.

    Gigerbread - ora nem mais. aqui também!

    Chocolate - :)

    Rotax- mais do que tudo, parabéns por essas datas maravilhosas.

    Olhos dourados - na base, somos todos muito semelhantes ;

    Me - sem dúvida. E claro que não é fácil, por vezes nada fácil. Mas com o tempo, vai-se aprendendo.

    Maria_ eu não o teria dito melhor. É isso mesmo :)

    Cibelle - Também já escreci sobre a importância de saber pedir desculpas e de saber perdoar, porque concordo - é fundamental para a qualidade de uma relação.

    NI! Já está assinado ;)

    Cat - mesmo sendo novinha, já tens maturidade suficiente para não empolar assuntos triviais, iso é muito bom.

    Petra Pink - é verdade e não é facil! Aceitarmo-nos mutuamente, nem mais!

    Nuno - esse "vocês" soou tão mal! :)
    Na verdade, a minha intenção é declarar que ninguém ou todos temos razão. Falar de menos ou demais tem os seus aspectos negativos. É importante acertar num meio-termo. O exemplo que usas pode ser ilustrativo de muitas relações e reacções (conheço pessoas assim), mas não generalizemos! ;)

    Miepeee - nada fácil. Por isso digo que, depois de quase 7 anos juntos, ás vezes consigo e outras não. Mas a vontade, essa ninguém me tira ;)

    Alessandro - simple, but very true ;)

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  17. Identifico-me um pouco com o P.e e desde já afianço que isso n é bom. Prefiro que as coisas se resolvam logo na raiz, mas tenho tendência a deixar que o tempo cure, o que nem sempre resolve as coisas...

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  18. Dexter, já é um bom ponto de partida assumires que nem sempre reages da forma mais correcta, coisa que eu também admito na minha maneira de ser. Mas na hora, nem sempre é fácil mudar e agirmos de acordo com o que sabemos ser correcto. Enfim, seres humanos, nada mais complexo ;)

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  19. Acho q não podias ser mais clara, concisa, objectiva! Parabéns! Adorei!:-)

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