26 de maio de 2010

Democracia caseira - e lá em casa, quem manda?


Não gosto nada de ouvir certas e determinadas mulheres a dizer coisas como "lá em casa quem manda sou eu" ou "quem veste as calças sou eu". Pior ainda é ouvir comentários de terceiros a referir isso em relação a alguma mulher. Não gosto. Pronto! Que eu sou muito democrática e quando dizem isto imagino logo a mulher a chegar a casa, colocar um bigode farto, uma mão na anca e outra na colher de pau (ou no rolo da massa) e a tratar tudo e todos como se estivesse na tropa, com ar autoritário e ameaçador. Mas também não gosto daquela postura masculina de chegar a casa e sentar no sofá e "ai que estou muito cansado, traz-me uma cerveja, coça-me os pés, lava-me o rabinho com água de rosas e sai da frente para eu ver a bola" - que comigo não cola (e se os homens da minha família são assim, valha-me nossa senhora das mulheres desgraçadas, o que me revolta desde tenra idade, quando passávamos os domingos na casa da minha avó – eles a dormitar no sofá após o almoço por elas confeccionado, elas numa lufa-lufa apressada entre sala e cozinha, para arranjarem tudo e eu certa de que alguma coisa naquela imagem não estava bem). Felizmente tenho a sorte de ter sido abençoada com um marido muito bem-educado pela minha sogrinha - sim, porque quando as coisas correm ao contrário, tenho cá para mim que a culpa é toda delas, que os educam como se fossem uns incapazes e lhes fazem as vontadinhas todas, chegando ao cúmulo dos cúmulos (como casos que conheço em que até a pasta de dentes punham na escova, a jeito do moço lavar os dentinhos – não sei como é que não lhos esfregavam também) e os estragam com mimos para todo o sempre, com o único intuito de desgraçarem a vidinha da mulher que os agarrar – esta, pobre coitada, ou compactua com a coisa e não faz mais nada na vida, ou não compactua e torna-se assim, aos olhos do homem, a pior dona de casa de todo o sempre e aos olhos da sogra, a mulher mais indigna ao cimo da terra para o seu menino.
Ora como eu sou uma mulher moderna, acho que as coisas correm muito melhor quando vivemos em democracia conjugal, com vários ministérios divididos por cada um - qualquer coisa como o ministério do orçamento familiar (cá no palácio, felizmente a cargo do P., que eu, nestas coisas, sou a desgraça das desgraças), o ministério dos recursos (este muito bem gerido a meias pelos dois), o ministério das decisões difíceis (aquelas que têm impacto no orçamento financeiro e na rotina do casal, também gerido a meias - que ele é bem mais sensato e com visão a longo prazo e eu bem mais impulsiva e centrada no dia de hoje), o ministério das decisões imediatas (gerido pelos dois em conjunto e que implica decisões importantíssimas como "o que vamos fazer hoje") o ministério das tarefas caseiras (agora temos a D. lá em casa, mas há sempre tarefas divididas pelos dois - a cozinha por conta dele, a roupa por minha conta, entre outras), o ministério dos recursos físicos e do ambiente (inteiramente a meu cargo, porque ele não se preocupa muito com a decoração - desde que não lhe falte um sofá confortável, uma ps3, um ecrã de qualidade e cervejinhas sempre frescas no frigorífico) e por aí diante.
E, acreditem ou não, funciona muito bem. De vez em quando surgem umas crises, há a necessidade de reunirmos, traçarmos novos planos de acção, delinearmos novos responsáveis por cada tarefa, mas democrática e logicamente, a coisa vai lá. E quem veste as calças lá em casa? Os dois, pois claro! E calções também e às vezes até andamos nus, vejam só ;-)

13 comentários:

  1. Então quando andam nus aposto que mandam os dois. ahahah

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  2. O que eu me ri... :-)! Está decidido: Bê para futura primeira-ministra de Portugal (certamente que com as mulheres no poder - mas mulheres com princípios -, isto estaria bem melhor, sem qualquer dúvida!
    Acho muito boa a divisão de tarefas, e dou os meus parabéns ao P. por cooperar - sem dúvida exemplo raro! Como cresci no meio de homens, faz-me um bocado de aflição imaginar um cenário totalmente governado por eles... Pelo que, até (e se) encontrar alguém que partilhe das mesmas "visões de governo", prefiro estar sozinha e na minha :-)!

    ;)

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  3. O meu marido não foi bem educado pela minha sogra, mas foi por mim!
    Houve uma altura logo no início em que eu fazia tudo, pois estava habituada, em casa da minha mãe éramos 3 mulheres, e ele não, em casa dos pais dele havia duas, a mãe e a tia, que faziam tudo. Mas depois comecei a aborrecer-me com a situação e a pedir-lhe para fazer também. Foi aí que começaram as discussões. Então tomei uma decisão e disse-lhe: se tu não fazes eu também não faço! Foi remédio santo! Hoje em dia dividimos tudo, por isso, posso dizer que vestimos os dois as calças! E corre tudo muito melhor!

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  4. Divisão de tarefas, sempre!

    Mas infelizmente, quanto ao cenário de almoços de família, penso que deve estar para nascer a família onde não sejam as mulheres a lavar a louça. Eu pelo menos não conheço nenhuma.

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  5. Parece-me um excelente equilibrio :)

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  6. Assim é que é!
    Quando casar também espero que seja assim.

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  7. Assim é que é, que ninguém é escravo de ninguém. Ora só o que mais faltava, um trabalhar para o outro. Para isso já nos chega o sistema politico que temos...

    Beijinhos

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  8. aahh pois! eu e o boyfriend ainda mais agora q vivemos juntos também dividimos as tarefas!
    claro q cozinhar na maior parte das vezes é comigo, porque gosto, porque para mim é um prazer cozinhar para nós!
    agora ele lava muitas vezes a loiça, varre aspira estende roupa faz máquinas...
    Sabe fazer tudo!
    Não temos tarefas dadas a cada um, porque vamos fazendo conforme é preciso, mas ele não gosta de me ver trabalhar e se sentar!
    as vezes estou a cozinhar e o moço feito barata tonta a minha volta a perguntar em que me pode ajudar!
    era o que faltava dassss.
    na minha testa ponho lenços coloridos, toucas de crochet, não escrevo lá "escrava Isaura"!
    Dividir as tarefas é uma forma de os 2 não andarem tão cansados e assim ha democracia
    bjos!

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  9. Nesse caso, o primeiro ministro chefe desse "governo" caseiro será bicéfalo também... eheheheh

    Giro!

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  10. E este é assunto muito sério, causa de muitos divórcios.

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  11. Subscrevo na íntegra, Bê, até porque sempre foi o exemplo que tive em casa dos meus pais e não poderia ter outro na minha própria casa, democracia e respeito acima de tudo! Não há nada que o meu marido não saiba e não faça em casa, tal como eu, dividimos as tarefas conforme as necessidades e a disponibilidade de cada um e tudo corre sobre rodas! Um abraço

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  12. O que me ri com os ministérios!!Acho que vou adoptar a ideia lá para casa!

    Quanto ao meu marido, foi educado pela mãe tal qual como decreves...e eu tive de o reeducar...e continuo...e garanto-te que não é nada fácil...e sempre que vamos almoçar a casa dela...lá o deseduca mais um bocadinho...

    Big kiss

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