18 de janeiro de 2011

Pode acontecer-nos a todos...


No tempos que correm e sobretudo para as gerações mais jovens e activas, nas quais eu ainda me incluo, as coisas estão clara e incontornavelmente difíceis. Os empregos para a vida deixaram de existir, o investimento na formação deixou de ser, por si só, uma garantia. O futuro tornou-se uma incerteza. O que hoje damos como certo, amanhã pode fugir-nos das mãos, sem nada podermos fazer. Por isso sempre agradeci e reconheci a importância de, até ao momento, ter contornado esta tendência e ter tido uma vida em que o esforço, o trabalho, os estudos, o empenho têm sido amplamente reconhecidos e recompensados. Até ao início deste ano. Porque trabalho numa escola, onde me esforço muito, onde dou horas a mais, de onde trago muitas vezes trabalho para casa, mas que, por ser pública, não vai renovar os contratos a partir de Agosto de 2011, a mim e a mais 4 colegas, todos na mesma situação. E como esta escola, seguem-se muitas mais. E soubemos assim, numa reunião de equipa onde não nos foi dado tempo de reagir e onde nos foi ainda exigido um esforço hercúleo, no trabalho que nos espera. E eu, que trabalho desde os 15 anos, que tirei uma licenciatura, que fiz imensa formação, que investi num mestrado, que comprei uma casa, velha e baratinha, dentro do mercado actual, que acabo de pagar lá para 2050, que quero ter filhos, que quero continuar a estudar, não sei como será a minha vida a partir de Agosto de 2011. Claro que tratei logo de actualizar o meu currículo e comecei já a enviá-lo, ainda que selectivamente (enquanto o puder ser) para ofertas de emprego para as quais cumpro os requisitos (sendo a idade já um factor eliminatório para muitos deles), mas se antes éramos 7 cães a um osso, actualmente somos 14 e nesses 14, os meus 32 anos de idade não abonam a meu favor - e sinto-me eu tão, mas tão jovem.

Claro que podia estar a escrever isto, sob o espectro da tristeza, da desmotivação e até da raiva. Mas o meu contacto diário com os desempregados trouxe-me alguma frieza de espírito realista até para comigo mesma. Em vez de chorar, de amaldiçoar o governo e os seus desgovernantes e a malvada crise, opto por arregaçar as mangas e lutar com todas as minhas forças, contra a maré que aí vem. Vêm aí dias difíceis, mas eu cá os espero...
Nota: Este post será o único que escreverei sobre o assunto. Nada de comentários cheios de peninha e palavras de comiseração e de "tudo se há-de resolver", ok? Que isso eu já sei ;-)

24 comentários:

  1. Bota pá frente que atrás vem gente!! 8)

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  2. Bom... dadas as tuas palavras, digo-te, sinceramente, que gostava de ter a tua força para lutar. Mas às vezes baixo mesmo os braços... Acabo por os erguer novamente, mas não é, certamente, com a força que transmitiste neste post. Quem me dera...
    Que continues assim... :)
    Ah, e não posso deixar de te desejar boa sorte. ;)

    Beijinhos :)

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  3. Não te deixo palavras de peninha (se bem que gostava dele na BD)~
    Deixo-te a minha solidariedade e uma certeza: hoje pelas ruas de Coimbra, estarei a marchar com uma T-shirt a dizer SOS Educação.
    A minha filha anda numa escola com contrato de associação,o que a transforma numa escola pública.
    Acolhe miúdos institucionalizados e gere com muita discrição, cuidado e atenção as crianças e adolescentes que só comem comida quente no refeitório, as crianças que, discretamente e fora od horário das aulas vão tomar banho aos balneários porque não o podem fazer em casa.
    Tenho medo do futuro dessas crianças/adolescentes, tenho receio pelo futuro dos professores e corpo discente, mas vou lutar.
    Pertencemos à Ass de pais e estamos na comissão de crise e vamos lutar:pela renovação dos contratos, pela possibilidade de continuar a acreditar que os professores trablham no MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E NAO NO MINISTÉRIO DO ENSINO.
    Um beijo grande. Obrigada por acreditares no futuro. Obrigada pelo positivismo com que me brindas sempre que te visito. Mesmo quando o assunto é´tão sério

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  4. Bê, é assim que se fala, nada de pena, minha mãe sempre me diz que quando uma porta se fecha é uma excelente oportunidade para seguir-mos caminhos melhores! Talvez seja sua oportunidade, estamos na torcida!

    Em que cidade trabalhas???

    http://flordelis02.blogspot.com/

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  5. Escreveste e muito bem que já não há empregos para a vida. Sermos muito classificados e termos muita experiência já não serve de garantia. Temos que aprender a viver assim. Por outro lado, diz-se que a necessidade aguça o engenho e também acredito que esta nossa geração se tornará muito mais criativa e empreendedora com tantas contrariedades.
    Boas oportunidades te esperarão certamente.
    Beijinhos!

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  6. Claro que nao, ou nao estivessemos todas (ou muitas) na mesma situacao. Sem empregos para a vida, adaptando-se, sem filhos e ainda sem ter comprado casa, e a pensar como e' que arranco com esses projectos. A minha forma de fintar (tambem investi numa licenciatura e num mestrado) foi mudar de pais para uma cidade de maiores dimensoes e com um mercado mais flexivel e rico. Ate' agora emprego tem havido, e vou sonhando com o proximo passo, comprar casa e tentar assentar. Mas nao e' facil, pois nao. Ja' aceitei ha' muito tempo que nao ha' empregos para a vida!

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  7. Acima de tudo pensar que até agosto... muita água corre pelo rio querida, certamente até lá terás boas novidades. beijo enorme.

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  8. Calma Bê, dias melhores virão e tudo se há-de resolver. Ok?

    Beijinhos. :)

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  9. Ainda hoje li uma noticia sobre o numero de licenciados que estao desempregados.
    Pena que nem todas as pessoas pensem como tu e lutem. Acharem-se coitadinhos e sempre o caminho mais facil.
    Beijinho.

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  10. Realmente este país é de loucos...não se avisam as pessoas, estas são dispensadas assim sem mais nem menos! Como é que querem um país competitivo?!
    Beijinhos,
    Sofia

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  11. Eu costumo dizer que isto está tão mau tão mau que o melhor, mesmo para quem está empregado, é começar a pensar em alternativas, em rentabilizar o tempo com outras coisas em valorizar o que tem e o que sabe!
    As soluções também passam pela criatividade e o que é certo é que temos todos de pensar nelas, os que estão empregados, os desempregados e os quase desempregados….

    Beijinhos saudosos

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  12. Bê, nunca comentei aqui, mas hoje tinha de ser. Soube a semana passada que não poderão renovar o meu contrato, que termina no final de Fevereiro. A minha área é em diferente da tua (sou designer gráfica), e para além de já ter andado a saltar de emprego em emprego já estou mais do que desmotivada com a maneira como se trabalha em Portugal em design. Já ando a responder a anúncios, consciente de que talvez deva atirar-me à primeira oportunidade que apareça, mesmo que não seja na minha área.Apenas e somente porque quero e preciso de trabalhar.

    Mas isto tudo para te dizer que penso como tu. Não vou baixar os braços, não vou desistir de lutar. Recuso-me a engrossar a lista dos coitadinhos. Acho que estás com o pensamento no lugar certo, e acho que és bastante jovem ainda para encontrares um lugar duradouro.
    Boa sorte na tua busca.

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  13. tento pensar exactamente como tu, agora que vou deixar de ser estudante e vou entrar para o mercado de trabalho... tu tens uma atitude muito positiva para a vida e isso é tão bom =)

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  14. Ir à luta, fazer pela vida é a única solução. Chorar a nossa sorte não muda nada.

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  15. olha eu nao tenho curso, por ser baldas nao acabei o 12º ano ando na caça de emprego e nada, ontem fui-me um pouco abaixo, valeu-me a gema ... o post que fiz ontem está aqui http://oinsustentavelpesodavida.blogspot.com/

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  16. É muito bonito ver como numa situação má, tens uma atitude tão boa. E não vou dizer porque sim, vai-se resolver mesmo :)

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  17. Bê:
    Como costumo dizer devemos encarar cada um dos trabalhos como um acumular de experiências que nos abrem portas para algo muito melhor. Não existem trabalhos para a vida e quem os quiser vai assumir que vai querer limitar a sua vida em termos de experiencias e aquisição de conhecimentos.
    Hoje com 31 anos tenho a segurança de uma empresa onde estou nos quadros, mas será que ao chegar aos 60 anos terei vivido o suficiente para dizer aprendi muita coisa? Não me parece...
    Por egoista que pareça por vezes desejava ter algo que me empurrasse para uma outra vida. Não tendo há que arriscar por conta e risco.
    Vamos lá Bê, em frente que algo vai surgir e espero que não fiques por ai :)

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  18. tal e qual o meu namorado. Todos os anos a mesma história. Chega a julho começa a stressar e a pôr-me maluca a mim! Agosto então é do pior!

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  19. Da minha situação sabes tu... Embora já me tivesses adiantado essa possibilidade, a certeza nunca é, nestas situações, bem-vinda.
    O segredo está em NUNCA BAIXAR OS BRAÇOS, seja em que circunstâncias for. E perseguir objectivos e sonhos (pois é como eu digo: sonhar ainda não paga imposto, e no meu caso são os muitos que habitam na minha cabeça que me dão o alento para continuar).

    Lembra-te sempre que a noção de "futuro" não é mais que um conjunto de voláteis conjecturas :)...

    Um ganda beijo ;)!

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  20. É só boa energia por aqui, que maravilha. Obrigada a todos! ;-)

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  21. Vai fechar-se uma porta mas vai abrir-se algures uma janela!

    Gosto da força que transmites!

    Beijo*

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  22. Se, quem estiver a analisar os currículos, estiver com atenção verá que tens iniciativa e que não te deixas ficar à sombra da bananeira e é esse tipo de funcionários/colaboradores que muitas empresa e/ou escolas precisam, pessoas empreendedoras...

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  23. A minha Mãe é a pessoa mais optimista que eu conheço. Vê sempre o lado positivo de tudo e acha sempre que há cenários piores.

    E pronto. É isto.

    :)

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  24. Não tenho muito mais a dizer para além de: UAU!! ;)
    bem sei do que falas... :)

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