23 de março de 2011

Que os há à rasca, lá isso há, mas...

Também há os que se enrascam. Os que deixam a escola porque “sei lá, não gostava daquilo”, “por parvoíce” ou porque “não tinha jeito para aquilo”. Os que não sabem o que querem fazer no futuro, porque vivem apenas o dia de hoje e pensam prolongá-lo eternamente. Os que dormem de dia e saem à noite e me dizem “não tenho tempo para nada” ou “não posso vir à escola todos os dias, porque também tenho as minhas coisas para fazer” – estar com os amigos no café, namorar, ver televisão, navegar pela internet. Os que dominam as tecnologias e que as têm até à última geração, mas que mal sabem escrever, porque foram passando numa escola desinteressada, porque o sistema assim permitiu. Que não sabem fazer contas de cabeça, que não sabem o que é o n.º de identificação e que não conseguem interpretar as informações mais simples. Os que procuram as soluções que julgam fáceis e milagrosas, que querem tudo, sem dar nada em troca. Os que são incentivados/obrigados por uns pais assustados com o dia de amanhã, mas que assim que conseguem, fogem a sete pés da escola, da formação, da instrução, do conhecimento, da evolução, do futuro que está já ali à espreita. Os que pensam que podem viver como se tivessem dezoito anos para sempre. Os que abusam dos “’tás a ver” e dos “prontos” ou dos “yas” e que os passam para o papel sem a menor dificuldade. Os que se enrascam, mas que se colam aos que estão à rasca. Os que não fazem nada por si mesmos, mas que esperam que os outros façam tudo. Os que, penso eu, correm o risco de ter um futuro muito negro amanhã. Os que me passam pelas mãos todos os dias…

12 comentários:

  1. E conheço tantos assim.
    Inclusive aqueles, que se recusam a começar de baixo porque não querem trabalho, querem emprego.
    Porque a e tal andam deprimidos, e trabalhar aqui ou ali é pesado.
    Aqueles que a e tal vivo frustrado porque não posso trabalhar sentadinho atrás de uma secretária e então fico em casa.
    Foda-se vão é vergar a mola lutar pela vida.
    E sim colam-se aos que verdadeiramente estão a rasca, que lutaram e depois só levam bofetadas.
    Concordo com tudo que dizes Bê, não tiro nem uma vírgula.

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  2. Concordo plenamente.
    Hoje em dia esse fenómeno é gigante...

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  3. ... e consegues não lhes atirar isso à cara??? Eu não sei se conseguia.

    Mas lá está, por isso é que tu fazes o que fazes e eu não ;)

    Bisouxxx babe

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  4. Deve ser assustador ver jovens sem futuro nem ambição.

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  5. E que corremos nós o risco de ter como "garante" do nosso futuro, no dia que formos para a 3.ª idade... o que é mais grave ainda!

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  6. Deve ser super complicado tentar motivar esses casos de insucesso escolar. Admiro-te! :)

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  7. e é mesmo assim ...

    Os que se enrascam, mas que se colam aos que estão à rasca.

    esta é demais :)
    gostei
    bj
    teresa

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  8. Tenho UNS TANTOS assim...

    Imagina o que será TENTAR ENSINAR algo a indivíduos com estas características...? Imagina o que é sentir que o sistema defende e protege os que desaprendem em vez daqueles que sempre aprenderam?

    É preciso resistir perante toda esta acefalia. Há dias que me sinto prestes a ter um esgotamento perante tanta BURRICE... Mas eu AINDA acredito, nem que seja na minha resistência!

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  9. Tens muita razão, querida *BÊ*, o mal desta sociedade é viver a pensar apenas no dia de hoje e não no futuro, só que de repente o futuro chega e não se consegue dar a volta e depois chora-se, porque o mundo está mais exigente e a maioria de nós não se adaptou ás novas realidades. E assim vai o nosso mundo, o nosso país.
    *BÊ*ijinhos

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  10. Também tive uns quantos assim, que chegam ao 12º sempre passando com os mínimos e sem saber o que querem ser/fazer no futuro. Quando percebia isso ficava sempre um bocadinho enraivecida, porque eles podem não ser interessados, mas os pais serão? Será que os pais tiveram tempo para os incentivar a estudar porque sim; porque é importante para o futuro; porque saber escrever correctamente a própria língua é um 'dever'; porque pensar em mais alguma coisa do que saídas à noite, copos e namoricos deveria ser a primeira preocupação dos jovens? Pois, eu acho que não.
    E depois estes jovens estudantes de 18 anos tornam-se universitários ou não, e continuam sem saber o que fazer da vida. Vão tendo uns trabalhos aqui e ali (os que ainda se preocupam minimamente), mas continuam a viver em casa dos pais podendo dar-se ao luxo de 'escolher' o emprego ideal, que é uma coisa que toda a gente sabe que está aí ao virar da esquina, não é?
    Por todas estas coisas não fui à manifestação.
    Desculpa o tamanho do comentário, mas não podia deixar de comentar.
    Beijinhos*

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