6 de abril de 2011

Contas à vida


Desde que comecei a trabalhar "a sério" (isto é, sem contar com aqueles trabalhos mal pagos de adolescente e jovem adulta) habituei-me a ter o meu dinheiro, a minha independência, os meus gastos. Pouco depois aluguei uma casa, comprei os móveis necessários e fui viver sozinha e o dinheiro continuou a chegar para os vícios que facilmente se instalaram: as roupas novas, os sapatos, as malas, os produtos de maquilhagem e os livros - sempre mais do que aqueles que consigo ler, mas que tenho desesperadamente que ter, mesmo com a perspectiva de só lhes conseguir tocar um ou dois anos depois. E depois os jantares fora, as férias, sem olhar a gastos. O carro novo.

Durante muito tempo, pouco controlada e preguiçosamente inábil nas artes financeiras, para mim a coisa era sempre chapa ganha, chapa gasta. Sempre me chegou e, fora um mês ou outro de maior aperto nos dois dias anteriores ao dia de receber, nunca me faltou. Neste momento, continua a não me faltar, mas, certa de um passado de perfeita estupidez cega, não consigo perdoar-me os anos de vida farta. Porque olho para trás e o que tenho? Tenho sapatos a mais (já tentei contá-los, mas perco-me sempre a meio), malas a mais, maquilhagem que chega para a minha rua inteira, durante uns 3 meses. Bugigangas e bijuteria. Só os livros não considero demais, assim como a formação, os cursos e o mestrado. Tenho ainda uma vergonha imensa por ter sido assim. Até ser quase tarde demais. Fui estupidamente insensata, insensatamente fútil, futilmente desprendida, pouco dada a análises e totalmente desorientada. Felizmente juntou-me o destino com um homem das finanças que aos poucos me vai orientando e dando leves lições de poupança e de sensatez. Eu bem tenho precisado. E nos tempos que correm, estou cada vez mais poupada e até já tenho um ficheiro em excel, cheio de fórmulas e afins (desenvolvido pelo meu assessor privado) onde coloco os meus gastos, as minhas contas, o que tenho e o que gastei. E de cada vez que penso que podia agora, em vésperas de ficar desempregada, ter um bom pé de meia que me proporcionasse alguma estabilidade, em vez de uma meia meio esburacada...só me apetece bater com a cabeça na parede e puxar os meus próprios cabelos. Mais vale tarde do que nunca, mas o que eu não dava para ter aprendido esta lição bem mais cedo...

24 comentários:

  1. mais vale aprender tarde que nunca... isso só prova como estás muito mais madura agora... beijinho

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  2. Assino em baixo. E quando olhamos para os sapatos e reparamos que os saltos estão fora de moda, ainda pior. E quando nasce um filho, aí é que tudo muda mesmo. Mas olha, mais vale tarde do que nunca. Adorei o teu texto.

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  3. Por que não partilhas o teu ficheiro? Sem conteúdo, claro. Farias um bem à humanidade.

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  4. Sei bem do que falas... ultimamente tenho olhado para gastos que fiz para tras e a maioria das vezes poderia ter vivido bem se ter comprado aquelas coisas todas que nunca me fizeram falta e aumentado o meu pé de meia... mas tal como dizes mais vale tarde do que nunca ;)

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  5. Padeço do mesmo mal. Mas já vou aprendendo a poupar...no entanto, sempre que vou a um centro comercial estrago-me, seja com roupa, livros ou dvd's (o meu vício).

    Mas desde que me vá "aperfeiçoando" aos poucos...

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  6. Vais sempre a tempo!
    Até porque já tens algo que muitas pessoas não tem... Tens os móveis, tens essas coisas todas a mais como tu dizes.
    Agora é o "pézinho de meia" e continuar a ser feliz!


    xoxo*

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  7. Minha querida, como te entendo. Também eu, nesta fase da vida, e por tantas contas feitas, penso que já deveria ter mudado de atitude. Tudo bem que precisamos de mimos, de uma extravagância de vez em quando, mas a tranquilidade de uma casa paga, 0 dívidas ao banco e não termos que passar por sufocos financeiros, vale bem mais que uns brincos que deixamos de usar na estação seguinte.
    Ainda vais a tempo! Eu espero ir também ;-)
    Beijinhos!

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  8. E' assim que se aprende Be. E ao menos tens consciencia disso e estas a mudar. Nao nascemos a saber. Felizmente os meus pais sempre foram orientados, apesar de vivermos muito desafogadamente, e incutiram isso em mim. Entao, juntar dinheiro todos os meses sempre foi pratica corrente, ganha-se 500 ou 1500 euros, excepto enquanto trabalhei em regime part-time quando fiz o mestrado. Mas tambem tenho livros a mais, e roupa a mais, e cremes a mais. A gente aprende. Nem que seja para isso, a crise serve!

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  9. Ter um homem das finanças é a safa de muita mulher. Mas ter consciência de que algo tem de ser feito também ajuda e muito, pelo que mais do que te recriminares pelo que fizeste, pensa no que te divertiste!

    Beijoca!

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  10. Antes tarde do que nunca, também tenho esse tipo de controle e não imaginas como me facilita a vida, já o tenho à vários anos. Força ai, grão a grão..., vais ver daqui a uns tempos, sentes-te muito mais organizada financeiramente.

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  11. Mais vale tarde que nunca... Agora vais começar a poupar muito mais, vais ver! :)

    kiss kiss

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  12. Acho que passamos todos um pouco por isso. A independência dá-nos essa sensação de poder, até que ficamos dependentes de outro estilo de vida.

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  13. Concordo com a Hermione, mais vale tarde que nunca.
    Por estes lados a lição também tardou a ser assimilada. Mas agora fazem-se contas de gastos mensais tem mesmo de ser.

    Bjinho grande*

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  14. Acho que isso acontece a todos. Ao menos tu estás a aprender a lição:)

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  15. Eu tenho um estilo de vida muito "minimal": vivo com o indispensável. O que tenho mais são livros - o meu tesouro -, mas como a vida nunca me foi fácil, até para os comprar poupava e poupo dinheiro. As peças de bijouteria que tenho contam-se pelos dedos de uma mão, e no que toca a maquilhagem também tenho apenas o essencial - uso a imaginação para as cambiantes de estilo. Roupa fi-la muitas vezes, e estou a pensar seriamente em voltar a pôr as mãos nos trapos.
    Trata-se apenas de uma questão de hábito: de vez em quando, lá faço uma extravagância, como ir a um concerto, ou comprar tintas de boa marca para as telas por exemplo, mas levo a vida que gosto: de um modo simples, rodeada apenas das pequenas coisas que me fazem sentir bem.

    Quer-se, afinal, um novo "modus vivendi" :).

    P.S.: Sei que não vais levar a mal, mas já pensaste em dar o excesso a instituições de caridade? Há imensa gente necessitada, e é um gesto que nos faz sentir imensamente bem :).

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  16. gostei muito do teu texto=)
    bem verdade, se aprendêssemos mais cedo algumas lições importantes depois teríamos uma vida mais facilitada...
    eu tenho o meu pézinho de meia e sempre poupei, mas mesmo assim sei que poderia poupar mais...com o tempo vamos aprendendo...
    um beijinho grande!

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  17. O importante é que aprendeste a lição :)

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  18. Faço minhas a totalidade das tuas palavras... Infelizmente só damos conta dos erros depois de começar-mos a ver as nossas finaças de outra forma. ***

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  19. Olá Bé!!!! envia-me esse programa em excel!!!!!

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  20. Eu sempre fiz pé de meia....
    Gosto de ir comprando mas de forma moderada....
    Mas olha Bê... nem te culpes por isso agora... Afinal não adivinhavas não é?
    E hasde conseguir trabalho certamente.... um beijo grande.

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  21. Felizmente sempre fui educada a ser poupadinha... e sei gerir bem o meu dinheiro. :) Vais ver que em pouco tempo compões as coisas.

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  22. Ainda não estou na fase de ser financeiramente independente. Se fosse, tenho a certeza que me teria acontecido o mesmo. Tudo o que é mau, traz coisas boas. E isto é uma lição para todos. Antes tarde do que nunca, MESMO. Força, querida que pra frente é que é o caminho!

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  23. Confesso que não conhecia o seu blog e ao passar por aqui até me arrepiei ao ler este post, pois podia ter sido escrito por mim! No meu caso e tal como diz só não me arrependo dos livros e das viagens que fiz, de resto também tenho um armário cheio de sapatos, uma gaveta cheia de maquilhagem, muita bijuteria e demasiadas futilidades que podia ter agora sob a forma de poupanças numa conta bancária:(

    Felizmente também tenho um homem magnífico que me ajuda a equilibrar o orçamento e foi com ele que percebi que gastava de mais, mas confesso que ainda tenho alguns deslizes.

    Felizmente tenha uma casa e um carro pago o que nos dias que correm é um grande desafogo mas ainda assim quando olho para trás julgo que deveria ter tido algo fundamental hoje em dia que ainda não se aprende nas escolas e devia "educação financeira"!

    Já me tornei seguidora e gostava de a convidar a passar no meu cantinho: http://breakfastattiffanys-trendsetter.blogspot.com/

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