22 de julho de 2011

Ficam as perguntinhas

Assim que finalmente puder por os pezinhos na rua – e que não seja para mais uma visita ao médico – gostava de dar um saltinho aos saldos. Preciso de umas calças de ganga e de uns sapatinhos rasos (não sandálias, porque nesta altura do ano já não invisto em roupa de Verão). Por isso, as minhas dúvidas são: Ainda vale a pena? Ainda dá para encontrar tamanhos normais tipo 36/38 na roupa e 37/38 nos sapatos? Ainda há coisas giras por aí? E onde ir? Contem-me tudinho!

21 de julho de 2011

E por aqui tem sido assim...



A visitinha ao médico hoje resultou na informação de que as minhas cicatrizes estão espectaculares, as minhas trompas estão maravilhosas e os meus ovários são lindos. Há outras coisas que, para já, estão menos bonitas (o meu médico fez questão de me mostrar as minhas entranhas de fio a pavio, o que tirou, o que suturou e o que ficou - era o P. a desviar os olhinhos e eu sequiosa de informação!) e vou precisar de cerca de dois meses até voltar a ser a Bê de sempre, mas, de qualquer forma, depois de dias e dias de baixa, alapada no sofá, de pijama, cara lavada e com o cabelo deformado (já faz remoinho no cocoruto, por estar sempre encostada a uma almofadinha), estes foram os melhores elogios que arranquei a alguém quando finalmente saí à rua. Ah, e já consigo tossir sem me agarrar à barriga e levantar sem parecer uma velhinha de 80 anos, a dieta pastosa já foi, finalmente, à vida, já consigo vestir calças de ganga (os saltos altos é que só lá para 2012) e quando tiver alta posso ir à praia e fazer as minhas caminhadas. Isto vai lá, devagarinho, mas vai!

14 de julho de 2011

Tal como prometido

Aqui estou eu, no mesmo sofá. Todos acharam que estava demasiado optimista, mas eu sabia que em dois dias voltaria. Ainda muito muito dorida e ensonada e enjoada, mas feliz porque não poderia ter corrido melhor - o estuporzinho que tinha que sair saiu. Agora é descansar muito e manter uma dieta pastosa (soa bem, eu sei) e esperar, muito positivamente, pelos resultados das análises. Obrigada a todos pelo apoio e pelo carinho, tão importantes para mim.

12 de julho de 2011

Ah que malandro Sôtor...

E pronto, o meu médico gosta de me trocar as voltas e fazer pequenas surpresas e, vai daí, que resolveu antecipar a cirurgia uma semana. Uma semana. Assim, de um momento para outro, sem preparar o meu coraçãozinho que anda tão carente e mimalho e tudo. Fui apanhada tão de surpresa que nem pensei bem na coisa e, no calor do momento, esqueci-me que o P. vai ser operado aos olhos na 4.ª feira e o meu pai antecipou uma viagem de trabalho para esta semana, para estar cá na próxima - a modos que isto me reduz bastante as visitas no hospital. E o que eu ia fazer numa semana, com calma e tempo, tive que fazer numa tarde - tarde essa, passada a dieta (estou a caldos e chás...) e remédios horrorosos, náuseas e um eu sei lá de sentimentos estranhos a confundirem-me as entranhas e a mente.

Quando lerem estas linhas já eu estou a caminho do hospital. Espera-se um internamento de 2 a 6 dias, se as coisas correrem bem. Eu afirmo que daqui a dois dias estarei no mesmo sofá em que estou agora, a partilhar convosco as maravilhas alimentares do hospital. Pormenores sensíveis serão dispensados e sorrisos serão muitos, que eu ainda não fui, mas já estou desejosa de voltar para o meu Cantinho e para o meu lar.


Até já!

9 de julho de 2011

Sou só eu que sou assim?

Se eu tivesse uma amiga como eu, não sei se não estaria já fora da minha lista de melhores amigos. É que é frequente nos aniversários dos meus mais próximos, andar o dia inteiro a pensar tenho que ligar à X, tenho que ligar à X, avisar todos o outros, quase paternalistamente, para não se esquecerem de ligar e depois, só a altas horas da noite, quando já estou deitadinha e preparada para o sono dos justos, é que se me dá um baque quando me apercebo que não liguei, não mandei sms, não enviei um e-mail, nada. E lá vou eu, às tantas, às escuras e aos encontrões, procurar o telemóvel, esquecendo-me sempre do raio do código, que mudou recentemente e mandar uma sms, enquanto me chamo todos os nomes à face da terra e espero não ter perdido aquela pessoa para sempre (algumas levam isto mesmo muito a sério!). Ontem aconteceu novamente, com a S. e eu estou para aqui perdida, à espera que sejam horas decentes para lhe ligar (afinal foi sexta-feira e é bem provável que tenha ido para a rambóia) para saber se é das que fazem fita, ou das que faz o mesmo e me compreende!

8 de julho de 2011

Este blog não sei vai tornar um blog sobre (a minha) saúde...


Mas, não posso deixar de partilhar que, nós últimos dois meses o meu corpo foi revirado de trás para a frente com todo o tipo de exames. Já tive uma visão panorâmica das minhas profundidades, que nestas coisas sou curiosa e não desvio o olhar. Fiz dos exames mais horrorosos, invasivos e dolorosos que possam imaginar, aos mais simples como raio-x, ecg e análises de sangue. Uns que incluíram a toma de remédios horrorosos que me puseram a vomitar (entre outras coisas) durante dois dias, aos que exigiram dietas rigorosas que me puseram a salivar de cada vez que via um anúncio a batatas fritas e donuts. Passei fome e fiz horas e horas de jejum. Fui espetada, picada e remexida. Fui observada por médicos e mais médicos e enfermeiras e sei lá mais quem. Mas o que mais me custou, o que me tirou o sono durante várias noites, o que exigiu que tomasse um calmante e que quase me fez fugir à última da hora, não fosse o sentimento de que tinha mesmo que ser, foi a ressonância magnética. Essa máquina horrorosa, sugadora de corpos, esse tubo claustrofóbico que eu tanto quis evitar, até não ser mais possível. E toda a gente gozava comigo. Naturalmente. Mas nestas coisas das fobias, o ser humano é mesmo assim e garanto que foi o pior momento destes últimos dois meses. De tal forma que avisei o técnico e o médico, para se prevenirem para potenciais figuras tristes (que, penso, o calmante conseguiu evitar). Nem quero imaginar-me a passar pelo mesmo novamente. Foram os minutos (muitos) mais longos e barulhentos da minha vida (quem me sugeriu fazer relaxamento – e eu bem tentei senhores – não deve saber que é mais fácil imaginar que estamos num filme de guerra do Spielberg) e só me passava pela cabeça que poderia haver um terramoto e toda a gente ia fugir e deixar-me ali a morrer aos poucos, enquanto arranhava a maldita da máquina barulhenta. E não adianta virem para aqui lembrar que sou psicóloga, porque tal como os médicos ficam doentes, os advogados são processados e os professores não sabem tudo, também os psicólogos têm a mais comum das fobias. Destas que tiram o sono e a capacidade de discernimento. É isso e baratas.

A minha pequena pancada



Ontem conversava com duas colegas de trabalho sobre óculos, enquanto comparávamos e experimentávamos os óculos de cada uma (óculos de ver, leia-se). Enquanto isso, eu confessava-lhes timidamente que, quando era criança e os meus olhos funcionavam a 200% (que saudades), o meu sonho era usar óculos. A sério que sim. Experimentava os da minha avó e ficava toda contente, vá-se lá saber porquê. Apenas para saber que uma das minhas colegas sonhava poder partir uma perna porque o sonho dela era andar de muletas e a outra, que tem os dentes mais direitinhos que possam imaginar, andava com um ferrinho na boca, porque adorava ter que usar aparelho. E concluí que afinal estas pancadas devem ser mais comuns e variadas do que eu imaginava. Por isso, fica a pergunta, qual era a vossa? Quero saber tudinho!

6 de julho de 2011

19 de Julho

No dia 19 de Maio, dia em que escrevi o post anterior, muita coisa se passava na minha cabeça. Muitas questões, muitas dúvidas e uma certeza – a de que a minha vida nos próximos tempos iria ser diferente, exigente e difícil.
Desde então, perderam-se alguns leitores (desistem fácil, hein), mas recebi imensos e-mails, imensas mensagens através do facebook, imensas palavras de carinho, de compreensão e de apoio. E o que a minha vida mudou desde então. Os meus dias têm sido divididos entre o trabalho, com a perspectiva de se perder a todo o momento (num dia sim, noutro não, noutro sim outra vez – já não ouço nem acredito nada até ver um contrato com o meu nome todo lindinho, assinado por mim e pela Directora da escola) e o hospital. As minhas compras de Verão cingiram-se a pijamas e pantufas (em saldos!) e as férias ficaram reduzidas a uns dias passados no Algarve – as restantes serão aproveitadas para me recuperar, juntando a uma baixa ainda de tempo indeterminado. Entre deixar tudo organizado, por não saber o dia de amanhã, e todos os exames que possam imaginar e mais alguns (hei-de escrever sobre a ressonância magnética e o pesadelo que foi para mim, uma vez que sou claustrofóbica). Sim, foi um problema de saúde que me fez tomar a decisão de “fechar” o blog por uns tempos. Não só pelo susto, pelo medo, mas sobretudo porque não quis nunca, em momento algum, que este espaço se tornasse um espaço destinado ao drama, à dor, à angústia, ao medo. Não que não sejam alguns destes os sentimentos que me dominam, mas porque não é essa a minha atitude perante a vida e precisei de um tempo para encontrar a Maria Bê de sempre e para reflectir isso por aqui. Por isso, este será um dos poucos post’s dedicados ao tema, porque sei que alguns de vocês fazem questão de saber de mim e merecem o retorno de todo o carinho demonstrado.
No dia 19 de Julho, exactamente dois meses depois do último post, serei operada. Até lá espero voltar, com outras notícias, outros post’s, mas não prometo nada que isto num dia está tudo óptimo e tudo são borboletas e arco-íris, como noutros (felizmente mais raros) sou atacada por um medo silencioso que me afecta o sono, mas que não me impede de sorrir. No final fica a certeza de que tudo irá correr bem e em breve estarei aqui com a ligeira lembrança de um Verão com sabor a hospital, mas no qual aproveitarei para por muita leitura e muita escrita em dia e, acima de tudo, cheia de sorrisos.