8 de julho de 2011

Este blog não sei vai tornar um blog sobre (a minha) saúde...


Mas, não posso deixar de partilhar que, nós últimos dois meses o meu corpo foi revirado de trás para a frente com todo o tipo de exames. Já tive uma visão panorâmica das minhas profundidades, que nestas coisas sou curiosa e não desvio o olhar. Fiz dos exames mais horrorosos, invasivos e dolorosos que possam imaginar, aos mais simples como raio-x, ecg e análises de sangue. Uns que incluíram a toma de remédios horrorosos que me puseram a vomitar (entre outras coisas) durante dois dias, aos que exigiram dietas rigorosas que me puseram a salivar de cada vez que via um anúncio a batatas fritas e donuts. Passei fome e fiz horas e horas de jejum. Fui espetada, picada e remexida. Fui observada por médicos e mais médicos e enfermeiras e sei lá mais quem. Mas o que mais me custou, o que me tirou o sono durante várias noites, o que exigiu que tomasse um calmante e que quase me fez fugir à última da hora, não fosse o sentimento de que tinha mesmo que ser, foi a ressonância magnética. Essa máquina horrorosa, sugadora de corpos, esse tubo claustrofóbico que eu tanto quis evitar, até não ser mais possível. E toda a gente gozava comigo. Naturalmente. Mas nestas coisas das fobias, o ser humano é mesmo assim e garanto que foi o pior momento destes últimos dois meses. De tal forma que avisei o técnico e o médico, para se prevenirem para potenciais figuras tristes (que, penso, o calmante conseguiu evitar). Nem quero imaginar-me a passar pelo mesmo novamente. Foram os minutos (muitos) mais longos e barulhentos da minha vida (quem me sugeriu fazer relaxamento – e eu bem tentei senhores – não deve saber que é mais fácil imaginar que estamos num filme de guerra do Spielberg) e só me passava pela cabeça que poderia haver um terramoto e toda a gente ia fugir e deixar-me ali a morrer aos poucos, enquanto arranhava a maldita da máquina barulhenta. E não adianta virem para aqui lembrar que sou psicóloga, porque tal como os médicos ficam doentes, os advogados são processados e os professores não sabem tudo, também os psicólogos têm a mais comum das fobias. Destas que tiram o sono e a capacidade de discernimento. É isso e baratas.

15 comentários:

  1. E afinal de contas... Não ficámos a saber a razão de tão terrivel, pessima e horrorosamente má experiencia :(

    De qualquer forma espero que já tenha passado, que não tenha passado de grande susto e principalmente que essa "fobia" tenha ficado por lá, numa qualquer máquina estrelisadora

    Saude*

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  2. Lamento que tenhas tido de passar por tudo isso.
    Espero mesmo que em breve tudo fique bem. Afinal a saúde é o nosso bem mais precioso.

    Consigo compreender-te pois também tenho andado a fazer exames neste último mês, mas só fiz análises, um raio x e uma TAC. Ainda não sei o que se passa comigo, não foi nada detectado ainda, mas compreendo a tua situação.

    bjinho e muita força

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  3. Prai à dois meses tb fiz uma RM e a coisa foi lenta, horrível, Eu respirava tão rápido, tamanha era a minha ansiedade. Elas diziam que Eu tinha que respirar mais devagar e sem tentar mexer a barriga, mas era quase impossível.

    Um beijinho e tudo a correr pelo melhor :)

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  4. Olha a minha grande fobia é essa ultima palavra que escreveste! Só de a ler já me arrepiei toda...

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  5. O ano passado passei pelo menos. Uma batelada de exames, as mesmas preparações, injecções, o mexe e remexe e a Maldita Ressonância que também para mim (que por sinal também sou da área da Psicologia) me custou horres. Achei piada ao ler-te e referires o pensamento sobre o terramoto, porque foi precisamente isso que me passou pela cabeça... Haveria um terramoto, eu ali sozinha e fechada numa sala, presa pela cintura a uma maca, dentro de uma máquina apertada e horrorosa, com uma seringa espetada no braço sem ter como me livrar daquilo e todos fugiam e me esqueciam!
    A mente humana é tramada! PAssei o tempo todo com o pulgar em cima do botãozinho de pedido de socorro e todo o tempo estive toco não toco! Quero fugir daqui! Preciso de ar! Preciso mexer-me!Helpppp!
    LOL
    Mas a meia hora lá passou e eu sobrevivi :)
    Beijos e as melhoras!

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  6. Como é que eu me fui esquecer do facto de me terem pedido para respirar o menos possível! Ia morrendo quando me disseram isso. Só me apetecia inspirar profundamente.

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  7. Também já passei por uma fase assim, cheia de exames e ansiedades...depois afinal foi um susto!Já com o meu pai não posso dizer o mesmo!Mas a lutar com ele:)

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  8. Agora a ler este post revivi a RM que fiz no ano passado (1.ª e única). Aconselharam-me a fechar os olhos e meti na cabeça que tinha de ser assim e não tinha coragem de os abrir. E por mais que me tentasse acalmar não ver o que se passava fez-me muito pior. Entrei em pânico e tiveram mesmo de interromper o exame. Saí dali a pingar em suor apesar do frio que lá estava e resultado: fiquei sem voz durante os dias que se seguiram. Só espero nunca ter de voltar a repetir. E quanto a ti espero sinceramente que tudo corra pelo melhor!

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  9. Drinha - tudo a correr bem com o teu ai! Bem sei o que custa quando é com alguém que amamos.

    Geri - por isso é que tomei um calmante, senão, penso que também não teria conseguido fazer o exame.

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  10. Ai, ai, eu também sofro de uma certa claustrofobia, nem quero imaginar. Mas pronto quando tem de ser, tem de ser, e acabamos por fazer coisas que pensaríamos que não éramos capazes.

    O que interessa é que fiques bem, qualquer que seja a tua doença.

    bjs
    *

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  11. Eu também já tive de passar por essa experiência, mas não sofri horrores.
    Fez-me mais confusão ser muito tempo, o barulho e não me poder mexer nem um tiquinho que fosse.
    E o médico ainda disse que se fosse preciso contraste iria demorar mais tempo. Escapei-me desse extra!
    Mas acredito que seja horrível para quem tem claustrofobia.

    Bjinhos***

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  12. Sei que já vou tarde mas caso seja necessário repetir, nem todos as RM são fechadas, as da CUF são abertas e não passas por essa experiência ;)

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  13. Acho que podia ter escrito um post igualzinho a este! Subscrevo na totalidade.

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  14. Como te compreendo!
    Força
    cris
    http://otempoentreosmeuslivros.blogspot.com

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