26 de outubro de 2011

Fazer ao contrário #1

Ora bem, dando seguimento ao post anterior, vou começar por escrever sobre uma questão que me foi colocada por e-mail - dado a vontade de anonimato de quem a colocou e que eu entendo perfeitamente.


Quem me conhece já há algum tempo e me vai lendo regularmente sabe que eu e o P. estamos a ser acompanhados num hospital, por questões de infertilidade. Esse bicho feio, tema tabu, do qual a maioria das pessoas não tem coragem de falar. Um dia resolvi abordá-lo por aqui e não me arrependo, até porque me senti muito envolvida por todo o carinho que possa vir desse lado e que sabe sempre tão bem. Contudo, no dia a dia, é frequente sermos confrontados com situações um pouco mais chatas, até porque não andamos a apregoar aos sete ventos que, até ao momento, a mãe natureza ainda não cumpriu o seu papel aqui para estes lados, deixando a cegonha perder-se algures pelo caminho. Não imaginam a quantidade de respostas tortas que afloram nos meus lábios, mas que substituo sempre por aquelas mais banais: "andamos nos treinos" seguido de um sorriso a dar para o malandreco e coisas assim do género.


Estas situações só são chatas porque vivemos numa sociedade extremamente padronizada: as pessoas namoram, têm que casar, têm que ter filhos e pronto. Idealmente antes dos 30 e por esta ordem, aconteça o que acontecer. E não passa pela cabeça da maioria das pessoas que nem todos o queiram, o que até nem é o meu caso, mas é o de muitas pessoas, com toda a legitimidade, ou que simplesmente não possam.


E a pergunta que me foi colocada é: Como é que nós lidamos com a situação - com toda a naturalidade minha querida M. Embora empurrados sucessivamente de hospital em hospital, com a agravante de me terem sido detectados problemas de saúde que têm atrasado o nosso processo (duas operações em dois anos e cheira-me que a coisa não fica por aqui), vamos aguentando todas as etapas, todos os momentos e todas as consultas com o positivismo que nos é característico e com a certeza de que alguma coisa nos estará destinada. Não temos respostas concretas e a expectativa é e será sempre a de que será possível, até nos provarem o contrário e aí e só aí, pensaremos em alternativas. Eu não preciso de ser mãe na verdadeira acepção da palavra, mas sim de dar todo o amor a um filho e isso consegue-se de muitas maneiras ;-)


Nota: a seu tempo, vou tentar abordar todas as sugestões que me foram feitas. Mesmo as mais marotas!

16 comentários:

  1. Tenho uma amiga na mesma situaçao que tu. Imagino o quanto deve doer. Só tenho a dizer que te desejo muita força e toda a sorte do mundo, concerteza hsde conseguir!! Se não for por esse caminho, será por outro..

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  2. Tenho a mesma opinião que tu: parece que se não cumpres aquela ordem "natural" do namorar, casar e ter filhos já não és uma pessoa dita normal...
    E sim, há quem não queira ter filhos e acho uma parvoíce que se critique as opções pessoais de cada um, usando uma bitola padronizada...
    E também concordo que por vezes a maternidade se pode alcançar de muitas maneiras, sem ser obrigatoriamente por gravidez!

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  3. Felizmente não sofri com esse problema, mas assim que me juntei com o meu marido começaram todos a perguntar quando iríamos ter um filho, e a resposta que saía da nossa boca era sempre "Daqui a dois anos pensamos no assunto", mesmo quando já estávamos a tentar engravidar, porque nem todas as pessoas são iguais, e nem todos conseguem engravidar á primeira...
    Confesso que o que me custou mais foi dar a noticia da gravidez a uma grande amiga que sofre de infertilidade. Apesar de ela mostrar alegria por mim, sei que ficou magoada por me acontecer a mim e não a ela, que á tantos anos tenta ter um filho...

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  4. Não posso dizer que adorei porque a matéria é delicada e tu consegues sempre ser tão corajosa e assertiva! Mas gostaria de referir que eu sempre tive orgulho em te conhecer, privar e ser tua amiga! Admiro do fundo do meu coração e desde sempre toda a energia positiva que transmites e que, de certa forma, resulta destas palavras em que falas (modo próprio) de ti (vocês) e que é algo que não se lê na blogosfera (por vezes tão eivada de autêntico lixo electrónico e prolixo), em especial, com esta emoção, sinceridade, capacidade de síntese e num português imaculado! É que conseguiste abordar, analisar, concluir e esclarecer assim vários temas de uma só vez (pelas minhas contas uns 5). You are the BEST!!!!

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  5. Bê, eu não te conheço, mas tenho a certeza que és uma pessoa singular. mereces toda a sorte do mundo, hás-de conseguir e, principalmente, acertar esses problemas de saúde, que é o mais importante. beijinho grd *

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  6. Sem dúvida que estes conceitos tão padronizados de que se deve: casar, ter filhos logo a seguir cansam uma pessoa.
    Por vezes ha outras prioridades, por vezes não se consegue, por vezes a questão financeira também se coloca!
    As vezes acho que as pessoas deviam olhar mais para si mesmas em vez de andarem a impor aos outros estas obrigações que tantas vezes nem lhes fazem sentido.
    Quanto a ti minha querida, continua com esse positivismo que isso é meio caminho andado para que tudo corra pelo melhor.

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  7. Obrigada pelo teu post.
    Identifiquei-me muito com ele, porque já passei por algumas faes que descreveste.
    Desejo-te toda a sorte do mundo.

    beijinho

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  8. (acho que o meu comentário anterior deu um erro qq, vou tentar de novo)

    queria dar-te a conhecer a história da Susana Pina, que acompanho há vários anos. ontem fiquei de lágrimas nos olhos ao ler a descrição do nascimento da filha, de seu nome (lindo nome) Marta.
    vê aqui:
    http://sonhoterumfilho.blogs.sapo.pt/

    21 anos de tratamentos, perda gestacional de gémeas e muita esperança, tiveram há dias a recompensa.

    sabes que também estou dentro desse assunto que incomoda tanta gente (eu falo sobre ele abertamente, se necessário) e apenas te posso aconselhar muito positivismo e "orelhas moucas" para essa insistência das pessoas em meter o nariz onde não são chamadas.

    e eu tenho certeza que o futuro vos reserva algo de muito, muito bom. e rechonchudo, como se quer ;)

    beijos, beijos

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  9. Minha querida eu ainda nao tinha percebido isso e desjo do fundinho do coração que tudo se resolva. Um dia serás mãe e o teu menino será pai, quanto às pessoas ás vezes o que acho é k não têm mesmo mais nada para perguntar, é a mesma coisa do "ola , tudo bem?" e depois nem esperam pela resposta :P Que sejam felizes :D

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  10. Bê, o assunto continua a ser um pouco tabu, sim, mas cada vez mais há casais que passam por isso. Infelizmente, também passei pelo mesmo e posso dizer que apesar de estar agora grávida, dificilmente esquerecei os passinhos todos que passamos para chegar onde chegamos...
    Rezo para que em breve possas vir a dizer o mesmo.
    Um beijinho grande

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  11. Querida, ainda não me apercebera de que o problema era dessa espécie... lamento muito, a frustração é totalmente legítima. Mas, como bem disseste, não tens de ser mãe para seres feliz e para poderes amar um filho... se bem que eu acho que, mais dia menos dia, a sementinha vai começar a crescer. :)

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  12. a última frase diz muito. mas ainda assim, desejo-vos toda a sorte! é algo pelo qual eu odiaria passar. força!

    http://cuatidiano.wordpress.com/2011/10/27/coisas-que-eu-odeio-1/

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  13. Bê, vou fazer aqui um desabafo sobre a cultura portuguesa de quem conhece "bemmmm" e caso nào queira publicar este post, nao me ofendo, pois escrevo pra vc ler.
    AMO ser brasileira por diversos motivos, mas especialmente pela liberdade de valores que temos aqui. Aí, qualquer outra religião que não seja o catolicismo é "bruxaria". Eu sou Kardecista (doutrina de Allan Kardec), se um dia fosse contar no nosso antigo trabalho, nossa!!!! iriam achar que faço rituais satânicos!! Hahaha!! Sendo que sou cristã, mas acredito na vida após a morte e na reencarnação.
    Aqui no Brasil, costumamos dizer que os 40 são os novos 30 de antigamente. Minha irmà esta com 39 anos e ainda pretende ter filhos, eu tbém! Estou com 2 amigas que foram mães agora, aos 44 e 42, respectivamente (veja no meu facebook Silvia Brizola). O que eu quero dizer é que aí isso seria um escândalo. Os portugueses são MTO preconceituosos! Bê, estas amigas além de lindas, correm na praia, são super moderninhas - ou seja, terão toda a energia necessária para continuar correndo agora atrás do bebê!
    Os parentes que por aí estão colocam minha mãe - brasileiríssima - em situações super constrangedoras por vezes. E ela até tem dificuldade de lidar porque não participa do mesmo raciocínio, da mesma visão de mundo e de vida. Eles questionam como eu e a Karina ainda nào casamos (esta parte só minha), nào temos filhos, o que estamos a espera?? E eu diria que me olham até com ar de "pena". Vemos casamentos infelizes, separações contrariadas, mas porque a vida parece se resumir a casar e ter filhos. Até lembro tbém de colegas nossas do antigo trabalho que eram solteiras e que já falavam delas serem "sapatões", afffffffff!!! Maldade, hein!!
    Portanto, o que eu ouço do pai português aqui, da màe maravilhosa que eu tenho e de todo restante da família e amigos é: se vc por algum motivo de força maior nào puder ter filhos, qual o problema? Vai se matar? Vai acabar sua relação com o P? NÃO!!! Vai ser FELIZ!! Vai pensar em adotar, vai viajar, vai curtir a vida. Abra seus horizontes, minha amiga. Vc é tão nova, tem ao menos uns 12 anos para ainda ir tentando tratamentos alternativos para procriação. E caso vc queira, um dos maiores centros de reprodução humana de SP esta aqui em Santos. Eles usam agora uma tecnica super avançada, inclusive uma amiga minha (posso te por em contato com ela) foi mãe aos 50 anos de gêmeos, há 2 anos. Ela mora na Suíça. Tal qual vc, fez cirurgias diversas, mas ela sofria de endometriose. Veio pular Carnaval este ano na Bahia, deixou os filhinhos com uma babá e foram se divertir. Eles são lindos os babies. Ela fez o tratamento com este médico dps de tentar vários deles aí na Europa. Há 1 mês esteve aqui reformando o corpo: silicone, lipo na barriga, pernas, costas .... tá linda. E, pois, como vês, aqui a vida pra gente é mto mais leve, sem cuidar mto da vida dos outros, e olhar mais pra ser feliz, pular Carnaval, pegar praia, fazer churrasco, conviver, ter uma família gostosa e mtos, mas mtos amigos!!

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  14. A problemática da mentalidade portuguesa daria, neste assunto e outros, pano para mangas...

    O meu caso em particular, como sabes, apenas difere num aspecto: com quase 35 anos não tenho marido, ou companheiro, ou namorado, ou amigo assim-assim. Mas acredito que a Mãe-Natureza contorna as nossas fragilidades aumentando exponencialmente a nossa força e a nossa capacidade para amar - pois é este GRANDE sentimento que verdadeiramente interessa. Tu sabes disso... Assim como és uma enorme e inabalável fortaleza :).

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  15. tenho um casal amigo com o mesmo problema...desejo-vos tudo de bom, força! fica bem :)

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  16. Bê o meu irmão e cunhada andaram 6 anos em treinos até conseguir. Naquele momento que parecia ser o pior: a minha cunhada ficou no desemprego e começou a construção da casa que lhes tirou o € todo, foi quando aconteceu. E sem tratamentos. Sei lá... é quando tiver de ser.

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Aceitam-se elogios, críticas, gargalhadas, lágrimas, sorrisos e afins