25 de junho de 2012

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Há quase doze anos atrás tu escolheste-me. Era suposto ser eu a fazê-lo, mas assim que cheguei ao local onde tu estavas com os teus pais e irmãos, por alguma razão, não me largaste um segundo. Andaste atrás de mim para todo o lado e enquanto me diziam para ver toda a ninhada, para escolher um cão mais gordinho, mais bonito ou maior, eu não consegui. Eras tu o meu cão, o que tinha que vir connosco para casa. Eras uma prenda para o meu pai, não para ocupar um vazio que ficou com a morte do nosso outro cão (porque nenhum substitui o outro), mas porque precisávamos de te ter e de amar um novo bichinho. E assim, numa caixa de cartão enfeitada com um laço vermelho, chegaste à nossa família, pronto para fazer de nós a tua família também. E tens sido um cão maravilhoso. Amigo, companheiro, brincalhão e paciente, mesmo quando os gatos (aqueles de quem tu gostas) ocupam a tua cama descaradamente. Gostas de jogar à bola connosco e de nos vir buscar ao portão. Adoras passear de carro e escondes-te debaixo da mesa, junto aos nossos pés, em dias de trovoada, porque é junto a nós que te sentes seguro. E ao longo de todos estes anos, nós sentimo-nos seguros naquela casa grande e isolada porque tu estás lá. Foste o meu cão, porque durante um ou dois anos ainda vivemos juntos: eu, o meu pai, tu e os gatos. Todos em harmonia. Por isso, mesmo depois de eu ir viver sozinha, levando a minha gata e deixando-te para continuares a ser o cão do meu pai, senti sempre que nunca deixaste de ser o meu cão. Porque respeitas a minha voz, porque me deixas tocar-te nas feridas, porque sou a única, além do meu pai, que consegue por a mão dentro da tua boca para te forçar a tomar os remédios, quando necessário. Porque mesmo quando te zangas com o mundo, sei que a mim não me farás mal. POrque gosto de ti com todo o meu coração. E eu só lamento não ter tido mais tempo para ti. Não ter passeado mais vezes contigo, não ter jogado mais vezes à bola e penteado esse teu pelo alemão, espesso e lindo. Porque agora te vejo assim, triste e fraco, sem saber quanto tempo mais estarás aqui para nos acompanhar e eu não consigo imaginar a vida desta família sem ti. Ontem já estavas internado e não imaginas as vezes que abri a porta para o jardim, à espera de te ver, quase sorridente e expectante, com a bola aos teus pés, pronto para a brincadeira. Fui dar comida aos gatos e tu não estavas lá para te meter com eles. Não me foste acompanhar até ao carro, como gostas de fazer. E ficou um vazio enorme em todos nós.

Tens sido um bom cão. O melhor de todos. Fica bom Rafa, porque fazes-nos uma falta imensa...

4 comentários:

  1. Ele vai ficar logo, logo bom!!

    Beijinho***

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  2. Querida Bê, como te compreendo..um aperto no peito e a sensação que não lhes conseguirmos retribuir o amor incondicional que eles nos dão toda a vida, mas acredita que o Rafa é con certeza o cão mais feliz do mundo com o carinho que recebe e recebeu. Um grande beijo.

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  3. Oh... lamento imenso...eu também tenho a minha bicharada e sei quanto custa vê-los doentes ou perde-los!! Sinto mesmo muito pelo teu bichinho! Por muito maiores que possam ser para mim são sempre bichinhos!

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  4. Estava a ler e a rever o meu cão...custa imenso o tempo de vida deles ser tão curto e eles dão nos tanto!

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