10 de outubro de 2012

Histórias da minha vida

Há quatro anos atrás, por esta altura, acordei numa bela manhã, em vésperas de me casar e de mudar de trabalho, para me deparar com a janela da sala de jantar totalmente aberta. Claro que mentalmente, culpei logo o P. e preparei a reprimenda para mais tarde. Não dá para ter janelas todas escancaradas em casas com gatos, sobretudo quando se vive com um Tobias, que se sentir o cheiro das sardinhas assadas que o vizinho de baixo faz por vezes no seu terraço, é bem capaz de se atirar de cabeça e aterrar com os bigodes no grelhador.
Ora como sempre, estava atrasada e andei a correr para me arranjar, tomar o pequeno-almoço e agarrar nas coisas, porque ia ter um dia de trabalho cheio, numa empresa muito conhecida na área da grande distribuição. Agarro no computador, nas chaves do carro, nas chaves de casa, procuro a mala e não a encontro. Procuro na sala, no quarto, na casa de banho e penso que até no cesto da roupa suja e por baixo do sofá. Nada de mala. Para não me atrasar mais, saí de casa, rezando a todos os santinhos para não ser aquele o dia em que a polícia me mandaria parar para me pedir os documentos e certa de que alguém me emprestaria dinheiro para comer uma sopinha ao almoço.
Só a meio da manhã, entre entrevistas e quando conversava com a responsável pelo departamento de formação da entidade é que recebo um telefonema de um vizinho que me iluminou a mente e me arruinou o dia. A minha casa tinha sido assaltada durante a noite, enquanto eu dormia. Felizmente, por alguma razão, na nossa casa o ladrão apenas teve tempo de se agarrar à minha mala e fugir, porque na casa dos vizinhos levou chaves do carro, carteiras, máquinas fotográficas e outras coisas. Ainda hoje o P. diz que, por termos as portas todas da casa abertas, o ladrão se assustou com a sua figura de cavalão que dormia profundamente -  e que é capaz de dormir na mais profunda inocência mesmo quando há uma trovoada em cima das nossas cabeças. Pois. Certo é que depois de confrontada com a realidade foi muito complicado voltar a casa, que senti grosseiramente violada enquanto eu dormia tranquila e com a falsa sensação de segurança. Hoje durmo com os estores todinhos para baixo, sou completamente obcecada com as chaves, tenho a porta sempre trancada nas voltinhas todas e quando vou para fora tranco todas as portas de todas as divisões (excepto a da cozinha que fica aberta para o hall e para uma varanda fechada, espaço para os gatos esticarem as patas e fazerem a sua vidinha) e escondo as chaves. Se vou à casa de banho durante a noite, vou com luzes acesas, tal é o pânico de tropeçar num malandro que me queira levar os trocos, os cartões e a vida. Durante uns temos cheguei mesmo a esconder a mala, mas depois deixei-me disso. Mas nunca mais ultrapassei o medo e não é por receio de perder computadores, carteiras, máquinas e afins, mas por puro receio de que alguém  faça mal aos meus gatos ou a nós. Caramba que é fácil tornar uma pessoa saudável, numa pessoa assustadoramente alucinada com a segurança. Tudo porque um dia me deitei e não tranquei uma janela...

17 comentários:

  1. Deve ser horrível, essa sensação de devassa... até porque estavas lá, foi no sitio onde te sentias seguro! Acho normalíssimo que agora tenhas esses comportamentos....afinal entraram em tua casa contigo lá!

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  2. Aiiii Bêzinha! Eu também morro de medo dessas coisas :(

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  3. Ainda não me aconteceu nada do género e talvez por isso ainda facilite muito. O homejacking é uma realidade crescente e tenho de me lembrar disso para que a segurança do meu lar não seja violada...

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  4. Oh meu deus! Acredito que te sintas assim, embora nuca me tenha acontecido. Livra! Grande susto! Ainda bem que não te chegaste a aperceber de manhã!

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  5. Eu tb ja tive a casa assaltada e é uma sensaçao horrivel. A nossa intimidade é violada por estranhos, agora tb tranco tudo e fecho a agua. Nao quero ter inundaçoes em casa, pois logo apos o assalto tive uma inundaçao.

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  6. Eu ainda sou do tempo em que na aldeia se deixava o "cordel na porta", ou as portas escancaradas para a brincadeira... Hoje as portas trancadas a sete chaves, janelas idem e tudo o resto ibidem.
    Nestes casos desenvolvem-se neuroses justificadas...

    Beijos, Bê!

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  7. Que situação horrível :( Ainda bem que foi só a mala, sim. Mas a sensação de insegurança fica de qualquer forma :( Eu, confesso, sou um bocadinho descuidada nessas coisas. Espero nunca apanhar um susto.

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  8. Mesmo com a janela trancada eles entram, infelizmente. Há cerca de 5 anos e pouco também me entraram por uma janela que estava fechada. Contudo, também tivemos sorte, já que os senhores quase nada levaram, porque não tiveram tempo aliado ao meu pai estar na sala e a cadela ter ido ter com ele. Pura sorte também.

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  9. Eu acho que teria que mudar de casa!! Juro. Que ficava num pânico tal que não ia conseguir dormir descansada, nunca mais!! Xiça!! :P

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  10. Fico em pânico só de imaginar. Ainda bem que se ficou pela mala!

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  11. É daquelas coisas que me mete um medo terrível, estar em casa e entrar alguém por ela a dentro. Já tenho a mania de ter tudo trancado, até mesmo durante o dia, e olha que moro numa aldeia pacata em que os vizinhos tem a casa aberta de dia sem problemas. Sou medricas. Se isso me acontecesse nunca mais dormia.. Xica. Força Bê

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  12. E com toda a razão... deve ser horrível. Eu mesmo sem nunca me ter acontecido nada do género - mas tambem por já ter ouvido algumas histórias assim de quem me é próximo - tenho muito medo dessas coisas, mesmo!

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  13. bolas, não quero pensar na sensação que é :S

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  14. , certas coisas a gente acha que só acontece com os outros, não é?
    Beijos
    Manoel - Brasil

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  15. Acho que deve ser uma sensação horrivel, de violação do nosso espaço. Mesmo assim tiveste sorte.A minha vizinha um dia acordou a 1/2 da noite com um ladrão no fundo da cama mas gritou tanto que o asustou..foi horrivel e durante imenso tempo entrava em casa e ia procurar em todo o lado, até debaixo da cama. Eu por acaso tenho bastantes cuidados com fechaduras, portas e afins...espero nunca apanhar um susto como o teu

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  16. Fazer-nos medo é a grande vitória dos criminosos - muito mais do que "palmarem-nos" a carteira!

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