22 de fevereiro de 2013

Partilhas e conselhos - De mulher para mulheres

 
Sou portadora de endometriose profunda. A forma mais grave de endometriose. Foi-me diagnosticada há cerca de 3 anos atrás (já a tendo, provavelmente, há muito mais tempo), mas tive o azar de ser empurrada de hospital em hospital, sem que nada me fizessem e com medicações que me pioraram os sintomas. Por sorte, o tumor grave que tinha e as aderências aguentaram-se  sem comprometer alguns dos meus orgãos, até chegar às mãos de um grande especialista, no privado. Em menos de dois meses fiz finalmente todos os exames que no público nunca me mandaram fazer. Em menos de dois meses estava na cama de um hospital, com receio que a operação, que não seria fácil, comprometesse a minha qualidade de vida, já que essa era uma possibilidade. A recuperação foi lenta, dolorosa e difícil e sei, como portadora desta doença, que leu tudo e mais alguma coisa sobre a mesma, que conversou muito com os seus médicos e que se mantém ligada a fóruns de endogirls, que tem sido muito bem acompanhada, que a próxima operação poderá estar para breve e muito provavelmente, será mais uma de algumas que se possam seguir. Porque não tem cura ou a cura que poderia ter,implicaria nunca poder ter filhos e disso eu não abdico. Por isso minhas queridas, ficam os conselhos - Façam exames regularmente. Não aceitem as dores menstruais altamente debilitantes como sendo normais, porque nem sempre o são. Não se conformem com hemorragias, com a dispareunia, com dores musculares e cansaço físico sem razão aparente. Não se conformem com os ginecologistas que desvalorizam as vossas queixas. Porque a endometriose, quando não tratada ou tratada por quem não a domina, pode ter consequências muito muito graves, que podem afectar a vossa vida para sempre.
Neste momento sou acompanhada no público, por uma médica também de referência e o acompanhamento não poderia ser melhor. Porque em todo o lado, há bons e maus médicos. E eu descobri os bons, depois de muito investigar.
 
Ficam algumas informações do site do Dr. António Setúbal:
 

A Endometriose profunda apresenta-se sob a forma de tumores que envolvem vários órgãos pélvicos, nomeadamente do recto, vagina, cólon sigmoide, bexiga e nervos superficiais e profundos. Algumas formas graves, podem envolver também outros órgãos, locais ou não, como intestino delgado, apêndice, diafragma e pulmão.
Estima-se que a incidência de endometriose no mundo atinja 176 milhões de mulheres e 8 a 10% das mulheres em idade reprodutiva. Felizmente, mesmo sem números concretos, as formas mais graves e profundas são a minoria.
De acordo com as estatísticas cientificamente comprovadas, o tempo médio para o diagnóstico da doença varia entre 8 a 11 anos e o número médio de médicos visitados é aproximadamente 7 (endometriosis.org). O caso mais clássico é o da Endometriose com envolvimento do intestino grosso e do recto onde é comum as doentes passarem anos em tratamento de gastroenterologia com diagnósticos vagos de Colite.
Outro factor importante é o familiar e social. De facto esta é uma doença associada a um número elevado de roturas nos casais por incompreensão da dor, quer a nível das relações sexuais quer a nível do impedimento de uma actividade social normal. Também a este fenómeno se associam as elevadas taxas de gâmetas e embriões devidamente congelados e não reclamados no prazo legal. Daí a importância de poder proporcionar em circunstancias de infertilidade causada pela Endometriose, o acesso à criaoperservação de ovócitos para prevenir uma infertilidade definitiva futura, só resolúvel através da doação de ovócitos de outras mulheres.
 
 
Para qualquer conselho que necessitem, estou aqui - paudecanelaementa@gmail.com
Aqui encontrarão um mundo de mulheres fantásticas e imensa informação útil - http://mulherendo.blogspot.pt/

13 comentários:

  1. Já me tinha apercebido que devia ser esse problema que tinhas! mt força em falares sobre o mesmo :)

    Beijinho mt especial e corra tudo bem no futuro!

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  2. Obrigada por partilhares. Acho que vou começar a estar muito mais atenta às coisas que se passam comigo. Tenho a impressão que tenho ignorado algumas coisas e isso não é bom.

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  3. Obrigada pela partilha. Não é uma doença fácil e acima de tudo é difícil falar sobre algo que praticamente ninguém conhece e, não conhecendo, desvaloriza ou ignora.

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  4. Querida Bê. Obrigada pela tua história. Certa,mente permitirá que muitas meninas se consciencializem para a sua própria saúde.
    Espero que corra tudo bem com a próxima cirurgia. E que seja a ultima!

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  5. Coragem! Para ti e para todas.

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  6. És muito corajosa por falar disto assim publicamente, querida Bê. Podes ajudar pessoas que não estão informadas. Desejo-te muita muita sorte e coragem! E que mantenhas a atitude positiva que tens tido, admiro-te muito por isso! **

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  7. Obrigada. Muito obrigada.

    Carla

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  8. Tb eu tinha esses sintomas e acreditava que eram normais. Até descobrir um tumor no ovário. Felizmente era um tumor benigno e fui operada com sucesso. No mesmo dia e na mesma enfermaria estava uma rapariga com endometriose e conversámos mt. Fico contente por estares a ser bem seguida! Beijinhos

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  9. Querida és uma corajosa por abordar este assunto.... muita muita força.

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  10. Muito obrigada por esta divulgação. A minha ex-melhor amiga sofria de endometriose, tal como tu, o que me ajudou a perceber muito melhor quão difícil esta doença pode ser. És uma guerreira.

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  11. Bê muita força e nunca te conformes! Eu quando tudo indicava um endometriose já avançada e que não poderia ter filhos, engravidei. Por isso o importante é acreditar e ter fé muita fé! Eu sou das que tem dores horriveis o mês inteiro, com hemorragias longas, por exemplo, quando nasceu o meu filho estive 6 LONGOS e PENOSOS MESES com hemorragias... Enfim, agora troquei de pilula, dores essas muitas sempre, agora menstruação é uma manhã, graças a DEUS!!!!!!!!!!!!!!

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  12. Grande post, grande partilha!
    Obrigada por divulgares!

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  13. Também eu agradeço esta partilha. Muito informativa e muito genuína, obrigada!

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