13 de junho de 2013

Do amor...

Não acredites nunca nos homens. Só não trai o que não tem oportunidade. Gosta mais de ti do que de qualquer namorado que venhas a ter. Eles não prestam e são todos iguais. Estes foram alguns dos conselhos que a minha mãe foi partilhando comigo conforme eu crescia. Claro que são fruto de uma vida de desenganos que culminou num divórcio de um casal que nunca se devia ter casado, já que só o fez perante a insistência ignorante dos meus avós dada a barriga avantajada da minha mãe, que carregava o meu irmão aos 21 anos de idade, uma vergonha para a época e para os seus costumes e achaques católicos. Eu ainda tive tempo de nascer. Dois anos e meio depois. E digo tempo, porque ainda hoje não sei como se aguentaram juntos tanto tempo. Quando tinha seis, divorciaram-se - outra vergonha para as famílias. Mas bem, no meio disto, cresci eu, uma tímida e protegida rapariga, achando que todos os homens à face da terra seriam verdadeiros trastes (o meu pai não o é, atenção, apenas não era o homem ideal para a minha mãe, ok?), porque tudo o que vinha da boca da minha mãe era lei para mim. Não sei se por isso ou se por me ter cruzado com alguns trastes, não obstante fizesse algum sucesso junto dos rapazes, tive apenas dois namoradinhos na adolescência, com os quais acabei tudo depois de umas semanas de mãos dadas e beijos melosos ao som das baladas das bandas da altura. Eu estava mais preocupada em participar em todas as competições desportivas da altura e em estar com as minhas amigas. Cresci e a coisa não foi muito diferente. Um namoro de quatro anos, antes de conhecer o P.
E se com os namoradinhos de adolescência não podia dizer se seriam trastes ou não (na verdade qualquer deles parecia verdadeiramente apaixonado por mim e ficaram devastados quando terminei com eles... - Mas duas semanas depois já andavam aos beijos melosos e de mãos dadas com outra miúda qualquer), a verdade é que o meu primeiro namoro a sério foi algo conturbado e carregado de ciúmes masculinos. E todos sabemos como os ciúmes em excesso do que se vê, do que não se vê, do que se imagina que se vê, podem ser doentios, chatos e, digo agora, indicadores de uma morte anunciada. Adiante, quis o destino que eu conhecesse o P. no meu primeiro trabalho a sério. Ainda andámos um ano ali, só a ser colegas de trabalho que se conhecem mal, que sorriem, que conversavam pouco. Mas o que é certo é que não me esqueço nunca da primeira vez que o vi.
Lembro-me do local, do sorriso dele, do à vontade, da forma como se sentou perto de mim e de como fomos apresentados como sendo colegas também de faculdade. Não me lembro da primeira vez que vi pessoas que são hoje importantes na minha vida. Amigas, colegas, eu sei lá. Mas lembro-me perfeitamente, um ano e meio antes de saber que estava perdida e completamente apaixonada por aquele homem, de o ver pela primeira vez, sem saber que a partir dali os nossos destinos, que já se vinham a cruzar anteriormente, se iriam unir desta forma.
Isto tudo para dizer que, dez anos de P. depois, posso afirmar que a minha mãe estava enganada. Os homens não são todos iguais. Não são todos uns trastes. Não são todos mentirosos. Felizmente. As generalizações são tão perigosas quanto frequentes e depois temos pessoas a sofrer desgostos de amor e a acreditar que não podem ser felizes nunca. É mentira. Podem sim. Se encontrarem a vossa cara-metade, como eu encontrei. E podem ser felizes e sentir-se completas e saber que têm ao vosso lado o amor da vossa vida e que são o amor da vida dele. Eu sei disso a cada momento. Quando os nossos olhares se cruzam nas reuniões de família e eu sei o que os olhos dele dizem. Quando me sorri silenciosamente. Quando procura a minha mão para a abraçar com os seus dedos fortes. Quando durante a noite, mesmo no sono meio profundo, me abraça e beija o pescoço.
Acreditem no amor. É ele a força que move o universo. E a força que nos move. Sejam felizes.

18 comentários:

  1. tal como tu, também a minha história é semelhante.
    nem todos os homens são uns trastes, uns mentirosos.
    há os homens bons, de coração puro e doce.Um dia, um deles, será o homem da nossa vida, bastará que acreditemos que não são todos iguais.

    Este texto é lindo pelo amor que alberga dentro.

    Beijinho e óptima recuperação de mais esta etapa de luta.

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  2. Lindo! Que encontrem sempre a felicidade sem ter de procurar muito!

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  3. Que lindo, Bê. É mesmo isso. É a maior força que se pode ter.
    A minha mãe nunca me disse isso mas sempre tive, e tenho, a noção que sou uma sortuda por ter encontrado a pessoa que me faz feliz.

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  4. Percebo tão bem o que dizes Bê! Felizmente eu também acredito que encontrei (há já 11 anos :p) a pessoa com quem gostaria de ficar para sempre. A cumplicidade, o amor, a confiança são palavras chave na nossa vida. Temos muita sorte em ter encontrado pessoas assim!

    Um beijinho GRANNNDE!

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  5. Tão verdade Bê! E revi-me em quase tudo o que escreveste (menos nos conselhos de mãe, mas a tua teve uma vivência muito própria, é compreensível a generalização), especialmente nesses momentos tão "nossos" quando cruzamos o olhar com o dele num jantar de família ou algo do género. Somos umas sortudas! :)

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  6. Tão lindo... eu apesar de tudo tb encontrei o amor da minha vida.

    Muitas felicidades :)

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  7. Simplesmente lindo.

    Parabéns aos dois.

    Beijinho especial para ti.

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  8. é claro que os homens são uns bacanos.

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  9. E aquelas pessoas que não encontram a cara-metade?

    (de uma actual descrente no amor)

    Ana

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    1. Querida Ana, acho que já todas vivemos esse sentimento. Todas sentimos, quando uma relação acaba, ou quando sofremos por amor, esse sentimento de desacreditar no amor. Prometo escrever sobre isso.

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  10. Muito bonito. É muito bom ler histórias assim. Tenho a alegria de também ter alguém assim. Um beijinho e que a recuperação corra bem

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  11. Parabéns por esse teu grande amor correspondido! Acredito que te ajude a ser mais forte e a ultrapassar, com um sorriso, as adversidades da vida :)
    Uma óptima recuperação!

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  12. Suberbo, amei. lindo, lindo lindo.......
    Obrigado, beijos.

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  13. Obrigada a todas(os) pelas palavras. É bom sentir o amor que vivem desse lado e os que não o vivem actualmente, acreditem nele.

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  14. Não há raças perfeitas, a dos homens não é excepção. Mas gosto de pensar que quando encontram a alma gémea se entregam para sempre. Beijoca!

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  15. Revi-me tanto no teu texto!

    Feliz ou infelizmente, também eu cresci com todas as recomendações da minha mãe no sentido de não me deixar apaixonar e de ter cuidado e o mesmo que a tua te disse, para além dela ser contra o casamento, etc. e pelos mesmos motivos. Os meus pais só há um ano se separaram (da pior forma) e depois de 24anos casados...mas pronto, essa é outra história.

    Obviamente que tudo o que a minha mãe me dizia e sempre disse (até o que agora diz) me moldou de alguma forma e eu (também) cresci com o "monstro" do amor e dos homens porque, para mim, o que a minha mãe dizia era lei. Apesar de tudo, não fosse eu uma romântica, sempre acreditei no "amor" embora em alguns momentos bem mais do que nos outros e lá tive algumas paixonetas e encantamentos...

    Quanto ao percurso amoroso foi semelhante ao teu: alguns namoradinhos na adolescência mas nada sério e, antes do G., um namoro de (praticamente) 3anos que deixou muitas marcas, que me fez sofrer imenso porque a determinado ponto estava completamente cega...enfim. Uma série de coisas que também já não interessam para nada mas que faziam-me crer que a minha mãe talvez tivesse mesmo razão. Fiquei muito magoada, estragada, quando terminei a minha relação e só depois de muito tempo é que consegui que o G. se aproximasse - calhou conhecê-lo pouco depois do fim do namoro, estava um caco e só queria distância de possíveis pretendentes ou relações, tinha pavor de me apaixonar, tanto que, durante quase um ano - mesmo ele tendo-o passado sempre a meu lado, dando provas do seu amor e tentando fazer-me acreditar que o amor era algo bom e que os homens (ele!) também o podia ser - não conseguia (nem que quisesse) apaixonar-me por ele (o meu atual namorado).

    Depois do tempo ter passado e de ter curado as minhas feridas finalmente dei-me conta de que estava apaixonada pelo G. e que ele era/é um homem fantástico, que não era fruto da minha imaginação nem era uma farsa, que era real.

    A verdade é que ainda nem um ano passou desde que namoramos (faz sexta feira um ano) mas depois de tudo que já vivemos, de tudo que ele já me demonstrou, do que já passámos e ultrapassámos e do que ele, a cada dia, me dá eu não tenho como não acreditar no amor ou achar que os homens são todos iguais ou não prestam e que o amor só nos faz "mal", que nos tira defesas ou deixa "parvas" como sempre me disse (e tentou convencer) a minha mãe.

    Eu sei, um ano não é quase nada. Já nos conhecemos há mais de dois e todo este tempo só me faz acreditar que ele é real e é genuíno e só me faz desejar não ter de enfrentar o fim daquilo que vivemos, do que sinto por ele e ele por mim.

    E sim, o amor existe nu e cru: genuíno e sem mentiras, simples e arrebatador. Não deixem de acreditar por mais difícil que seja, isso sim é tão triste. Dêem tempo...o tempo cura e ensina tanto (se não tudo).

    Bê, obrigada por teres partilhado este texto tão bonito! :)
    Beijinhos

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