17 de junho de 2013

Momentos felizes


Sou uma mulher com o corpo na cidade, mas com o coração no mais profundo dos alentejos. Foi lá que vivi os momentos felizes da minha infância, mimada pela minha querida avó (que saudades tuas), entre flores perfumadas, canteiros de ervas aromáticas, frutas doces à distância de um braço e uma casa cheia de seres mágicos para mim: gatos, cães, coelhos e coelhinhos, pombos, periquitos e as encantadoras borboletas, os calmos bichos de conta e as trabalhadoras abelhas, com as quais aprendi a conviver. Na casa grande da minha avó, de altas abóbadas caiadas e recantos escondidos, com cheiro a fotografias antigas, havia ainda um sótão de janelas muito pequeninas e baús enormes cheios de segredos: roupas sem tempo e maravilhosas, amarelecidas pelos anos e pelas histórias, mas ainda assim, adoradas por mim, fotografias a preto e branco, que ainda hoje são as minhas favoritas, livros da infância da minha mãe e tantas outras coisas que me mantinham entretida nas horas do sol impiedoso, que nos obriga a recolher no interior das casas frescas. Enquanto todos dormiam a sesta, eu brincava. Pela janela havia sempre um gato que ia ter comigo e assim passava as tardes no meu mundo. Sempre feliz. Ao fim da tarde tomava banhos frescos de mangueira no quintal enorme, entre gargalhadas e o verde das árvores, vestia roupas leves e, depois do jantar (sempre comidas maravilhosas) passeávamos pela aldeia ou sentávamo-nos nos banquinhos baixos nas portas das vizinhas a conversar e a ver a lua e as estrelas. Os cães vinham connosco e deitavam-se a noite toda aos nossos pés e um ou outro gato aparecia sempre, atrás dos meus mimos incansáveis.
E é por isso que amo o Alentejo. Foi o meu refúgio enquanto os meus pais se divorciavam e organizavam as suas vidas. Foi lá que passei todas as férias até aos meus dezassete anos, quando a doença maldita me levou a minha querida avó. Foi lá que vivi entre plantas, flores e animais, que tanto amo. E é ao Alentejo que sonho um dia regressar, quando o corpo já estiver velhinho e cansado e não me restar mais do que viver das memórias passadas. Nos entretantos, vamos fazendo férias por lá. Noutras zonas que não a quente e longínqua aldeia do meu coração, mas os cheiros são os mesmos, as cores são as mesmas, o pão e os poejos são os mesmos e até o sotaque delicioso é o mesmo.
Segue-se assim uma semana de nós. Na bagagem, além dos livros, dos vestidos e dos cremes de praia, levamos os gatos. Prontos a criar mais memórias da nossa vida. Prontos a ser muito felizes e a criar as nossas memórias. 
 
A todos uma semana maravilhosa, cheia de sorrisos.

15 comentários:

  1. Ainda não conheço esse teu Alentejo mágico, mas já o sinto como apaixonante.

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    1. Querida S* o Alentejo tem zonas lindíssimas que valem mesmo muito a pena. Espero que um dia vás até lá - eu dou-te todas as dicas de que necessitares :-)

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  2. aproveita Bêzinha. beijinho e as melhoras

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  3. Que discrição deliciosa, apesar de a minha ser em trás os montes, há muitas semelhanças.
    Boa férias.

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    1. Eu tenho uma falha com Trás os Montes - tenho que ir até lá construir memórias :-)

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  4. Aproveita bem as férias e todos os momentos felizes :*

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    1. Aproveitámos sim. O Alentejo tem sempre efeitos maravilhosos em mim :-)

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  5. Sentir o amor de neta em cada uma destas palavras é uma verdadeira inspiração... Boas férias!

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  6. Adoro o teu Alentejo... Já la passei bons e doces momentos... A minha infância foi parecida com a tua, mas na outra ponta do país em trás--os-montes... Mas tantas coisas parecidas! beijinho

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    1. É bom quando temos estas recordações maravilhosas que ficam para sempre querida.

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  7. Eu sinto isso nos Açores, é a terra onde o meu espírito sossega. Beijoca!

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    1. Rafeiro, felizmente tenho a sorte de partilhar esse sentimento. O Homem do Cantinho é dos Açores e vou a S. Miguel de dois em dois anos. E que bem que me sinto por lá :-)

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Aceitam-se elogios, críticas, gargalhadas, lágrimas, sorrisos e afins