15 de abril de 2014

Sou eu que tenho os melhores gatos do mundo, ou é o mundo que não entende esta espécie?

Agora que estou mais tempo em casa, adoro perceber a forma como os meus gatos mudam as suas rotinas, só para estarem mais perto de mim. A Blue, a minha idosa linda, que passava os dias a dormir na sua caixa cor-de-rosa com almofada quentinha, está sempre bem junto a mim. Se me sento no sofá, é certo que não me mexo durante um tempo porque ela em três segundos salta para ao pé de mim, encosta-se e adormece, sem tempo de eu dar um ai. Neste momento estou a trabalhar na mesa da sala e ela está na cadeira ao meu lado, pouco confortável, mas satisfeita, porque recebe festas de vez em quando, sempre agradecidas com o seu miado doce, aquele que ela tem só para mim. O Tobias está na cadeira em frente e de vez em quando solta um miadinho como quem quer um mimo ou estende a pata até me tocar, hábito dele sempre que quer festas. A Gata, deitada na cadeira ao lado do Tobias (da qual só se levantará quando o P. chegar a casa), olha para mim com os seus olhos enormes e doces, feliz pela companhia. 
Costumo dizer que devo ter os melhores gatos do mundo, sempre que leio ou ouço aquelas teorias disparatadas de que os gatos são falsos, interesseiros, agressivos e bla, bla bla.  Tem, cada um deles, a sua própria personalidade. Brinco sempre a dizer que os meus foram todos educados da mesma maneira (a Blue e o Tobias são até da mesma família) mas são todos completamente diferentes uns dos outros. Não são falsos. Quando gostam, gostam mesmo, quando não gostam, não querem saber. Quando são jovens brincam muito, saltam, arranham e mordem, como o faz qualquer cão, diria mesmo, como o faz qualquer criança, até aprender o que pode e o que não pode fazer. Até conhecer o limite da brincadeira. Com uma boa educação deixam de o fazer (a última vez que fui arranhada, no ano passado, foi pela Gata, porque fomos de férias e eu peguei nela ao colo numa situação nova. Assustou-se, não o fez com piores intenções do que o P. quando a dormir me dá cotoveladas) e as dentadinhas que por cá se dão são sempre tão superficiais que mal as sentimos. Estragam tapetes e cadeiras, cortinados e muitas outras coisas. E enchem-me a casa de pelos. Mas também me enchem o coração de amor e isso não tem preço. Vale mais do que qualquer cadeira ou sofá. São territoriais, por isso, nem sempre se sentem confortáveis quando têm o seu espaço invadido por pessoas que não conhecem, ou das quais não gostam. Excepto o Tobias, que é um gato que adora a casa cheia de gente e por mais estranhos que lhe sejam, mais colo ele quer. É um gato conquistador de massas e já muitas pessoas que diziam não gostar de gatos, ficam fãns dele.
Não são falsos. São mesmo do mais sincero que há. As pessoas é que nem sempre estão preparadas para um animal que não lhes passa cartão, tão habituadas que estão a uma sociedade de fachada. Não são submissos como os cães, certamente. Se nos zangamos com algum deles, excepto o Tobias que salta logo para o colo a reconquistar-nos, amuam. Estão no seu direito, não?  De vez em quando, também amuo e fecho-me na minha concha.
São extremamente sensíveis aos nossos sentimentos. A Blue, por exemplo, conhece-me como ninguém. Sabe quando estou triste e já me aconteceu, num dia em que tive uma notícia muito triste e comecei a chorar sentada no sofá, dar com ela completamente desnorteada a tentar meter-se debaixo das minhas pernas, como se quisesse ser ela a pegar-me ao colo. Não me largou um segundo. E são ainda extremamente inteligentes. Sabem perfeitamente que não é não, o tom quando estamos zangados, ou quando queremos dar mimo ou uma comidinha especial.
Isto para dizer que, costumo brincar a dizer que eu tenho os melhores gatos no mundo mas, na verdade, acho que grande parte do mundo não conhece bem os gatos. E não me venham com a história de que já foram arranhados e o diabo a sete, porque eu já fui arranhada por gatos, mordida por cães e picada por abelhas e nem por isso deixei de gostar de qualquer um deles.
Os Gatos (felinos no geral) têm uma personalidade extremamente forte e muitas pessoas não estão preparadas para isso. Ter um gato é um desafio. Mas quem o aceita, nunca mais lhe ficará indiferente.
 
 Tobias e Gata
Blue
 
 Para quem quiser acompanhar as fotos dos meus meninos, porque eles são a estrela principal do meu Instagram, procurem-me: barbaracreal!

10 comentários:

  1. Adorava que o meu Tom fosse assim, mas só faz disparates, só se assanha...

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    1. Dreamer Girl, que idade tem ele? A Blue, a mais velha, era péssima até termos outro gato. Isto porque queria brincadeira e nós nem sempre tínhamos tempo para tal, então passava imenso tempo a fazer-nos espera e a atacar. Quando o Tobias veio viver connosco começou a gastar a sua energia com ele. De qualquer forma, tal como os cães e os humanos, também cada gato é igual a si mesmo. Tem a sua forma de ser e embora possam ser minimamente moldáveis à educação que lhes damos, há coisas que não conseguimos mudar...

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  2. Ahhhh é mesmo isto :) Concordo em absoluto :)

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  3. Concordo plenamente! :) Eles têm uma personalidade forte e são, muitas vezes, mal compreendidos. Desde que eu esteja em casa eles não me largam, fazem-me sempre companhia :)

    http://miscelaneathesecond.blogspot.pt/

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  4. Os meus três meninos também são assim... Cada um com a sua forma de estar e de ser, mas todos a seguir a doninha pela casa, inclusive à casa de banho! Há coisa melhor na vida do que uma sesta no sofá com os nossos gatinhos? E quem realmente acha que são falsos, só ligam à casa e não ao dono, blábláblá, simplesmente nunca conseguiu criar esta ligação com um gato. Não são comprados, são conquistados, e isso implica educação, esforço, carinho e capacidade de aceitar o outro sem querer obediência pura.

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  5. Lindos :) Felizmente os meus não fazem muitos estragos mas estão novamente naquela fase queda de pêlo e é uma chatice. Para mim, são a melhor companhia que existe. Adoro gatos!

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  6. Concordo plenamente e sabes que também tenho uma paixão assolapada por gatos desde que a minha Nina veio para minha casa há 10 anos atrás... :)

    Beijinhos.

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  7. Olá Bê! Preciso de ajuda...resolvi adoptar um gato bebé (tem 1 mês e meio) e preciso de dicas :-)! Era giro se fizesses um post com este tema. Obrigada pela ajuda :-)!
    Beijos, Sofia

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    1. Parabéns pela decisão! Antes de mais, é necessário ter alguma paciência - por vezes estranham, sentem a falta da mãe e podem miar bastante. Nem sempre, mas pode acontecer. Eu sou sempre muito intuitiva com os gatos e tento percebê-los - se são meigos, se são mais independentes, se gostam de colo. É preciso perceber o que gostam e não gostam e evitar o que não gostam, claro. Logo desde pequenos é importante também incutir-lhes algumas regras, mas temos sempre que estar preparados para cortinados arranhados, sofás, tapetes, etc. Como escrevi num post mais recente, temos que perceber que a nossa casa nunca mais será a mesma. Mas o nosso coração também. De resto, é importante castrar, não só porque não sofrem por não terem parceiro, mas também porque, no caso das gatas, evita problemas de saúde posteriores.
      Qualquer dúvida mais específica, escreve-me para paudecanelaementa@gmail.com! Terei todo o gosto em esclarecer!

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    2. Obrigada pela tua resposta! Foi muito bom ler a tua opinião porque ainda estou um bocadinho às escuras (apesar de sentir que já fiz progressos). Beijos

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