28 de maio de 2014

Pode-se falar de infertilidade?

A maior parte das pessoas que sofre desta condição não fala. Escondem-se nos grupos secretos do facebook, nos fóruns sem caras ou nomes reais das associações, nos meandros dos corredores de hospitais carregados, onde se fala a mesma língua. Onde todos conhecem de cor palavras como FIV, ICSI, TEC e tantas outras. Onde todos já se depararam com uma cara menos simpática de médicos nem sempre com paciência para os milhões de dúvidas naturais destes tratamentos: um, duas ou três injecções por dia, com preparações, dias certos, horas, quase a fazer o pino e a cantar o tirolês, é natural que, de vez em quando, surja uma dúvida. Onde todos aprendem dar uma injecção, preparar-se para uma punção. Onde já se reconhecem as lágrimas por um tratamento sem sucesso, as alegrias dos que conseguem o seu milagre. Não os condeno. Eu já fui assim. Depois fartei-me.
Fartei-me da conversa de sempre do "ainda não engravidámos porque estamos a treinar, a aproveitar os primeiros anos, a estabelecer a nossa vida, porque queremos viajar, porque ainda não comprámos a casa dos nossos sonhos, o que for". Fartei-me. Estamos juntos há onze felizes e maravilhosos anos, numa relação que todos reconhecem como cheia de amor. Adoramos crianças e, mesmo nas fases menos boas profissionalmente, sempre tivemos o suficiente para criar um filho. A casa é pequena, mas tem um quarto a que chamamos o quarto dos gatos - onde estes dormem à noite e onde tenho os meus livros e uma secretária que nunca uso - mas que, claro, sempre pensámos como sendo o quarto para o(s) nosso(s) filho(s). E fartei-me de não ser absolutamente sincera, eu que abomino a mentira. E como me fartei não há praticamente ninguém à minha volta que não saiba que sim, sofro de infertilidade. No meu caso, por causa da tal doença de que já falei aqui e que já me levou à mesa de operações umas quantas vezes e ainda levará outras tantas, mas podia ser por qualquer outra causa. Não é vergonha para mim. Não o deve ser para ninguém. Com a agravante que, cada tratamento, funciona que nem bomba para este problema e por isso quando não ando metida nos médicos para fazer um tratamento, ando metida nos médicos para fazer exames, análises, observações, para ver como está tudo. Sempre de perna aberta, só mudam as caras e o hospital - uma mulher acaba por se habituar a isto e assim quando a doutora que nos acompanha pergunta se os estudantes podem assistir, já se pensa "mais um menos um, ao menos que venham aprender tudo o que têm a aprender, com este caso bicudo de seu nome Maria Bê".
Quando começamos a abrir-nos e a encarar com a naturalidade que tal assunto merece, percebemos a quantidade de pessoas à nossa volta que também passam pelo mesmo. E parece que quase respiram de alívio quando sentem que podem conversar connosco. Mas a culpa não é deles. É desta sociedade formatada e tão fechada ao mesmo tempo, que acha que uma pessoa que sofre de infertilidade não é completa, tem defeito, são uns coitados porque não podem ser pais. Não, não somos. Somos pessoas a quem a saúde obriga a um caminho um pouco mais longo, mais difícil. Mas tenho a certeza de que, quando se sai vitorioso, é tudo tão intensamente maravilhoso.
Nunca perder a fé, o optimismo, a capacidade de acreditar. É o meu segredo. Eu já fiz três tratamentos. Três derrotas. Três momentos tremendamente difíceis, porque sou tão optimista que acredito sempre e depois...a queda é bem maior. Mas não deixo de acreditar nunca. E sem receios de o partilhar com quem quer que seja.
Se alguém desse lado quiser falar comigo sobre o assunto, o meu e-mail é paudecanelaementa@gmail.com. Mas não esperem palmadinhas nas costas. Eu sou mais de ir à luta de sorriso. Todos os dias da minha vida e, acreditem, alguns são bem difíceis. Mas eu sou mais forte do que qualquer dificuldade.

37 comentários:

  1. Oh Bêzinha é isto mesmo! Foi exactamente o que eu passei... em doses se calhar menos elevadas mas andei nesses mesmos corredores e angústias. Não há que ter vergonha de NADA! E falo disso sem vergonha nenhuma, aliás que porra é essa vergonha?? lol
    E vai correr bem, Claro que vai! Beijoca grande

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    1. Tu és cá das minhas! E felizmente tens um final feliz para partilhar, o que ajuda tanto a quem anda nisto há anos, a acreditar!

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  2. Bom poder falar da infertilidade é desconfortável, ninguém quer falar e ninguém quer ouvir porque não se sabe o que dizer, se calhar porque não há nada a dizer mesmo. Eu também já fui assim, eu também tive que me sujeitar a fazer uma FIV se queria ter um bebé, felizmente fui uma sortuda e consegui engravidar. E nunca fui tão feliz. Nunca contei nada a ninguém próximo, também me escondia nos grupos da internet, ainda nem havia facebook nem se falava disto na TV como agora. Foi duro e fiquei com marcas mas quero acreditar que cresci com isto, que me tornei mais forte e tento sempre lembrar-me das amigas que fiz. Doi, doi muito e ninguém percebe, só quem passa por isto. A infertilidade ainda é vista como um capricho porque vivemos numa sociedade pequenina de gente que vive de aparências e todos olham de lado sim. Desejo-te a maior sorte no caminho. Deixo 2 beijinhos, um por cada uma das minhas filhas.

    Maggie

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    1. Que bom saber do teu caso com um final tão feliz! E sim, como dizes e bem, nem todos querem ouvir falar. Acho que custa também a quem questiona, quando somos sinceros, porque as pessoas nem sempre estão preparadas para a realidade e, não a vivendo, fica mais difícil saber o que dizer.

      Beijinhos para ti e para as tuas meninas

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  3. Não podia deixar de aplaudir a coragem, a honestidade e o relato tão verdadeiro que se lê neste texto.

    Beijinho!

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  4. Fico muito orgulhosa de ti por agarrares o touro pelos cornos. Mais dia, menos dia, vais concretizar a tua vontade de ser mãe - de uma forma ou de outra.

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  5. Olá Bê

    sendo este blog teu estás no direito de falar sobre o que bem te apetecer!!!
    Eu sou mais uma que sofre de infertilidade e de endometriose, e já nos cruzamos "virtualmente" algumas vezes.

    Continua com essa garra e alegria de viver tão tua.
    Beijo grande.

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    1. Grata querida Carla. É uma luta à qual não nos podemos entregar! <3

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  6. Concordo que é mesmo preciso falar abertamente sobre o assunto e arejar o assunto.

    Tive uma gravidez ectópica dramática porque só foi detectada quando a trompa rompeu e estava a morrer com a hemorragia interna. No seguimento disso , nao conseguia engravidar.
    Avançamos para exames e o meu marido foi fazer o espermograma por rotina (tudo indicava que seria eu com sequelas ).
    Afinal, o problema sério e real era dele. A gravidez ectópica até teria sido um milagre improvável dada a condição dele.
    Achei piada à forma como o médico anunciou o assunto:"mas nao se preocupe que isso nada tem a ver com a sua virilidade, ha muitos jogadores de futebol com o mesmo problema"...WTF?!?
    Para mim, para nós era uma situação médica a resolver como uma asma, uma tensão alta...descobre-se o problema e resolve-se o problema...lida-se com o problema e prontos...Ninguém anda a anunciar ao mundo que tem asma, mas tb não precisa de se esconder e sentir culpa por uma dificil condição médica.

    Resumindo, neste moemnto saiu-nos a lotaria perfeita:temos os dois problemas e daí? Faz -se o que se pode para resolver e ir seguindo adiante. É duro, mas a vida em geral tb não são só rosas. Um dia de cada vez...

    Beijinhos e coragem!

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    1. Após um primeiro tratamento negativo, uma médica sentou-se comigo e com o P. e disse-me no alto da sua arrogância: "o seu corpo portou-se miseravelmente no tratamento. Foi miserável". Fiquei tão chocada que acho que posso dizer que foi a primeira vez que me deixaram sem reacção. Tendo eu problemas de saúde graves e infertilidade, não se poderia esperar nunca que me corresse exemplarmente, mas pior ainda quando um médico nos fala como se fosse culpa nossa. Tomara eu, isso significaria que poderia mudar alguma coisa. Isto para dizer que me choca a frieza com que alguns médicos nos tratam nesta área. Felizmente são só alguns, porque tenho apanhado outros fantásticos.

      Beijinho grande para ti e força nesta batalha que eu tão bem conheço.

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  7. Querida, não é vergonha nenhuma falar sobre este assunto, para mim nunca foi, quando perguntavam, porque as pessoas perguntam, eu respondia, é quando Deus quiser, sem querer dizia logo tudo, nunca tive dificuldades em falar no assunto, nunca me incomodou várias pessoas terem à filhos minha volta, nós sempre levamos as coisas sem dramas, no teu caso é mais complicado pelas várias operações que já passaste, o meu caso é mais pacifico. Sempre pensei, só tenho o que tiver direito, se não acontecer serei feliz na mesma.
    Passei por um tratamento ICSI, que foi um falanço, tinhamos dito a nós mesmo, que fariamos só uma tentativa, porque na minha cabeça, quando soube das dificuldades, decidimos logo pela adopção. Tentamos uma vez, da minha parte não tenho problemas é mais do marido, não quis sujeitar-nos mais a uma situação destas, são opções. Já passaram 8 anos, entretanto inscrevemo-nos na adopção, como era por nós desejado, estivemos 4 anos à espera e veio para nós um menino com 5 anos que amo como se fosse meu filho, é igual. Entretanto antes do nosso M, tivemos um canito, 2 anos depois uma canita, e o nosso M veio 2 meses depois, já fizemos criação e temos mais um filhote canino, como vês casa cheia, 1 filhote e 3 canitos. Por isso já és feliz, mas ainda vais ser mais feliz, porque esse final ainda não aconteceu. Beijinhos grandes

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    1. Nós também levamos as coisas sem dramas. acho mesmo que foi isso que me levou a afastar-me dos fóruns e dos grupos, porque os testemunhos do género "não acreditam no que acabou de me acontecer, a minha melhor amiga está grávida" ou "a minha colega engravidou, nem acredito que tenho que levar com isto" não são coisas que eu tenha facilidade em compreender. Sei que as pessoas sofrem de forma diferente e lidam com as coisas de forma diferente, mas eu cá...caramba tenho este problema, o mais que posso querer é que ninguém à minha volta o tenha e assim ter uma vida repleta das crianças dos outros que são também um pouco minhas. Mal posso esperar que as minhas irmãs tenham filhos, que o meu irmão tenha outro filho, que as minhas amigas tenham ainda mais filhos.

      Obrigada pelo testemunho e pelas palavras - quando à adopção...acho que já escrevi por aqui sobre o facto de sempre ter querido adoptar ;-)

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    2. Se fores pela adopção, o caminho também não é fácil, podes apanhar uma equipa 5 estrelas ou não, no nosso caso, após os 4 anos, tive de me chatear à séria com elas, porque nós não estavamos a pedir nada demais. Dois meses após essa "nossa conversa" fomos informados que tinhamos um menino para nós. Tem de haver um equilibrio, não podemos estar sempre a chatear, mas também não podemos fazer de esquecidos.
      Em relação ao M, também não te vou dar um cenário maravilhoso, não é, são crianças que já passaram por muito, têm uma escola que mais nenhuma outra criança tem, é um desafio diário, mas são crianças tão meigas, tão meigas, que todas as batalhas vão sendo ultrapassadas, e como costumo dizer, não o queria de outra maneira, gosto do jeito reguila dele, sempre resposta pronta, daquele sorriso de orelha a orelha, apesar de às vezes (muitas vezes, todos os dias, eheheh) nos tirar a paciência toda.
      Se pensares nisso, prepara-te para outro tipo de dificuldades (tempo e paciência, aturar tanta burocracia), mas a recompensa é enorme.

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  8. Olá Be,
    Este assunto para mim não é tabu, sei bem na pele o que isso é. Mas eu cansei de ir ao Hospital de 3 em 3 meses fazer analises porque o raio da hormona estava descontrolada, cansei de ir ao meu médico e ele dizer está no ponto vão para casa e toda a noite a trabalhar, cansei de ser a unica na minha empresa que não consegui engravidar, cansei de fazer tratamentos para emagrecer porque era essa a causa, estar gorda, simplesmente cansei.... e partimos para a adoção!
    O Francisco foi o melhor que me aconteceu, já lá vão 13 anos.... O Francisco é MEU FILHO, muito amado, muito desejado....nem me lembra que nunca andou na minha barriga. O Francisco tem 16 anos sabe que foi adotado e não tem (para já) problemas com isso tem uma "cabeça" muito boa. Amo-o desmeduramente, não me imagino sem ele.
    Força e coragem para essa fase menos boa!
    Bjs
    Dulce Barbosa

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    1. Estou perto dessa fase...do cansaço de que falas. Mas o teu testemunho é maravilhoso porque descreves exactamente aquilo que eu imagino em relação à adopção: um filho que não é biológico, mas é de coração e no fim, isso não faz diferença alguma. Tão grata pela tua partilha - e o teu filho tem um nome que adoro <3

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  9. Olá Bê!
    eu também fiz dois tratamentos. do primeiro não surgiu nada. do segundo surgiram gemeos, e passados dois anos, sem qualquer tratamento, surgiu o terceiro:) confesso-te que sempre achei que não ia conseguir ter filhos, mas nunca vi isso como um drama. escrevo e digo muitas vezes que, se é verdade incontornável que hoje, depois de ter os meus filhos, não me imagino sem eles, é também verdade absoluta que acredito que seria igualmente feliz, plena e realizada se não os tivesse tido. Eu sou mae. Mas sou tão mais que mae! nunca seria isso a definir-me, (muito embora hoje me defina quase por completo:)) e nunca deixaria que isso me reduzisse. Que bom que és feliz! o resto, pouco importa. são apenas condicionantes que podem mudar a tua vida mas não torá-la, de facto, mais feliz. beijinhos!

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    1. Que relato maravilhoso! E sim, é mesmo isso, mesmo podendo nunca vir a ser mãe biológica, sei que a minha felicidade não depende disso.

      Mil beijos para ti e para os teus filhos!

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  10. Olá Bê, eu consegui engravidar ao fim de anos a tentar, nunca pensamos e fazer testes nem nada, fomos deixando andar, há uma altura do ano em que o meu trabalho é mais intenso, a vindima, e foi nessa fase que engravidei, nunca fomos "estudados", salvo seja.
    Mas tenho uma amiga que andou em tratamentos, fez 3, depois de muito tempo e dinheiro gasto, mudou de médico, que lhe disse que não havia problemas de infertilidade, havia alí uns meninos preguiçosos, lentos e em pouca quantidade, certo é que um ano depois ela conseguiu engravidar, ela sofre há mais ou menos 11 anos de artrite reumatoide e com alguns tratamentos evasivos pelo meio outros nem tanto, sei que por culpa disso ela teve uma gravidez fácil, se esquecermos a medicação que tomou(durante) e o acompanhamento a que estava sujeita. Conhecendo o caso dela, e não querendo meter tudo e todos no mesmo saco, acho que há um certo aproveitamento por parte dos especialistas e das clinicas para as quais trabalham. Cada caso é um caso, é certo.

    Espero que continuem felizes, e que tenham muitos filhos adotados ou biológicos. o Mais importante é ser filho de coração, como disseste atrás.

    beijinho

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    1. Perfeitamente de acordo com a questão do aproveitamento. No meu caso fiz dois tratamentos no público, onde o risco é sermos todos tratados da mesma forma e com os mesmos tratamentos, ainda que as situações sejam diferentes. Fiz ainda um tratamento no privado, naaquela que é considerada a melhor ou uma das melhores do país e, embora tenha sido negativo, não posso imputar as responsabilidades ao médico que é excelente. Não era para ser desta!

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  11. Um beijinho e muita força para continuares a tua luta que vai com certeza ter um final feliz =).

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  12. Querida e valente Bê, já partilhamos a nossa história e trocamos opiniões uma série de vezes. Vejo em ti a força e o acreditar que, muitas vezes, faz a diferença. Sei que vais ser mãe. Tal como li algures (infelizmente perdi a fonte) também os filhos biológicos têm de ser adoptados, têm de nos pertencer de uma forma muito para além dos laços de sangue, por isso repito, sim, tu vais ser mãe.

    E eu vou chorar de alegria, atrás do ecrã, quando receber a notícia.
    Beijo muito grande

    *quanto aos foruns e grupos de apoio, nunca me identifiquei muito com a maioria das mentalidades e discursos por isso optei pela conversa dentro do meu grupo de amigos e, tal como tu disseste, foi impressionante a descoberta da quantidade de pessoas que passou por um problema semelhante, com maior ou menos intensidade.

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    1. Querida Art, um beijo do tamanho do mundo para ti e obrigada por estares desse lado e por me "ouvires"!

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  13. Pois, eu não passei por nenhuma situação idêntica, mas passei por duas perdas. Antes de engravidar a primeira vez, achava que era simples, o casal decidia, fazia e 9 meses voilá... Não conhecia outra realizadade, ninguem fala dos insucesso, sejam eles quais for. Decidimos começar os treinos, engravidei, fiz a eco das 8 semanas, tudo ok, eco das 12 semanas e vi pela voz da médica que... perguntei o que se passava e ela disse-me que a gravidez não era viável. Ela começou a eco a dizer, aqui os braçinhos, aqui as perninhas, boa vitalidade, bons batimentos e fez uma pausa e disse "Marta temos aqui uma situação". Era um menino (soube depois) com anencefalia, que palavrão, que era aquilo... e continua dizendo que era uma indicação para interromper pois era um má formação incompativel com a vida, ficámos sem chão. Foi nesta altura que começeu a ler mais sobre gravidez e foi nesta altura que percebi que as coisas podiam não ser tão fáceis. Foi também nesta altura que soube de casos de abortos espontaneos, perdas gestacionais tardias e todos um universo de quem ninguem fala. Engravidei a segunda vez e tenho o meu T. Quisemos ir ao segundo e ao mentalizei-me que desta vez ia correr bem, afinal o raio não cai sempre no mesmo sitio. E não cai, o mesmo raio. Para resumir, eco das 8 semanas tudo ok. Às 10 semanas tinha um leve corrimenrto rosa nas cuecas, achei que não era nada, era tão discreto... Mas lá fui à urgência, sem batimentos cardiacos. Mais uma perda, diferente, mas mais uma. E ouvi o discurso que já me era tão familia, que estima-se que cerca de 20% das gravidez não são viáveis, que é a seleção natural. Mas onde andam esses 20% de mulheres pensava eu??? Escondidas? Como era aborto retido, tive que fazer ser internada. Passaram os 3 meses que aconselham e voltamos a tentar (quando se quer não se desiste, enfrentam-se e ultrapassam-se as situações, pensámos nós). Engravidei, fiz a eco para datar a gravidez e tudo ok. Tinhamos férias marcadas e iamos de viagem. Ia levar o T a escola e ia médica mostrar eco, quando senti qq coisa, fui ao wc e tinha sangue, não discreto, como da outra vez. Desta vez parecia o oceano e ao andar parecia que estava a fazer xixi... Pensei já está, acabou! Fui às urgências e ele lá continuava o meu bebé e hoje cá está saudável e feliz.
    Há percursos mais dificeis, que nos fazem ser mais lutadoras, que nos fazem enfrentar as adversidades de frente, que nos tornam mais unidos e que dão outro sabor às conquistas. E há muitos por aí mas as pessoas não falam, infelizmente. Eu também não ando a contar a minha história a torto e a direito mas conto para que saibam que não são as unicas e que podem falar comigo que eu compreendo.
    Por isso força e como todas dizem nos comentários vais conseguir, mas isso tu sabes! Beijinhos

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    1. Ao entrar neste mundo da fertilidade fui também conhecendo imensas mães que perdem os seus bebés. Parace que essa assustadora percentagem é ainda maior para quem engravida por técnicas assistidas. E, não tendo passado por isso a essa escala, imagino a dor, o medo, a angústia. Daí o seres tão corajosa, tão guerreira e tão humana por partilhares este teu relato connosco. O teu percurso foi difícil, mas valeu a pena. :-)
      Beijinho grande para ti, de coração.

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  14. Olá Bê,

    Obrigada pelo testemunho e pela tua coragem!

    Já não vinha há algum tempo ao teu blog e hoje resolvi “aparecer”, e qual não foi o meu espanto quando li a tua mensagem sobre Infertilidade. Fiquei com um sorriso na boca e os olhos húmidos. A tua mensagem veio mesmo a calhar. Isto porque eu também sofro com infertilidade. Já passei por uma ICSI, uma IIU e terminei agora uma nova ICSI que falhou. Soube ontem o resultado!
    Também eu já estou cansada de “omitir” porque é que não tenho filhos. Durante bastante tempo, por vergonha, omitia mas neste momento já não me apetece omitir. Só me apetece dizer a verdade, sem ter vergonha de dizer que somos um casal infértil. Ainda não me sinto preparada para adoptar, nem sei se vamos ponderar essa situação. Sei que pareço egoísta mas é assim que me sinto. Pode ser que com o tempo, mude o meu pensamento. Só tenho de te agradecer as tuas palavras porque depois de as ler, fiquei mais leve e mais animada para andar para a frente!

    As tuas palavras tocaram o meu “coração”!

    Desejo do fundo do coração que consigas ser mãe!

    Bjs,
    Sofia

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    1. Em primeiro lugar um abraço do tamanho do mundo para ti. Porque sei exactamente o que estás a passar e a sentir. E percebo o que sentes em relação à adopção - eu quero adoptar, mas porque sempre quis, mesmo antes de saber que iria ter dificuldades em engravidar. Acho que é algo sobre o qual não podemos ter dúvidas, temos que ter todas as certezas.
      De resto, espero que não percas a fé e a coragem que é tão precisa quando passamos por estes momentos. Sempre sabendo que a nossa felicidade não tem que depender disto. Depende só de nós.
      Um beijinho muito muito grande e cheio de carinho.

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  15. Sempre que posso, passo cá no teu cantinho porque gosto de te ler*.
    No fundo, no fundo, estou sempre na esperança de cá vir um dia e ser esse o dia em que recebo a maravilhosa notícia que mais tarde ou mais cedo sei que terás para nos dar! :D
    E sei que nesse dia vou chorar de felicidade!!! Por ti, por mim, por todos os casais como nós, e ainda pela felicidade que sei que encontrarás em ser mãe, seja de que forma for...
    Saber que mais tarde ou mais cedo seria mãe, a mim pessoalmente ajudou-me muito. A forma como encaramos as coisas, amenizam a dor dos contratempos e dos tratamentos falhados. Se é sempre fácil mantermo-nos otimistas? Não, nem sempre, mas acreditar e aproveitar todo o resto de coisas fantásticas que a vida tem para nos dar, é o caminho certo!
    Beijinhos grandes

    *Aliás este post é um dos melhores relatos da realidade de um casal infertil...

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    1. Sara, o teu comentário tocou-me tanto. Obrigada, de coração. Mil beijos para ti

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  16. Hoje ler-te trouxe-me as lágrimas aos olhos... Porque tu sabes. E sentes.

    Mil beijos.

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    1. Um beijo do tamanho do mundo para ti querida Maria <3

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  17. Tenho uma Amiga,que que passou por tudo isto....Nunca escondeu Lutaram pelo seu sonho!Sofreram,só eles sabem.
    Passados treze longos anos Nasceu a Joana e,passados mais quatro anos nasceu o Manuel.
    Acredito que vai conseguir! Desejo que consiga como desejo que a minha amiga continue a ser muito Feliz com a sua bonita Família.
    Um grande xi-coração.
    Maria

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  18. Olá!
    Descobri hj este blog e parei neste post. Acho que somos parecidas no aspecto transparência. Casei e avisei ao mundo que voltaríamos " grávidos" da lua-de-mel. Nada! Passados alguns meses o diagnóstico da infertilidade. Assumimos perante todos que tínhamos dificuldades e que começaríamos os tratamentos. O que mais me chocava era a pergunta tantas vezes feita: -" de quem é o problema?". A minha resposta era sempre a mesma: -"do casal! "
    Resumindo: 4,5 anos e 3 microinjecoes após, com resultados negativos e a sentença de que após 5 falhas teríamos que recorrer a uma dadora de ovocitos, engravidei! Da maneira mais natural e " antiquada" possível! :)
    Minha gravidez foi de risco: 2 dias após saber da gravidez, iniciei sangramentos. Muitos problemas se seguiram. Toda a gravidez de cama... Muitas lágrimas e medos. Luísa nasceu às 37 semanas com 3560g. Linda e perfeita. Minha guerreira!
    Já perdi a conta de mulheres que vieram ter comigo porque souberam do que passei e queriam apoio...

    A adoção foi outra luta que eu perdi. Fui acusada pelas assistentes sociais de egoísmo, porque já era mae e ia tirar a oportunidade de outro casal ter um filho. Desisti.

    Espero que a minha história ajude alguém a ter força! Beijinhos a todos que passam por esta dor.

    Sónia
    www.minhacasinhaeassim.blogspot.pt

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    1. Tão grata pela tua partilha no meu cantinho. E tão feliz que fico sempre que sei de "finais felizes". Sei que a luta pela adopção é dura, longa e ingrata. E sei que se entretanto engravidar, fico para trás. Mas vamos em frente com toda a vontade e com toda a fé.
      Desejo-te toda a felicidade do mundo - um beijo muito muito grande <3

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  19. Um beijinho grande de alguém que se reviu muito nas tuas palavras

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Aceitam-se elogios, críticas, gargalhadas, lágrimas, sorrisos e afins