30 de julho de 2014

Livros e mais livros

Ler o Ensaio sobre a Cegueira aos 35 anos de idade é uma vergonha para quem, como eu lê tanto, bem sei. Ainda para mais porque sendo o Saramago um escritor que se ama ou se odeia e não lhe tendo eu nenhum ódio, pelo contrário, não se entende porque só há meia dúzia de meses veio o livro parar cá a casa. Li-o em três dias com aquela vontade receosa de chegar ao fim. Temia um final trágico, para uma história que nos consome lenta mas duramente as ânsias e me deixou a pensar várias vezes "e se". Debatia as possibilidades, a desumanização, o trágico que seria se tal coisa acontecesse, com o P. que, não lendo o livro, não conhecendo as palavras de Saramago, não conseguiu sentir o que eu senti ao vivê-lo. Porque quando leio, vivo o livro. Vejo-o a passar nos olhos da imaginação como se de um filme se tratasse e, quando me marca assim, fica para sempre preso nas teias da memória. Foi sem dúvida o livro que mais me marcou este ano e ficará para sempre na prateleira dos livros da minha vida. Ao lado do meu Gabriel Garcia Marquez.
 
 
E depois de se ler uma história assim, fica o vazio. Um vazio difícil de preencher e olho para o que tenho cá em casa (ainda tenho ali a Caverna, mas não gosto de ler o mesmo autor duas vezes de seguida) e ainda são tantos os livros por ler, felizmente, mas não sei bem por onde (re)começar. Estou particularmente indecisa entre estes dois aqui e a roer-me toda para não ir à livraria mais próxima comprar qualquer coisa de novo. Adoro o Sepúlveda. Acompanho-o há anos e anos. Do Agualusa ainda não li nada, mas tenho este seu Milagrário pessoal cá em casa há já tempo suficiente para ser hora de lhe pegar. Até ao final da manhã decido-me. Se alguém quiser ajudar a escolher, agradeço! 


9 comentários:

  1. Um dos melhores livros que li até hoje, acho que toda a gente devia ler.

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    1. Concordo! Fiquei agarrada da primeira à última página.

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  2. Esse foi o livro que mais me marcou pelos sentimentos que gerou em mim, pela inquitude que me provocou.

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    1. Foi essa inquietude que me fascinou no livro, aquela permanente sensação de me imaginar numa situação igual...

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  3. Quero muito ler o Ensaio Sobre a Cegueira!

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    1. Aconselho Jo. É muito bom, por tudo o que um livro pode ter de bom e ainda pela forma como nos faz pensar.

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  4. Também o li o mês passado. Nunca estamos demasiado adultas para devorar um bom livro, nem nunca é tarde :)!

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  5. Olá. Sou das que adora ler. Já leu centenas de livros sem exageros. Agora está mais difícil porque tenho um nenuco de nove meses, mas mal seja possível lá volto ao meu grande vício. Adoro Saramago desde os meus dezasseis anos. O meu escritor preferido. Muito antes do Nobel. Ao contrário de ti, quando leio um escritor que gosto, quero ler tudo dele. Saramago é a excepção porque entretanto apercebi me que ele já tinha uma idade e poderia partir e acabava se os livros. Assim, ando a poupar. Ainda me faltam ler uma mão cheia deles. Até os diários dele li e recomendo porque ficamos a conhecer o homem por trás do escritor. E sim, um livro para mim é como um filme. Passado algum tempo já não sei se li ou vi o filme. Beijinhos

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