25 de julho de 2014

Mal Nascer

Quando o conheci era um jovem entre tantos outros com que eu me sentava a conversar, a passear e a jogar como tantos outros da aldeia da minha avó. Na altura, chamávamos-lhe Gazela (ainda hoje não sei porquê, ou se soube, perdi a memória nos anos que entretanto passaram) e era já um senhor nas palavras. Inteligente, calmo, perspicaz, atento e um doce de pessoa. Cinco anos mais velho do que eu, naquela idade em que cinco anos fazem a diferença entre quem se acha já senhor adulto e quem se sente ainda uma menina entrada na adolescência e sem grande conhecimento do mundo além Alentejo e Lisboa, tratou-me sempre como se tivesse a mesma idade, a mesma experiência, a mesma capacidade para as palavras. Era encantador de ouvir. De entre todas as pessoas da aldeia que fizeram questão de me abraçar e beijar naquele penoso momento dormente após a missa pela morte da minha querida avó, o Gazela é dos poucos que me lembro, porque não me disse lugares comuns ou palavras feitas, porque disse mais do que palavras. E isso não se esquece, o que vem da sinceridade da alma. E assim é ele. Já não o vejo há anos, mas por vezes conversamos no facebook e os anos e a experiência não mudaram a sua essência.
Nascido numa pequena aldeia, a aldeia do meu coração, é hoje escritor. E é cheia de ânsias e certa de que vou adorar a sua escrita, que vou ler este seu Mal Nascer. Que feliz que fico, Gazela, por este teu sucesso como escritor. E que venha muito mais.
 
 
 
 
 

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