31 de julho de 2014

Porque quem gosta realmente de ler...

Há aquelas pessoas que nunca têm tempo. Pessoas a quem a vida parece uma correria demasiado rápida e que acabam por nunca desfrutar verdadeiramente de nenhum momento porque estão já preocupadamente concentradas no seguinte. Vivem stressadas, afogueadas, numa roda viva sem fim. E depois há as pessoas que inventam tempo. Que conseguem fazer mil e uma coisas e ainda arranjam tempo para mais uma. Pessoas com uma vida cheia: cheia de filhos, cheia de trabalho, marido, cão e por vezes com estudo pelo meio, que ainda se conseguem dedicar a tanta tanta coisa e para quem o tempo, ou a falta dele, nunca é desculpa. E estas fazem-me crer que as primeiras, as que nunca têm tempo, têm é uma dificuldade imensa em gerir as suas vidas ou então preferem viver assim, sem tempo, mas usam-no como desculpa a toda a hora.
Esta falta de tempo é, na maior parte das vezes, a grande justificação para o facto de não lerem. Já perdi a conta às pessoas que mo disseram, quando falo em livros. "Adoro ler, mas não leio um livro há anos, não tenho tempo". E a mim parece-me responder: "balelas. Se gostas mesmo de ler, o tempo inventa-se". Vejo tanta gente a inventá-lo, não é algo exclusivo só de uns, mas de todos os que realmente gostando de ler, conseguem arranjar tempo para o fazer. Não tenho filhos, bem sei e neste momento da minha vida tenho mais tempo do que o habitual, mas eu já tive empregos complicados. Daqueles das nove da manhã às nove da noite e de ter que chegar a casa, perto das dez e ter que ser eu a fazer o jantar, porque o P. ainda estava para chegar dos seus treinos. Trabalhos que obrigavam a estadias fora de casa, noites mal dormidas em quartos de hotel solitários, perdida por aí em viagens de carro de madrugada. Trabalhos onde o chegar a casa não era sinónimo de estar em casa, senão de corpo físico. Porque me sentava ao computador e continuava a trabalhar pela noite dentro, mal dormindo, mal comendo, mal vivendo. E arranjava tempo para ler. E depois há todas aquelas mulheres fantásticas, com mais do que um filho pequeno, trabalhos exigentes e que estão sempre a falar dos livros que lêem. Por isso, acredito, o tempo inventa-se quando se quer realmente ler. Em vez de se ver televisão, por exemplo. Quando se anda de transportes públicos, ou antes de dormir (um clássico para mim, já que até me ajuda a dormir melhor, um tormento para o P. que há onze anos reclama da luz acessa) e há até quem aproveite para ler no wc. E se largarmos mais os computadores, os tablet's, os telemóveis com acesso à internet sempre a piscar com notificações disto e daquilo...resta-nos tempo para ler. Para os que realmente gostam. Porque o tempo...o tempo inventa-se.

13 comentários:

  1. Quando se quer ler, tem de se roubar tempo a outras coisas. TV, computador... mas vale sempre a pena!

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    1. Facilmente abdico da televisão (ainda para mais que agora tudo se grava) para ler um livro. O difícil é arrancar-me do livro para ver televisão!

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  2. o tempo está nas prioridades. uma pessoa perde tempo em tanta coisa. cozinhar, trabalhar, etc... ler também dá!

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    1. Ora nem mais. E quando se gosta mesmo mesmo, o tempo arranja-se!

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  3. Quem diz para ler diz para seja o que for. É tudo uma questão de prioridades. Também há N pessoas que usam o tempo como desculpa para não fazer desporto.
    Quando se quer de verdade, seja o que for, arranja-se tempo.

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    1. Sim, dei os livros como exemplo. O desporto é outro exemplo característico. A par da falta de dinheiro, outra desculpa que não engulo, porque hoje em dia correr ou caminhar é do que mais se faz e eu, por exemplo, tenho step e pesos em casa, assim como colchão para abdominais e outros exercícios.

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  4. Para mal da minha carteira e da minha estante que grita por uma dieta, para mim ler é mesmo uma necessidade, quase um vício... Mesmo nos dias mais ocupados, gosto daqueles minutinhos no final do dia, já na cama e de chávena de chá ao lado, em que agarro um livro e simplesmente entro na história.

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    1. É isso, uma necessidade, um vício. Agora descobri os livros de bolso, com preços fantásticos (ainda hoje comprei um Murakami por 7,5€) e de vez em quando, apesar de preferir os outros, compro um, para fazer o gostinho ao vício.

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  5. Dou mais uma dica: ler enquanto se lava os dentes!

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