18 de fevereiro de 2015

Sobre o filme mais falado do momento

Não vi nem tenho qualquer vontade de o fazer, mas também não li os livros, já que um excerto que li algures não me aguçou o apetite. E se eu sou moça que adora ler, mas tenho os meus gostos e percebi que não havia ali nada do meu género. Mas compreendo que muita gente tenha gostado e que quem adorou tenha imensa vontade de ver o filme - ainda assim, toda a gente sabe que os filmes ficam sempre aquém dos livros e só servem para nos sentirmos enganados com a escolha dos actores e com a adaptação do argumento que normalmente corta partes que a nós nos parecem obrigatórias e essenciais. Adiante, o que me espanta mesmo não é toda esta loucura em torno do filme, à semelhança do que aconteceu com o livro. O que me espanta mesmo mesmo é a forma como tenho visto as pessoas a digladiarem-se verbalmente entre os que leram e gostaram, os que tentaram ler e não gostaram e os que nem deram hipótese. Muitas asneiras, críticas abusivas, achincalhamento e quase ameaças pairam por aí, neste mundo aberto que é a Internet. Mulheres que chamam nomes às que falam mal do filme e do livro e mulheres que chamam frustradas às que gostaram quer do livro, quer do filme. Alguns homens pelo meio, é certo, mas esta guerra vem sobretudo por parte das mulheres. Parece aquela guerra tonta entre as mulheres que têm bimbys e as que não têm, as que amamentam e as que não amamentam e por aí diante. E eu pergunto-me - a sério? Estas pessoas fazem-me pensar que as claques clubísticas são verdadeiros meninos de coro quando comparados. Afinal somos todos Charlie, mas depois parece que não há espaço para opiniões contrárias e tem que se partir logo para o insulto baixo e fácil. Eu cá até sou uma pessoa de convicções fortes: não como carne, não consumo leite de origem animal, aposto em produtos eco friendly e que não testam em animais, não fumo, sou do Benfica, tenho as minhas crenças, acredito em Deus e não tento impingir nada do que sou a ninguém. Não sou fundamentaslista, nem dona da verdade, apenas daquela que é a minha verdade. Por isso espanta-me que as pessoas tenham tanta dificuldade em lidar com opiniões contrárias.
E pronto, tinha umas fotos aqui preparadas de comentários que li no semanário sol a uma crónica da Inês Pedrosa sobre o fenómeno, mas por alguma razão, não consigo adicionar. Podem sempre ler no facebook - os comentários à mesma só me dão vontade de chorar tal é a vergonha alheia que sinto.

17 de fevereiro de 2015

Sozinha

Noites destas em que o marido dorme fora, são noites de grandes e complicadas dúvidas: estou hiper dividida entre comer uma grande pratada de massa ou uma grande pratada de cereais, com canela e frutos secos e todas os ingredientes doces possíveis por cima. É que se há coisa que não me apetece nunquinha é fazer o jantar quando ele não está, da mesma forma que só me apetece comer as coisas menos saudáveis e mais engordativas - como por exemplo as duas enormes fatias de pão alentejano que lanchei há minutos, em horas impróprias e que, em boa verdade, me souberam a pouco. Já ao almoço a coisa é diferente, cozinho todos os dias para mim, com requinte e vontade. Vá-se lá entender.

13 de fevereiro de 2015

E o que andas a ler Maria Bê?

Ora já que não tenho nada de extraordinário para partilhar por aqui e antes que o blog se me apague da blogosfera por falta de uso, vou contar-vos que estou num muito pequeno grupo simplesmente delicioso (no qual estão também algumas meninas da blogsfera) e que juntas estamos metidas num desafio literário para 2015, daqueles mesmo ao meu gosto. 
Adiante, por sugestão desta menina aqui comprei o primeiro livro da trilogia do Eric Axl Sund (que é na verdade uma dupla) A rapariga corvo, com a promessa de que iria sentir-me novamente apaixonada por um escritor nórdico - como aquele amor que eu nutri pelo Stieg Larsson que se me morreu depois de escrever apenas 3 livros que eu devorei em menos de nada. Fiquei orfã de autores do género.
Mas confesso que fui a medo que isto quando as expectativas são elevadas, mais facilmente se cai em desilusão. Ainda só li o primeiro da trilogia (tenho ali o segundo à espera que entretanto acabe um livro histórico, mais pesado e mais lento de se ler) e posso dizer apenas isto: v-i-c-i-a-n-t-e. Para quem gosta de histórias imprevisíveis, com muito de psicose, psicologia e suspense, é perfeito. Não vou comparar ao Stieg, são escritas diferentes e cada um tem as suas especificidades que me encantam, mas recomendo para quem aprecia o género. Diz-me a Lénia que aquilo que eu acho que é o segredo do livro está bem longe de o ser - ou seja, quando achamos que somos brilhantes e que descobrimos a trama toda, podemos estar bem longe da verdade e eu adoro livros assim: inesperados, inteligentes, que nos trocam as voltas, que nos fazem desejar que as noites tenham mais horas e que o dia acabe depressa para nos podermos dedicar às leituras e que nos agarram da primeira à última página.

Para ler mais sobre o livro aqui.