31 de maio de 2016

Na luta com a balança

Pois é, depois de há uns dois anos ter perdido 10 kg com moderação, mantendo uma alimentação saudável e apetitosa, esta semana confrontei-me com a balança, apenas para ela me debitar o que eu já sabia: +3 kg do que há uns meses atrás. Tinha perfeita consciência disso. Desde que comecei neste trabalho mais recente, onde passo mais tempo sentada, onde muito do trabalho é feito no pc e em reuniões longas, muito longas, tenho-me tornado menos cuidadosa, o que equivale a dizer, mais gulosa. Não ajuda haver um bar no edifício onde o pão é maravilhoso, onde os bolos são óptimos e onde há chocolates, dos bons. As idas ao parque também foram ficando para trás, ora porque chovia, ora porque chegava tarde, ou estava cansada e mimimi que isto das desculpas já se sabe que sou exímia. Mas aqueles 3 kg a mais deixaram-me chateada comigo mesma. Por isso, desde ontem que entrei em regime, o que eu chamo de cuidados alimentares, que não posso chamar dieta a uma coisa muito minha. Já cortei nos hidratos à noite, já cortei no pão (e bolos, claro!) e ando cheia de fruta e iogurtes atrás, para me ir saciando quando se me dão aquelas vontades loucas de me agarrar a um chocolate ou a um palmier simples, ou um donuts, ou uma bola de berlim, que na verdade não sou assim tão esquisita, apenas não sou fã dos bolos com chantilly. 

Um dos meus truques, quando me dá uma daquelas vontades tresloucadas de comer doce, é um pudim super fácil, saudável e rápido de fazer e que leva um dos ingredientes que mais adoro para me sentir saciada: aveia. 




A receita é mesmo muito simples: 
  • uma banana;
  • um ovo;
  • canela a gosto (eu adoro e ponho bastante, sendo a canela um excelente acelerador do metabolismo e por isso um aliado nestas coisas de perder peso);
  • três colheres de sopa de flocos de aveia. 
É só misturar tudo muito bem, tendo o cuidado de esmagar bem a banana e garantir que o ovo envolve bem os ingredientes. Vai ao microondas num copo durante dois minutos e depois é só desenformar e pode-se acrescentar mais fruta, doce (no meu caso evito, mas também fica muito bom), mel, frutos secos, enfim, o que entenderem. 
Ontem, depois da corrida, fiz para o P., esquisito nestas coisas dos alimentos saudáveis da moda, e ele gostou. Vamos por isso, durante a semana, substituir os nossos lanches de torradas e galões, por pudins saudáveis e iogurte. É um dos nosso momentos durante a semana, o lanche. De manhã não há tempo para o fazermos, ele nunca gosta de comer quando acorda, eu só consigo beber um copo de leite (de arroz ou aveia) e estou pronta para mais tarde me dedicar a um iogurte, fruta, chá, o que for. Por isso e como chegamos a casa sensivelmente à mesma hora, fazemos questão de nos sentarmos juntos, a lanchar e por a conversa em dia. Por vezes um de nós ou mesmo ambos, tem que se entregar ao trabalho depois, mas, aquele momento, é nosso e faz parte da nossa rotina. 

E desse lado, truques, receitas saudáveis, ingredientes saciantes que queiram partilhar? Não vale a pena o copo de água quente com limão, canela e afins logo pela fresquinha que é coisa para me deixar para lá de mal disposta. Para mim, ter cuidados, não é sacrificar-me com o que não gosto, mas dedicar-me ao que gosto. Só assim me mantenho bem comportada. 

30 de maio de 2016

Redes sociais

Na semana passada manifestei aqui o meu encantamento por um menino concorrente do Masterchef. Mostrou boa disposição, humildade, valores e sensibilidade. Ontem, no mesmo programa, um dos outros meninos mostrou ser competitivo, ao ponto de parecer estar a prejudicar outro concorrente. Algo de novo no mundo? Não, é um concurso e o miúdo mostrou-se competitivo, como muitos adultos são nestes e noutros concursos e por essa vida fora. Confesso que a minha simpatia para com o primeiro rapaz de quem falei (o Pedro Jorge) não se estende a este segundo, que isto é como tudo na vida, gostamos mais de uns, menos de outros. Nem todos os bebés são bonitos, nem todas as crianças são amorosas e nem sempre as crianças são o melhor do mundo, há que aguentar esta realidade. Ora o que me choca aqui não é alguém que se mostra como é, mas sim a quantidade de adultos (às centenas) que foram para a página do programa achincalhar o miúdo que, afinal, não passa disso mesmo, de um miúdo. O que criticam nele é em tudo menor à força das palavras violentas de um adulto a criticar uma criança, que se calhar precisa de algumas lições que devem ser dadas pelos que lhe são próximos e não por uma cambada de pseudo justiceiros que tanto criticam para fazerem pior, esquecendo-se que o miúdo - já tinha dito que não passa de um miúdo não já? - vai muito provavelmente ler tanta coisa feia e tonta que foi escrita. Dizem que o miúdo fez bullying, mas estão a fazer exactamente o mesmo com ele, com a diferença que são adultos a falar de uma criança. De 11 ou 12 anos. Uma criança. Que vai muito provavelmente sofrer as consequências da sua atitude parva, de criança. Quantos de nós não cometemos erros em crianças? Quantos não precisamos de errar para que os nossos pais ou avós ou professores, nos ensinassem as lições necessárias? Agora pensemos no maior erro que cometemos em criança e imaginemos o mesmo a ir parar às redes sociais de uma página pública...Lembro-me ainda hoje de um dia ter chamado baleia a uma amiga de quem gostava muito. Fui atrás dos outros, fui parva, tinha 7 anos e ainda hoje, 30 anos depois, não me esqueci. E o que me fez perceber de imediato que tinha errado, que tinha sido tonta, o que me fez sentir-me arrependida e triste comigo mesma foi a cara dela, desapontada por também eu a ter martirizado naquele dia. Reparem, toda a gente me chamava de Olivia Palito, por ser exageradamente magra, eu tinha fortes complexos com isso, mas acabei a fazer o mesmo, porque me deixei levar pelos outros, porque era uma miúda. Não é com ataques, com palavras violentas que as coisas se resolvem e que se ensinam lições, muito menos a crianças. E se os adultos não sabem isso, o que saberão as crianças...?


27 de maio de 2016

Insta*ntes

Um colar com anos, que adoro

 Sabrinas em dia de chuva...- é o que dá trabalhar a mais de 40km de casa. Saio com raios de sol maravilhosos, para chegar ao centro tresloucado do temporal


 Depois de ter cortado o cabelo bem mais curto pela segunda vez em dois anos (e tão grande que ele estava) deu-me para fazer alisamento, já que domar um cabelo hiper ondulado e com uma personalidade tão própria quanto esquizofrénica não tem sido fácil com tanta chuva por aí. Parece que ganhou 5 cm só com o alisamento.


 O Mel sabe viver, depois de quase ter morrido, mais do que uma vez. Aproveita bem cada minuto de mimo, de sol, de brincadeira e eu estou cada vez mais apaixonada pelo gatinho que nunca cresce.



Gulosa, gulosa, gulosa que só eu. E beberolas também. Gelados maravilhosos da Magnum (ainda não consegui decidir qual o meu facorito, tenho que comer mais um de cada) e Gin caseiro e fresco como se quer. Confesso-me muito mais adepta de um bom vinho, mas de vez em quando sabe bem, sobretudo quando a conversa se mantém pela noite dentro. 

Para todos, um fim de semana feliz, cheio de sorrisos!

25 de maio de 2016

4.ª feira com sabor a 6.ª feira

E as sextas-feiras têm sempre um sabor tão especial pelo cantinho: bons jantares, boas conversas, bons vinhos e muitos sorrisos, com a melhor companhia de sempre. E amanhã é dia de planear as férias mais especiais deste ano, a coincidir com o aniversário de casamento e que terão tudo para ser muito felizes e bem longe daqui, num local de praias maravilhosas e bebidas frescas. Porque nós merecemos!

24 de maio de 2016

MasterChef!

Somos fãns do Masterchef lá por casa. O australiano é o favorito, o português vê-se bem o espanhol também, outros nem tanto. Não são só os concorrentes que fazem o programa, mas também os jurados e ele há uns que não obrigada, demasiado show para mim e enerva-me sobretudo quando mudam as regras do jogo só porque sim, ou quando fazem crer a permanência no programa, para mandarem embora logo a seguir, sem qualquer empatia pelas dores dos outros.  
Confesso que não estávamos a contar ver o júnior, nem sei bem porquê, mas no domingo deu-se que não tínhamos mais nada de interessante para ver e acabámos por nos render a este fofo: 


Cozinha com gosto, é bem disposto, come o que sobra e oferece aos amiguinhos e chora que nem uma Madalena arrependida, quando sai alguém. Bom coração e bom humor. Go Pedro Jorge, estou contigo!

Sobre o GOT - Spoilers!

Hold the door...

Já muitas mortes me chocaram no Game of thrones. Não estamos habituados a isto de alguns dos supostos heróis terem fins trágicos e não conseguirem dar a volta à situação, mesmo quando a coisa está para lá de crítica. Tem lógica, sobretudo depois de se ler a explicação do autor: na vida real, os bons não ganham sempre, não sobrevivem sempre. Até aqui já chorei com várias mortes (lobos incluídos, caraças que eu não suporto a morte dos animais), choquei-me com o final da temporada anterior (quem não? E quase um ano para saber o que se tinha realmente passado? Ninguém merece!), mas ainda assim mantive uma réstia de esperança, já que meio mundo profetizava um regresso ressuscitado. Mas, no meio disto a morte de ontem mexeu mesmo mesmo comigo, como mexem as mortes dos corações bons que se sacrificam pelos outros. Fiquei emocionada de tal forma que, quando o episódio terminou até soluçava. E no fim, uma explicação tão simples para um dos mistérios da série. Temo que o meu coração não aguente até ao final da season, sobretudo se partir mais algum daqueles de quem tanto gosto...

20 de maio de 2016

Planos para amanhã


Enquanto ele joga futebol:


Há anos que a regra cá por casa é escolher tudo o que se usou pouco ou nada nos últimos meses ou estação anterior (no caso das peças "de época"). Este sábado não será excepção. Deitar fora o que não está em condições (há sempre qualquer coisa) e doar tudo o que está em bom estado a quem mais precisa. Podia ser uma tarefa chata, pois podia, mas a verdade é que adoro. Características de uma virgem que precisa de ter o seu roupeiro sempre organizado.

19 de maio de 2016

Diário de uma condutora #1

Ter que lidar, todo o santo dia, com centristas, ou seja, aqueles que, numa auto-estrada, mesmo com pouco trânsito, conduzem, aconteça o que acontecer, na faixa do meio. Sempre. Mesmo quando não há absolutamente ninguém à direita nem à sua frente e vão a uma velocidade assim para o lento, para não dizer escandalosamente lento considerando os limites da decência. Mesmo quando obrigam todo o mundo a passar para a faixa da esquerda, sem qualquer necessidade ou são ultrapassados pelos que estão na da direita e não estão nem aí. Aquilo é tudo deles. Pagaram taxa, os outros que se orientem. 

17 de maio de 2016

Eu tentei, juro que tentei, mas não resisto!


Gosto muito do JJ como treinador. Reconheço-lhe uma qualidade imensa e tremi quando foi para o SCP, traindo o meu coração benfiquista. Mas não gosto nem gostei nunca da falta de humildade dele.Tenho a certeza que tem uma carreira que continuará a ser brilhante pela frente e espero que, pelo caminho, aprenda algumas lições. 
Agora serei FCP no próximo fim de semana, para ficarmos todos felizes lá por casa :-)

14 de maio de 2016

Palavras de uma mulher que não pode gerar um filho no seu útero

Sobre a mais recente polémica das barrigas de aluguer, deixo aqui as palavras de quem sabe o que é não poder gerar um filho no seu útero: são oito anos de luta impiedosa com a infertilidade. Pelo meio, o diagnóstico de uma doença que não ajuda: endometriose profunda e adenomiose, três cirurgias no lombo, uma delas com uma recuperação de quase um ano pelo caminho. Pelo meio, cinco tratamentos de fertilidade nos quais, 10 embriões de topo, com qualidade A me foram transferidos. Dez embriões que não tiveram continuidade para uma gravidez porque a malvada doença teima em dar cabo do meu útero, dos meus ovários, do meu intestino, podendo chegar aos rins, bexiga, pulmões. Uma doença que me obriga a consultas constantes, medicação, exames complicados e, acreditem, muitos dias de dores e de incapacidade. Uma doença que eu não deixo que me vença, mas que ela não deixa que me esqueça e escrevo isto numa semana particularmente difícil por conta desta maldita a quem só apetece chamar nomes feios. Mas escrevia eu que, até ao momento foram dez embriões meus e do meu marido, nossos genetica e biologicamente, que poderiam, à data, ter sido transferidos não para o meu útero, mas para o de uma barriga de uma mulher saudável e que continuavam a ser meus e do meu marido. E eu tive mulheres saudáveis a oferecerem-se para o fazer por mim, sabendo das minhas dificuldades, da malvada doença. Mas na altura não havia lei e agora...não há vontade para mais tratamentos que me dão cabo do corpo (porque pioram a tal malvada endometriose, causando nódulos, tumores, cirurgias que podem comprometer tanto) e porque sempre quis adoptar, tenho outras opções pelas quais avanço segura e certa de um final feliz. Mas a adopção não pode nem deve, NUNCA, ser uma alternativa de segunda, uma opção imposta para quem deseja continuar a lutar. A adopção tem que ser feita em consciência com a capacidade de se sentir que se vai amar uma criança, gerada não no útero, mas no coração. Porque é esse que realmente conta. Por isso, por todas as mulheres que, como eu, não podem gerar um filho no seu útero, sou 200% a favor das barrigas de aluguer, sou a favor do direito de escolher ter um filho geneticamente seu.
E desenganem-se os que pensam que a minha história é triste. Não é. É uma história de amor, muito feliz a cada dia e que sabe e sente que tem ainda muito para viver, sentir e sorrir. Porque sou uma mulher que ama e é amada e isso nada o pode alterar.

6 de maio de 2016

Desabafos

As saudades que tenho quando isto da blogsfera era só isso: blogsfera. Sem publicidades mal disfarçadas, sem cópias mal amanhadas, sem se tornarem todos iguais e carneirinhos das modas. Suspiro pelos tempos em que isto tinha mesmo alguma piada - é como comparar o primeiro Big brother, em que ninguém sabia ainda ao que ia e por isso ainda se mostravam como são, com maus-feitios e ingenuidades puras pelo meio, e os de agora...

5 de maio de 2016

Sobre o rapaz e o cão

Não vi o vídeo. Não sou capaz de ver vídeos, imagens, o que for, de maus-tratos. Seja a pessoas, animais ou à natureza, nada a fazer com esta alma frágil que se atormenta com as injustiças. Li muito sobre o tema e a única coisa que me ocorre é: tirem-lhe o pobre cão, que merece melhor, muito melhor, e ofereçam ajuda ao rapaz. Não é preciso ser-se psicólogo ou psiquiatra para perceber que há ali indícios de uma violência assustadora e que, com o tempo e sem acompanhamento, pode piorar. Os maus tratos a animais são um indício de uma violência interior tremenda, muito provavelmente consequência de uma vida que não nos passará sequer pela cabeça. 
Eu, que sou defensora dos animais até à medula, fico sempre chocada com a facilidade com as pessoas se manifestam violentamente contra humanos, nestas situações, desejando-lhes a morte, fazendo ameaças horríveis e esquecendo-se o que isso mostra de si mesmas. Não estou a defender o rapaz, atenção, nunca o faria, apenas a dizer que é alguém que precisa desesperadamente de ajuda, para que as próximas notícias não sejam bem piores e consciente de que violência não é a ajuda acertada. 

4 de maio de 2016

Guerra às manchas em modo on

De há uns anos para cá, creio que por questões hormonais associadas ao meu problema de saúde, comecei a ter umas manchas chatas e inestéticas na cara. Assim que o sol começa a espreitar, também elas espreitam, inclementes, preparadas para fazer soar o alarme de toda e qualquer pessoa que constantemente me diz o óbvio: Ah, estás com manchas na cara. Sim, eu sei, tenho espelhos em casa, no carro, no trabalho, mas muito agradecida. Já experimentei alguns produtos, nada de muito eficaz. Tenho sempre muitos cuidados com o sol: creme hidratante com SPF todos os dias e cremes com SPF elevados quando vou à praia, mais do que uma pele bronzeada, quero uma pele saudável. As manchas melhoraram, mas continuam cá. Ontem comprei este menino aqui, a conselho da farmacêutica que me atendeu. Já usei outros produtos da gama, da qual gosto, por isso estou com fé e, em simultâneo, uso ainda o Bio-oil que também promete guerra aberta a estas gajas chatas. A proximidade dos 40 (faltam apenas pouco mais de dois anos) tem-me consciencializado para os cuidados preventivos que devo ter. Durante anos, muitos anos, não saía de casa sem base, bastante maquilhada, o que mudou muito nos últimos três anos. No dia a dia apenas rímel, uma sombra muito discreta e batom hidratante, sem cor. Base ou BB cream só em dias especiais, para que a pele respire. Limpo-a todos os dias e hidrato-a com amor e carinho, a ver se ela me retribui numa cara livre de sinais do tempo, para que me continuem a cortar na idade e a inflamar o ego. 
Desse lado, algum truque? Algum produtinho para lá de maravilhoso que aconselhem? Contem-me tudo!


3 de maio de 2016

Mel

Quem me segue há algum tempo conhece o meu amor profundo pelos animais, mais forte no que respeita aos gatos, aqui me confesso. Adoro a sua personalidade, independência e sinceridade. Saberão também que lá em casa vivem três, já seniores, que eu amo profundamente, cada um resgatado de uma história potencialmente infeliz, cada um com o seu temperamento especial.
Em dezembro de 2015, por obra do acaso, deparei-me, na rua do meu pai com um gatinho com sete meses (conheço-lhes as idades e as ligações, embora sendo de rua, porque tratamos deles em família) que estava, literalmente a morrer. O corpo a definhar, os ossinhos a ver-se, as patas sem forças. No espaço de desorientação que tive de procurar uma caixa onde poder transportá-lo, encontrei-o já só a respirar e, perante os olhos de pena dos que comigo estavam, que achavam que já nada havia a fazer, agarrei nele, todo sujo e suspiros e pedi ao P. que me levasse para o veterinário mais próximo. No caminho as lágrimas tomaram conta de mim, certa que me iria morrer ali no colo, sentido-me culpada por nunca ter feito nada por aquele que já há tempos era o mais pequeno e fraco da ninhada. Quis o destino, esse malandro, que o gatinho a quem demos o nome de Malaquias, mas que é mais conhecido por Mel, gastasse logo ali todas as suas vidas, mas não desistisse de lutar. Lutou ele e lutei eu. Muitos dias, muito soro, muito tratamento e muitos euros depois, o Mel pode ir para minha casa, onde sob a minha presença atenta e um aquecedor quase sempre ligado (não conseguia manter a temperatura do seu frágil corpo) foi resistindo dia após dia. As consultas no veterinário foram semanais, durante meses, para garantir que estava a crescer e que nenhum orgão tinha sido verdadeiramente afectado por toda a sua história (bem, os intestinos não são grande coisa, já que tem os gases mais potencialmente perigosos de que há história, capazes de me murchar as flores e o sorriso). Um gatinho tão feio, tão raquítico, tão sem cor e sem pelo numa grande parte do corpo (por causa da acidez das fezes), que me enchia de amor e compaixão. Tenho esta coisa de ser difícil nas paixões humanas, mas tremendamente fácil nas felinas.
Como combinado com o P. e porque, repito, temos já três gatos, a ideia sempre foi a de o salvar, dar-lhe tempo para se recuperar, nas forças e no peso e arranjar-lhe uma família que, como nós, o amasse, cuidasse e que fosse para a vida. Já o tínhamos feito antes com o Óscar, seria para repetir. Essa família chegou, cinco meses depois, cheia de vontade de ter este menino especial, ronronadeiro, conversador e muito brincalhão. As suas 700 gr iniciais deram lugar a uns 2,7 kg, o que já o tornava suficientemente forte para partir para a sua nova vida. E assim foi, há umas semanas atrás, não sem um rio de lágrimas que me invadiu a cara e a alma, certa de ser o melhor para ele, mas de me estarem a arrancar um bocado do meu peito. O Mel seguiu para uma nova casa, com um novo nome, levámo-lo com as suas coisas: mantas, um brinquedo, caixa da areia e deixámo-lo aos cuidados amorosos de uma pequenina de 5 anos e a sua família, encantadas com o Mel. Três dias depois tive que o ir buscar para o levar à veterinária que o conhece (mesmo com 100km de viagens pelo meio, no final de um dia de trabalho, para o poder ir buscar): o Mel não comia, não bebia, não fazia necessidades e vomitava diariamente. Entrei em pânico. A vet dizia-me ao telefone que o stress podia desencadear outras fragilidades que ele já tivesse e por isso não pensei duas vezes, arranquei de Setúbal para S. Domingos de Rana e trouxe-o, com a promessa de o levar assim que estivesse bem. Não regressou. Na vet um exame completo a tudo, nova medicação para os vómitos, a constatação de nova perda de peso e, assim que chegou a minha casa comeu, comeu mesmo a sério, bebeu água, foi às pedras e deitou-se no meu colo. E é no meu colo que vive desde então. Todos perceberam (eu já o sabia) que o Mel é meu e eu sou dele, como uma mãe humana, que ele escolheu adoptar. E por isso, temos agora, 4 gatos. Uma loucura, muitos pelos e areia, mas nestas coisas de amores felinos e de histórias que têm o destino a operar, não há nada a fazer. 
Deixo aqui algumas fotos do gato mais fofo (vai sempre ser mais pequenino que a maioria dos gatos) que adora deitar-se no meu colo, lamber-me a cara, fazer ronron, apanhar sol espreitar as janelas e brincar com o Tobias:

No dia em que regressou©





2 de maio de 2016

Primeira ida à praia do ano

Sábado de sol e de calor, primeira ida à praia de biquíni. Que ponha  a mão no ar aquela que se sente confortável e segura no primeiro dia de lula cozida, com as carnes à mostra. Passam-me as inseguranças cinco minutos depois, quando me recordo que na verdade, pouco me importam as imperfeições ou a gordurinha a mais na barriga, mas caramba, os primeiros minutos custam-me sempre. Quem nunca?