14 de maio de 2016

Palavras de uma mulher que não pode gerar um filho no seu útero

Sobre a mais recente polémica das barrigas de aluguer, deixo aqui as palavras de quem sabe o que é não poder gerar um filho no seu útero: são oito anos de luta impiedosa com a infertilidade. Pelo meio, o diagnóstico de uma doença que não ajuda: endometriose profunda e adenomiose, três cirurgias no lombo, uma delas com uma recuperação de quase um ano pelo caminho. Pelo meio, cinco tratamentos de fertilidade nos quais, 10 embriões de topo, com qualidade A me foram transferidos. Dez embriões que não tiveram continuidade para uma gravidez porque a malvada doença teima em dar cabo do meu útero, dos meus ovários, do meu intestino, podendo chegar aos rins, bexiga, pulmões. Uma doença que me obriga a consultas constantes, medicação, exames complicados e, acreditem, muitos dias de dores e de incapacidade. Uma doença que eu não deixo que me vença, mas que ela não deixa que me esqueça e escrevo isto numa semana particularmente difícil por conta desta maldita a quem só apetece chamar nomes feios. Mas escrevia eu que, até ao momento foram dez embriões meus e do meu marido, nossos genetica e biologicamente, que poderiam, à data, ter sido transferidos não para o meu útero, mas para o de uma barriga de uma mulher saudável e que continuavam a ser meus e do meu marido. E eu tive mulheres saudáveis a oferecerem-se para o fazer por mim, sabendo das minhas dificuldades, da malvada doença. Mas na altura não havia lei e agora...não há vontade para mais tratamentos que me dão cabo do corpo (porque pioram a tal malvada endometriose, causando nódulos, tumores, cirurgias que podem comprometer tanto) e porque sempre quis adoptar, tenho outras opções pelas quais avanço segura e certa de um final feliz. Mas a adopção não pode nem deve, NUNCA, ser uma alternativa de segunda, uma opção imposta para quem deseja continuar a lutar. A adopção tem que ser feita em consciência com a capacidade de se sentir que se vai amar uma criança, gerada não no útero, mas no coração. Porque é esse que realmente conta. Por isso, por todas as mulheres que, como eu, não podem gerar um filho no seu útero, sou 200% a favor das barrigas de aluguer, sou a favor do direito de escolher ter um filho geneticamente seu.
E desenganem-se os que pensam que a minha história é triste. Não é. É uma história de amor, muito feliz a cada dia e que sabe e sente que tem ainda muito para viver, sentir e sorrir. Porque sou uma mulher que ama e é amada e isso nada o pode alterar.

20 comentários:

  1. Ola Linda:)
    Tudo Bem?
    Adoro o Post:)
    Muito Obrigada
    Bom fim de semana
    Bjs Open Kloset
    Novo Post:
    http://openklosetfashion.blogspot.pt/2016/05/real-abadia-congress-spa-hotel.html
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  2. Por isto te admiro profundamente. E por isto digo que não devemos atirar postas de pescada sem saber o que é essa dor.

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  3. Admiro muito a tua força e a tua coragem em partilhar a tua história.
    Fiquei super orgulhosa e feliz pela aprovação desta lei.
    Um beijinho de muita força para ti, querida!

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  4. Um grande beijinho querida Bê!!!

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  5. Tenho 25 anos e, por agora (duvido que mude de ideias), não quero ter filhos biológicos. A minha ideia sempre foi adoptar e espero, um dia, conseguir realizar esse meu desejo. Acho que há tantas crianças a precisar e, não tendo eu o desejo de passar por uma gravidez...
    Mas oiço imensos testemunhos de casais que simplesmente não conseguem engravidar e a opção de adoptar não está nos planos deles. Que mal tem?
    Há sempre quem veja mal em tudo. Quando foi a Chrissy e o John Legend, foi um escândalo, porque escolheram ter uma menina (depois de tanta luta para terem um bebé, as pessoas achavam que estavam a ser ingratos ao escolher o sexo - que sentido faz isto? Até porque eles tencionam ter mais filhos, logo é apenas uma questão de ordem pela qual os têm), depois há os que são contra tratamentos porque, dizem, é anti natura... Enfim!
    Há-de haver sempre quem não concorde com alguma coisa.
    A mim, não me cabe opinar sobre como alguém resolve ter um filho. Desde que não violem nenhuma lei, nem façam mal a ninguém... Cada um sabe de si.

    Quando a si, espero que tudo lhe corra pelo melhor. Ser amada já é uma vitória daquelas. Saber que, um dia, vai ter um bebézinho a complementar esse amor, então... Maravilha!!! Fico contente por ter encontrado uma solução e espero que essas malvadezas da saúde lhe dêem uma folga.

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  6. Uma grande admiração por ti! Acredita

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  7. Um beijinho enorme.. Só quem passa por isso acho que da o devido valor..

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  8. Obrigada pelas palavras e pelas partilhas <3

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  9. Que boa noticia, finalmente! Há mais uma esperança ao fundo do tunel para muitos casais :):)

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    1. Sem dúvida. Muito se tem especulado, quando na verdade ainda se está muito no início e acredito que tudo se fará para zelar pelo interesse de todos os envolvidos!

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  10. Graças a Deus que assim é! :) e que assim seja sempre!
    Infelizmente o ser vedada a possibilidade de escolha é que é triste. A limitação de opções quando já se tem dificuldades ou limitações próprias é frustrante. Só posso concordar com as tuas palavras.
    Oxalá que tudo corra pelo melhor. Para ti e para todas as mulheres, casais e famílias que querem mais do que podem gerar naturalmente.
    Beijinhos

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    1. É lamentável que muitas pessoas não o compreendam e façam os seus juízos considerando já questões que não estão sequer decididas. Sem dúvida que é um grande avanço para tantos casais, para tantas famílias. :D

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  11. Post lindissimo! De quem faz da vida uma benção apesar das pedras(pedregulhos) no caminho. Tudo de bom

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  12. A minha mais profunda admiração. Que tudo te corra pelo melhor, que Deus te ajude a suportar o que por vezes é insuportável.
    Falar dos outros é tão fácil... Pensem conscientemente antes de falar...
    Tens tudo para ser feliz: o amor!
    Beijo no teu coração.

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    1. Beijo grande para ti e obrigada pelo carinho :-)

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  13. Só me apetece bater palmas a este teu testemunho. E sorrir, contigo. :)

    (também me apetecia, se fosse possível, dar-te um abraço daqueles mais fortes que qualquer contrariedade. e olha que não sou muito dada a essas coisas. sente-te, por isso, uma privilegiada. :D)

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    1. Já eu adoro abraços! Obrigada pelo carinho e pelo sorriso conjunto :-)

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  14. Um beijinho para ti. Admiro-te muito e um dia esses vossos sorrisos anda vão ser mais luminosos! Acredito nisso!

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  15. Uma mulher não é menos mulher que as outras porque não é mãe! O importante sim é amarmos e sermos amadas,(com ou sem filhos).
    Assim como tu também eu sou a favor das barrigas de aluguer!
    Beijinho grande e parabéns pelo cantinho que aqui tens e que eu cabei de descobrir :)

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Aceitam-se elogios, críticas, gargalhadas, lágrimas, sorrisos e afins