30 de maio de 2016

Redes sociais

Na semana passada manifestei aqui o meu encantamento por um menino concorrente do Masterchef. Mostrou boa disposição, humildade, valores e sensibilidade. Ontem, no mesmo programa, um dos outros meninos mostrou ser competitivo, ao ponto de parecer estar a prejudicar outro concorrente. Algo de novo no mundo? Não, é um concurso e o miúdo mostrou-se competitivo, como muitos adultos são nestes e noutros concursos e por essa vida fora. Confesso que a minha simpatia para com o primeiro rapaz de quem falei (o Pedro Jorge) não se estende a este segundo, que isto é como tudo na vida, gostamos mais de uns, menos de outros. Nem todos os bebés são bonitos, nem todas as crianças são amorosas e nem sempre as crianças são o melhor do mundo, há que aguentar esta realidade. Ora o que me choca aqui não é alguém que se mostra como é, mas sim a quantidade de adultos (às centenas) que foram para a página do programa achincalhar o miúdo que, afinal, não passa disso mesmo, de um miúdo. O que criticam nele é em tudo menor à força das palavras violentas de um adulto a criticar uma criança, que se calhar precisa de algumas lições que devem ser dadas pelos que lhe são próximos e não por uma cambada de pseudo justiceiros que tanto criticam para fazerem pior, esquecendo-se que o miúdo - já tinha dito que não passa de um miúdo não já? - vai muito provavelmente ler tanta coisa feia e tonta que foi escrita. Dizem que o miúdo fez bullying, mas estão a fazer exactamente o mesmo com ele, com a diferença que são adultos a falar de uma criança. De 11 ou 12 anos. Uma criança. Que vai muito provavelmente sofrer as consequências da sua atitude parva, de criança. Quantos de nós não cometemos erros em crianças? Quantos não precisamos de errar para que os nossos pais ou avós ou professores, nos ensinassem as lições necessárias? Agora pensemos no maior erro que cometemos em criança e imaginemos o mesmo a ir parar às redes sociais de uma página pública...Lembro-me ainda hoje de um dia ter chamado baleia a uma amiga de quem gostava muito. Fui atrás dos outros, fui parva, tinha 7 anos e ainda hoje, 30 anos depois, não me esqueci. E o que me fez perceber de imediato que tinha errado, que tinha sido tonta, o que me fez sentir-me arrependida e triste comigo mesma foi a cara dela, desapontada por também eu a ter martirizado naquele dia. Reparem, toda a gente me chamava de Olivia Palito, por ser exageradamente magra, eu tinha fortes complexos com isso, mas acabei a fazer o mesmo, porque me deixei levar pelos outros, porque era uma miúda. Não é com ataques, com palavras violentas que as coisas se resolvem e que se ensinam lições, muito menos a crianças. E se os adultos não sabem isso, o que saberão as crianças...?


8 comentários:

  1. Concordo. Vi o programa e tb condenei as atitudes, mas caramba, é só um miúdo.

    Maria Alves

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    1. Nem mais. E qual o efeito de tanta crítica num miúdo que ainda se está a formar? :/

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  2. Vi o programa e pensei logo em como iam cair em cima do miúdo, nem quis ir ver porque já sabia que iam (os adultos, supostamente mais ponderados) crucificar o miúdo.
    De facto bem que me incomodou aquela postura já tão prepotente e mal intencionada numa idade tão precoce mas enfim... é só um programa de televisão... é só um miúdo, um miúdo parvo mas continua a ser uma criança.

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    1. Esse é o primeiro ponto, é uma criança. Tantos pais com teorias de como se educam os filhos, como se ensina o que está certo e errado e depois vão crucificar uma criança nas redes sociais, onde toda a gente tem acesso. Qual o efeito perverso disso? Assustador...

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  3. O primeiro ponto é que crianças não deviam ir a concursos, qualquer que fosse a índole. 2.º ponto cabe aos adultos, que erram e muito, por vezes, não atirar a primeira pedra!

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    1. Acho que este concurso é a prova disso mesmo. Sobretudo na era das redes sociais em que tudo é alvo de notícia. Agora o grande problema são os adultos, que deveriam ter consciência do que estão a fazer e que demonstram ser tão maus ou piores do que aquilo que criticam.

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  4. Por essa e muitas outras razões é que as crianças não devem participar em programas de televisão, nem concursos nem novelas.

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    1. Eu não concordaria com isso há uns tempos atrás, mas na era tecnológica e exposta em que vivemos, se calhar é por aí.

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