17 de junho de 2016

Meter na cabeça de uma vez por todas:

Ser vegetariano ou vegan não é uma moda, não é algo passageiro da Maria vai com as outras, não é sequer uma novidade, da season 2016/2017 que logo passa para dar lugar a outra moda. Não sendo eu vegetariana (ainda), caminho a largos passos para lá. Quando decidi deixar de comer carne foi em consequência de uma experiência pessoal tremendamente marcante. Não como carne, não bebo leite, praticamente não como peixe. A próxima decisão é deixar os queijos e os ovos. Mas sei que ainda tenho um longuíssimo caminho a percorrer que só não percorri ainda por preguiça minha, por saber que me vai obrigar a mudar hábitos de outros, por saber que me vai levar a ouvir muita coisa tonta. Não comer carne não nos torna fracos fisicamente e não, não precisamos efectivamente da mesma. 3 anos sem comer carne e análises perfeitas, that's me. Não evangelizo ninguém (embora fale naturalmente das mudanças que tenho sentido com a minha alimentação, sobretudo desde o momento em que deixei o leite e reduzi o glúten), não tento que ninguém siga os meus passos, porque acho que esta é uma mudança que deve partir do interior de cada um, mas chateia que estejam sempre a catalogar-me e a tentar mudar-me. Se eu não falo nas consequências de um bife no corpo dos outros, por favor não me falem nas consequências da ausência do mesmo no meu. Chateia que estejam sempre a tentar enfiar-me opções pessoais pela goela abaixo, quando eu estou quieta no meu canto, a respeitar as opções dos outros. E chateiam-me profundamente os argumentos tontos do "e das plantas não tens pena?" - paciência...
Há uns tempos um familiar dizia-me em jeito de lição de moral que um colega que tinha deixado de consumir carne tinha sido internado com uma pneumonia, como se fosse consequência e como e eu estivesse condenada ao mesmo diagnóstico. A verdade é que, à parte do meu problema de saúde crónico, não me lembro da última vez que tive uma gripe, uma mera constipação, uma virose ou coisa que o valha. No ano passado estive afónica quase um  mês, mas tal deveu-se única e exclusivamente a uma madrugada alegre e bem regada a karaoke onde me deixei levar pelo entusiasmo e ia dando cabo das cordas vocais (e provavelmente dos ouvidos dos outros, já que a minha voz está mais para cana rachada do que para canto de pássaro).   
Se serei vegetariana um dia? Não sei. Não sei mesmo, porque sei que na minha vida as minhas opções são feitas com a alma, são sentidas de uma forma profunda e decorrem de experiências e consciências que vou desenvolvendo. Sei sim que tento fazer o meu melhor por mim, pelos outros, pelo planeta, pelos animais. Sei que ainda tenho muito a fazer. À minha maneira e ao meu ritmo. 



*post agendado

10 comentários:

  1. Outro dia descobri uma resposta para essa das plantas:

    As plantas não sentem dor mas se por acaso estiver muito preocupado com isso saiba que para produzir 1kg de carne Bovina são necessários 7kg de plantas :)

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  2. Obrigada por este post - é mesmo como dizes: não é uma moda, porque, que eu saiba, ninguém escolhe uma moda que o fará ser olhado de lado por muita gente. Pessoalmente, acho que ser vegano é uma obrigação moral. Não interessa se gostamos de carne, se gostamos de queijo ou se gostamos de ovos, isto não é sobre nós. Eu também não ando pelas ruas a evangelizar ninguém, mas sinto que tenho o dever de alertar para a questão como posso. Porque, novamente, isto não é sobre mim, não é sequer sobre a dieta dos outros, é sobre os animais. É por eles, e pelas barbaridades que milhares de animais não-humanos passam diariamente, e por isso cansa-me muito a apatia das pessoas quando, por exemplo, dizem que não conseguiriam ser vegetarianas porque gostam muito de carne mas que apoiam quem é. Isto soa-me tão oco, tão vazio, tão triste.

    No entanto, tal como tu, também não passei a vegetariana de um dia para o outro. Primeiro deixei de comer carne vermelha, depois toda a carne, depois peixe e só muito recentemente ovos e leite. Mas acho que o momento fulcral é aquele em que somos sensibilizados para o problema - a partir daí é só uma questão de tempo :)

    Beijinhos!

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    1. Sabes que este post abriu me os meus próprios olhos! Desde então não toquei em ovos e queijos, deixei o peixe e está feito! Mas claro, dois jantares com outras pessoas e as perguntas do costume.
      Concordo tanto com a questão moral que referes. Faz tanto sentido

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    2. Que bom, Bárbara! Eu também só deixei os ovos e queijos recentemente, e foi difícil tomar essa decisão porque não sinto a repulsa natural por esses produtos que sinto pela carne e pelo peixe (como são cadáveres de animais, é normal que a repulsa seja maior). A mim ajudou-me muito a parte nutricional: saber o quão péssimos os ovos e o leite são para a nossa saúde, por exemplo, foi meio caminho andado para nunca mais lhes tocar. E não sinto falta :)

      Quanto às pessoas, eu tenho um espírito um bocadinho desafiador, por isso não me custa nada ouvir as boquinhas, e tenho sempre respostas na ponta da língua :P

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  3. Cá em casa o meu rapaz deixou de comer carne há meio ano. Eu não consegui ter a mesma força de vontade, mas em casa não como qualquer carne. Nem sequer me lembro de comprar carne para nós, porque não nos faz falta. Fora de casa - no restaurante, em casa de familiares - admito que como. Ele não. Sinto-me feliz por estar a caminhar para um caminho melhor.

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  4. Só não entende quem não quer mas infelizmente nem sempre as pessoas querem entender. Haja paciência

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  5. Acho que acima de tudo é importante saber respeitar as escolhas dos outros e não "impingir" as nossas. São perspectivas e posições diferentes, mais nada :)

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  6. Eu tenho vários amigos vegan ou vegetarianos e acho que hoje em dia cada vez mais há mais informação para deixarmos de ouvir os comentários negativos (que há em ambas as partes). Pena que ainda te confrontem com esse tipo de coisas...

    Como já tive oportunidade de te dizer, faço várias refeições vegetarianas em casa (ou fora) mas continuo a acreditar na variedade e equilíbrio à mesa. Consigo imaginar-me vegetariana mas sem eliminar ovos ou derivados de leite, faz-me muita confusão a carência de vitamina B12, e não consigo perceber a necessidade de termos de a tomar como suplemento, quando a podemos incluir na nossa dieta. Agrada-me mais a liberdade de escolher o que comer, nos meus próprios termos (na quantidade e frequência que desejar) a optar por um rótulo que me impeça, por exemplo, de apreciar os petiscos das minhas avós :)

    Dito isto, acho perfeitamente válida a tua escolha. Foge de quem te chateia, como eu evito quem me bombardeia com imagens de aviários e matadouros ;)
    Beijos grandes!

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