8 de junho de 2016

Sobre o veto do Presidente

Não vou lamentar, vou encarar como uma hipótese para quem de direito, pegar no diploma e considerar uma série de questões de ética com as quais eu estou de acordo. Já aqui me assumi a favor das barrigas de aluguer, talvez por ter uma visão muito própria de quem vive no mundo da infertilidade e mesmo que não seja algo a que pense recorrer, pelo menos para já. Mas também tenho uma opinião sobre a possibilidade de tal se tornar um negócio, o que pode comprometer e muito a ideia de raiz, de dar a hipótese a quem não pode gerar um filho na sua barriga, de o poder fazer na barriga de outra mulher, sem interesses que não sejam o de poder ajudar o próximo. Quero poder ter o direito de escolha, quero poder responder a quem, por me ser próximo, se ofereceu para o fazer por mim, sabendo-me portadora de uma doença grave que me tem impedido de conseguir realizar um dos meus sonhos. Quer poder mudar de ideias no futuro e ter alternativas viáveis.  Se as coisas não estão claras, não assentam em critérios rigorosos de ética, então aproveite-se para limar, afinar e melhorar o que pode ser legislado, o que pode tornar-se uma verdadeira luz para muitos casais para os quais a adopção não é uma opção e que têm o direito de lutar com todas as suas forças. Que não se perca por completo esta oportunidade, é tudo o que desejo. 

3 comentários:

  1. Não consigo ter uma opinião definitiva -ainda- sobre este assunto. Acho que, a ser legalizado, tornar-se-á sem dúvida um negócio, porque onde há uma oportunidade de ganhar dinheiro haverá pessoas dispostas a fazê-lo.

    E a ser assim incomoda-me muito porque parece-me abrir um precedente para uma ainda maior objetificação do corpo da mulher, que passa agora a ser uma fábrica. Quando analisamos uma questão destas não podemos pensar só na mulher ou no casal que não consegue engravidar - é necessário pensar também no outro lado, nas mulheres que se tornarão geradoras de vida profissionais e na comodificação do corpo que isso representa.

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  2. Confesso que fiquei bastante surpreendida pelo facto do presidente fazer esta escolha.
    Consigo muito bem compreender que existe muitas gente pronta a aproveitar-se e a querer fazer negócio com o assunto.
    Mas compreendo ainda melhor a necessidade desta lei ser aprovada de forma a ajudar muitas mulheres a cumprir o seu sonho e sem dúvida nenhuma que eu gostava imenso que esta lei fosse aprovada.

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  3. É um tema que precisa ainda de muito estudo, muito trabalho, antes de avançar como uma realidade.

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