25 de agosto de 2016

Tenho sorte, muita sorte

Durante anos da minha vida fui uma descrente no amor. Não acreditava em contos de fadas, em finais felizes, em relações eternas pautadas por gestos grandiosos de amor. Não acreditava nem compreendia a necessidade de as pessoas se casarem, se depois para se divorciarem tinham que enfrentar a família, os amigos e a sociedade, ou pior, não se divorciarem exactamente para não enfrentarem os amigos,a família e a sociedade, condenando-se a uma vida sem amor. Talvez fruto de uma família desestruturada, com um divórcio parental quando tinha apenas seis anos e uma longa e complicada experiência nos afectos e nos exemplos destes nos mais próximos de mim, cresci a não acreditar nos homens, a achar que todos tinham características comuns, intrínsecas às suas hormonas e ao seu género. Fui pouco namoradeira, mesmo muito pouco. Durante a minha adolescência apenas tive dois namoricos, de dias, daqueles a quem dava as mãos e uns beijinhos e que me deixavam insegura e envergonhada quando me declaravam palavras bonitas e quando me queriam dar a mão à frente de todos. Tive pretendentes frustrados com a minha compaixão para com as suas tentativas de me conquistarem o coração. Um eles chegou mesmo a ficar zangado comigo por não aceitar namorar com ele só porque ele gostava de mim, como se os namoros pudessem ser unilaterais. Para mim não. Nunca fui de fácil conquista e uma amiga minha, daquelas mais antigas e duradouras dizia sempre que no dia em que alguém me conquistasse verdadeiramente, lhe iria dar os parabéns. Eu achava que tal coisa seria difícil de acontecer. 
Hoje, tantos anos depois, olho à minha volta e vejo tantos descrentes no amor, que lhes lamento as más experiências, os desgostos, as lágrimas constantes. Talvez na adolescência muitos deles acreditassem no amor para sempre, nos finais felizes, nos casamentos eternos e depois a vida aconteceu e roubou essa visão. Eu tive sorte, muita sorte.O universo pôs no meu caminho um homem que quebrou por completo as minhas barreiras, que me mostrou o que é amar e ser amada. Que me fez ver o casamento com outros olhos e que me mudou de uma forma que só um grande e feliz amor pode mudar. Um homem que é perfeito para mim e sei que juntos, somos perfeitos na nossa imperfeição, somos cúmplices, somos amigos, somos parte um do outro. Um homem que me dá uma força tremenda a ultrapassar cada barreira que a vida me apresenta, que está sempre lá, mesmo quando não concorda com as minhas escolhas. Tenho sorte, muita sorte, não sei se já vos tinha dito...

4 comentários:

  1. Que texto bonito Bárbara... vê-se pelas fotos que são felizes :)

    Beijinho*

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  2. E ainda bem que a vida foi boazinha para ti, tu mereces :)
    BeijinhO*****

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  3. A vossa cumplicidade é evidente... parabéns!!

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