31 de outubro de 2016

Desabafo

Sei que sou uma pessoa forte - física e emocionalmente. Já passei por momentos e experiências suficientes na vida para saber isso de mim. Em momentos de crise, sou um pilar, forte e firme, nas minhas questões de saúde, nem um ai, mesmo quando a situação se tornou tão complicada, como no período de 2009 a 2013, com cirurgias ano sim e ano não e exames complicados a cada mês. Não tive uma infância feliz, embora tenha tido alguns momentos de felicidade. Perdi demasiadas pessoas que amava profundamente e que ainda hoje tanta falta me fazem, vivi mudanças intensas e complicadas com o divórcio dos meus pais. Depois, a infertilidade, o drama da infertilidade, que muda tantas pessoas e que para mim tem sido mais uma aprendizagem, com 9 anos de batalhas sem vitórias. Posso estar com o corpo num fanico, mas aguento e tento fazer a minha vida do dia a dia, não permitindo que uma questão crónica de saúde me roube a vontade de sorrir, mesmo que me roube alguns dos meus sonhos. Aguento semanas e semanas exaustivas de trabalho, com horários complicados e pouco tempo de descanso - e quanto menos descanso, menos consigo descansar, as noites tornam-se longas de mais e o cérebro por vezes tem dificuldades em apagar, mas a energia continua lá. Nas crises dos outros, tomo as rédeas nas minhas mãos se for preciso. Sinto-me um pouco mãe dos meus: sejam os meus pais, irmãos ou sobrinho. Gostava de poder evitar as quedas deles, as fases complicadas e de os aconchegar no meu abraço e poder tornar tudo simples. Sou uma mulher que não é mãe biológica, mas que tem um instinto maternal gigante e que é capaz de dizer à própria mãe, ao telefone: agasalha-te bem e põe o cinto de segurança, come legumes e fruta, entre outras frases do género. Se vou na rua com a minha irmã mais nova, já com 21 anos, tenho que me controlar para não lhe dar a mão e jamais a deixo ir do lado da estrada. Costumo dizer que me sinto a irmã mais velha do meu irmão mais velho e sei que tenho que controlar esta minha visão dele sempre como um adolescente de 15 anos, a precisar do meu apoio. Fico com o coração nas mãos sempre que o P. anda de mota e dou-lhe toda a força do mundo para que agarre nos seus sonhos e lhes dê cor e forma. É mais forte do que eu. Quero saber dos seus problemas, das suas dores, das agruras da vida, para poder ajudar, para procurar desenfreadamente soluções, quero saber das suas vitórias que celebro como se fossem minhas, mas protejo-os das minhas quedas, das minhas lágrimas, dos meus receios. E por isso, quando um dos meus cai, eu caio por dentro, mesmo que não transpareça por fora. Prefiro mil vezes ser eu a cair. O sofrimento dos outros corrói-me a alma, o meu é só um desafio da vida.  

13 comentários:

  1. Felizmente não tive uma vida com grandes percalços.
    Mas na infertilidade Vs instinto maternal sou tal e qual. Isso e tomar as dores dos outros e querer os problemas deles para mim para não os ver sofrer...

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. É algo que custa muito...abraço apertado <3

      Eliminar
    2. É algo que custa muito...abraço apertado <3

      Eliminar
  2. Ai Bêzinha, podia dizer que és forte (que és) mas é bom de vez em quando deitar cá para fora tudo o que nos vai na alma. Acredito em recompensas e que a vida é feita de ciclos. E o teu ciclo vai chegar, acredito mesmo que sim! De uma forma ou de outra! e não se consegue evitar o sofrimento alheio, infelizmente...
    Um beijinho grande e um xi do tamanho do mundo.

    ResponderEliminar
  3. Boa noite, não a conheço mas gosto de seguir o seu cantinho, muita força e tudo de bom.

    ResponderEliminar
  4. Tudo de bom!
    Além de forte vê-se que tens um coração enorme :)

    ResponderEliminar
  5. No meio de tantas coisas e pessoas de trampa é tão bom ler alguém assim, determinada a ser feliz e preocupada com os outros. Beijo e muita coragem

    ResponderEliminar
  6. Obrigada pelo carinho e por estarem desse lado <3

    ResponderEliminar
  7. Beijinho grande Bê**

    Vai correr tudo bem!

    ResponderEliminar
  8. Linda Bêzinha!
    Espero que quem caiu já se tenha levantado... com a tua ajuda :)
    Um beijo grande

    ResponderEliminar
  9. Como eu me identifico com o que li!!! Não sei o que se passa,mas muita força....um beijinho e um abraço apertado.
    Susie

    ResponderEliminar

Aceitam-se elogios, críticas, gargalhadas, lágrimas, sorrisos e afins