22 de novembro de 2016

Post para animal lovers - sinais que nos chamam a atenção




Dona Blue é a minha gata de sempre, que me acompanha há quase 15 anos e que viveu tantos momentos tão intensos da minha vida, como o irmos as duas viver sozinhas quando eu tinha 24 anos, a chegada do P. uns tempos depois e, no mesmo ano a chegada animada do Tobias, o melhor gato de sempre, as duas mudanças de casa que tivemos pelo meio, viagens para fora com os gatos atrás e tantos outros momentos. Reage quando estou feliz e parece querer abraçar-me quando estou triste. 
Até há uns meses atrás era uma gata enérgica e brincalhona, por vezes resmungona, sobretudo quando os outros gatos a chateiam, ou quando está confortavelmente adormecida no meu colo e eu me mexo um milímetro. Só é meiga comigo e não há forma de mudar isso. Todas as outras pessoas são-lhe razoavelmente indiferentes, podendo por vezes libertar um pouco do seu charme e lançar uma turrinha, mas pouco mais do que isso e é só quando ela quer. Os olhares dengosos, os miados que me respondem, a cumplicidade, é só para mim. 
Pela altura do verão a Blue começou a perder algum peso. No início não me preocupei muito, porque os gatos perdem sempre muito pêlo por esta altura (o que os faz perder volume) e porque noto que comem menos quando está calor e, sobretudo, quando vamos de férias (há ali um princípiozinho de depressão que os assola). O verão passou e nada de ganhar peso, tendo começado a perder a sua típica energia. Deixou de reagir às bolas de papel, aos brinquedos do Mel, ao próprio Mel, sempre pronto para a brincadeira e a saltar para cima dos meus velhotes, às minhas tentativas de brincar às escondidas com ela. Como já é idosa e lhe restam poucos dentes, pensei numa segunda alternativa: está a evitar a ração, que lhe custará mais a comer e está com menos energia por isso. Comecei então a dar-lhe todos os dias um pouco de comida húmida. Come bem (uma gulosa de primeira) ganhou alguma energia (sobretudo quando ouve o som da lata, a esperta), mas o peso permaneceu igual e por isso há umas semanas fomos com ela ao veterinário e aproveitámos e levámos o Mel, o nosso mini gato, que andava com as gengivas vermelhas e que se coçava muito na zona da boca (foi preciso bocejar quase em cima de mim, para perceber o quão vermelho estava). Do Mel, as notícias do costume, mas que muito me apertam o coração: que é um gato especial, que não tem quase defesas e que o provável é que estejam constantemente a aparecer-lhe pequenos problemas, nomeadamente esta gengivite que poderá voltar a qualquer momento. Estava com as gengivas bastante inflamadas e com pus e teve que levar duas injecções. Simpático como só ele, esteve o tempo todo a fazer ronron, deitado na marquesa, super bem disposto (pudera, também conhece muito bem o espaço e as pessoas que lá trabalham de tanto tempo que lá esteve e tantas visitas que tem feito), mesmo enquanto era picado e pesado.  O Mel é uma espécie de estrela da companhia lá no vet, todos o conhecem e querem vê-lo e fazer-lhe uma festa. Vem sempre uma auxiliar que o mima e que fica ali a conversar com ele, o que me faz saber, também por isto, que é o sítio certo para os meus bichos. 
A Blue está com um princípio de insuficiência renal, aquilo que a Vet diz ser o calcanhar de aquiles dos gatos. Havia outros sintomas que eu não tinha valorizado, como o facto de a ver beber muita água (quando me apercebi do exagero foi exactamente no dia em que já tinha decidido levá-la a uma consulta). Felizmente os valores não são elevados, mas implicam alteração na alimentação, medicação e acompanhamento regular. Está na terceira semana de tratamento e este fim de semana repetiu as análises e está a reagir muito bem. Já recuperou energia, já voltou a ser ela. O peso mantêm-se mais baixo do que o habitual, que sempre foi uma gata robusta e grande, mas noto-a mais ela. Já corre, já brinca, o que me deixa tão mais aliviada. 
Isto para vos dizer, a todos os que têm animais, que a mais pequena alteração no comportamento do vosso animal é quase sempre uma confirmação de que algo não está bem. Pode ser algo simples, como a gengivite do Mel que o levava a coçar-se a cada dois minutos, ou algo mais complicado e que, detectado a tempo, pode ser bem acompanhado e revertido, mas uma simples mudança de comportamento, significa que algo mudou dentro deles. O P. tende sempre a desvalorizar e achar que está tudo bem (essa é a postura dele perante tudo na vida), eu fico sempre mais atenta e opto pelo caminho mais seguro, prefiro sempre a prevenção. 
Já antes nos aconteceu com o Tobias, um gato super humanizado, que anda sempre atrás de nós e o simples facto de passar um ou dois dias inteiros dentro de uma transportadora por opção dele (ele prefere sempre o nosso colo ou o sofá), foi o primeiro sinal para um diagnóstico de pancreatite. Fiquem atentos, sem exageros, claro (como a minha querida irmã que é hipocondríaca com ela e com os gatos, um sonho de qualquer veterinário menos honesto), mas sempre que uma alteração se dá por dias e dias, é de verificar. Para eles o melhor - só assim, com esta entrega e este cuidado, nos devemos permitir ter animais. 

12 comentários:

  1. Tens uns gatos super adoráveis e ve-se que gostas mesmo muito deles, pela maneira como escreves.
    Fico feliz por ela estar melhor :)

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    1. Obrigada pelo carinho. Para mim, são família :-)

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  2. Embora agora não tenha gatos (tenho dois cães), tive uma siamesa parecida com a tua Dona Blue. De facto, eles são como as pessoas, têm a sua personalidade e quando estão diferentes, é porque algo não está bem.
    Obrigada por passares essa informação porque há muita gente que não dá valor às alterações de comportamento dos animais.

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    1. Sim, acredito que possa alertar algumas pessoas que podem desvalorizar pequenas alterações. Lá em casa seria assim, se eu não fosse super atenta.

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  3. Eu tenho dois cães e sou sempre super atenta a eles. Como os conheço tão bem penso que é muito fácil perceber quando algo não vai pelo melhor mas são animais e como não falam por vezes não é fácil perceber o que se passa com eles.
    Beijinhos

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    1. Exatamente. Percebemos que algo se passa, o difícil é perceber o porquê. Mas nada como estar atento e comportamentos diferentes e duradouros devem ser obrigar a uma visita ao veterinário.

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  4. Pois... o Tobia da minha mãe partiu por problemas renais. É uma doença que morde pela calada, pois ele parecia igual, com o apetite do costume, e de repente ficou mais murchinho... foi operado, mas já não conseguiu sobreviver... e tinha sido adoptado 3 anos antes, depois de dois ou três anos de rua... muita força para os teus meninos!!

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    1. A Blue tb começou a ficar mais murcha, mas como já é velhota, eu não me preocupei muito. Felizmente a perda de peso já não achei tão normal. É de facto uma doença terrível nos gatos. O vosso era tão novo, mas certamente foi muito feliz no tempo em que viveu com a tua mãe.

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  5. Tão queridinhos os seus gatitos! As rápidas melhoras para a sra Dona Blue :-)

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  6. Bom dia, louvo o seu amor pelos animais, pois também tenho uma cadela.
    As melhoras para o bichano.

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