19 de dezembro de 2016

Dos presentes

Quando conhecemos muito bem uma pessoa sabemos perfeitamente o que oferecer. O pior é quando nem dois dias depois de presente comprado, a pessoa insinuar a sua intenção de comprar o mesmo. Foi assim com a prenda do P. para este Natal - bilhetes para o Nos Alive para dia 6. Sábado tive que antecipar o Natal lá em casa (a nossa única regra no Natal é que sejam presentes para nós!), e entreguei-lhe um recado a pedir para tirar os dias 6 e 7 de julho de férias, que nós não caminhamos para jovens e promete-se uma noite em grande, depois os bilhetes. Vacilei tanto entre o dia 6 e o dia 8, mas depois ele manifestou vontade em comprar bilhetes para dia 6 e eu soube que tinha acertado na mouche. Tive imensa sorte com o festival a arranjar-me a solução perfeita para o presente dele, para nós. 

16 de dezembro de 2016

Os gatos, esses seres independentes e traiçoeiros

Maridão esteve fora esta semana toda. O novo emprego levou-o até à Alemanha, país onde já viveu e onde já fomos os dois muito felizes. Chega hoje, perto das 22h e eu estou já a magicar uns petiscos do outro mundo para uma ceia a dois (mais quatro, claro) para matarmos saudades e me contar como correu tudo, com o detalhe que as chamadas diárias não exigem. 
Foi uma semana de muito gato no colo, o que a considerar que sou apenas uma, foi exigente, porque eles gostam todosssss de colo. Tiraram senhas e a coisa correu bem - isto é como quem diz, que vieram dois de cada vez, sempre que um se levantava para fazer algo, outro vinha a correr para ocupar o lugar quentinho. Nunca dormimos com os gatos, o nosso quarto é só nosso, mas como estava sozinha e a empregada só ia hoje, lá os deixei dormir comigo (a verdade é que já não estou habituada a dormir sozinha). Foi bonito de se ver - para eles, que eu não dormi nada de jeito. Ora era o Tobias e os seus seis Kg, que a meio da noite queria festas e se deitava em cima de mim a miar ao meu ouvido e a por a pata na minha cara (seria fofo se não parecesse tortura), ou o Mel, jovem que é, que queria brincadeira com os meus pés, atacando-me sempre que me mexia, em momentos alternados com outros em que acordava com a sua cara linda encostada à minha e um ronron feliz como se não houvesse amanhã, ou a Blue que queria expulsar a malta toda, para ficar comigo só para ela (sou a humana dela, nada a fazer), enroscando-se bem encostada a mim, como sempre adorou fazer. Dona Gata não se fez ouvir e tenho para mim que ficou parte da noite no sofá, para não stressar, que ela é dada a nervos fáceis e a discussões tontas e barulhentas, com direito a perseguições com a Blue (coisas de gatas, há mais de dez anos juntas e continuam a não se poder ver à frente). São companheiros maravilhosos. Não me deixam nunca sentir sozinha, nem mesmo quando quero estar sozinha, como nas idas ao wc, em que, ou deixo a porta aberta para passearem e "conversarem" comigo, ou fecho a porta (quando há mais gente em casa) e ficam do lado de lá a chamar-me. Há sempre um mirone enquanto tomo banho e, enquanto me visto, os rapazes aproveitam para se esticar no chão, a pedir festas, que agradecem com marradinhas que me dão pela casa enquanto corro para tratar de tudo antes de sair, deixando-me cheia de pelos que vou tirando pelo caminho para o trabalho. Eles são mais melosos e sociáveis, dão-se bem como toda a gente, elas são mais autoritárias com os restantes gatos, mais selectivas e querem sempre atenção exclusiva. Já eu, sou uma sortuda por ter estes 4 gatos maravilhosos. 

15 de dezembro de 2016

Até sempre B.

Atordoada que estou com a partida de uma pessoa que não via há alguns anos mas com quem falava por vezes no fb (a última vez foi há menos de um mês, porque ele procurava um gato para os seus pais) e que sempre soube e senti que era alguém genuinamente bom, de sorriso sincero, não consigo deixar de pensar em como passamos a vida agarrados a coisas supérfluas, agastados com discussões desnecessárias, muitas vezes com as prioridades trocadas e com os sonhos perdidos algures no tempo. Vivemos demasiado submissos às obrigações do dia a dia, sem tempo para nós, sem tempo para os que nos são realmente importantes. Estava sozinha em casa (o P. está na Alemanha) e estava a preparar-me para uma noite de séries quando soube e, desde esse momento, só consigo pensar em como tudo pode mudar num minuto e em como devemos viver cada dia como se fosse o último, com gratidão plena por tudo o que temos, amando muito, sorrindo muito e lutando sempre pela nossa felicidade e pelos nossos sonhos.  

Dizia ele que eu era grande, que era uma pessoa excelente, admirava a minha entrega aos animais e a causas, quando ele é que era e eu nunca lho disse, por timidez parva, porque fico sem jeito quando me elogiam, porque achei que tinha tempo... quando o tempo era algo que estava a escassear. Lição aprendida: não deixar nada por dizer, nada por fazer, nada por viver e não tomar nada como garantido.  Escrevo-o em lágrimas, com o coração apertado, mas grata por ter tido a oportunidade de conhecer esta pessoa maravilhosa. 
 

7 de dezembro de 2016

Já aqui me confessei apaixonada por vestidos

E estes três andam mesmo debaixo de olho:




Na loja do costume, Zara.
Como sou uma pessoa razoável, vou escolher um dos três para me oferecer pelo Natal mas só e porque são o tipo de peças que adoro, que são a minha cara e que uso mesmo muito! Mas não fujo à minha regra, comprar uma peça nova implica sempre o desapego de uma que já não uso ou não lhe sinto a falta, que segue para alguém que possa realmente gostar e usar. 

6 de dezembro de 2016

Há coisa de um ano estava eu tranquilamente alapada no sofá em casa quando num momento de preguiça lânguida deixei descair uma mão e apercebi-me que tinha um alto na mama direita. Só o sentia com o braço direito levantado, mas ele estava lá. Algo que não fazia parte de mim e que aparecia numa zona onde todas sabemos que não é de descurar. Só que eu sou péssima com esta coisa da minha saúde e tão mais chata e insistente com a dos outros e andei a adiar, adiar, adiar, até ao dia em que me apercebi que o nódulo continuava lá e que se sentia mesmo sem ter que levantar o braço. Asneiradas mentais à parte, lá marquei consulta com a médica de família, porque tenho uma das (abençoadamente) boas e atentas. Quando lá cheguei, depois de expor a situação, foram duas as médicas a apalpar-me e a passar logo os exames necessários, aconselhando sítios da sua confiança onde os poderia fazer. Bem comportada, lá fui eu fazer a eco mamária e a mamografia e vim de lá com os cabelos a quererem por-se-me em pé, depois de me dizerem que provavelmente teria que ser operada. Chegada a casa, vai de espreitar o relatório só porque sim e como não percebia nada daquilo, fui ao google, esse senhor sabe tudo, para perceber melhor. Ora acontece que estes exames podem dar origem a uma escala, a BI-Rads, que vai do zero ao cinco e eu estava ali no 4, ainda que no 4A. E o que diz o 4A? 

Categoria 4A: nessa categoria incluem-se lesões que necessitam de intervenção mas cujo grau de suspeição é baixo. Aí estão os cistos complicados que necessitam de aspiração, as lesões palpáveis sólidas, parcialmente circunscritas, e que o ultrassom sugere tratarem-se de fibroadenomas, ou um abscesso mamário. O seguimento dessas lesões pode mostrar um diagnóstico anátomo-patológico adicional comprovando malignidade, ou um seguimento semestral benigno.

Ainda assim, optimista como sou, guardei as preocupações para depois de falar com a minha médica. Quando mostrei os exames, novamente duas médicas, que só me diziam: "Tenha calma, que pode não ser nada". Aí comecei a preocupar-me verdadeiramente. Disseram que me enviariam para o hospital da cidade, mas que gostavam que eu tivesse um diagnóstico mais rápido e que fosse logo à Fundação Champalimaud.  Aqui só aceitam casos que podem de facto ser de cancro e depois de mostrar os exames e o relatório lá fui aceite. No dia da consulta o P. foi comigo, ambos certos de que tudo iria correr pelo melhor. Já me bastava a luta contra a endometriose, essa cabra que me tem atirado para camas de hospital vezes demais, não iria ganhar mais uma mazela. 

A fundação está num edifício espectacular, moderno, à beira rio, com uma vista fantástica e um jardim interior magnífico, tudo muito claro e muito clean, tudo a contrastar com o peso que senti na sala de espera, onde havia pessoas em fase de tratamento contra o cancro, onde a tristeza é uma constante e por vezes a esperança já não brilha no olhar. Mentalmente imaginei-me a passar por tudo - como não imaginar se eu estava ali com a possibilidade de ter cancro? - e o que mais me pesava no momento? Ter que contar à minha família se se confirmasse. Só o P., o meu irmão, cunhada e uma das minhas irmãs sabiam o que se estava a passar e ainda hoje, só eles sabem.  Isto porque, felizmente, na FC fizeram novos exames e consideraram que nesta fase, tem todas as características de benignidade, mas recomendaram consultas semestrais para fazer o acompanhamento, até porque, além do que se sente, encontraram outros nódulos. Por sorte e com estes exames e historial consegui, na consulta da endometriose que faço também semestralmente, que me passassem para a consulta da mama no Hospital de Santa Maria. Brevemente farei nova eco e em finais de Janeiro lá estou eu para mostrar as mamas. À endometriose junta-se mais esta rotina semestral, mais consultas, mais exames chatos, mas sei que estou bem acompanhada, num hospital onde só tenho coisas boas a dizer. O que vier virá com alguém deste lado sempre pronta para vencer qualquer batalha. Porque a escala BI-RADS pode mudar novamente. Mas eu acredito sempre e só em finais felizes.  

Tudo isto apenas para lembrar, a quem está desse lado, que é importante estarmos atentas ao nosso corpo, é importante identificar cada mudança, é importante apalpar as nossas mamas regularmente e, acima de tudo, não descurar a nossa saúde. Não se fiem nas estatísticas, nos ditos grupos de risco, nas idades que estabelecem, não se limitem a um não quando algum médico vos recusa um exame e não se sentem realmente bem - peçam segundas opiniões, informem-se.  Cuidem-se como devem e como merecem. 



5 de dezembro de 2016

Não contribuí para o Banco alimentar contra a fome

Talvez pela primeira vez em anos, desde que me lembro. Mas porque contribuí para outras causas, duas delas mais locais e por isso menos conhecidas. São duas instituições sociais da cidade onde trabalho, cuja recolha, ainda a decorrer, incide em produtos essenciais e que nós, no nosso dia a dia até nos esquecemos do que seria a nossa vida sem os mesmos. Não falo só de comida, mas de produtos de higiene, indispensáveis para o nosso bem estar. Enchi um saco com embalagens de pensos higiénicos e produtos de limpeza. E ainda papas lácteas, kg de arroz e paletes de leite. Quero ainda comprar materiais para a escola: cadernos, canetas, lápis...coisas tão simples e tão acessíveis para mim, quanto inacessíveis a quem mais precisa e para quem todo o incentivo é importante para dar continuidade à sua formação. 
Brevemente vai haver uma recolha de livros em segunda mão para venda, cujos valores revertem para uma associação animal e eu juntei já mais de vinte livros para doar, entre livros que me ofereceram e que não têm anda a ver comigo, livros que li e que não me marcaram e livros que não sei sequer como foram parar lá a casa, é sempre uma forma de ajudar. Enchemos ainda três sacos de roupa boa do P. que ele não usa e doámos à Igreja.
Na semana passada seguiu a nossa prenda para os Anjinhos de Natal, cuidadosamente comprada, embrulhada e enviada com a esperança de dar alguma alegria ao Anjinho que me calhou, o S. e fiz ainda um pequeno donativo para a fundação do Gil. Sou grata por tudo o que tenho, sou grata por poder ajudar. 
As causas são mais do que muitas e as necessidades maiores do que possamos imaginar. Escolham causas que vos tocam no coração, sejam elas de ação junto de pessoas ou de animais. Escolham causas mais conhecidas ou causas locais, instituições pequenas em dimensão e fama, mas grandes em papel que desempenham, que são as que muitas vezes mais precisam. Seja em dinheiro, em roupa que não precisam, livros, bens alimentares, o pouco que vos possa parecer, é sempre maior aos olhos de quem recebe. Escolham alegrar o Natal de quem mais precisa e vão ver como alegram o vosso coração também.

14

Sou uma pessoa de celebrações, de datas especiais, de reviver momentos importantes na minha vida, daqueles que nos mudam, que nos ajudam a seguir novos caminhos, a esquecer o que para trás ficou. Por vezes são momentos tão aparentemente simples, como profundamente importantes, são aquele pequeno clique no passado que nos permitiu chegar ao presente. Olho para trás e vejo como tudo poderia ter sido tão diferente e celebro o facto de cada momento da minha vida ter decorrido exactamente como decorreu para ter chegado ao aqui e ao agora. Hoje celebro os 14 anos do primeiro encontro que tive com o P. Aquele mágico encontro, do qual recordo cada detalhe, cada palavra, cada sorriso, sem sabermos ainda que estávamos prestes a arrancar numa dança que é perfeita a dois. São 14 anos que passaram a correr, de meninos a crescidos e tem sido tanto o que temos aprendido e tanto o que temos partilhado...
Não deixem que vos façam acreditar que a paixão acaba e apenas fica o amor, não deixem que vos digam como e o que devem sentir. As borboletas na minha barriga continuam a saltitar, como quando era aquela menina de 24 anos e o meu coração pulava de alegria quando me cruzava com ele nos corredores do trabalho ou quando ele sorria para mim sem que ninguém se apercebesse da cumplicidade que aquele sorriso me transmitia. E tudo é tão melhor agora que nos conhecemos no silêncio, que nos compreendemos sem termos sequer que falar, que não permitimos que as diferenças nos afastem. Os anos passam, mas eu nem dou por eles, certa de que nos conhecemos há mil anos e que mil anos temos pela frente.