6 de dezembro de 2016

Há coisa de um ano estava eu tranquilamente alapada no sofá em casa quando num momento de preguiça lânguida deixei descair uma mão e apercebi-me que tinha um alto na mama direita. Só o sentia com o braço direito levantado, mas ele estava lá. Algo que não fazia parte de mim e que aparecia numa zona onde todas sabemos que não é de descurar. Só que eu sou péssima com esta coisa da minha saúde e tão mais chata e insistente com a dos outros e andei a adiar, adiar, adiar, até ao dia em que me apercebi que o nódulo continuava lá e que se sentia mesmo sem ter que levantar o braço. Asneiradas mentais à parte, lá marquei consulta com a médica de família, porque tenho uma das (abençoadamente) boas e atentas. Quando lá cheguei, depois de expor a situação, foram duas as médicas a apalpar-me e a passar logo os exames necessários, aconselhando sítios da sua confiança onde os poderia fazer. Bem comportada, lá fui eu fazer a eco mamária e a mamografia e vim de lá com os cabelos a quererem por-se-me em pé, depois de me dizerem que provavelmente teria que ser operada. Chegada a casa, vai de espreitar o relatório só porque sim e como não percebia nada daquilo, fui ao google, esse senhor sabe tudo, para perceber melhor. Ora acontece que estes exames podem dar origem a uma escala, a BI-Rads, que vai do zero ao cinco e eu estava ali no 4, ainda que no 4A. E o que diz o 4A? 

Categoria 4A: nessa categoria incluem-se lesões que necessitam de intervenção mas cujo grau de suspeição é baixo. Aí estão os cistos complicados que necessitam de aspiração, as lesões palpáveis sólidas, parcialmente circunscritas, e que o ultrassom sugere tratarem-se de fibroadenomas, ou um abscesso mamário. O seguimento dessas lesões pode mostrar um diagnóstico anátomo-patológico adicional comprovando malignidade, ou um seguimento semestral benigno.

Ainda assim, optimista como sou, guardei as preocupações para depois de falar com a minha médica. Quando mostrei os exames, novamente duas médicas, que só me diziam: "Tenha calma, que pode não ser nada". Aí comecei a preocupar-me verdadeiramente. Disseram que me enviariam para o hospital da cidade, mas que gostavam que eu tivesse um diagnóstico mais rápido e que fosse logo à Fundação Champalimaud.  Aqui só aceitam casos que podem de facto ser de cancro e depois de mostrar os exames e o relatório lá fui aceite. No dia da consulta o P. foi comigo, ambos certos de que tudo iria correr pelo melhor. Já me bastava a luta contra a endometriose, essa cabra que me tem atirado para camas de hospital vezes demais, não iria ganhar mais uma mazela. 

A fundação está num edifício espectacular, moderno, à beira rio, com uma vista fantástica e um jardim interior magnífico, tudo muito claro e muito clean, tudo a contrastar com o peso que senti na sala de espera, onde havia pessoas em fase de tratamento contra o cancro, onde a tristeza é uma constante e por vezes a esperança já não brilha no olhar. Mentalmente imaginei-me a passar por tudo - como não imaginar se eu estava ali com a possibilidade de ter cancro? - e o que mais me pesava no momento? Ter que contar à minha família se se confirmasse. Só o P., o meu irmão, cunhada e uma das minhas irmãs sabiam o que se estava a passar e ainda hoje, só eles sabem.  Isto porque, felizmente, na FC fizeram novos exames e consideraram que nesta fase, tem todas as características de benignidade, mas recomendaram consultas semestrais para fazer o acompanhamento, até porque, além do que se sente, encontraram outros nódulos. Por sorte e com estes exames e historial consegui, na consulta da endometriose que faço também semestralmente, que me passassem para a consulta da mama no Hospital de Santa Maria. Brevemente farei nova eco e em finais de Janeiro lá estou eu para mostrar as mamas. À endometriose junta-se mais esta rotina semestral, mais consultas, mais exames chatos, mas sei que estou bem acompanhada, num hospital onde só tenho coisas boas a dizer. O que vier virá com alguém deste lado sempre pronta para vencer qualquer batalha. Porque a escala BI-RADS pode mudar novamente. Mas eu acredito sempre e só em finais felizes.  

Tudo isto apenas para lembrar, a quem está desse lado, que é importante estarmos atentas ao nosso corpo, é importante identificar cada mudança, é importante apalpar as nossas mamas regularmente e, acima de tudo, não descurar a nossa saúde. Não se fiem nas estatísticas, nos ditos grupos de risco, nas idades que estabelecem, não se limitem a um não quando algum médico vos recusa um exame e não se sentem realmente bem - peçam segundas opiniões, informem-se.  Cuidem-se como devem e como merecem. 



12 comentários:

  1. Vou seguir o teu conselho. Já fiz ecos mamárias devido a "algo duro" que sentia no peito, que n era bem um nódulo, felizmente n acusou nada, mas apanhei um susto... Tenho apenas 25 anos mas já ando meio-atenta.
    Fico contente por ser benigno no teu caso e acredito que tudo se vai resolver :)
    Muita força*

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    1. Que bom que desse lado correu tudo bem e acaba por fazer com que estejas mais atenta, o que é tão importante, independentemente da idade. Beijinho!

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  2. Há ano e meio, aconteceu-me o mesmo, mas num exame de rotina, anual por ter quistos mamários. O meu não era palpável, nem visível na mamo. Quando perceberam da sua existência na eco, mandaram-me repetir a mamo numa outra posição mas continuava "invisível".
    Saí de lá também com um rads4.
    Menos de 1 mês depois estava a fazer uma biopsia, cujos resultados só chegaram 3 semanas depois... era pré cancerígeno e teria que ser removido, o que aconteceu em setembro do ano passado.
    Correu tudo muito bem, apanhei uma equipa de senologia impecável e agora só já faço os exames de ano a ano.
    Tive muita, muita sorte e agradeço todos os dias por isso!!

    Desejo, do fundo do coração, que o teu processo corra tão bem ou melhor do que o meu!!

    Força!!

    Maria

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    1. Fico feliz por desse lado tudo ter corrido bem. E que daqui para frente seja sempre a sorrir! :)

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  3. As 8h50 já a comentar no blog da Pipoca??? Tem mesmo o teu ar aquele look, então não?...alguma vez? Olha e não deverias estar a trabalhar a essa hora? O teu empregador que saiba.......

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    1. Oh, a anónima sabe lá o que eu consigo ler e comentar no telemóvel enquanto tomo o meu abatanado com os meus colegas de trabalho. É a loucura!
      Quanto ao look, não se apoquente, que é daqueles que eu sei que fica bem na Pipoca, mas que a mim não ficaria (ou só se pode gostar daquilo que usaríamos?). Apenas compraria os sapatos, já que tenho vários do género - ficam bem com o meu tom "beije" :)

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    2. Ai Bê, gabo-te a paciência para seres tão educada, a sério! Já agora, a anónima conhece o teu ar pessoalmente ou só do pouco que mostras aqui, em fotos? Ficou-me essa curiosidade...
      J.

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    3. A sério que num post em que é exposto um problema de saúde que pode vir a ser grave, há quem venha com estas mesquinhices?
      Que corra tudo bem Bárbara!

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  4. Olá Bárbara! É a primeira vez que comento no seu blog. Sei que lida com a endometriose há muito tempo e gostava de recomendar-lhe as constelações familiares (constelar o sintoma físico neste caso). Não sei se alguma vez ouviu falar disso ou se acredita neste tipo de terapias mais alternativas mas fica o conselho 😉 Desejo-lhe tudo de bom! Bjinhos

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    1. Olá minha querida. Não só acredito em terapias alternativas, como sou reikiana e felizmente o reiki tem sido uma benção nestas questões de saúde. Entretanto fiz mais cursos e desenvolvi outras terapias que muito me têm ajudado. Conheço as constelações, embora nunca as tenha feito para esta questão específica - grata pela sugestão!

      Um beijinho grande e tudo de bom.

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    2. Está tudo explicado!!!

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  5. Espero sinceramente que não seja nada de especial e que rapidamente esta preocupação te saia de cima! É daquelas coisas que nos deixa sempre com o coração nas mãos.

    Por acaso tenho muito o hábito de "fazer a ronda". Levanto os braços, apalpo, mexo aqui e ali, sei lá. Better safe than sorry, não é?

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