31 de março de 2017

Amor felino

Há catorze anos atrás arranquei para uma nova fase da minha vida. Na mala levava um sofá velho, uma mobília de quarto antiga, muitos livros e a minha gata Blue, então com um ano. Ia cheia de vontade de avançar para a aventura de morar sozinha (mas bem acompanhada), de finalmente tornar-me independente, de dar o passo seguinte e natural na vida de uma miúda de 24 anos. Tinha um bom emprego, tinha carro, tinha muitos sonhos na cabeça e tinha o P., na altura a viver na Alemanha. Pouco depois, o P. juntou-se a nós, o Tobias surgiu na nossa vida e, dois anos depois Dona Gata esperava por nós, enfiada numa jaula do veterinário, depois de ter sido encontrada sabe-se lá em que condições. Foi aí que começou a fase mais bonita da minha vida e que ainda dura, contornando todas as teorias fatalistas das crises dos sete anos e afins. Agora somos dois humanos e quatro gatos, já que o Mel veio completar esta família com o seu jeito doce  e companheiro. Somos uma família atípica, mas somos uma família feliz.
Hoje a minha Blue faz 15 anos. No corpo já idoso de gata carrega algumas mazelas, a mais grave uma insuficiência renal felizmente detectada a tempo de a tratarmos com todos os cuidados, comida especial e medicação que merece. É resmungona, gulosa, brincalhona (já foi bem mais) e tem, aos olhos de todos, o terrível defeito de só ter olhos para mim nesta vida, o que eu acho, aqui para nós, uma verdadeira delícia. É a minha companheira, sei que me entende, sei que sabe quando estou chateada ou triste, sabe quando estou disponível para lhe dar todo o mimo do mundo. Adora enroscar-se em mim no sofá e, de preferência, expulsar qualquer um dos nossos outros gatos das redondezas. Já não lhe encontro a força de antes, sinto-a por vezes mais distante, mas continua sempre atenta a mim. Sei também que não se seguem mais quinze anos e isso dói-me com a certeza de que ela se encaminha para a última etapa da sua vida. E tudo o que eu quero é que ela a viva com serenidade e a sentir o amor que nutro por ela. Porque ela é a minha Gata, como eu sou a sua humana.
Aqui à espera que eu acabe de trabalhar, para lhe dar a atenção que quer :-)

24 de março de 2017

Este mundo em que vivemos...


Destas duas imagens, a de baixo tem estado a correr mundo, referindo a muitas vozes que a mulher que segue com o telemóvel na mão é indiferente ao terror que se está a passar. Como se não quisesse saber. Eu vejo uma mão a tapar a visão periférica de alguém que muito possivelmente teria que passar ali, mas a quem custava sequer ver o que estava a acontecer. Não a condeno. Tenho um estômago para lá de potente, sei que se estivesse ali ajudaria quem pudesse como pudesse, mas venho de uma família de pessoas mariquinhas sensíveis capazes de desmaiar ao primeiro pingo de sangue (true story). Ontem, a imagem de baixo proliferava já pelo facebook fora, incitando palavras e sentimentos de ódio. Hoje surgiu, no mesmo contexto, a imagem de cima. Felizmente. Se for um caucasiano já ninguém diz nada, mas pelo menos mostra reacções comuns, independentemente da etnia, religião ou género. Da minha parte, como mulher ocidental, lamento por todos os inocentes que sofrem palavras e actos de ódio por esse mundo fora...

22 de março de 2017

Sim, também tenho uma espécie de opinião sobre amamentação

Mas tu não és mãe, dirão alguns. Mas sou mulher, sou tia, sou irmã bem mais velha e apetece-me partilhar o que me vai na alma. 
A minha mãe não me amamentou, numa altura em que, felizmente, não lhe caiu ninguém em cima, culpando-a impiedosamente do facto de eu, simplesmente, ter recusado o seu leite, quer era fraco e insuficiente. Outros tempos. Felizmente não cresci burra que nem uma porta ou carregada de problemas de saúde e o laço estabelecido com a minha mãe está mais para corda de ferro do que para  fita de cetim. A minha mãe não me deixou dormir no quarto dela até eu querer, muito menos na sua cama  - não me lembro sequer se alguma vez dormimos juntas, embora seja possível que sim. A minha mãe deixou-me inúmeras vezes na casa dos meus avós, desde bem pequenina, sobretudo nas férias, quando ela ainda não as podia tirar. E que férias felizes e vínculos profundos estabeleci eu com a minha avó, a quem ainda hoje lhe sinto a falta. E sabem que mais, a minha mãe é a melhor, a mais querida, a pessoa que melhor me conhece e a minha melhor amiga. Aquela a quem confio tudo, mas mesmo tudo, aquela que sei que me dirá sempre a verdade, por mais crua que possa ser. A minha mãe ensinou-me valores profundos e honestos, deu-me das mais valiosas lições de vida e de amor, quando contra tudo e contra todos se divorciou do meu pai e fez de tudo para que nunca nos faltasse nada - e se me faltaram algumas coisas (houve alturas em que a comida não abundava e a roupa muito menos), não me faltou nunca amor, carinho, tempo e compreensão. Falamos a toda a hora, sobre tudo e sobre nada e estamos agora naquela fase em que já invertemos um pouco os papéis, em que me sinto irremediavelmente atenta a todas as questões de saúde. A lei da vida, dirão uns, uma valente treta digo eu, que sou dada a preocupações fáceis no que diz respeito aos que amo. 
E porque resolvi eu hoje escrever sobre isto? Porque numa altura em que se fala muito da amamentação, do co-sleeping e de mais umas quantas questões que me devem estar a passar ao lado, eu diria que o mais importante é que cada família tome as suas decisões em consciência com as suas necessidades, mas não esquecendo nunca de pensar no futuro, no crescimento, no desenvolvimento dos seus petizes e das suas relações. Mas cada um sabe de si e nestas questões eu acho que se deve, acima de tudo, respeitar as opções dos outros. O problema é que o que vejo são algumas mães adeptas do co-slpepping "até eles quererem" e que amamentam os filhos até aos 37 meses e meio (e que sim, muitas delas falam por meses até idades mais crescidas) a criticar profundamente as mães que não o fazem. E mesmo não sendo mãe e não fazendo eu a mínima ideia do que faria no meu caso (uma coisa é o "suponhamos" outra é a realidade, não vou estar aqui a dizer que eu faria assim, quando sei que a realidade nos troca as voltas) fico de cabelos em pé de cada vez que vejo essa crítica, muitas vezes nada velada. Ainda há dias, num grupo de vegetarianos no facebook uma mamã dizia que por razões alheias à sua vontade, teria que deixar de dar mama ao seu filhote de 11 meses e pedia sugestões sobre o que dar, como dar, enfim, aquelas coisas que eu acho que não devem ser perguntadas em grupos muitas vezes cheios de pessoas extremistas e julgadoras de todos os que são diferentes de si. Mas adiante, quem nunca? Ora bem, podem imaginar a quantidade de mães que em vez de ajudarem, julgaram, criticaram, falaram dos seus exemplos de mães amamentadoras até idades bem acima dos onze meses. Em vez de orientarem uma mãe que se notou nas suas palavras que se sentia sem chão por não ter alternativa, fizeram com que se sentisse bem pior e arranjaram mil e uma razões para ela não deixar de o fazer, mesmo não sabendo a causa (que só à própria diz respeito). Isso mexe-me com os nervos, dá-me ânsias assistir à facilidade com que se abala uma pessoa, sobretudo não se sabendo nada da sua vida. 
Mais do que filhos dependentes, como muitos referem, por vezes preocupa-me que esteja aí uma geração de mães extremamente dependentes dos seus filhos e que podem vir a sofrer quando eles crescerem e abrirem as suas asas para voar, algo tão natural quanto inevitável e que é desejável que assim seja. Para além disso, acho que falta muita tolerância face à diferença. Quem somos nós para nos achar o melhor exemplo de todos? E para julgarmos a vida dos outros à luz da nossa realidade? Amamentem enquanto puderem e onde quiserem e desfrutem dessa fase, mas não se sintam culpadas se por alguma razão não o puderem fazer tanto quanto desejariam. Decidam o que é melhor para a vossa família sobre as dormidas, tudo ao molho na mesma cama, ou nos seus quartinhos a partir dos seis meses. Acima de tudo, respeitem as vontades e escolhas dos outros - respeitar não é concordar, mas sim aceitar que cada um é decisor das suas vidas com base em muito mais do que aquilo que possamos pensar que sabemos. E sejam felizes com as vossas decisões - essa felicidade é sentida por aqueles que vos rodeiam ;-)

21 de março de 2017

Comprinhas

Andava há algum tempo à procura de um casaco destes. Já tinha experimentado vários, em todas as lojas e de vários preços. Andava a namorar este no site da Zara, mas com um receio tremendo de o comprar e depois não gostar de me ver. Depois, o dilema do tamanho, que na ZARA me é sempre um S; mas uma pessoa sabe lá se e não me apetecia arriscar, já me deixei destes devaneios impensados. No site dá para ver em que lojas há e quais os tamanhos disponíveis em cada uma delas, mas foi uma autêntica caça aos gambuzinos, com o site a dizer-me que havia na loja x e depois eu chegava lá e nada. Até que um dia, por acaso, fui almoçar com o maridão em dia de trabalho ao shopping da cidade e dei um pulinho na loja, só por puro descargo de consciência e certa de que já estava perdido para sempre. A sério, a ZARA tem uns cinco modelos diferentes deste género, mas nenhum deles me ficava exactamente com eu idealizava. E lá estava ele, lindo, maravilhoso e perfeito. Infelizmente era um XS e embora me servisse, não dava para apertar na perfeição. Disseram-me que no dia seguinte teriam S, mas que tinha que ligar de manhã a reservar. E em boa hora o fiz, porque quando cheguei para me alapar a ele para sempre, já não havia mais S, tinham voado todos enquanto o diabo esfregava o olho. Adoro-o, cai super bem e tem feito imenso sucesso. Uma relação para durar! 



20 de março de 2017

Insta*moments

Sem tempo para muito mais do que escrever apenas algumas linhas, ficam aqui algumas fotos aleatórias dos últimos dias:

 Passeios pela mágica Sintra, local onde não nos cansamos de voltar. Depois de um maravilhoso almoço entre amigos, na Ericeira, fomos literalmente encher-nos de queijadas maravilhosas, até rebolarmos.
 Dom Mel tem andado doentinho. Vai ser sempre frágil e sujeito a toda e qualquer doença. Depois de chegarmos do Vet, não desperdiçou a oportunidade de receber mimo, que retribui sempre da forma mais doce.

 Por outras paragens, esta a norte do Sado, onde há tantos e tão maravilhosos restaurantes. Comi umas ovas que me encheram as medidas e os desejos. 

 Tobias aproveita cada bocadinho de sol que nos entra pelas janelas. 

 Depois de quase um ano de corte de cabelo acima dos ombros, cá está ele bem grandão. Adoro variar e com não pinto (para além de achar que faz muito mal ao cabelo, tenho a sorte de não ter cabelos brancos) não sou capaz de ter o mesmo corte durante muito tempo. Hoje está assim, amanhã quem sabe!

 Sextas, sábados e domingos têm sido, obrigatoriamente, dias de ténis. Depois dos gazelle verde água, estes são a minha mais recente aquisição, tb eles a um preço para lá de simpático.

Para pessoas distraídas como eu e porque não só de agendas se faz a planificação no dia a dia, aqui fica um dos meus blocos fofinhos que me ajuda a organizar as prioridades, para que nada fique por fazer. 

E com isto, boa segunda-feira, boa semana e boa primavera! Que seja de muitos sorrisos e dias de sol coloridos.

13 de março de 2017

Filme do fim de semana

Estamos há algum tempo para ver o Manchester by the sea, mas a verdade é que este fim de semana não estávamos para aí virados e acabámos por escolher o Hacksaw Ridge, do Mel Gibson. Depois do Lion, que adorei e que me fez amuar com os óscares deste ano, estava mais voltada para algo com a tónica da 2.ª Guerra mundial, tema que mexe sempre com alguma parte do meu ser. Este filme não foi excepção. Transporta-nos para aqueles momentos quase esmagadores de uma violência terrífica, daquela capacidade corajosamente insana de ir em frente, a caminho da morte, da dor e da destruição, numa chuva de sangue e som que me dá a volta aos nervos. E no meio de tudo, a história verídica de um rapaz que, levando a sua fé e a sua bíblia, resolve alistar-se e partir para o Japão (após o ataque a Pearl Harbour) não para matar, mas para salvar. E mais não conto, porque não quero spoilar um filme que, para mim, vale tanto a pena, sobretudo pela mensagem que encerra em si. Recomendo. 





6 de março de 2017

Sou só eu?

Depois de anos da minha vida a usar lentes de contacto mensais, há uns anos atrás, quando fiquei desempregada, ainda que por pouco tempo, resolvi regressar aos óculos. A verdade é que a dependência das lentes piorou e muito a minha visão e o facto de ter voltado aos óculos, que só uso para conduzir, ver televisão, reuniões, fez com que melhorasse. O olho é um órgão cheio de preguiça e quanto menos trabalho lhe damos, menos ele quer trabalhar. Vai daí que agora só ando de lentes quando estou de férias e nos fins de semana, quando me apetece apreciar as vistas e não andar com os óculos atrás. Ora isto faz com que use lentes das diárias, na loucura, umas três/quatro vezes por mês, o que para mim é trágico, na hora de tirar as lentes. E porquê? Porque de tão automático me é o gesto que por mais do que uma vez dei por mim aflita, que não conseguia tirar as lentes, que as ditas se me tinham colado ao olho, que a desgraça tinha caído nos meus olhos e agora o que faço eu, que não encontro a lente...E, adivinhem? Pois claro que sempre que tal acontece e não as encontro é porque efetivamente elas não estão lá, tendo sido retiradas e deitadas fora com tal agilidade que nem me recordo do feito. Há uns meses a coisa foi de tal forma que andei com os olhos sensíveis dias e dias. Um disparate, que pode levar a verdadeiras lesões. Agora deixo sempre a embalagem vazia na casa de banho e quando retiro as lentes coloco-as lá e lá as deixo ficar de um dia para o outro, para que se me der a travadinha durante a noite, ao acordar e achar que não as tirei (true story) confirmar que já o fiz. Diga-me, pessoas deste mundo que usam lentes de contacto descartáveis, sou só eu que de vez em quando quase vazo um olho?  

1 de março de 2017

Não percebendo eu nada de moda

E deixando isso dos post's sobre vestidos para as verdadeiramente entendidas no assunto, digo-vos que, para mim, a Taraji (que eu amo de paixão no Empire) e a Viola (que é só para lá de maravilhosa) mostraram a praticamente todas as outras, como é que se faz para brilhar. Para mim, estão perfeitas: vestidos, jóias e cabelos.  




Longe vai o tempo em que em dia de óscares já tinha visto os filmes todos e conhecia de cor todo o elenco e parte da ficha técnica, a banda sonora e afins, o que me fazia ter uma listinha do que queria que vencesse aqui e ali. Uma pessoa envelhece cresce e depois é isto, anda a perder passo e a cerimónia deixa de ter o mesmo impacto. Este ano ainda só consegui ver alguns dos filmes, sendo que não vi ainda os mais falados. Para mim, até ao momento, destaco o Lion que me tocou profundamente e que encerra em si uma lição tão bonita - a do amor materno que se constrói no coração. Amuei um pouco porque não ganhou nada, mas adiante, ganhou espaço na minha memória dos filmes tocantes. Este fim de semana irei ver o Manchester by the sea e o Moonlight, sobre os quais tenho elevadas expectativas, aqui me confesso.  E já se sabe que nestas coisas, as expectativas podem ser tramadas...a ver vamos.