20 de agosto de 2018

Sei que não tenho propriamente escrito à velocidade da luz, muito pelo contrário, mas este ano tem sido daqueles. Muitas mudanças, muitas perdas, muita necessidade de adaptação. Mas eu cá continuo, optimista como sempre, a agradecer pela vida, pelas minhas pessoas, pelos meus gatos e pelo meu trabalho. Ora então nas últimas semanas finalmente mudámos de casa e de terra. Saímos dos arredores barulhentos de Lisboa e passámos para arredores serenos mais a sul, com uma serra como companheira e o sino da igreja a entrar-nos pela janela às 7h da manhã a par do canto dos galos e dos pássaros. Deixámos de precisar de despertador, porque na lânguida pacificidade do campo, acordamos com os sons que lhe são característicos. Seria de esperar que me custasse esta mudança, pela primeira vez longe dos meus pais, dos meus irmãos, da minha gente, mas a verdade é que nunca fui muito citadina e tem sido tudo muito fácil. Continuo a amar Lisboa, onde vou todas as semanas em trabalho, mas é no campo que reside a minha essência. À nossa volta, campos e campos de vinhas, praias maravilhosas e bem perto, a serra que tanto amo, uma vila castiça e mágica que vejo ao longe da janela do meu escritório, uma zona tranquila, suficientemente longe da confusão para me esquecer dela, mas tão perto que me permite fazer as coisas de sempre. Temos feito passeios lentos de mota a percorrer a zona, a descobri-la, senti-la e cheirá-la, de tão mágica que é. A casa cumpre os nossos requisitos e os dos gatos também! Finalmente têm espaço exterior onde passam grande parte do seu dia (por opção, porque têm sempre a porta aberta): a dormitar, a perseguir pequenos bichinhos e também eles a descobrir novos sons e cheiros. Nos entretantos, uma gatinha bebé que precisou do nosso socorro e, embora não sinta que seja o momento de ter um novo gatinho, por ser ainda muito recente e dolorosa a perda da Blue e do Mel, cá estamos como FAT desta menina curiosa mas assustadiça, com um início de vida complicado (chegou-nos às mãos esquelética, pequenina, de olhos assustados e patinhas queimadas). E Setembro quase a chegar. Um dos meus meses, aquele que escolhi para nascer, aquele que me verá em breve completar os 40 anos. Olho para trás e vejo o que mudou nos últimos cinco anos na minha vida. O quanto eu mudei. Não sem a nostalgia de tudo o que me faz falta, de quem me faz falta, mas preparada para o capítulo seguinte. Sempre com fé, sempre com sorrisos. Para todos, uma semana feliz.

15 de julho de 2018

De coração partido

 Blue - 2002/2018
Foto tirada em junho, no Alentejo, onde foi de férias connosco - aqui deitada na cadeira de jardim ao meu lado, com este olhar que fazia sempre só para mim. Porque eu era a sua humana

Pouco depois de 4 dias no Alentejo de férias connosco, em junho, onde já lhe sentia as forças a faltarem, os hábitos a perderem-se, mas onde desfrutou do cuidado de ser "gata única" e de estar sempre connosco, a minha Blue partiu. Foi no dia 11 de julho, no meu colo, debaixo dos meus beijos e palavras de amor eterno. Com a certeza de lhe ter dado sempre todo o amor que sempre mereceu e de ter o coração inundado de tristeza e a alma dilacerada, tento agora curar esta saudade que aumenta a cada dia. Num ano que tem sido tão duro para mim, procuro forças nos que ficam. De há dois meses para cá, todos os dias choro o Mel. Todos os dias lhe sinto a falta. Agora choro os meus dois amores, numa confusão de sentimentos e emoções que me diminuem o coração. Temos mais dois gatos, O doce Tobias (que tanto tem sofrido com estas ausências) e a Dona Gata, ambos tão cheios de amor e de carinho, também eles já idosos, mas saudáveis. Éramos seis, somos agora 4 e a casa parece tão profundamente vazia... Isto de se amar profundamente os animais tem este lado da moeda que é o facto de a presença deles por aqui ser tão mais curta do que a nossa. E quem os ama bem sabe a dor que é perdê-los.

9 de julho de 2018

Onze anos de memórias empacotadas

A casa onde ainda estou foi a casa onde vivi mais anos da minha vida. Desde pequena, após o divórcio dos meus pais, vivi anos saltitantes entre Almada e o Alentejo e, mais tarde, entre  a minha mãe e o meu pai, que ao longo dos anos, mudaram algumas vezes de casa. Aqui foi onde vivi mais anos e têm sido os anos mais felizes da minha vida, com imensas quedas no caminho, mas ainda assim, repletos de sorrisos, de amor, de cumplicidade, de concretizações. Não está a ser fácil este processo de "desmanchar" algo construído com tanto amor, com tanto carinho e que encerra tanto da minha história, da nossa história. Mas neste momento está quase tudo em caixotes, apenas temos o essencial por arrumar: roupas, material de cozinha, parte do escritório e claro, os produtos de higiene. Tenho aproveitado para destralhar. Na nova casa quero uma energia mais minimalista e centrada no que é realmente importante e útil. Quero novas cores que reflitam a nossa essência e forma de viver a vida. Quero ainda mais flores e plantas, que marcam a nossa ligação à terra. Quero mais luz, por vezes tão baça no meio da cidade, tão mais forte na zona para onde vamos. Quero mais fotos que marcam a nossa história, que mostram a nossa família e todos os nossos gatos, os que cá estão e o que partiu. Para trás fica tudo o que não nos toca no coração e não nos faz falta, como roupas que não usamos, roupa de casa desnecessária, louças guardadas há anos, bibelots sem significado e que nada têm a ver connosco e móveis que já cumpriram o seu propósito. As memórias carrego-as comigo, ainda de coração dorido por ter sido aqui o último lar do meu doce Mel. E foi aqui que planeamos tantos momentos felizes como o nosso casamento, a nossa lua de mel. Foi onde celebramos os 40 anos do P. com a casa tão cheia de gente e de alegria. Foi onde juntámos a família tantas vezes e onde fizemos surpresas deliciosas, como os 55 anos da minha mãe. Foi onde recebi más notícias, onde recuperei das minhas cirurgias, onde estive enclausurada depois de diagnósticos difíceis, onde parei para tratar do meu corpo a cada tratamento de fertilidade, mas também onde recebi notícias tão boas e felizes.
Agora preparamo-nos para a mudança, para construir algo de novo, para preparar os próximos anos da nossa vida a 2 (+3). Na bagagem levamos os nossos gatos que sei, estando connosco, estão sempre bem em qualquer parte do mundo. Na cabeça levamos ideias para construir o novo lar. Nos braços levamo-nos um ao outro, como tem sido até aqui. No ano em que fazemos dez anos de casados, no ano em que fizemos os 15 a viver juntos, no ano em que celebro os meus quarenta, será o ano zero de um novo recomeço.
Até já!

22 de maio de 2018

Beachwear

Sim, eu sei que hoje o dia está uma caquinha treta, pelo menos aqui para os lados de Lisboa, mas a minha tentativa de deixar este blog aguentar mais uns tempos chama por mim e pelo meu lado consumista (bem mais educado, é certo, mas ainda assim, vaidoso). Estávamos talvez em fevereiro ou março quando eu recebi um daqueles e-mails da H&M com uma promoção numa compra. Ah e tal, pensam vocês desse lado, H&M uma loja corriqueira e tal - não quero saber. Se gosto, compro e a verdade é que não gostei de mais nenhum como deste e acreditem que vi todas as lojas e mais algumas. Ora embora estivesse a chover a potes e a miragem do verão me parecesse muito distante, apaixonei-me imediatamente por este fato de banho e, mesmo com algum sentimento de culpa por estar a gastar já dinheiro em algo para usar muitos meses depois, resolvi aproveitar o descontinho e mandar vir. Em boa hora o fiz, porque esgotou em menos de nada e, mesmo correndo o risco de me cruzar com outros iguais por aí, fiquei mesmo feliz por ser meu. Havia também em preto, mas esse também voou em dez segundos, mais coisa menos coisa. Já há vários anos, desde a minha segunda cirurgia em 2011, que me tornei adepta de fatos de banho. Na altura foi necessário para não apanhar sol nas cicatrizes  que me deixaram a zona da barriga em modo queijo suíço e ganhei-lhe o gosto. Acho-os elegantes, confortáveis e amigos das minhas mamocas que assim nunca ficam expostas nos mergulhos mais atrevidos ou nas ondas mais enérgicas. Só mais recentemente se tornaram uma tendência, com a vantagem de agora haver muito mais oferta e artigos muito mais giros (ainda guardo ali o de 2011, que tem um modelo bem intemporal e que ainda me serve!).

Posteriormente resolvi experimentar este da Zara e adorei também. Cai super bem, tem um tecido bem confortável e acho-o super elegante. Há ainda em preto e em vermelho (este não havia quando comprei, senão teria sido a minha opção).


Felizmente ando a adiantar-me nas tendências, por já tenho alguns fatos de banho que adoro, estes vieram só completar a colecção, até porque este ano será um ano de praia até outubro, com uma viagem maravilhosa e há muito desejada, para festejar os dez anos de casados. Tenho ainda biquinis que continuo a usar (até porque gosto de variar e bronzear a barriga), mas este ano  nenhum me encheu verdadeiramente as medidas. Já as malas da moda, de verga, ráfia e cestos que este ano pululam em todas as lojas, uso há vários anos e ainda herdei recentemente uma da minha avó (também ela uma vaidosa inveterada). Sempre as adorei para o verão, seja para a praia, seja para o dia a dia e estão ali lindas e maravilhosas, preparadas para os dias mais quentes. E desse lado, biquinis, fatos de banho, ou ambos, como eu?

21 de maio de 2018

7 meses

Tanto tempo sem escrever e eu nem sei bem o que me traz aqui hoje. Nos últimos onze meses a minha vida deu uma volta tremenda. Tomei decisões importantes mas exigentes, perdi muito, ganhei outro tanto. Às vezes temos fases da vida assim, tão "turbilhentas", tão velozes, tão profundas, que nos tira tempo para coisas que adoramos fazer. Já pensei apagar o blog, torná-lo privado, fazer um novo, mas depois leio tantas memórias de dez anos por estes caminhos e fico sem coragem.
2018 está a ser puxado. Desde Março uma luta tremenda entre manter a minha gata Blue com alguma qualidade de vida, depois de ser diagnosticada com insuficiência renal e hipertiroidismo. Têm sido dias e dias de idas urgentes para o hospital veterinário, muitas lágrimas, mas também com algumas vitórias e a certeza de que estará connosco enquanto lhe sinto os velhos hábitos, os ronrons e a vontade de estar ao pé de mim e o apetite voraz. Por agora, tudo controlado, mas com muita medicação à mistura. Em simultâneo, o meu bebé Mel, o meu gato especial, o meu pequenino, em menos de nada, partiu. Foi tudo tão rápido quanto chocante e agora, passado quase um mês, ainda estou a digerir toda esta saudade e toda esta dor - a dor de achar sempre que podia ter feito algo diferente. Sempre o soube um gatinho especial e frágil, mas sempre achei que o teria por mais uns anos. E agora uma casa sem ele, sem a sua energia tão pura e amorosa, é uma casa diferente. Todos os dias o choro. Dói-me ver os cantos da casa onde se deitava para apanhar sol. Dói-me sentar no sofá e não o receber logo no meu colo, onde se deitava sempre cheio de ronrons. Dói-me não o ter à minha espera quando acordo, ou quando chego a casa. Quem me conhece ou quem os ama, sabe o quão difícil está a ser.
Talvez seja a sabedoria do universo a trazer com isto mais uma mudança, desta vez de casa e de cidade. Vamos viver para outra zona, completamente nova para mim, mais longe das nossas famílias, mas mais perto do trabalho do P. (no meu caso, uma parte do meu trabalho é feito em casa e tenho a liberdade de agenda para organizar os dias em que vou para fora, nos horários em que quero). Também aqui foi tudo tão rápido. Num segundo estávamos a por a casa à venda e no dia seguinte estava vendida. Custou-me inicialmente a perspetiva de deixar uma casa onde temos sido tão felizes, carregada de memórias e de sorrisos, mas finalmente encontrámos a casa dos nossos sonhos, onde sei e sinto que continuaremos a viver esta extensão do nosso amor e onde os nossos gatos (e nós) terão mais qualidade de vida.
Em fevereiro mudei de gabinete em Lisboa, para um maior, central, cheio de sol e numa zona que adoro, mudança que trouxe também uma nova luz ao meu trabalho e à minha vida. Não sei se alguém desse lado se recorda, mas em junho do ano passado tomei a decisão arriscada de deixar o meu trabalho na escola para me dedicar a 100% às terapias holísticas e, quase um ano depois, a decisão não podia ter sido a melhor. É exigente, cada mês é uma incógnita, mas o valor de poder fazer o que amo e de ser eu a gerir a minha vida, é maravilhoso. Estava numa fase perto da exaustão, com dois trabalho e quase sem folgas, por isso no momento de fazer uma escolha, foi o tempo de escutar o coração.
Vem aí um verão em mudanças, um verão a cuidar da minha Blue para que esteja sempre no seu melhor. Vai ser um verão de empacotar memórias e carregá-las para outra zona. Vai ser um verão também de muito trabalho e, espero, cheio de momentos serenos transformadores e sorridentes. Sempre falei de 2018 como o ano das celebrações - os 15 anos de namoro, os 10 anos de casados, os meus 40 anos - nunca o pensei como ano de perdas e mudanças. Mas há fases assim e eu cá estarei de mangas arregaçadas, sempre optimista e à espera do que vem a seguir, mas desfrutando sempre do agora.

Para todos, uma semana feliz.