15 de julho de 2018

De coração partido

 Blue - 2002/2018
Foto tirada em junho, no Alentejo, onde foi de férias connosco - aqui deitada na cadeira de jardim ao meu lado, com este olhar que fazia sempre só para mim. Porque eu era a sua humana

Pouco depois de 4 dias no Alentejo de férias connosco, em junho, onde já lhe sentia as forças a faltarem, os hábitos a perderem-se, mas onde desfrutou do cuidado de ser "gata única" e de estar sempre connosco, a minha Blue partiu. Foi no dia 11 de julho, no meu colo, debaixo dos meus beijos e palavras de amor eterno. Com a certeza de lhe ter dado sempre todo o amor que sempre mereceu e de ter o coração inundado de tristeza e a alma dilacerada, tento agora curar esta saudade que aumenta a cada dia. Num ano que tem sido tão duro para mim, procuro forças nos que ficam. De há dois meses para cá, todos os dias choro o Mel. Todos os dias lhe sinto a falta. Agora choro os meus dois amores, numa confusão de sentimentos e emoções que me diminuem o coração. Temos mais dois gatos, O doce Tobias (que tanto tem sofrido com estas ausências) e a Dona Gata, ambos tão cheios de amor e de carinho, também eles já idosos, mas saudáveis. Éramos seis, somos agora 4 e a casa parece tão profundamente vazia... Isto de se amar profundamente os animais tem este lado da moeda que é o facto de a presença deles por aqui ser tão mais curta do que a nossa. E quem os ama bem sabe a dor que é perdê-los.

9 de julho de 2018

Onze anos de memórias empacotadas

A casa onde ainda estou foi a casa onde vivi mais anos da minha vida. Desde pequena, após o divórcio dos meus pais, vivi anos saltitantes entre Almada e o Alentejo e, mais tarde, entre  a minha mãe e o meu pai, que ao longo dos anos, mudaram algumas vezes de casa. Aqui foi onde vivi mais anos e têm sido os anos mais felizes da minha vida, com imensas quedas no caminho, mas ainda assim, repletos de sorrisos, de amor, de cumplicidade, de concretizações. Não está a ser fácil este processo de "desmanchar" algo construído com tanto amor, com tanto carinho e que encerra tanto da minha história, da nossa história. Mas neste momento está quase tudo em caixotes, apenas temos o essencial por arrumar: roupas, material de cozinha, parte do escritório e claro, os produtos de higiene. Tenho aproveitado para destralhar. Na nova casa quero uma energia mais minimalista e centrada no que é realmente importante e útil. Quero novas cores que reflitam a nossa essência e forma de viver a vida. Quero ainda mais flores e plantas, que marcam a nossa ligação à terra. Quero mais luz, por vezes tão baça no meio da cidade, tão mais forte na zona para onde vamos. Quero mais fotos que marcam a nossa história, que mostram a nossa família e todos os nossos gatos, os que cá estão e o que partiu. Para trás fica tudo o que não nos toca no coração e não nos faz falta, como roupas que não usamos, roupa de casa desnecessária, louças guardadas há anos, bibelots sem significado e que nada têm a ver connosco e móveis que já cumpriram o seu propósito. As memórias carrego-as comigo, ainda de coração dorido por ter sido aqui o último lar do meu doce Mel. E foi aqui que planeamos tantos momentos felizes como o nosso casamento, a nossa lua de mel. Foi onde celebramos os 40 anos do P. com a casa tão cheia de gente e de alegria. Foi onde juntámos a família tantas vezes e onde fizemos surpresas deliciosas, como os 55 anos da minha mãe. Foi onde recebi más notícias, onde recuperei das minhas cirurgias, onde estive enclausurada depois de diagnósticos difíceis, onde parei para tratar do meu corpo a cada tratamento de fertilidade, mas também onde recebi notícias tão boas e felizes.
Agora preparamo-nos para a mudança, para construir algo de novo, para preparar os próximos anos da nossa vida a 2 (+3). Na bagagem levamos os nossos gatos que sei, estando connosco, estão sempre bem em qualquer parte do mundo. Na cabeça levamos ideias para construir o novo lar. Nos braços levamo-nos um ao outro, como tem sido até aqui. No ano em que fazemos dez anos de casados, no ano em que fizemos os 15 a viver juntos, no ano em que celebro os meus quarenta, será o ano zero de um novo recomeço.
Até já!