Hoje estou um bocadinho desiludida com a blogosfera. Só um bocadinho. Já aconteceu antes, hoje aconteceu com mais força. Porque há imensos blogues que acompanho, que comento e que visito quase diariamente. E hoje, num desses blogues (penso que dos mais famosos e do qual gosto assumidamente), em que o tema estava relacionado com o ter filhos, com a rapidez com que as pessoas se divorciam e o impacto que isso mesmo tem nas crianças e, sendo eu, além de psicóloga, filha de pais divorciados e com uma opinião muito própria em relação ao assunto, não hesitei em discordar. Não é uma opinião mais ou menos certa do que a da autora ou de qualquer pessoa que tenha lido o post, é a minha opinião, fruto da minha vivência. Porque sou filha de pais divorciados, há muitos anos e porque sei que a minha sanidade mental resulta disso mesmo, do facto de eles se terem divorciado: porque não eram felizes juntos, viviam numa discussão permanente e ninguém merece viver assim. Porque tive uma infância muito complicada e infeliz em determinados momentos e não hesito em dize-lo. Vivi momentos que nenhuma criança merece viver e só com o momento do divórcio, a minha vida acalmou. Não perdi uma mãe, nem um pai, ganhámos todos paz. Os meus pais tiveram muita coragem, numa altura em que era (quase) um escândalo um casal divorciar-se e assumir o mesmo perante a família e a sociedade. Hoje os meus pais são bons amigos e temos uma família muito mais unida e feliz.
Face ao post em questão, comentei o seguinte:
1º comentário- Não posso concordar. Em primeiro lugar porque não me parece que a maioria das pessoas tenham filhos por ser moda. Em segundo, porque não é quando as crianças nascem que surgem os problemas. Com certeza que eles já existem, os ritmos das pessoas é que se tornam diferentes e os problemas podem ser enfatizados, mas não é porque nasceu uma criança. Em terceiro, não é porque os pais se divorciam que as crianças surgem com problemas, é pela instabilidade que surge. Porque cabe ao casal saber lidar com a situação e quando os divórcios são litigiosos e criam imensas discussões e problemas é porque algo já está muito mal com o casal, por isso, mesmo que não se divorciem, a criança corre exactamente o mesmo risco de se tornar instável. Por isso, mais vale o divórcio, porque os períodos de calma, que proporcionam estabilidade emocional, são com certeza maiores. Mas esta é apenas a minha opinião de filha de pais divorciados (divórcio litigioso) e de psicóloga.
2.º comentário (depois de uma resposta da autora, em que a mesma mostrava a sua visão das coisas)- Eu quero muito ser uma romântica e acreditar nos finais felizes (e aqui já não é a psicóloga a falar), mas sei que muitos casais sofrem grandes alterações quando nasce um filho, às quais não é fácil adaptarem-se. O que acho é que, se as coisas realmente não correm bem, é porque já algo estava mal antes. E se hoje os casais se juntam e tentam construir uma família com demasiada facilidade, a qual terminam com a mesma facilidade, será que antes os casais, sofrendo as represálias da sociedade, não se mantinham juntos para as aparências e para manterem os bens em comum, vivendo assim, igualmente, imensos problemas? Acho que já estou a fugir ao tema ;)...
Depois destes comentário (em que, assumidamente tive a ousadia de discordar) li este outro comentário:
Resposta (não vou identificar o/a leitor(a), claro):
Fantástico este teu post, não posso concordar mais . Desejo que hoje tenhas muitos leitores e obviamente que ,o comentário de Bê, me chocou mas estou certa que muita gente pensa como ela, caso contrário não aconteceria o que tão bem descreves fruto da tua vivência e saber.Acabo de ler o uma resposta tua á Bê e mais uma vez tens razão.Parabens XXXXX (o nome não interessa, porque não é o post da autora que está em questão).
Resumo da história, ou a senhora discordou de mim, apenas porque eu tenho uma opinião contrária (e, creio, nem leu o que eu escrevi) ou então a culpa por a sociedade estar como está é de pessoas como eu…
Não sou cretina, nem falsa, nem lambe botas. Quando leio algo com o qual concordo, digo-o, quando não concordo, assumo-o, sem nunca por em causa a opinião do autor, mas apresentando a minha visão das coisas. E assim vou continuar a ser, gostem ou não. Porque senão, não seria eu, Bê.