31 de outubro de 2016

Desabafo

Sei que sou uma pessoa forte - física e emocionalmente. Já passei por momentos e experiências suficientes na vida para saber isso de mim. Em momentos de crise, sou um pilar, forte e firme, nas minhas questões de saúde, nem um ai, mesmo quando a situação se tornou tão complicada, como no período de 2009 a 2013, com cirurgias ano sim e ano não e exames complicados a cada mês. Não tive uma infância feliz, embora tenha tido alguns momentos de felicidade. Perdi demasiadas pessoas que amava profundamente e que ainda hoje tanta falta me fazem, vivi mudanças intensas e complicadas com o divórcio dos meus pais. Depois, a infertilidade, o drama da infertilidade, que muda tantas pessoas e que para mim tem sido mais uma aprendizagem, com 9 anos de batalhas sem vitórias. Posso estar com o corpo num fanico, mas aguento e tento fazer a minha vida do dia a dia, não permitindo que uma questão crónica de saúde me roube a vontade de sorrir, mesmo que me roube alguns dos meus sonhos. Aguento semanas e semanas exaustivas de trabalho, com horários complicados e pouco tempo de descanso - e quanto menos descanso, menos consigo descansar, as noites tornam-se longas de mais e o cérebro por vezes tem dificuldades em apagar, mas a energia continua lá. Nas crises dos outros, tomo as rédeas nas minhas mãos se for preciso. Sinto-me um pouco mãe dos meus: sejam os meus pais, irmãos ou sobrinho. Gostava de poder evitar as quedas deles, as fases complicadas e de os aconchegar no meu abraço e poder tornar tudo simples. Sou uma mulher que não é mãe biológica, mas que tem um instinto maternal gigante e que é capaz de dizer à própria mãe, ao telefone: agasalha-te bem e põe o cinto de segurança, come legumes e fruta, entre outras frases do género. Se vou na rua com a minha irmã mais nova, já com 21 anos, tenho que me controlar para não lhe dar a mão e jamais a deixo ir do lado da estrada. Costumo dizer que me sinto a irmã mais velha do meu irmão mais velho e sei que tenho que controlar esta minha visão dele sempre como um adolescente de 15 anos, a precisar do meu apoio. Fico com o coração nas mãos sempre que o P. anda de mota e dou-lhe toda a força do mundo para que agarre nos seus sonhos e lhes dê cor e forma. É mais forte do que eu. Quero saber dos seus problemas, das suas dores, das agruras da vida, para poder ajudar, para procurar desenfreadamente soluções, quero saber das suas vitórias que celebro como se fossem minhas, mas protejo-os das minhas quedas, das minhas lágrimas, dos meus receios. E por isso, quando um dos meus cai, eu caio por dentro, mesmo que não transpareça por fora. Prefiro mil vezes ser eu a cair. O sofrimento dos outros corrói-me a alma, o meu é só um desafio da vida.  

23 de outubro de 2016

Essa coisa dos e-books

Book lover assumida, sou menina para ler mais de 25 livros por ano. Adoro ler, adoro livros, adoro perder-me em histórias, personagens, descrições, enredos, dramas e suspense. De há uns dois anos para cá, mais coisa menos coisa, comecei a ler livros no tablet. Leio talvez uns 4 e-books por ano. O preço é tentador, a compra é imediata, sem tirar o rabo do lugar, posso estar de pijama e desgrenhada e a fazer compras como se não houvesse amanhã e a agilidade com que andamos com o tablet para todo o lado é excelente. Mas há uma parte de mim que não consegue entusiasmar-se da mesma maneira. Há todo aquele ritual de ir a uma livraria, tocar as capas, espreitar algumas palavras, cheirar os livros (hábito que não perderei nunca) e de folhear e folhear e folhear. Acho fantástica a possibilidade de o podermos fazer informaticamente, mas para mim, nada substitui o papel. Posto isto, o último que comprei é um e-book, foi referido num post pela Dina do Amor Perfeito e é um suspense nórdico, tendo por isso todos os ingredientes para me agarrar - Sangue Vermelho em campo de neve, do sueco Mons Kallentoft. 
Mas como nunca leio um só, a ver se é desta que me dedico ao que me foi emprestado por uma querida colega de trabalho, também uma amante de livros e que me tem emprestado uns quantos de tempos em tempos! Como me emprestou antes do Verão, acabei por me dedicar a outros, porque jamais levaria um livro emprestado para a praia. Sal, areia, calor e água não são bons ingredientes para o estado em que podem ficar. Faço questão de ser o mais cuidadosa possível com o que me emprestam, ainda que tenha perdido o rasto a praticamente todos os que emprestei...(ainda me penitencio pelo Crime e Castigo, entre tantos outros!)
Desse lado, recomendações são sempre bem vindas! 
Para todos, uma semana feliz, cheia de sorrisos.

21 de outubro de 2016

Insta*moments

Sem grande tempo para o blogue, ficam as imagens (poucas) do último fim de semana, que foi de comemoração do nosso aniversário de casamento. Foram dois dias deliciosos, numa quinta onde somos sempre tão felizes e que nos recebe tão bem que fica sempre a vontade de voltar. 

 A noite, em Peniche, com uma lua maravilhosa a que o telemóvel não faz justiça

Jantar animado na Tasca do Joel, onde se come maravilhosamente bem. No dia seguinte fomos ao Mãe de Água no Carvalhal, igualmente bom, num edifício lindo e bem decorado


Passeios em Óbidos onde viajo sempre pelo imaginário da minha criança interior

 A magia de Óbidos
Muralhas, flores e casas perfeitas. Aqui seria feliz.

De volta à casa de família, para o típico jantar de domingo e dar de caras com esta menina a lembrar que o Halloween está quase aí!

Acabámos por não ir a Santarém, porque há sempre tanto por ver e fazer. A quinta onde ficámos tem piscina interior e SPA e a tarde de sábado foi dedicada ao relaxe puro, que ilumina o corpo e alma e nos soube pela vida. Foi por pouco tempo, mas aproveitámos muito bem. Provavelmente em Janeiro regressamos, porque é uma quinta perfeita para os dias de frio e chuva, por ter espaços interiores que valem bem a pena. Escolhemos uma suite com jacuzzi interior junto a uma grande janela e onde podemos também relaxar com o céu como pano de fundo. Os pequenos almoços são reconfortantes, com uma senhora simpática que nos faz sentir em casa e que faz umas panquecas maravilhosas, sumo de laranja natural e bolos e pão que vão variando, fruta e claro, o café com leite que não podia faltar.*

Este fim de semana será mais caseiro, algumas compras necessárias que o P. em breve vai à Alemanha em trabalho, algum trabalho a que tenho que me dedicar e as arrumações de Outono e que implicam o desapego de muita coisa que anda lá por casa e que já não me faz falta, com jantaradas pelo meio, pois claro. 

Para todos, um fim de semana cheio de sorrisos.  

* Para quem quiser espreitar a Quinta: http://www.quintadomolinu.com/index.php?lang=pt

14 de outubro de 2016

O "problema" das lojas on line

É que uma pessoa não tem tempo para ir às lojas, por isso aproveita a hora de almoço (e o facto de poupar imenso tempo, porque trago marmita e em vinte minutos estou despachadinha), espreita o site da zara enquanto come, vê este vestido que andava a namorar (mas andava com receio de dar o primeiro passo, é certo, que a minha relação com a Zara tem sido pontuada por altos e baixos) e, quase sem dar conta, antes de chegar à sobremesa, opsss, já comprou. Está a caminho! 
Se era uma peça que me fazia realmente falta? Bem, vestidos nunca são demais diria eu, assumidamente apaixonada por eles mas, mantendo-me fiel ao meu registo, para a semana proceder-se-ão as limpezas de outono lá por casa e esperam-se sacos e sacos cheios de roupa para dar a quem mais precisa. 



Zara
 (a tentar acreditar que desta vez não me vem com defeito!)

13 de outubro de 2016

Aquela altura do ano

Em que meio mundo vai carpir mágoas com o tempo para o facebook. Porque chove, porque está frio (sério?), porque já têm saudades do Verão, porque ficam deprimidos com as nuvens e a chuva e o som do vento e porque anoitece mais cedo, porque são obrigados a vestir um casaco e o que for. Aproveitem o outono senhores, até porque o nosso outono é tão ameno e tivemos um verão tão maravilhoso, que devíamos lembrar-nos da sorte tremenda que temos. E porque o outono traz-nos o cheiro único a terra molhada, as noites confortáveis debaixo dos lençóis, as tardes longas de chuva no sofá, a ver filmes num abraço que é só nosso, as castanhas maravilhosamente assadas e aquelas comidas que nos satisfazem a alma e que são impensáveis no verão. No Outono voltam as boas séries à televisão (rico Masterchef Australia, entre tantas outras), estreiam os melhores filmes e começamos a preparar-nos para a época mágica que é o natal. Sim, há esta fase chata em que alguns vivem a indecisão sobre o que vestir ou calçar, mas há tanto mais de tão bom nesta altura do ano. Aproveitem!

11 de outubro de 2016

8

Há oito anos casados, mais quase seis a partilharmos um lar e mais dois em que nos cruzávamos nos corredores daquele que foi o meu primeiro emprego a sério, sem saber que aquele moreno alto e sorridente me ia roubar o coração sem pedir licença. Antes disso, andámos na mesma faculdade e até calhava vires frequentemente à cidade onde eu já morava e onde tinhas família. O destino a querer juntar-nos há anos e anos, acredito eu, coincidências dirás tu, acentuando esta imensa diferença que nos caracteriza mas que não nos separa. Choveu neste dia há oito anos atrás e já diz a sabedoria popular que a chuva em dia de boda é uma benção. Assim tem sido e que assim seja por todos os dias em que somos felizes ao lado um do outro.


10 de outubro de 2016

Dramas

Aquela altura do ano em que, mais do que não saber o que vestir (oriento-me bem com túnicas/blusas e um casaco fininho) não sei o que calçar. Acho que é demasiado cedo para botins, já não consigo usar sandálias, não venho de ténis para o trabalho e ainda não me apetecem as meias de vidro com os sapatinhos de salto alto ou as sabrinas - à tarde dão-se-me os calores, mas de manhã e porque saio de casa às 7h15, tenho duas pedras de gelo no lugar onde deveriam estar os meus pés. Chego à cidade onde trabalho debaixo de um nevoeiro cerrado e uns simpáticos 13º, mas sei que daqui a uma hora, mais coisa menos coisa, deverá estar um sol desgraçado e as meias iam ser um terror para mim.  Os vestidos estão arrumados para já, assim como as saias, porque collants então, nem pensar. Por isso venha lá o frio de vez para facilitar estas decisões, sim?

8 de outubro de 2016

O livro que toda a gente leu

E que eu só li agora. Vai daí que, para compensar, li-o num dia. Comecei logo pela fresquinha, por volta das oito e meia e terminei por volta das cinco. Era feriado, tínhamos planeado um dia descansado por casa e só sair ao final da tarde e achei que era uma boa altura para me dedicar a ler. Em boa hora escolhi um feriado, porque depois de começar uma pessoa fica agarrada. Adoro o género thriller policial, com crimes à mistura, vários personagens complexos e um enredo intrincado para desconstruir. A personagem principal é muito crua, cheia de defeitos, de maus hábitos, numa fase auto-destrutiva da sua vida, curiosamente carregando um drama que me é muito familiar, mas que no seu caso lhe destruiu a vida aparentemente perfeita e que no meu só me tornou mais forte. Embora ainda nenhum livro do género me tenha ultrapassado os amores profundos e sofridos pelo Stieg Larson, que se finou tão estupidamente cedo e antes de alcançar a fama com a sua maravilhosa trilogia, gostei deste livro e recomendo. No meu caso descobri muito cedo o que havia para descobrir, mas claro que fiquei ali ainda mais desejosa de chegar à página que confirmava a minha inteligência suprema e o meu muito modesto brilhantismo para descobrir criminosos em livros (e em filmes também funciona muito bem).  Perdeu-se uma profiler, é o que vos digo.

O filme estreou nos entretantos, mas receio vê-lo já já, com o livro tão presente, o enredo tão visível na minha memória, já que é raro um filme ser tão bom ou ainda melhor do que o livro que lhe dá forma. Ainda para mais começa logo com uma mudança de cenários tremenda, com a história a passar-se nos EUA e não nos arredores de Londres, até receio o que mais vem dali...Já alguém viu?


7 de outubro de 2016

Dicas precisam-se!

Para compensar o facto de este fim de semana estar a fazer um curso e aproveitando que para a semana fazemos anos de casados, reservei o próximo fim de semana numa quinta, onde somos sempre tão felizes. A ideia era fazermos uma espécie de lua de mel, mas a mudança de emprego do P. mudou-nos as voltas e teremos que reduzir a um fim de semana para já e deixar os planos de uma viagem por um qualquer destino paradisíaco para o ano que vem. 
E porquê voltar a um lugar que já conhecemos? Porque temos mesmo memórias maravilhosas e porque considerando que o tempo vai ficar mais fresco, é um sítio com uma espectacular piscina interior, SPA, jacuzzi e tudo a que temos direito para namorar e relaxar. Vai daí que gostaria de dicas para quem conheça bem as zonas de Santarém, Óbidos, Peniche, por aí. Não só as cidades/vilas em si (Óbidos conheço muito bem, mas adoro lá voltar), mas também monumentos, jardins, praias, igrejas, ruas especiais, o que for! Será que há por aqui alguém destas zonas?   

6 de outubro de 2016

Dramas de uma mulher real

Soutiens de silicone. Festa com dress code, com vista para o Sado. Vestido lindo, aberto nas costas. Cabelo esticado, maquilhagem profissional, a minha pulseira favorita e especial, oferecida pelo P. numa daquelas datas só nossas. Noite fresca, super elegante e a combinação perfeita para arriscar numa coisa destas. Mas, como sou uma mulher dada a calores e a festa foi concorrida, a partir de determinada altura passei a noite entre o discretamente tentar que a coisa não descolasse e o correr para a casa de banho com o silicone quase a cair-me aos pés. Ou eu fiz mal a coisa, ou a sensação será sempre a de que poderá descolar a qualquer momento, ou basta ser-se encalorada como eu para não poder dar uso a uma coisa destas. Assim com assim,devia ter-me ficado pelo tapa mamilos, mais barato e certamente que aguentaria uma noite. Para mim, um big NO! 



3 de outubro de 2016

Insta*moments

Sexta feira fui à minha vidinha, convencida de ter publicado este post. Pois parece que não. Ficam as imagens (poucas) das últimas férias deste ano e outras que, olhem, me apetece partilhar:


 O meu gatonheiro de todas as horas, o doce Mel (e que por vezes aproveita ali o meu ombro e deita-se, o que dá imenso jeito (só que não!) - dá direito a ficar toda dorida, mas quem é que resiste?

 Pedir ao marido para comprar um gancho para uma festa elegante e ele acertar exactamente no que eu queria (a unha sofrida por anos de tortura roedora não é minha, é dele)

 Sou das que adora ver o céu e que vê sempre muito mais do que uma nuvem :-) 

 Chamaram-me a encantadora de gatos e eu...adorei. Este é o gato da minha irmã que passou uma noite no meu colo, cheio de mimo. A verdade é que ainda não conheci um gato que não gostasse de mim :-)

Detalhes de uma sexta-feira (ansiosa pelo fim de semana!) - se uso colar, nada de brincos, se uso brincos, nada de colar. Não consigo, mesmo!

Leitura nas férias - levo sempre livros a pensar nos dias de férias que tenho, mas não há vez em que não os termine e dê comigo ansiosa por comprar um novo. Estava com vontade de ler este do K. Follet já há algum tempo, mas não me encheu as medidas. Umas duas estrelinhas, só por simpatia para com o autor que já me deu algumas alegrias. 

 Nós, a provar que Setembro é um mês maravilhoso para fazer férias e um piscinão enorme praticamente só para nós

A sul. 
Boa semana, cheia de sorrisos!

28 de setembro de 2016

Mel - Antes e depois

Para quem não sabe, o Mel foi um gatinho que apanhei aos 7 meses de idade da rua, por volta de Dezembro do ano passado, pertencente a uma colónia que acompanhava e que encontrei inanimado, num estado verdadeiramente desolador. Durante dias o veterinário não me deu esperança alguma, certo de que ele não resistiria. Os seus 7 meses não pareciam mais de 3 e a sua magreza era assustadoramente dolorosa. 

O Antes:

 Aqui no veterinário, onde ficou internado dias e dias e onde voltou semanalmente durante 3 meses, tal era o seu estado de saúde. 


Quando chegou à minha casa, com um pouco mais de peso, arranjei uma cama o mais quente possível, e tinha ainda o aquecedor junto a ele, que alternava com botija de água quente. O Mel tinha umas apenas 700gr e quando se levantava para ir comer, as lágrimas escorriam-me pela cara abaixo de tanta fragilidade, os ossinhos todos à vista, a falta de pelo numa parte do corpo e, ao mesmo tempo, a doçura e o à vontade que desde logo teve comigo. 


O depois:


Com cerca de um ano. Vai ser sempre um gato pequeno em tamanho, mas imenso em boa disposição e em meiguice. 



O plano nunca foi termos 4 gatos. nem sequer 3. O plano sempre foi ter 2, mas a vida trocou-nos as voltas e colocou no nosso caminho mais gatos que nos estavam destinados. Por vezes é difícil, dá trabalho diário, temos pelo por toda a casa, que aspiramos regularmente, pedras espalhadas pelo chão, preocupações quando vamos de férias, gastos imensos em comida, em veterinário, as cadeiras e sofá com fios puxados, mas a recompensa é imensa, tão superior a qualquer questão material e não os trocava por nada. Há que nos ache malucos, quem não compreenda este amor imenso, que torça o nariz quando dizemos que são 4, que ache tonto o dinheiro que já gastei com este e com tantos outros gatinhos de rua. A verdade é que não preciso que compreendam, apenas que respeitem. 

27 de setembro de 2016

Os dramas dos tamanhos

Esta coisa dos tamanhos em lojas de roupa tem muito que se lhe diga e se num dia fico toda feliz, porque experimento vestidos de tamanho S e depois tenho que pedir que me tragam um XS (a loucura senhores), no dia seguinte acontece exactamente o contrário, exactamente na mesma loja. E ninguém gosta de ter que pedir o tamanho acima. Já pedir o tamanho abaixo é coisa para nos deixar felizes da vida. Na mango é certinho que, dependendo do vestido, varia o tamanho e eu nem sou muito optimista comigo mesma que ainda me recordo do dia em que ia sufocando num provador, com um vestido meio enfiado, que não subia  nem mexia, entalado ali nas mamas que até nem são muito grandes e a única coisa que me impediu de pedir socorro foi o facto de ter o rabo de fora,as mamas espalmadas e os bracinhos presos no ar e achei preferível morrer naquelas figuras, do que sair assim. Ainda hoje não sei como me salvei, mas o que é certo é que trouxe o tamanho seguinte e agora está a nadar-me em tudo quanto é sitio. Depois há lojas daquelas em que não sou compradora habitual, mas onde entro de vez em quando (as manas gostam), onde a música de discoteca quase me tira do sério e depois só os L me servem e às vezes é em dificuldades. Na Zara tenho sempre azar com as compras. Sempre. Ou então é a Zara que não tem a qualidade que deveria ter (dentro do seu segmento, vá). É que não há produto que não compre que não chegue a casa e lhe encontre um defeito: ou porque está descosida, ou porque tem um buraco, ou porque o fecho se estraga, por isso acaba por ser raro ir lá. 
Posto isto, diria que nós não temos um tamanho verdadeiramente definido, as lojas é que variam e, dentro das várias peças, a variação é ainda maior. Só isso explica que consiga comprar produtos do XS ao M na mesma semana. Assim como assim, não fazer compras na Bershka (as sério, o S de lá é para crianças, certo?) e ir à Mango escolher vestidos fluídos ou ajustáveis na cintura. 

26 de setembro de 2016

Compras de Outono






Vestidos (diga-se modestamente que o segundo fica muito mais giro vestido em mim do que na foto, porque é ajustável na cintura e faz logo o corte mais elegante), blusas, botins...são peças que adoro sempre. Comprei ainda umas calças pretas, duas camisolas e mais duas blusas. Nesta altura do ano já não compro nada de verão, ainda que o calor se faça sentir e bem por aqui. Agora é esperar pelos dias mais frescos e dar uma grande volta no armário, escolher o que gosto e uso, o que gosto e não uso e o que já não gosto mesmo. Por cada peça que compro, faço sempre questão de escolher pelo menos uma para dar do meu guarda-roupa porque a verdade - que deve ser comum a muitas de nós - é que tenho muito mais do que o que uso. A regra é sempre a mesma: tudo o que não usei ou usei apenas uma vez na estação correspondente segue para fazer outra pessoa muito feliz. Nada de acumular. 

Constatações de uma segunda feira de manhã

Passar o fim de semana de ténis ou mesmo descalça, que adoro, e chegar à segunda feira e enfiar uns saltos altos, por mais bonitos que sejam (e são mesmo) está a parecer-me tortura, das más! Longe vai o tempo em que andava de saltos altos como quem anda de pantufas...

22 de setembro de 2016

O verdadeiro desafio deste casamento


Eu sou o 1 - a pessoa que acorda de manhã com energia (depois daquele meio minuto inicial em que acredito que só um erro qualquer na configuração do despertador justifica que esteja a tocar tão cedo). Acordo sempre com tempo suficiente para fazer tudo sem correr e, bem disposta,  circulo pela casa e faço festas as gatos (e esmifralho-os com mimos e converso com eles) enquanto decorre toda a rotina matinal: tomar banho, colocar cremes, maquilhagem simples, escolher tranquilamente a roupa, fazer o pequeno almoço (que tomo praticamente sempre em casa) e preparar a marmita, confirmar se os gatos têm comida e água, para sair de casa preparada para o dia, o trânsito, os km, o calor e o frio e o diabo a sete, devidamente arrumada e perfumada e certa de que desliguei o ferro e não deixei nenhuma janela perigosamente aberta. E chego sempre antes do tempo ao trabalho que pontualidade para mim é lei. 

Ele é o 2 - o calado, mais do que rezingão. Acorda o mais em cima da hora possível (mas nunca se atrasa), enfia-se no banho e sai de casa sem lhe ver os dentes ou o sorriso, tão característico nele em todos os outros momentos. Não fala muito, só o estritamente necessário, não come, anda ali meio zombie, com movimentos automáticos e certeiros e nem a insistência do Tobias ou os mergulhos de mimo que o Mel ronroneiro dá à frente dos seus pés para exigir afagos no pelo, o arrancam daquela semi-letargia. 

Até aqui tudo bem, porque normalmente acordamos a horas diferentes. Mas a partir de segunda começamos a ir juntos para o trabalho, por coisas e mudanças cá nossas. Agora é encontrar o ponto de equilíbrio entre estas nossas diferenças...

Na verdade vem aí uma mudança exigente mas boa, muito boa e muito bem vinda nas nossas vidas (e que certamente ajudará a outras mudanças que estão nos nossos planos) e que implica mais tempo juntos, seja de manhã ou ao final do dia.  O resto são detalhes ;-)

21 de setembro de 2016

Lado feminino #1 - Perfumes

Nestes entretantos da vida, fiz anos. 38 anos. Vários familiares me deram dinheiro, entregando-me a nada árdua tarefa de ser eu a escolher o que pretendo ou preciso. Uma parte foi logo destinada para um curso que quero muito fazer, outra para alguma roupa que preciso e, uma das coisas que me permiti comprar foi um perfume. E digo permiti porque acho que foi a primeira vez na vida que comprei um perfume para mim. Até aqui, entre o P. (que nunca deixa acabar por completo meu e seu favorito), o meu pai, boadrasta, cunhada, sogra e etc, fui sempre recebendo o suficiente para não ter que comprar. Ora como os que tenho estão prestes a acabar e o meu favorito já só usava em ocasiões especiais, lá me decidi ir a uma perfumaria. Tinha pensado experimentar uns novos, conhecer outros cheiros, alargar horizontes. Os meus favoritos de sempre são o DKNY, o One de Dolce e Gabana e o 212 VIP de Carolina Herrera, por esta ordem. De todos os outros que usei e uso, nenhum me marcou ou me diz tanto como estes. E a escolha de um perfume é tremendamente importante para mim, que sou não só uma esquisitinha com cheiros, como tenho um nariz poderosíssimo e uma forte capacidade de associar cheiros a momentos, a pessoas, a memórias. Primeiro entrei em três perfumarias daquelas que toda a gente conhece para comparar preços e garantir que não ia comprar o mais caro. Depois, em todas elas, fui experimentando o que não conhecia e me chamava a atenção. Ora ao fim de experimentar uns dez/quinze perfumes, não há nariz que valha alguma coisa. Numa das perfumarias fui ajudada por uma colaboradora que pacientemente me mostrava as novidades e me aconselhava perfumes que considerava bons. Mandei umas 20 tiras de papel para dentro da mala, os que me pareceram melhores experimentei na minha pele, que uma coisa é um bocado de papel e outra é um bocado de nós. Acho que nunca demorei tanto a escolher, a experimentar, a comprar. Cheirava e voltava a cheirar e quando descobria um de que gostava, já não me recordava exactamente qual era e a verdade é que não era aquele gostar "tem tudo a ver comigo". Era como alguns perfumes que passaram pela minha vida sem deixar grandes marcas. Tudo isto para, no final, comprar o meu favorito de sempre, o meu n.º 1 - antes disso avisei a colaboradora para não perder tempo comigo, porque o mais provável seria isso acontecer e não queria frustrá-la. Vim de lá toda feliz e ainda com um desconto de 20%. E a verdade é que é o meu perfume. Há anos, mais de 15, que o uso e é um cheiro que marca momentos tão felizes da minha vida.


                                             

19 de setembro de 2016

Aqueles momentos

Sabem aqueles momentos na vida em que tudo à volta parece uma batalha imensa? Depois do drama com os gatinhos de rua (pequeno amarelinho salvou-se e já está em FAT, até recuperar a 100% e com uma família linda destinada), o falecimento do avô da minha irmã, o desgosto nos olhos e no coração do meu padrasto e da minha pequenina e, quando tudo parecia querer acalmar, a minha avó, a minha única avó a ser internada de urgência, a perder a sua lucidez característica, o seu coração a querer falhar, a confusão nos seus olhos e o frio nas suas mãos...São 85 anos num corpo já gasto pelas dores, pelas operações e pelas perdas de uma vida. Somos poucos na nossa família, mas somos fortes e nestes momentos, unimo-nos sempre de uma forma inabalável e muito nossa. Agora é ter fé, ter esperança, acreditar que tudo correrá pelo melhor. 

11 de setembro de 2016

Do amor pelos animais

Ontem foi dia de arranjar um lar para uma princesa gata, que agora tem uma família 5*. A pequena Jasmim, agora Yoko tem um lar como merece. Obrigada T.!
Dos gatos de rua que acompanho, sobrou este bebé que de um momento para o outro começou a perder peso (não o via há uma semana e entrei em choque quando o vi assim) e ontem teve que ser internado no hospital veterinário. Tinha lá estado com ele de manhã, para ser visto, medicado, desparasitado e de onde seguiu para FAT. Depois de o deixar no quentinho, numa casa segura e nas mãos maravilhosas de uma amiga que tanto tem feito também por estes pequenos, ela e o namorado deram com ele caído, inanimado. Uma história tão parecida com a do meu Malaquias (que contei algures por aqui), que, sem cabeça para mais, ficou registado como mini Malaquias (até porque no vet todos conhecem e se lembram bem do Malaquias). E é tb um bebé milagre como o meu doce amarelinho. Hoje fui visitá-lo na sua gaiola temporária, no melhor veterinário de sempre, fui dar-lhe mimo e receber ronrons que me souberam pela vida. Comeu, recuperou alguma força. Está ainda em risco de vida, mas a esperança é bem maior. Já reage, já come, já faz ronron. Tão gordinho e bonito que ele era e agora está assim...um pequeno gremlin, mas cheio de vontade de melhorar.
Por vezes perco a coragem, sinto que se me esgotam as forças, que quero desistir deste meu lado que não me deixa dormir descansada e que me leva as energias e o dinheiro, que me tira noites de sono e que me faz sofrer tanto, porque não os posso salvar a todos. Mas também sei que nasci para isto, faz parte de mim. E por cada um que se salva, vale tão a pena. O mini Malaquias não vai voltar à rua, não pode voltar à rua. Seguirá para uma família que o fará tão feliz quanto merece e que receberá muito amor em troca. Porque eles sabem, eles sentem e são do mais verdadeiro que há.




9 de setembro de 2016

Curta

Todos os dias percorro parte de uma das principais auto-estradas do país. E quase todos os dias me apercebo que muitos homens não gostam de ser ultrapassados por uma mulher. É vê-los a mudar logo de faixa, a tentar colar-se, nervosos, envergonhados, sentindo-se inferiores, eu sei lá. Não entendo. Tenho um bom carro, tenho pé pesado e adoro conduzir (e conduzo muito bem, sem falsas modéstias, não sou só eu que o digo), não me excedo (muito, vá...) e, acima de tudo, não estou em competição, caros homens destas estradas. 
Agora digam-me, desse lado também confere?